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Tendo aberto um baú estranho, o grupo viu-se diante de uma névoa e uma voz gutural que falava com eles: era Dark Force.

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Antes que pudéssemos ter realmente visto alguma coisa, os sons de mortos e espíritos perambulando cheios de ódio e dor era complementado pelos grunhidos semelhantes a um bando de animais selvagens famintos ao redor de sua presa. Até que, finalmente, uma voz com uma dicção mais próxima da que usamos gelou-me a alma ainda mais que os barulhos quase sem sentido. Esses sons ainda ressoam em minha mente e me lembro muito bem delas. Duvido que alguém que a tivesse escutado a esqueceria: “Eu sou Dark Force, mestre da morte! Seu pesar, raiva e dor são a minha força. Observem o meu poder e o desespero de vida, tolos! Eu irei adorar grandemente suas mortes dolorosas!”.

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Esse aviso fez com que eu segurasse a espada mais firmemente. Eu cheguei até ali e não seria pelas ameaças de alguma entidade, por mais poderosa que fosse, que me faria fugir daquilo. Quando a névoa abaixou um pouco, olhei para trás e vi que o brilho nos olhos de todos aqueles que me acompanharam em toda essa jornada (alguns até mesmo mais tempo do que eu próprio) emitiam o mesmo brilho que crescia e acendia em meu coração. A raiva que eu sentia, minha dor e meu pesar não serviriam para alimentá-lo e torná-lo mais forte. Eu não queria me desfazer de nenhuma dessas coisas que me tornaram aquele que eu sou; não iria trocar isso tudo por uma imortalidade infeliz como fizera Rulakir e como, tenho certeza, outros mais fizeram, fazem e ainda farão. Pelo contrário: eu usaria isso tudo para destruí-lo de uma vez por todas.

Quando ele se mostrou em toda sua força foi difícil não desviar o olhar. Sua aparência era repugnante. Ele não parecia ser o mal encarnado por parecer ser feito de tudo, menos carne. Gotas daquilo que poderia chamar de sua pele azulada pingavam no chão de vidro do subsolo de Lashute. A saliva de suas bocas parecia ser ácida e feriam o solo conforme caíam. Suas garras fortes e imensas eram quase do mesmo porte de um ser humano e poderiam nos dilacerar facilmente, sem o menor esforço. Seu tamanho era colossal. Não sabia como haviam sido capazes de prendê-lo em uma caixa como aquela. Éramos como moscas diante dele. Então, com um rugido emitido pela sua face principal ele tentou nos atingir com a sua garra direita.

Em um movimento rápido, eu consegui abaixar-me depressa. Wren, que estava mais distante, não conseguiu fazer o mesmo e acabou sendo atingido de raspão em seu braço esquerdo. Ao vê-lo atrás de mim, ajoelhado no chão, parecia que tinha feito aquilo de propósito já que, poucos centímetros de uma das garras, disparou à queima-roupa com sua arma destruindo uma daquelas unhas extremamente endurecidas. Isso fez Dark Force soltar mais um rugido, mas este de dor. Só que isso durou pouco. Ele tocou o membro ferido com o outro ainda inteiro e, instantaneamente, ele se regenerou. Kara gritou então, chamando a atenção de todos para ela que atirou a sua arma em direção àquela segunda garra, seu membro esquerdo ferindo-o um pouco.

Subitamente, Laya mostrou ter entendido e mirando com cuidado naquela mesma mão, atirou com seu arco e flecha de família. Dark Force gritou de dor, mas não fazia nada para curar-se. Será que aquela mão era a fonte da cura da outra? Enquanto ponderava sobre isso, Wren também mirou no mesmo alvo de Kara e Laya. Não a dilacerou como fizera com a outra, graças à distância, mas vi lascas voarem em todas as direções. Olhei firme para Mieu que balançou a cabeça afirmativamente para mim e corremos até a outra mão com nossas armas. Ela pulou sobre a mão dele desferindo dois golpes rápidos. Eu, no chão, seguindo o movimento para baixo do nosso atual alvo, esperei com a espada apontando para cima. Quando ela enfiou na pele azul e o sangue espesso e de cor indefinível corria pela lâmina, corri para trás, em direção aos outros dividindo-a em duas partes.

Dark Force agora não só se alimentava de dor e raiva. Ele os sentia. E como sentia. Kara e Laya ficavam distantes atirando como podiam suas armas em direção àquela garra enfraquecendo-a cada vez mais. Eu e Mieu tentávamos nos proteger da outra e das técnicas que ele usava contra nós. Wren, em certo momento correu e, como sua companheira andróide fizera, subiu sobre a mão esquerda de Dark Force e gritou para mim: “Fique longe!”. E ele disparou destruindo completamente aquela mão. Agora sabíamos que estávamos livres para tentar feri-lo de verdade. E foi isso que fizemos.

