Fiquei devendo a vocês um post sobre como estou aprendendo japonês, certo? Então vamos lá.

Quero que fique bem claro que aprender um idioma jogando videogame, assistindo a desenhos/filmes ou ouvindo música não é um sonho impossível. Eu mesmo aprendi praticamente todo o meu inglês com games, filmes e música. Nunca fiz curso para aprender o idioma, e hoje ganho a vida como tradutor profissional inglês > português (ok, eu me formei em inglês mais tarde para me profissionalizar, mas as aulas de Letras na UFRJ são ministradas em inglês desde o início, então você já tem que entrar na faculdade sabendo o idioma). Logo, esse é um projeto totalmente viável, desde que você tenhas as expectativas certas e faça a coisa direito.

Quer viver um intenso romance em Sakura Taisen que nem o Segata? Então… ESTUDE JAPONÊS, SEU MOLENGA!

Em primeiro lugar, você precisa definir os seus objetivos. Para que você quer aprender um idioma? Para consumir (ou seja, para entender o idioma escrito/falado) ou para produzir (escrever e conversar no idioma)? Se você quer produzir, talvez este método aqui não seja para você, porque você não vai ter com quem treinar a fala e a escrita, a não ser que frequente muito fóruns japoneses (ainda assim, você não vai ter como treinar a fala). Se sua intenção for essa, faça um curso para ter com quem conversar e ter um bom professor corrigindo e avaliando sua produção. Mas se você é um forever alone que só quer consumir mesmo e não está nem um pouco preocupado em falar ou escrever, continue lendo.

Em segundo lugar, você precisa fazer um esforço consciente para aprender o idioma. Não adianta passar dez anos assistindo anime ou jogando games japoneses achando que o idioma vai entrar na sua cabeça como mágica. Se vai ver anime, tem que ver com som em japonês e legendas em japonês, voltando as cenas toda hora para acompanhar a fala dos personagens e tal. Não é para curtir o desenho, é para estudar. Ontem mesmo eu levei mais de uma hora para assistir a um trecho de pouco mais de cinco minutos de Mononoke Hime. E com jogos o esquema é o mesmo: vai jogar um game em japonês, tem que tentar ler tudo, dicionário ao lado para aprender umas palavrinhas… ou seja, o início é chato pra caramba. A parte boa é que vai ficando cada vez mais fácil, e consequentemente divertido.

Meu objetivo

A princípio, minhas intenções com o japonês são as mesmas que eu tinha quando comecei a aprender inglês: quero entender o japonês escrito e falado dos meus jogos (animes são um bônus). Só isso. Não quero falar japonês, não quero escrever em japonês, não quero ser capaz de entender uma reunião de negócios em japonês nem saber qual é a maneira mais adequada de pedir respeitosamente ao meu honorável vizinho de 89 anos que me arranje um quilo de açúcar: só quero entender jogos de videogame em japonês. Portanto, vou usar mais ou menos o mesmo método que usei (sem perceber) para aprender inglês, só que com algumas modificações.

Aprendi inglês com foco total no vocabulário. Comecei a usar dicionário inglês-português quando joguei o primeiro Zelda (eu tinha uns doze anos). Eu ia traduzindo as frases com o dicionário, e como nos jogos de aventura/RPG desse estilo certas palavras se repetem muito, fui aos poucos memorizando algumas: sword, dungeon, bomb, shoot, run, kill, castle… em pouco tempo eu já tinha um repertório razoável de fantasia medieval. Não estudei gramática: sabendo as palavras e entendo as frases com base no contexto, eu fui sacando os tempos verbais, conjunções e afins. Ou seja, aprendi a gramática por dedução, o que é bem mais empolgante para mim do que ficar estudando teoria.

Aprender japonês não é tão diferente de aprender inglês, exceto pela grande barreira inicial: os três malditos alfabetos de símbolos esquisitos. Antes de resolver esse problema, você não pode começar a brincadeira.

hiragana_e_katakana

 Tabelão de hiragana e katakana. Imprima bem grande e cole na porta do banheiro.

Dos três alfabetos japoneses, dois (hiragana e katakana) são relativamente fáceis de memorizar e usados para formar palavras. Por exemplo, か é “ka”, そ é “so” e por aí vai. O que mata é o terceiro alfabeto, o inferno de óleo fervente dos monges de Calcutá mais conhecido como “kanji”.

