Banner (Diário de Bordo de PSIII) (Sean)

Sean retoma seu relato após alguns dias sem prosseguir com ele.

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Parece que só mesmo a lembrança da voz, do odor, da visão que tive do Dark Force que me fizeram de fato reviver tudo aquilo pelo que passei até ali. Nada do que experimentei até hoje se aproxima daquilo. Não que tudo que vi, vivi e ouvi antes tenha sido algo irrisório. Muito pelo contrário. É que com aquela invasão sensorial que perfilava por cada célula de meu corpo, tudo me veio à tona naquele instante. A morte de meus pais, a destruição total de Azura tendo somente eu, Mieu e Wren como sobreviventes; Satera destruída; as revelações em Mystoke, no Castelo de Refúgio Celeste e Neo Mota; a possessão, inveja e delírio de poder de Rulakir e seu seguidores. Tudo isso.

Dark Force não só se alimentava de ódio e animosidade. Ele parecia incutir isso nas pessoas somente com a pronúncia de seu nome. Que dirá quando ele se colocava diante de alguém? Por isso que aquela batalha foi duríssima. Eu, ou melhor, nós tínhamos que derrotá-lo, mas não podíamos torná-lo mais forte com nossos sentimentos. Laya não poderia atacá-lo cegamente pensando em sua irmã controlada, como Orakio, em um embata lendário e tolo. Kara não podia fazê-lo pensando que seu pai e irmã também foram manipulados e que era seu dever honrar sua família agora fraca. Mieu não poderia pensar na morte de todos aqueles a quem serviu na linhagem orakiana até então (inclusive e principalmente meu pai e avô) além, é claro, da perambulação de Miun e seu ocasional desligamento. Até mesmo Wren teria que se portar corretamente; tendo conhecido Siren, o modelo padrão para toda a espécie de Wren, percebi que não somente os tipos como o de Mieu podiam sentir e expressar sentimentos; passei a crer que Wren era somente um pouco mais quieto do que o comum (teria ele sido um pouco diferente, ou mais fechado ainda, com meus antepassados?).

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Acho que foi por isso tudo e pela provável empatia que tinha com os sentimentos dos meus companheiros que, literalmente, não tive mais razões para segurar minha fúria. Sabia que ele estava distante e que seria tolice sofrer toda aquela energia dentro de mim mesmo me corroendo aos poucos. Abaixei-me um pouco largando a espada no chão que fez um grande ruído quando o cabo pesado tocou o forte vidro sob nós. E então, sentindo algo crescendo a partir de meu peito, me levantei e, abrindo os braços urrei e gritei alguma coisa que, segundo Mieu, foi mais ou menos assim: “Essa cidade é muito má para continuar de pé!”.

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Segundos depois, eu cai no chão, exausto. Enquanto fazia uma força descomunal para ao menos segurar a arma que me ajudara ali, ouvi Wren dizer que Megido estava destruindo a cidade toda. E então, já do lado externo, olhei e vi colunas sendo destruídas. O chão tremia sob nossos pés. Mieu gritou então desesperada: “Rápido! Temos que sair daqui!”.

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Enquanto descíamos aquela longa escada a partir do trono de Rulakir ela ia ruindo e Wren nos avisou, sem deixar de correr, “Não há tempo! Nunca conseguiremos!”. Quando chegamos ao final da escada, estávamos estafados e arfando muito, não tínhamos esperança de escapar. Repentinamente, Mieu fez o mesmo que eu. Sentou-se no chão e levantou-se com os braços abertos. Uma luz vermelha em seu peito brilhava, bem onde estaria seu coração. Uma luz azul então nos envolveu a todos nos protegendo de algumas pedras que caíam sobre nós. Me lembro de ter fechado os olhos e rido. Parecia que ia morrer, mas estava contente por ter cumprido a trajetória iniciada anos atrás.

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Foi com surpresa que me vi de pé sobre uma grama macia. Ainda podia ouvir pedras caindo sobre a água, mas os ruídos eram mais distantes. Laya e Kara estavam sorrindo, olhando uma para a outra e se abraçando. Wren pôs a mão em meu ombro e com os olhos indicou para onde Mieu olhava agora. Os sons que ouvíamos pareciam um longo grito enquanto Lashute caía do céu para o fundo do lago.

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Depois, seguimos para a cidade dos pilotos. Nem sei muito bem porque. Só sentia que tínhamos que ir até lá. Na sala de controle escondida de Aerone, víamos algo em uma tela que nos calou. Somente Mieu conseguiu dizer alguma coisa: “Vejam uma espaçonave exatamente como a nossa! Deve ser a outra espaçonave sobrevivente!” Então, Wren notou alguma coisa de diferente e disse que eles estavam nos mandando uma mensagem.