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Graças à sua perda, ele parecia menos confiante e também se recusava a abandonar o campo de batalha. Ele não falava nada, somente urrava e gritava para nos ameaçar. Eu e Mieu feríamos seus olhos enquanto os outros atiravam de longe em seu rosto principal. Agora, ele não nos botava medo. Nós é que fazíamos isso com ele. Nem sei dizer exatamente como tudo aconteceu deste momento em diante ou ainda quanto tempo se passara. Só sei que, em certo momento, ele tombou no chão com um grito mais agudo e longo do que antes. Quase um suspiro. E então ele voltou a dizer alguma coisa novamente: “Me arrependo de ter esmagado somente uma lua. Não tema porque eu retornarei de novo em mil anos. Você vai estar morto, mas visitarei seus descendentes! Será uma reunião muito alegre. Eu prometo!”. E então, como se dissolvesse no ar, ele sumiu. Nada do que fora seu corpo resistiu àquilo. Ele se fora, mas sabíamos que não para sempre.

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Diário de Bordo: Phantasy Star III – A terceira geração (12)
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4 ideias sobre “Diário de Bordo: Phantasy Star III – A terceira geração (12)

  • 04/12/2009 em 12:56 pm
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    >uma voz com uma dicção mais próxima da que usamos gelou-me a alma ainda mais que os barulhos quase sem sentido.
    R: Fico imaginando como seria essa voz.
    “Eu sou Dark Force, mestre da morte! Seu pesar, raiva e dor são a minha força. Observem o meu poder e o desespero de vida, tolos! Eu irei adorar grandemente suas mortes dolorosas!”.
    R: Uhúúúúúúú´! Vai começar a porrada!

    >Esse aviso fez com que eu segurasse a espada mais firmemente.
    R: Ainda bem que era uma espada, já pensou se fosse outra coisa…? Imagina só na hora de urinar surge uma situação dessa.
    😛

    >não iria trocar isso tudo por uma imortalidade infeliz como fizera Rulakir
    R: Falou bonito!

    >A saliva de suas bocas parecia ser ácida e feriam o solo conforme caíam.
    R: Esse Dark Falz tem cara de rato.

    >Não sabia como haviam sido capazes de prendê-lo em uma caixa como aquela.
    R: Devia estar “Zipado” lá dentro…
    🙂

    >Ele tocou o membro ferido com o outro ainda inteiro e, instantaneamente, ele se regenerou.
    R: Dá uma raiva quando esse FDP faz isso!

    >Será que aquela mão era a fonte da cura da outra?
    R: Pode crer malandro! Matando essa, a coisa vai que nem mamão com mel!

    >subiu sobre a mão esquerda de Dark Force e gritou para mim: “Fique longe!”.
    R: Essa seria uma manobra que eu imaginaria sendo feita por Rika. Ela é mais danada pra essas coisas.

    >Você vai estar morto, mas visitarei seus descendentes!
    R: Minha nossa! Não sei se interpreto isso como uma ameaça ou como uma promessa.
    🙂

    Mesmo ainda faltando a conclusão, acho que já posso dizer que o intuito desses diários de bordo sempre foi passar a sensação que sentimos quando nos aventuramos no passado nessas maravilhosas aventuras. E mesmo embora eu tivesse imaginado as coisas diferentes quando eu joguei Phantasy Star III no passado, mesmo assim, ao ler esses diários, tive muitas e boas recordações dessas épocas e… Cara! Sem “bricanagem” (Mistura de brincadeira com sacanagem), lendo esses diários, me deu mais motivação em escrever os diários de bordo do Phantasy Star II.

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  • 06/12/2009 em 12:33 pm
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    @J.F. Souza
    Se fosse para se borrar todo, isso teria acontecido sem sombra de dúvidas diante de um monstro desse. huahuahuahuha Aliás, ele tem mesmo uma cara de rato. hehehe

    Que bom que os diários têm ajudado você a se motivar a escrever seus diários de Phantasy Star II! Estou ansioso por eles desde que comentou que pretendia fazê-los!

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  • 05/01/2010 em 11:10 am
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    @Orakio Rob, “O Gagá”
    hehehe Foi uma escolha estilística. Como a idéia destes diários é mostrar um pouco do jogo, mas também é literatura, achei que seria legal para o povo que lê e nunca viu o jogo imaginar um pouco como o Dark Force seria somente com a descrição do Sean. Até porque, com toda essa névoa, duvido muito que o grupo (talvez com exceção dos andróides) tenha tido uma percepção clara da aparência dele como temos na tela do jogo.

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