Os kanjis dão um nó na cabeça de quem quer aprender japonês por vários motivos (têm desenho complexo, são incrivelmente numerosos, têm várias leituras e sentidos diferentes etc). Acho que é sempre melhor começar com metas modestas, então recomendo começar evitando ao máximo os kanjis. Jogos de 8 e 16 bits muitas vezes usam apenas hiragana e katakana devido a limitações técnicas, o que é um prato cheio para a gente. Nas gerações posteriores, jogos claramente voltados para crianças  usam poucos kanjis, e se você souber procurar kanjis nos dicionários online (vou ensinar por alto neste post) dá para se virar e ainda aprender alguma coisa. Mas não tem jeito, velho, hiragana e katakana você vai ter que decorar.

Vou apresentar agora algumas dicas e ferramentas úteis para quem quer começar a aprender japonês na marra, traduzindo os textos pacientemente, palavra por palavra, com seu fiel dicionário…

Pré-requisito: dominar hiragana e katakana

Como eu disse, sem saber esses dois alfabetos você não vai a lugar algum.

Eu aprendi na marra: botei Phantasy Star I e II para rodar, abri as páginas sobre hiragana e katakana na wikipedia e fui lendo todos os textos que apareciam no jogo. Quando digo “lendo”, não quero dizer traduzindo; com a lerdeza com que eu lia aquelas letrinhas miseráveis, ia ser um martírio se eu ainda fosse tentar traduzir. Eu sabia que tinha que aprender a ler aquele negócio com bastante facilidade e rapidez antes de mais nada, e recomendo que façam o mesmo. Leiam as frases dos jogos em voz alta toda hora, que aos poucos vocês vão pegando velocidade e memorizando.

rolf_e_nei_japa

“E aí, Nei, bora aprender japonês com Phantasy Star II?”

Você também vai precisar saber escrever em japonês no seu PC. Não vou perder tempo com isso porque tá assim de tutorial na internet explicando o assunto. Se você não tiver iniciativa para buscar essa solução no Google… melhor desistir de aprender japonês.

Tá difícil memorizar hiragana e katakana desse jeito? Calma, porque vou dar uma ótima dica agora para quem empacou nesse estágio.

Memorizando alfabetos e palavras com o Quizlet

O Quizlet é um site da web para quem quer memorizar palavras. Você cria um “deck” e vai criando “cartões” contendo o termo em japonês na frente e a tradução no verso. Depois, manda o Quizlet embaralhar aquilo tudo, ele te apresenta a frente dos cartões e você tenta lembrar da tradução que está no verso. Parece boboca, mas se você fizer isso uns 15 minutinhos por dia, vai memorizar tudo rapidamente (a minha memória é uma lástima e funcionou mesmo assim). O melhor de tudo é que já há decks prontos, incluindo decks de hiragana e katakana, é só dar uma busca lá. Tudo gratuito, sem pegadinhas.

quizlet_card

 Clicando no cartão você vê o verso: “península”. Útil para RPGs, não é?

Se você está achando isso de ficar virando cartãozinho um saco, é porque ainda não testou o Space Race, um ótimo minigame do Quizlet. Funciona como um daqueles jogos birutas ao estilo Typing of the Dead: as palavras do seu cartão correm pela tela, da esquerda para a direita, e você precisa digitar a tradução delas antes que elas sumam. É imensamente viciante e estimulante, ao menos para mim. Tem até high-score no final, legal pra caramba!

Se você já memorizou hiragana e katakana, vai querer usar o Quizlet para memorizar palavras. Mas quais palavras memorizar? Depende de por que você está aprendendo japonês. Como estou aprendendo para games, peguei algumas palavras desta ótima lista das 100 palavras mais usadas em animes. Muita coisa aí aparece em games também, então achei que seria um bom ponto de partida. Montei um deck e treino diariamente, sempre por 15 minutinhos. Também mantenho outro deck com palavras que vejo com frequência nos jogos, mas falo sobre isso mais adiante.

Cada um vai perceber seus próprios limites, mas eu aqui tento adicionar no máximo dez palavras por dia para não me enrolar. Aí, treino só aquelas dez palavras por uns cinco minutos, e depois faço um treino geral com todas as palavras que tenho no Quizlet por uns dez minutos.

