Um post da série “ou vai, ou racha”…

Trails in the Sky é um daqueles jogos que eu tenho bloqueio para escrever aqui no Gagá Games (o outro é Earthbound). Já preparei dois posts diferentes, tão aqui nos rascunhos do WordPress há meses, mas os dois ficaram uma droga. Um blablabla miserável, uma perda de tempo que não resume o que faz desse jogo algo tão especial. Vamos ver se esta terceira tentativa emplaca.

Eu sei, Estelle, mas eu vou tentar de novo, e se ficar ruim esse povo vai ter que aguentar

Trails vem de uma longa linhagem de games que remonta aos anos 80, e eu nem vou tentar explicar tudo para vocês. Ninguém precisa se preocupar com arqueologia gamer para jogar, visto que Trails começa tudo do zero, é um lance meio Final Fantasy onde os jogos estão ligados pela “vibe”, e não pela trama ou pelos personagens.

O que realmente importa é que Trails é um RPG japonês desenvolvido pela Falcom, e a Falcom é uma das coisas mais deliciosas do mundo dos videogames. Se o mundo fosse um grande freezer, a Falcom seria o Galak, que é secretamente o melhor picolé do mercado e dá de mil no Chicabom. A série Ys? É da Falcom. Yuzo Koshiro? Começou lá. Tetsuya Takahashi, criador da série Xeno(Gears/Saga/Blade)? Começou lá também. Deixa eu aproveitar e contar um segredo para você, pobre alma que nunca jogou nada da Falcom: os jogos da Falcom têm as melhores trilhas sonoras do mundo dos games. Final Fantasy my ass.

Pelas fotos, vocês devem estar sacando que esse é um joguinho ali do início dos anos 2000, quando a gente já tinha uns polígonos bonitinhos na tela. Saiu para PC primeiro, depois chegou ao PSP da Sony, mas tudo isso lá no Japão. No ocidente mesmo, só pintou em 2011, sendo que a versão PC deu as caras em 2014. Apesar de Trails ser meio velhusco, dá para jogar em 1080p e, na minha humilde opinião, o visual é uma lindeza. Não me perguntem se é upscale e outros bichos porque eu não sei, o que me interessa é que o jogo fica muito bonito no meu monitor.

A minha jogatina de Trails começou em 2014. Comprei o jogo no Steam, botei para rodar e joguei por algumas horas. Ótima música, joguinho simpático, mas começa devagar pra caramba. Eu tô acostumado com JRPGs onde a gente conversa com as pessoas nas cidades e ninguém diz nada de interessante, então eu sempre quero logo sair correndo para uma dungeon, mas no Trails foi batendo uma moleza… dei um bom rolê pela cidade, fui conversando com o povo e o papo tava bom. Vejam só, todos os NPCs da cidade tinham nome; eu ousaria dizer até que tinham personalidade.

Combates por turnos, bem tradicionais

A história principal se movia a passos de tartaruga, mas sempre que eu fazia alguma coisa minimamente relevante, as falas dos NPCs mudavam. Nessa época, eu ainda não sabia que a localização do segundo jogo (que tem mais de três milhões de caracteres japoneses) quase tinha levado um dos envolvidos ao suicídio, mas já dava para perceber que tinha muito texto no jogo. E texto bom, porque quando eu notava que as falas dos NPCs tinham mudado, ia conversar com todo mundo outra vez.

Nesse início, você controla os dois protagonista. Um deles é o Joshua, um jovem… misterioso… e amnésico… que foi adotado… peraí, não fujam ainda, me deem uma chance de vender o jogo para vocês. A outra protagonista é Estelle Bright, que num primeiro momento parece a típica menininha histérica e irritante de JRPG, mas vou pedir outra chance aqui. Leva umas boas horas para os personagens esquentarem, então vocês vão ter que confiar em mim e na Falcom.

A Estelle sozinha já vale o jogo

Às vezes a lentidão do Trails me incomodava e eu largava o jogo. Ficava semanas, meses, sem jogar, aí num fim de semana qualquer eu me animava e jogava por algumas horas. Nesse vai, não vai, 2015 chegou, e eu continuei fazendo longas pausas entre as minhas jogatinas, mas as sessões de jogo foram ficando mais extensas e prazerosas. Raramente eu passava mais que um fim de semana ligado no jogo, mas eu curtia a experiência, e em meados de 2016 esses fins de semana pontuais foram ficando muito gostosos. A trama em si continuava lenta, mas eu tava curtindo um bocado esse lance de saber sobre a vida do padeiro, do dono do bar.

