Der Langrisser (banner )

Olá crianças!

Eu escrevi dois pequenos adendos ao final deste post. Mas decidi colocar um deles aqui ao início porque se refere a aspectos mais gerais do jogo que tratei antes.

Um detalhe interessante é a grande influência de alguns aspectos de uma cultura germânica (mais alemã, inclusive) pelo uso de termos como Kaiser (ao invés de “imperador”) e o próprio “Der” antes do nome da espada que nada mais é que um artigo definido da língua alemã. Conforme jogarem, perceberão algumas outras coisas, mas estas são as mais descaradas mesmo. Não pensem que isso seja ruim; pelo contrário, ajuda a sair um pouco do chavão e permite que um jogo japonês utilize outras referências culturais que não a sua própria idealizada numa versão romântica e idílica.

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Acima, três descendentes da Luz. Elwin é o de cabelo vermelho.

Mas vamos logo ao que propus com este segundo post sobre Der Langrisser, um game “sehr gut“. Tentei pensar em algum adjetivo alemão para usar, mas há anos que não estudo esse idioma então fiquei com algo bem tosco mesmo. Espero que não se incomodem com este comentário infame e despropositado. 😛

OUTRAS VERSÕES E POR QUE RAIOS JOGAR ESTA (E AS OUTRAS)

Não se deixem enganar pela ausência de números! Der Langrisser é um remake; mas não do primeiro jogo da série, e sim de Langrisser II que foi lançado originalmente para Mega Drive. Aliás, este último foi meu primeiríssimo contato com essa belíssima franquia. Contudo, alguns não gostaram dos personagens SD (super deformer) da versão do console da Sega e, quando fizeram um port para o SNES, resolveram fazer tudo de novo e tirar o número (já que o primeiro não tinha sido lançado para o console). Como falei, nesse transporte, modificaram muitas coisas. Os gráficos, mais notoriamente, mas também a dificuldade, os exércitos e as árvores de classes.

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A partir da superior esquerda, em sentido horário: contratando mercenários; soldados SD se enfrentando; menu de magia; escolhendo o alvo do ataque.

A dificuldade de Langrisser II é estupidamente alta! Nunca consegui terminá-lo; acho que é até meio impossível de vencer sem usar códigos para retomar cenários já vencidos. O maior problema da versão de Mega Drive é que você ganha a experiência por unidade derrotada; ou seja, se derrotar o general logo de cara (derrotando automaticamente todos os soldados dele), você ganha pontos de experiência somente pelo líder. Em Der Langrisser, ele conta os soldados contratados e lhe dá experiência por eles, mesmo que derrote o general direto (parece que é um pouco menos, mas é melhor que nada). Por isso Der Langrisser é mais fluido; os combates cansam menos. Para comparar, imaginem se, para vencer uma partida de xadrez você simplesmente tivesse que tirar todas as peças adversárias antes do rei em vez de armar alguma coisa com o exército inteiro do lado de lá. O primeiro caso seria tedioso (e em geral termina em empate, he he), mas o segundo é emocionante e põe à prova suas habilidades estratégicas. Este aspecto torna o jogo de Mega Drive mais maçante, mas também mais difícil e desafiador. Eu ainda vou conseguir chegar até o final dele! Prometo!

Quanto aos exércitos, Langrisser II permitia que cada general contratasse, de seus soldados disponíveis, tipos variados. Por exemplo, um general poderia contratar dois arqueiros, dois cavaleiros e dois gladiadores sem qualquer problema; bastava pagar o que cada um pedia e tudo certo. Em Der Langrisser você só pode contratar soldados de um mesmo tipo por general. Por exemplo, se Elwin pode contratar quatro tipos de soldados (cavaleiro, gladiador, arqueiro e lanceiro) e ele só tem cinco espaços para ocupar, somente pode escolher unidades de uma mesma classe.

A árvore de evolução de classes também tem uma ligeira diferença. Na versão de Mega Drive, cada vez que você alcança o nível 10 deve escolher uma nova profissão dentre três apresentadas. Em Der Langrisser, você pode escolher dentre duas opções somente. O que não é de todo ruim, devo dizer. Algumas classes eram bem infames (e toscas) em Langrisser II.