Treinando o ouvido e a leitura com animes/filmes/músicas

Essa parte é muito divertida: ver filmes ou animes em japonês… com legendas em japonês ^_^

Outro dia peguei um filme japa chamado Helter Skelter. O filme é uma verdadeira loucura (se você gosta de filmes birutas com visual caprichado, vai adorar), e obviamente eu não entendi NADA do que estava sendo dito, rs… mesmo assim, eu tentava ler as legendas em japonês no ritmo em que os caras falavam. Logo percebi que isso era impossível no meu nível atual (todo mundo fala muito rápido e eu ainda leio devagar), então passei a ler as frases do meio para o final, ignorando os kanjis. É bacana quando você lê a frase e logo em seguida o ator fala no filme. Esse esquema está aumentando muito a minha velocidade de leitura e está treinando meu ouvido (aliás, entender o japonês falado não é tão difícil quanto parece). Fora que você se diverte no processo, porque os filmes orientais são interessantíssimos. Esse aí tem até mulher pelada uma atriz muito talentosa e um monte de sacanagem várias cenas inusitadas!

helterskelter

 Esse filme é s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l. É drama misturado com terror, coisa de louco! O visual é um estouro também.  Tem um ótimo review aqui: http://www.beyondhollywood.com/helter-skelter-2012-movie-review/

Essa dica vale também para anime e para música. O estilo J-POP é muito comentado, mas se ele não fizer sua praia, você pode tentar algo um pouco diferente. Eu, por exemplo, achava que música japonesa era tudo uma porcaria até conhecer a PUFFY, por indicação do meu (desaparecido) amigo ANTIDEUS. Depois dele torrar muito meu saco, baixei um disco (o “Nice”) da dupla e adorei! É um rock básico e divertido misturado com pop japonês, piração total.

Eu ajudo vocês aqui: o nome da música é “Akai buranko”

Achou um som que você curte? Aí, meu amigo, é letrinha na mão e vamos tentar cantar junto! Decorar letra de música é sempre mais fácil que tentar decorar um texto corrido. Fora que depois você pode bancar o gostosão para a sua namorada cantando em japonês 😛

Aumentando o repertório com games

A tal lista de palavras mais usadas em animes foi bacana, mas precisamos de mais palavras, certo? As minhas eu estou tirando de jogos e animes.

Outro dia dei umas partidinhas de Macross, o jogo de nave de Saturn que mencionei no post anterior (e que vai ganhar um post já já). No jogo, os pilotos se comunicam pelo rádio, e algumas palavras se repetem bastante: nave, inimigo, capitão etc. Essas são palavras típicas de jogos de nave, então coloquei-as no Quizlet. Depois peguei um pouquinho de Lunar, e naquele clima de fantasia medieval as palavras comuns são outras: vila, dragão, fogo… tudo para o Quizlet. Recomendo que peguem alguns verbos mais comuns também, não se atenham aos substantivos.

lunar_japa

Segunda linha, três primeiros caracteres: はやく (hayaku) significa “rápido!” (o Nall tá apressando o Alex). Palavrinha útil, vai pro Quizlet.

Mas… como eu vou saber que o りゅう que vi na tela significa “dragão” para colocar isso no Quizlet? Aí é que entra o poderoso…

Dicionário milagroso dos mil trovões JISHO

Esse dicionário é um presente dos céus. Aleluia, Senhor, Aleluia! Acessem aí: http://beta.jisho.org

Viu uma frase no jogo e não entendeu nada? Digite no campo de pesquisa do Jisho, mande ele procurar e seja feliz.

Japonês tem mania de escrever todas as palavras juntas, mas o danado do Jisho separa tudinho para você. Clicando em cada palavra, ele te mostra o significado: palavra tal é “dragão”, palavra tal é o verbo “andar” no passado etc. Uma delícia.

jisho

Maravilha o Jisho, maravilha. Você clica nas palavras da frase e ele vai explicando, uma a uma.

Se você se arriscar com kanjis, também poderá procurá-los no Jisho. Num mundo ideal, você escreveria o kanji no Jisho e faria a busca para saber a tradução, certo? Acontece que para escrever o kanji no computador você precisa saber como ele é pronunciado, e como a gente é burraldo e não sabe pronunciar kanji nenhum… como procurar aquela desgraça?

No Jisho você tem duas opções. A primeira é clicar no primeiro botão (à esquerda do campo de pesquisa) e fazer a busca por radical, onde você pode “montar” o kanji pegando partes dele. Tipo, “esse kanji tem uma bolinha no canto, uma cruz no meio e uns traços bizarros em cima”. Clique na bola, clique na cruz, e com um pouco de sorte o seu kanji vai estar lá entre as opções que o Jisho vai mostrar. Eu uso esse método direto e funciona muito, mas muito bem mesmo. A segunda opção (no segundo botão) é desenhar o kanji com o mouse. Nem sempre funciona, porque você não pode desenhar de qualquer jeito, tem que seguir um esquema específico para fazer os traços… acho que é mais para estudantes intermediários, que sabem a ordem dos traços para desenhar kanji.