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E então, pudemos ler na tela principal o seguinte: “Olá Alisa III. Aqui é a espaçonave Neo Palm. Aquela explosão de antes atraiu a nossa atenção. Acreditávamos que Dark Force havia se erguido uma vez mais. E nos aproximamos para dar qualquer ajuda que fosse necessária. Contudo, como ainda estão aqui, assumimos que tenham vencido. Em mil anos, Dark Force ressurgirá. E então, daremos um jeito nele de uma vez por todas!”.

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Enfim. É isso tudo que julguei importante de ser contado.

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Este terceiro relato (um pouco mais longo que os outros dois) terminam os anais e crônicas de grandes governantes de Alisa III e seus satélites. Percebe-se que são falas acerca de determinada perspectiva que não cobrem tudo o que se passava a cada geração em todos os lugares daquele mundo. Mesmo assim, são algumas de nossas únicas fontes acerca desses acontecimentos; ainda bem que alguém insistiu para que isso fosse feito. Contudo, a pergunta que fica sempre, ao lermos relatos históricos, é a seguinte: “E se algo tivesse sido feito de forma diferente?”. E isso, não temos nunca como saber; mas podemos pensar e ponderar a respeito. Esperamos que, com isso, haja ainda esclarecimentos acerca da mui falada guerra entre Laya e Orakio da qual não tínhamos nenhuma explicação ou dados acerca do sumiço de seus líderes e sua suposta união repentina. Sean, depois disso, ainda auxiliou Sari e muitos outros reinos a se restabelecerem. Contudo, de maneira semelhante a seu pai e avô, também teve que pensar em matrimônio. Laya e Kara demonstraram, cada uma a sua maneira, interesses por ele. Não foi (e nunca é) uma escolha fácil. Os relatos disso não cabem aqui por não terem extrema relevância. Que isso tudo sirva de alerta para que pessoas como Rulakir se tornem raras e que Dark Force não cumpra sua promessa de visitar a família de Rhys nas próximas (bem próximas) gerações futuras.

Diário de Bordo: Phantasy Star III – A terceira geração (13) [Final]
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5 ideias sobre “Diário de Bordo: Phantasy Star III – A terceira geração (13) [Final]

  • 09/12/2009 em 9:11 am
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    Primeiramente, gostei do toque de mistérios entre este e o diário anterior…

    “Segundamente”, FOI MAL! só agora eu consegui tempo para comentar esse diário…
    😛

    >Não que tudo que vi, vivi e ouvi antes tenha sido algo irrisório.
    R: Cara! Eu costumo dizer o seguinte…: “Dependendo de como você vê a vida, pouquíssimas coisas são realmente irrelevantes.”
    😉

    >Dark Force não só se alimentava de ódio e animosidade. Ele parecia incutir isso nas pessoas somente com a pronúncia de seu nome.
    R: Esse com certeza é um dos aspectos que eu mais gosto, mesmo embora seja difícil trabalhar isso num jogo não há limite quando trabalhamos numa história escrita.

    >mas não podíamos torná-lo mais forte com nossos sentimentos.
    R: Essa com certeza é a maior de todas as vitórias contra esse patife! Vencer a nós mesmos, tornar de nós mesmo “leites azedos” no palato desse demônio que se alimenta daquilo que mais temos em abundância.

    >Laya não poderia atacá-lo cegamente pensando em sua irmã controlada, como Orakio, em um embata lendário e tolo.
    R: Num falei!? Sempre tem alguma coisa…

    >“Essa cidade é muito má para continuar de pé!”.
    R: Disse tudo cabrom! “Vamo” botar a casa em baixo!

    >“E se algo tivesse sido feito de forma diferente?”
    R: Taí uma coisa que eu procuro não pensar. Pois fica difícil dizer se essa mudança deixariam as coisas melhores ou piores do que a atual situação, tudo porque não temos controle de como os eventos da vida influenciam na nossa, mesmo sabendo em antecipação o que cada coisa vai acontecer, quem nos garante que teremos discernimento para lidar com isso da melhor forma possível, e o pior de tudo, quem garantirá que a vida corresponderá as nossas escolhas do modo mais produtivo…?