Agora, querem saber mesmo quais versões são definitivamente impecáveis? São quatro na verdade. São versões remake baseadas diretamente na versão para SNES, com a complexidade que ele trouxe em comparação com o original de Mega Drive; e com coisas a mais!

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Acima à esquerda: perguntas iniciais na versão em coreano para PC. Acima à direita: capa desta mesma versão. Imagem maior: cena do jogo mostrando gráficos refeitos.

Existem versões coreanas para PC dos três primeiros jogos da série Langrisser (e Langrisser Millenium, mas este parece ser dispensável he he). E antes que se lamentem e falem “Ah, em coreano?!”, lembrem-se que eu não manjo absolutamente nada de japonês. Portanto, para mim, coreano, chinês e japonês é tudo grego. 😛 Estas versões são muito interessantes, e próximas das versões lançadas para três consoles diferentes. Aliás, minto, essas versões para PC são superiores em quase tudo como, por exemplo, os gráficos refeitos. Somente a música é de qualidade inferior; tiveram que diminuir alguma coisa para caber em um CD comum; mas isso é relativamente fácil de se ajeitar se souberem como. Tive que fazer algo semelhante com a versão PC para Langrisser I, traduzida para o inglês, e funcionou impecavelmente: excelentes gráficos e áudio sensacional.

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A partir da superior esquerda, em sentido horário: tela-título da versão para PC-FX; menu principal de combate; soldados lutando; menu de seleção de magia.

A primeira versão que surgiu baseada no sucesso e boa recepção de Der Langrisser, e a melhor de todas na minha opinião, é a versão para o PC Engine FX, o console de 32 bits da NEC (não confundir com o PC Engine, que veio antes). Um dos melhores consoles já lançados e, infelizmente, com um único jogo traduzido (não-oficialmente) para um idioma mais acessível. Não são poucos jogos bons que ele possui; é uma pena que não tenha chegado ao ocidente. Enfim, o jogo recebeu o nome de Der Langrisser FX e contém algumas modificações nas telas dos personagens, um pequeno bug gráfico no começo do jogo, algumas músicas a mais e cenas de anime! E boas, por sinal. E como os personagens e seus destinos são os pontos fortes do game, isso acrescenta muito à experiência. Além das aberturas. Uma delas é mais geral e introduz o jogo (mais animada e empolgante); a outra é mais soturna e explica um pouco o começo da história. Podem ver a primeira clicando aqui e a segunda, terei que ficar devendo porque a qualidade do vídeo que encontrei está terrível. Ah, e a partir dessa versão o jogo passou a ser dublado; todos os diálogos principais (antes e depois de batalhas) têm vozes. É pela relação de tudo isso que considero esta a melhor versão; embora os melhores gráficos sejam, sem dúvida, das versões de Saturn e de PC.

As outras duas versões foram relançadas em pacotes com os outros jogos da série para Sega Saturn e Playstation (PSX). Foram diretamente baseadas na versão para PC-FX sendo, portanto, remakes do remake de um remake. 😛 A versão de Playstation é praticamente idêntica a ela, inclusive; tem somente algumas diferenças gráficas (notadamente durante os combates) e o pequeno bug migrou do visual para o áudio. O que é um ponto muito negativo para mim que adoro as músicas do jogo… a versão de Saturn, por sua vez, tentou tornar o jogo mais próximo de Langrisser IV e V; não só mudou um tanto mais os gráficos (tornando-os mais bonitos) como até mesmo chegou a adicionar uma outra ramificação possível em um dos caminhos que Elwin pode tomar no curso da história. Não pensem que sou um “sega fanboy”, mas realmente a versão de Saturn é superior à de Playstation; a Masaya fez uma excelente adaptação (e não mera conversão). Modificou algumas músicas (para pior), isso não nego; mas muitas tiveram arranjos melhores que a original. Apesar disso tudo, um dos poréns que me fazem pensar que estas versões mais acessíveis não são melhores que a de PC-FX é que eles tiraram algumas cenas de animação. Ou seja, a versão de PC Engine não só é mais próxima do “original primeiro remake de Langrisser II” (vulgo Der Langrisser), como também tem mais cenas de anime, que acrescentam ao entendimento da história; essencial se você não sabe nada (ou muito pouco) de japonês.