No caso do Macross, os diálogos são escritos E falados, e muitas vezes na fala do cara eu consigo entender a pronúncia do kanji, o que facilita muito a minha vida. Nem preciso procurar por radical: apenas digito o que ouvi o cara dizer, aperto espaço e tá lá o kanji. Mais uma vez, como tudo neste método, isso fica mais fácil a cada dia.

Uma observação sobre a gramática

Eu já disse que não gosto de estudar gramática, gosto de ir por dedução. Mas no caso do japonês, há uma coisa bacana que vocês devem saber e que vai ajudar horrores.

O japonês tem partículas que indicam a função sintática dos elementos da frase. Traduzindo para quem é ruim de português: se a partícula は aparece depois de uma palavra, geralmente indica que a tal palavra é o sujeito da frase. の geralmente indica posse, do mesmo jeito que o ‘s (apóstrofo + “s”) no inglês, e に pode indicar lugar. Isso ajuda terrivelmente na hora de traduzir, porque o japonês não tem aquela nossa tradicional estrutura sujeito + verbo + predicado (na verdade, na maioria das vezes o verbo vem no final da frase).

Portanto, sem pânico, ninguém precisa se afundar em livros de gramática para seguir o meu método. Apenas leiam o básico sobre partículas na internet, o resto da gramática vocês podem aprender por osmose ou estudar mais tarde, quando já estiverem na fase de “aparar as pontas” do japonês de vocês.

Exemplo de estudo com games e animes

Como vocês devem estar mais interessados na parte dos games e animes, vou mostrar como funciona o meu típico dia de estudo com eles.

Ligo meu Saturn e ponho o Macross para rolar. Quando alguém diz alguma coisa pelo rádio, eu pauso o jogo, abro o meu programa de anotações (o Evernote, mas pode ser o bloco de notas) e copio o que o cara disse. Como o Macross tem alguns kanjis e eu ainda não estou caindo pesado no estudo deles para não me enrolar, costumo reescrever a frase com os kanjis transcritos para hiragana logo acima da frase original.

macross

Opa, pausa! Vamos lá, hora de ler a frase, tascar no Jisho e colocar as palavras-chave no Quizlet…

Em seguida, eu pego a frase e taco no Jisho para ele me dizer o que é o quê. Aí eu uso meus incríveis poderes de dedução para ligar os pontos e dar a minha melhor tradução para a frase, sempre fazendo um glossário com os termos-chave. Fica assim:

anotacoes_do_gaga

Você logo vai notar quais são as palavras mais relevantes para o jogo em questão. No caso do Macross, てき (oponente) e せんとうき (nave) me pareceram muito relevantes, já que vou passar o jogo inteiro vendo naves inimigas, certo? Logo, eu acrescento essas duas palavrinhas imediatamente ao Quizlet. E o resto da frase, vocês me perguntam? Vamos jogar fora? Sim. Não vou adicionar todas as palavras que encontrar para não pirar; primeiro, só as mais relevantes. Com um bom vocabulário, você logo vai começar a entender o resto da frase por dedução, e com a repetição, vai memorizar até o que jogou fora sem perceber.

Com anime o esquema é parecido. Quando a legenda pintar, pause, tente ler e solte o vídeo em seguida para ouvir o cara falando o que você leu (se seu programa de vídeo tiver a opção de adiantar um pouquinho a legenda para que ela apareça antes da fala, melhor ainda). Procure a tradução da frase no Jisho, identifique as palavras mais relevantes, coloque no Quizlet e seja feliz. Ontem, vendo Monoke Hime, peguei duas palavras que têm tudo a ver com RPG: かみ (Deus/espírito) e むら (vila).

mononoke

Mononoke Hime é tudo de bom. Atenção ao kanji 村 (vila), muito comum em RPGs também.

Enfim, velharada, essas são apenas algumas dicas do Gagá. Não garanto a eficácia do método porque ainda estou começando, e é bem provável que na tentativa de explicar como o japonês funciona eu tenha cometido algumas heresias das quais vou me envergonhar no futuro. Paciência. O que eu sei é que um método parecido funcionou comigo com o inglês, então eu levo a maior fé que vá funcionar agora com o japonês.

E vocês, o que acham do meu método? Querem fazer alguma sugestão? Quem tiver dúvidas aí, pode mandar!