Essa fofocada toda é alimentada propositalmente pelo sistema de quests, que lembra um pouco a Hunter’s Guild de Phantasy Star IV. Para quem não jogou nem PSIV, nem Trails, funciona assim: você pertence a uma associação de profissionais que zela pelo bem estar dos locais. Quando alguém tem um problema, abre um pedido na associação local (toda cidade do Trails tem uma), e o profissional que estiver disponível vai resolver a pendenga. Exterminar monstros, desvendar um mistério, salvar gatinhos, vale tudo.

Steampunk para vocês

Quem quiser pode passar zunindo pelo jogo e ignorar as quests, mas simplesmente não faz sentido. O grande babado do Trails é justamente essa convivência ordinária, essa rotina quase burocrática nas cidades. As quests te levam a conversar várias vezes com todo mundo, a passar pelos mesmos lugares, e aí você vai conhecendo as pessoas, as esquinas. Eu tenho um problema crônico com RPGs: minha memória é ruim e depois de algumas horas eu me perco na trama. Sempre zero RPGs sem entender nada do que aconteceu. Mas no Trails, a gente dá tantas voltas no mesmo lugar que a história vai se fixando naturalmente, é uma coisa muito engenhosa.

Nem vou me estender muito sobre os personagens principais, porque é inútil tentar explicar. Eu precisei de uns dois anos com Trails para me tocar que adorava o elenco. Uma coisa que me irrita muito nos RPGs de videogame em geral é que, embora esses jogos tenham mais de 60 horas para envolver a gente, eles sempre pegam atalhos para emplacar os personagens. A morte de um ente querido, uma reviravolta biruta na trama, vale tudo para conquistar a simpatia do jogador do dia para a noite.

No Trails, não tem essa. Nada de muito especial aconteceu com os meus personagens até agora. Não morreu ninguém, o Joshua não recuperou a memória e eu ainda não sei se o que aconteceu com o pai da Estelle. Tomem esta: dizem que o jogo termina meio que pela metade, e que você tem que mergulhar imediatamente na continuação (que é mais longa ainda) para ver a história completa. Tudo isso porque Trails não é movido por eventos, mas sim por interações. O jogo precisa de tempo para deixar os personagens mostrarem quem são, e é pelas conversinhas triviais deles em quests insignificantes que vocês os vai conhecendo. Resumindo: aquilo que na maioria dos RPGs é um intervalo entre aventuras, no Trails é o grosso da aventura.

Nesse embalo, eu fui jogando, jogando, jogando. Quando dei por mim, tava aqui, com 80 horas de jogo, prestes a entrar no quarto ano da minha jogatina. Como isso aconteceu? Em que momento o jogo me fisgou? E eu sei lá.

É como diz a canção:

“Ao meio-dia eu tava em Mato Grosso, do Sul ou do Norte,

Não sei explicar.

Só sei dizer que foi de tardezinha,

Eu já tava cantando em Belém do Pará.”

Ok, este post também não ficou grandes coisas, mas vou soltar logo porque pelo menos assim eu paro de gastar horas escrevendo posts sobre o jogo sem nunca publicar. Entrei no capítulo final há alguns meses, então presumo que eu vá terminar a jogatina e começar o segundo jogo no ano que vem. Aguardem que em 2023 eu volto para contar para vocês como foi minha experiência com a continuação! ^_^

Amanheceu, peguei a viola e fui jogar Trails in the Sky

10 thoughts on “Amanheceu, peguei a viola e fui jogar Trails in the Sky

  • 05/12/2017 at 12:11 pm
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    Mas já vai terminar?! Tão rápido? ^_^
    Você tá indo muito bem!
    Levei “só” 7 anos para acabar o primeiro The Witcher.

    Acho que alguns RPGs são como chocolate: devoro como se não houvesse um amanhã e, depois que tudo acabada, fico enjoado e não consigo comer chocolate de novo por um bom tempo. Outros são como sushi. Leva um tempo até meu paladar se acostumar. Mas vai ficando cada vez melhor a cada iteração. Apesar disso eu nunca vou comer sushi como se os peixes fossem acabar amanhã. Nesse caso o bom é saborear de devagar.