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A partir da superior esquerda, em sentido horário: tela-título da versão de Sega Saturn; menu inicial de cenário; Elwin como bispo (Bishop) atacando; imagem do início do primeiro turno do jogador.

O japonês/coreano não atrapalha muito, principalmente se jogarem antes uma versão traduzida. A maior parte do jogo se dá nas batalhas e se decorarem a posição de cada item nos menus, conseguem se virar numa boa. Eu consegui avançar uns quatro cenários sem dificuldades linguísticas, apreciando cenas de anime enquanto isso.

Um aspecto inerente a todas estas versões (além das ombreiras gigantescas dos personagens) e que se mantém impecável em todas elas é a fabulosa trilha sonora. Como baterista que sou, não são poucas as vezes que largo o controle um pouco para poder prestar atenção na música e arriscar imitar (ou melhorar) a parte percursiva das canções. E as de Langrisser pedem isso. Não por serem faixas marciais, mas que elas combinam com os exércitos, os personagens e as batalhas isso é inegável! Um pouco como em Phantasy Star III, Der Langrisser tem um sistema complexo de mudança de música durante as batalhas. Há a mudança comum quando a vez passa do jogador para o computador, mas também quando há a chegada de reforços (sejam aliados ou inimigos) e quando determinado personagem fala, aparece ou desaparece.

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À esquerda, Elwin escolhendo quem atacar (versão PSX). À direita, o resultado da escolha (versão PSX).

Isso, claro, é mérito do grande Noriyuki Iwadare. De todos os compositores de músicas para videogame, ele é o meu segundo favorito. Não conhecem o cara pelo nome? Bem, que tal se eu disser que, além de ter feito a trilha de todo jogo da série Langrisser ele também é o compositor da série Grandia, da série Growlanser (também da Masaya) e, o mais popular de todos, a famosa franquia Lunar? Percebem que ele varia muito de estilo? Isso é legal em um compositor que circula bem por vários estilos diferentes; admiro muito o trabalho dele principalmente por Grandia e Langrisser que têm músicas muito boas e que dificilmente enjoam (ao contrário de algumas de Lunar que, apesar de muito bem feitas chegam a cansar às vezes…). Isso tudo não serviu para empolgá-los? Então acrescente mais uma: ele foi o responsável pela inacreditável adaptação da trilha sonora de Ys III para o Mega Drive. Se ainda assim não perceberem a qualidade das com posições desse sujeito, coloco o link para uma das músicas dele em Der Langrisser (Langrisser II na verdade) bem aqui.

Bom… era isso que queria compartilhar com vocês. Minha recomendação final, então, é essa: joguem Langrisser II! Em qualquer versão que conseguirem pôr as mãos. É uma experiência que pode deixá-los fascinados pelo jogo ou fazê-los abandoná-lo tão logo o iniciem. Mas não custa nada tentar, certo? E não se preocupem se não jogaram o primeiro; não faz muita diferença já que embora uma ou outra referência poderia ser divertida, nenhuma delas é “imperdível”, por assim dizer.

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Acima: “Elwin seu safadinho!” 😛

Depois que jogarem esse jogo podem até se sentir mal. Nunca um game fez com que me sentisse tão próximo dos “vilões” do que este. Sabem aquele tipo de adversário que ao invés de ser “chato” nos imputa aquele grande respeito e consideração que hoje em dia costumamos ter somente pelos nossos amigos? Por isso que digo desde já: as escolhas que enfrentarão em sua angústia e imaginação serão ainda mais difíceis de se dobrar do que os encontros em planícies e montanhas sujas de sangue, dor e perdas preciosas. A misericórdia pelo inimigo pode ser enfiar-lhe a lâmina em seu coração, mas… e se esse inimigo tiver sido seu amigo? O que você fará?

Até a próxima!

Post Scriptum: antes que me esqueça, é preciso dizer que, se forem procurar a tradução de Der Langrisser ou Langrisser II devem tomar algumas precauções. Sobre a versão de Mega Drive, existe uma tradução bem antiga e incompleta (falta o final) e recheada de bugs (inclusive a impossibilidade de usar os slots de save nativo do jogo); procurem uma mais recente, portanto. Quanto à de SNES que enfoquei aqui, existem também duas versões: uma bem precária (somente um dos caminhos traduzido) e uma outra completíssima que levou sete anos para ser um dos melhores trabalhos de tradução que já vi.

