Academia Gamer: Cansaço

“Para quem quer fazer exercícios de reflexão”

Olá crianças!

Creio que já conversamos um pouco a respeito disso uma vez ou outra durante algumas das edições da coluna, mas achei interessante colocá-lo no centro de nossas discussões desta vez.

Existe um paradoxo inerente a todo e qualquer jogo: enquanto jogamos, descansamos do “mundo real” e suas obrigações e chateações; contudo, esse mesmo jogo exige de nós esforço, dedicação e seriedade; portanto, descansamos com algo que nos cansa.

Sonic descansado sem ser jogando videogames. :-)

Por esta simples que razão que nós também não conseguimos nos sentir à vontade e dispostos a jogar quando estamos excessivamente cansados. Às vezes até mesmo um pequeno cansaço já serve de pretexto para que não liguemos sequer o console, quanto mais utilizá-lo para jogar alguma coisa.

Seria isso algum tipo de “falha” nossa? De modo algum já que o jogo não mudou em nada os requerimentos que sempre nos faz; somos nós que não temos ânimo (ou fôlego) suficiente para fazê-lo. Não existe jogo que é jogado por obrigação. No caso específico dos videogames, alguém que é obrigado a ficar apertando teclas em um controle não é um jogador; agora, quando este mesmo alguém o faz por livre e espontânea vontade, aí sim é um jogador.

Essa espontaneidade, vontade e condições de se dedicar à tarefa do jogo são essenciais para que haja jogo.

Isso significa que, se alguém está cansado e força a si mesmo a jogar alguma coisa, não está jogando nem um pouco. Um game cansa, mas descansa.

Compartilho isso com vocês porque esta tem sido, infelizmente, a minha experiência recente com videogames. Tenho jogado alguma coisa ou outra durante os finais de semana, mas nos outros dias, o cansaço que se origina da labuta diária me impede de tentar jogar alguma coisa. Não porque não queira jogar e nem porque não queira descansar, mas às vezes é melhor descansar com algo que não exige esforço algum de nós, como uma boa soneca.

É melhor se entregar genuinamente a um game do que ficar batendo a cabeça somente para “chegar ao final” de um sem nos divertirmos um instante sequer. Lembram-se de quando comentei que “diversão” nada mais é do que “fazer um desvio”? Se usamos este outro caminho por algum tempo, ficar com a cabeça pensando no que nos incomoda no outro (por exemplo, o próprio sono ou o excesso de tarefas que temos a cumprir) não permite que joguemos de verdade.

Isso exige muito esforço, não é? Andar de castelo em castelo, de mundo em mundo requer não só a persistência do Mario, mas também a nossa.

Por isso, fica o alerta: cansem-se muito jogando; mas não joguem se estiverem cansados. Até porque, se “jogarem” cansados demais, nem estarão jogando de qualquer jeito.

É isso que queria compartilhar com vocês hoje. Até o próximo post!

About Senil

Escritor e ouvinte de música em tempo integral que joga menos videogame do que gostaria. Fez miraculosamente uma dissertação de mestrado sobre Phantasy Star que praticamente ninguém deve ter tido paciência de ler.