    Há pouco tempo joguei um RPG “chocolate” que tomou 60 horas da minha vida menos de 2 semanas. Como eu não sou egoísta, vou indicar para não ficar sozinho nessa. Dá uma olhada você também Orákio, é um JRPG bem estiloso com um combate old school delicioso. Chama-se “Battle Chasers: Nightwar”.

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  • 05/12/2017 at 4:25 pm
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    hahahah boa Gaga, eu to jogando o FF VII desde o seu lançamento, ainda não terminei, mas gosto de voltar e jogar um pouco. Na vdd acho que gosto de ter ele sempre ali, prontinho para jogá-lo.

    Sempre fiquei de ‘zóio’ nesse Trails in the Sky, mas acho que vou deixar ele ali no canto por eqto!

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  • 06/12/2017 at 4:17 pm
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    Parece um jogo bem caprichado. Por algum motivo me lembra muito o Grandia de saturn e ps1. Acho que às vezes somos meio exigentes com nossos próprios textos, assim por vezes demoramos a publicar. E a inspiração para escrever é algo muito subjetivo, realmente depende do humor. Quando temos muitos compromissos isso fica um pouco mais complicado. Eu recomendo que leve na boa os posts, senão você demora uma vida para publicar e o público do Gagá Games sente falta… O post ficou bom sim! Conseguiu me fazer ter a curiosidade de conhecer o Trails, jogo que sempre vinha ignorando. Quem sabe depois que minha rotina ficar mais regular eu consiga… RPGs estão sendo uma dificuldade há algum tempo porque sempre eu começo, passo um tempo longe e quando eu volto, esqueço de tudo. Pra mim perde a graça. Acho que nem é por não ter tempo , mas sim porque minha rotina anda irregular. Muda muito, sabe. Ainda estou esperando isso acontecer para poder reatar com os RPGs…

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  • 11/12/2017 at 8:15 am
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    Fábio Rodrigues,

    Sete anos para fechar The Witcher? E eu, que nem comecei ainda? Mas espere, que lá para 2023 eu com certeza já estarei no segundo!

    Boa a dica do Battle Chasers, já tinha ouvido uns comentários positivos. Coloquei na minha wishlist, thanks!

    Matheus Cavalheiro:
    hahahah boa Gaga, eu to jogando o FF VII desde o seu lançamento, ainda não terminei, mas gosto de voltar e jogar um pouco. Na vdd acho que gosto de ter ele sempre ali, prontinho para jogá-lo.

    Sempre fiquei de ‘zóio’ nesse Trails in the Sky, mas acho que vou deixar ele ali no canto por eqto!

    Rapaz, se você tá jogando FFVII desde o lançamento e não zerou ainda, é melhor já ir treinando o seu filho para se encarregar da segunda metade do Trails in the Sky ^_^

    Lucas:
    RPGs estão sendo uma dificuldade há algum tempo porque sempre eu começo, passo um tempo longe e quando eu volto, esqueço de tudo.

    Ih, eu sou igualzinho. No Trails eu me acertei por causa do lance que falei, a história anda em círculos por algum tempo, então você vai relembrando fácil, mas lembro de quando joguei Twilight Princess. Foram umas trinta horas de jogo, aí larguei por seis meses. Quando retomei… wtf? Eu tinha esquecido tudo! Fui no Youtube e fiquei uma hora lá, avançando um Let’s Play para lembrar dos pontos mais importantes. E não é que funcionou?

    Há uns anos eu larguei um RPG exceleeeeeeente pertinho de zerar (Divine Divinity, de PC). Eu sabia que ia esquecer tudo, então mandei um e-mail para mim mesmo resumindo toda a trama até aquele ponto para o meu “eu” do futuro, he he!

    aki é rock,

    Trails é uma ótima pedida. Só tenha em mente que é jogo para curtir lentamente: demora para embalar e leva uma eternidade para terminar.

    Marcelo,

    Eu andei pensando em demitir o encarregado pelo marketing do blog. O problema é que o encarregado sou eu ^_^

    Eric Fraga,

    Blue Dragon é outro que eu queria testar. É do Sakaguchi, né? Meio underdog, do jeito que eu gosto.

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