Der Langrisser (SNES) – Parte 2 de 2
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13 ideias sobre “Der Langrisser (SNES) – Parte 2 de 2

  • 01/09/2010 em 9:08 am
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    Cara, fiquei com vontade jogar, parece ser muito bom, gostaria de saber se a versão de Mega, está em japonês – prefiro o inglês do que o japones, os risquinhos deixam minha cabeça confusa -.

    P.S: Nunca ouvi falar de Growlanser e Lunar? São jogos de aventura ou RPG?

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  • 01/09/2010 em 12:46 pm
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    @Luis Felipe
    A versão de Mega Drive tem duas versões de tradução ao inglês. Mas são não oficiais e teria que ser na base de patches de tradução de rom mesmo.

    Growlanser é uma série de RPG tático, muito semelhante à Langrisser, e que se passa em outro universo. Começou no Playstation, mas tem para consoles mais recentes. Nunca joguei; contudo, ouvi falar bem da série (que parece ter alguns títulos em inglês). Já Luanr é uma série famosíssima pelos trocentos remakes que tem e que começou no Sega CD com o jogo Lunar: Silver Star. São só dois jogos, em várias versões para vários consoles. Eu recomendo os dois Lunares; ambos têm versões em inglês.

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  • 01/09/2010 em 1:37 pm
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    Na parte final que você falo que sente respeito sobre os oponentes no jogo, me lembrou muito o valkyrie profile do ds, vários caminhos com vários inimigos memoraveis( pelo menos eu achei) se possivel da uma jogada creio que não ira se arrepender

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  • 01/09/2010 em 9:53 pm
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    Que jogo memoravel pelo jeito só de ler esse post me deu uma vontade de baixar pra conferir o jogo e sua historia maravilhosa vou ver se baixo de psx ou psp pra ver as cenas de animes e ouvir as musicas como você disse Senil que são muito boas .

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  • 01/09/2010 em 10:12 pm
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    @kleber
    Opa! Que bom que gostou!

    Só uma dica, se for jogar em japonês mesmo (já que só as versõs para os 16 bits tem tradução) e fizer questão das cenas de anime, tente procurar a versão de PC-FX porque tem mais cenas de anime; a versão de PSX tem algumas a menos.

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  • 17/10/2010 em 8:03 pm
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    A versão Saturn é minha preferida, joguei ela ano passado em emulador(depois de anos de espera) e além dos graficos e som excelentes, um dos caminhos novos é o “sonho” de qualquer um que gostou do storyline do game. 😀

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  • 18/10/2010 em 2:29 pm
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    @Marcio Yukio Lima
    Eu gostei mais dela também, mesmo tendo tido pouco tempo para jogar. Fora que, sem saber japonês, nem teria como aproveitar esse outro caminho direito. Dá para jogar sem entender o idioma numa boa, mas ficaria aquela sensação de “estou entendendo pouco onde raios me meti”. hehe

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  • 19/10/2010 em 9:25 pm
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    @Marcio Yukio Lima
    hehe Eu joguei “na raça” mesmo os dessa versão de SNES; deixei um save no primeiro cenário com uma das decisões cruciais e partia sempre daí.

    Esse caminho alternativo da versão de Saturn parte de onde afinal? Li algo a respeito, mas nun ca entendi muito bem. Coloca um “spoiler alert” se for responder. hehe Vai que estraga a surpresa de muita gente.

    Pode linkar à vontade! Eu curto muito a série como um todo e é quase certo que vou falar de outros quando tiver um tempo para me dedicar mais a eles. Fique atento, então. hehe

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  • 05/01/2014 em 4:34 pm
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    eo conseguir terminar Lagrizer II o e so vc escolher cavalo pra vencer o ultimo chefer o ruim e que ele tem 72 de ataque e se eu não me engano 48 de defesa enquanto elwin no king com a espada Lagrizer fica com A:47 D:48 Der Lagrizer e mesmo facil perdo da versão do mega driver.

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