    >esclarecimentos acerca da mui falada guerra entre Laya e Orakio da qual não tínhamos nenhuma explicação ou dados acerca do sumiço de seus líderes e sua suposta união repentina.
    R: Queres matar a gente de curiosidade não é…?
    🙂

    >que Dark Force não cumpra sua promessa de visitar a família de Rhys nas próximas (bem próximas) gerações futuras.
    R: Se o final fosse aquele que eu mais gosto, com certeza isso aconteceria mais rápido do que você imagina.
    🙂

    Sabe o que eu estava pensando lá em casa ontem enquanto eu trabalhava numa história que eu estou escrevendo…? Que quando você esta escrevendo uma fanficção, pelo fato de já termos disponíveis toda uma biblioteca de mitologias da história já definidas, você tem a oportunidade única de treinar sua escrita sem precisar se preocupar com isso. Diferente de uma história totalmente nossa, onde temos que criar regras, descrições, personagens, peculiaridades sobre tudo incluindo suas nuances. Mas mesmo assim é um trabalho bastante prazeroso.

    Parabéns pelo diário!

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  • 09/12/2009 em 9:14 am
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    Suplemento…:

    Faltou uma parte do comentário que eu esqueci de incluir…
    😛

    >ouvi Wren dizer que Megido estava destruindo a cidade toda.
    R: A base para essa magia não seria sentimentos de ódio e derivados…?

    >Mieu fez o mesmo que eu. Sentou-se no chão e levantou-se com os braços abertos. Uma luz vermelha em seu peito brilhava, bem onde estaria seu coração. Uma luz azul então nos envolveu a todos nos protegendo de algumas pedras que caíam sobre nós.
    R: Me diz uma coisa. Afinal de contas, o Grantz é uma magia de proteção, ou de teletransporte tipo a fusão de Hinas e Ruyka…?

    >“Olá Alisa III. Aqui é a espaçonave Neo Palm. (…)”
    R: O fato de Nova Palma estar enviando o comunicado, me faz pensar em muitas coisa… Por exemplo, quem enviou esse comunicado…? Seria humano ou máquina…? Se esse “alguém” conseguiu detectar Alisa III, significa que esse mesmo “alguém” estava num centro de comando e tinha controle da rota de Nova Palma, o que me leva a outra pergunta…: “Com base nisso, pode-se deduzir que também há um centro de controle em Alisa III, mas quem a estaria controlando…?” Ou ela simplesmente estaria viajando pelo espaço controlada por um piloto automático…?

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  • 09/12/2009 em 9:31 am
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    @J.F. Souza
    Vamos lá! hehe Para variar, comentários muito pertinentes. hehehe

    Quanto ao “E se…” que comentei, nós nunca temos como saber o que realmente vai acontecer quando fazemos determinada escolha. Podemos ter uma leve noção, mas é sempre um tiro no escuro. Quando pensamos no que poderia ter acontecido se tivéssemos feito outra decisão, nunca poderemos saber com certeza o que aconteceria naquele outro caminho já que estamos em outro e não podemos nunca voltar atrás. Em um jogo como PSIII isso é bem claro, principalmente se você desconhece o resultado dos casamentos e dos finais (como quando se joga pela primeira vez).

    E sim, escrever um fanfiction é mais fácil por não termos que criar todo uma ambientação rica e coerente. Mas isso até nos amarra um pouco se ficarmos só batendo na mesma tecla do que já está estabelecido. É agradável com toda certeza, mas mesmo assim é um grande trabnalho. hehehe Recompensador, claro.

    A base para Megido é mesmo o ódio e a raiva. Curiosamente eu diria; afinal, a essência do Dark Force é mais ou menos essa. Se eu fosse designer de PSII, PSIII ou PSIV não colocaria só a perda de HP quando se usa ela, mas sua total inutilidade contra Dark Force (talvez até curando-o). Por isso que falo que Sean represou isso tudo para não nutri-lo e, no fim, tudo explodiu já que não tinha mais o temor de fazê-lo mais forte. Assim, acho que PSIII usa melhor a idéia dessa magia que PSII e PSIV.

    A Grantz em PSIII é tanto uma magia de proteção como de teletransporte. Ou ao menos eu a encaro dessa maneira. Em PSO é uma magia de ataque e não aparece em PSIV, o que dificulta saber qual seria a idéia original dela (se seria só teletransporte ou não).

    A Neo Palm devia ter uma “cidade de pilotos” como Aerone na Alisa III. O problema é que, com os domos selados, essa informação e importância acabou se tornando lendária (inclusive com a distância entre Aerone e Techna). A Alisa III não vagava à toa no espaço, mas não tinham bem um destino certo. Antes eram uma frota, mas sobraram só duas naves e Alisa III deve ter ficado incomunicável por, pelo menos, mil anos. Uma questão que fica é: em Neo Palm houve outro Dark Force ou eles somente guardavam melhor suas origens em Palma e as lendas acerca de Alis, Odin, Lutz e Myau?

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