Caso estejam achando esse blá-blá-blá sobre aprender japonês um saco, relaxem porque semana que vem tem um post bonitinho sobre Macross para a gente voltar a falar sobre games por aqui. Por hoje é só, pe-pessoal!

Ga-gá-guia: Aprendendo japonês com games/animes

25 thoughts on “Ga-gá-guia: Aprendendo japonês com games/animes

  • 08/09/2014 at 1:00 pm
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    Bacana mas eu acho que não vale o esforço.
    2100 kanjis (isso é só o básico) com 2 ou mais leituras para cada um, isso é fogo até para os japas que vivem rodeados do idioma todo dia, assistem aulas, conversam, etc. É um projeto possível mas exige uma dedicação fora do comum, talvez até maior que um vestibular concorrido.

    =] Eu teria vergonha de praticar falando em casa, sua esposa ja deve rido horrores de você cantando.

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  • 08/09/2014 at 1:02 pm
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    Gabriel:
    Bacana mas eu acho que não vale o esforço.
    2100 kanjis (isso é só o básico) com 2 ou mais leituras para cada um, isso é fogo até para os japas que vivem rodeados do idioma todo dia, assistem aulas, conversam, etc. É um projeto possível mas exige uma dedicação fora do comum, talvez até maior que um vestibular concorrido.

    =] Eu teria vergonha de praticar falando em casa, sua esposa ja deve rido horrores de você cantando.

    A propósito, o post está muito bom, coisa fina mesmo. De mais qualidade até do que blogs brasileiros dedicados ao idioma. Isso somado a sua maneira divertida e leve de escrever.

      [Citar este comentário]  [Responder a este comentário]

  • 08/09/2014 at 4:06 pm
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    coffeejoerx,

    Valeu, Joe! Boa sorte aí nos estudos!

    Piga “the ancient alien”,

    É, Piga, tem que ter um saco enorme para aprender assim, rs… não é questão de inteligência, mas sim de saco e disposição. Se você insistir, chega lá.

    Quanto aos alfabetos, é (mais ou menos) o seguinte: o hiragana é usado para escrever as palavras japonesas, tipo “arigatô” (ありがと, a-ri-ga-tô). O katakana é usado para escrever palavras estrangeiras, como “shield” (シールド, shi-ru-do), eles usam muito para equipamentos em RPGs. É até meio engraçado às vezes.

    Já os kanjis… tipo, você pode escrever “vila” em hiragana (むら, “mu-ra”) ou em kanji (村, que também é lido como “mura”). O grande lance dos kanjis é que um símbolo já representa uma ideia inteira.

    Gabriel,

    Quando a gente para pra pensar em quantas palavras um idioma tem, aprender qualquer língua parece uma insanidade. O problema é que não dá para pensar na língua em termos estritamente matemáticos.

    Por exemplo, são dois mil kanjis básicos. Memorizar a primeira metade é mais difícil do que memorizar a segunda. Afinal, com mil kanjis na sua cabeça, você pode topar com uma frase composta por dez kanjis, dos quais você conhece nove. Pelo contexto, você deduz o sentido do décimo kanji, e como as “situações linguísticas” (não é um termo técnico, inventei agora :P) tendem a se repetir, logo logo a mesma situação torna a acontecer. Sem perceber, você decora o maldito kanji.

    Aliás, eu nem queria decorar kanjis agora, mas sem querer já memorizei 30. Mas veja bem: eu não memorizei todos os sentidos/leituras deles. Memorizei apenas o sentido e a leitura que vi no contexto do jogo que eu estava jogando, então não memorizei “pra valer”. No entanto, esses kanjis já se repetiram algumas vezes, sempre com o mesmo sentido, sempre com a mesma leitura, porque eu os estou vendo só naquele contexto de aventura medieval dos RPGs. Ou seja, aprendi só o que preciso aprender, e aí fica beeeem mais fácil. Como minha intenção não é dominar a língua, tá de muito bom tamanho.

    Mas sim, é um baita esforço, sem dúvida. Fácil não é mesmo. Eu diria que vale o esforço para mim porque 1) gosto muito mesmo de coisas japonesas e 2) adoooooro aprender idiomas, isso é algo que me estimula. Logo, estudar japonês para mim é algo naturalmente interessante. Mas para muita gente, de fato, não vale o esforço.

    > Eu teria vergonha de praticar falando em casa, sua esposa ja deve rido horrores de você cantando.

    Para ser sincero, eu tenho um pouco de vergonha e só canto junto com a música quando a Fafá não está em casa 😛

    Fico feliz que tenha gostado do post, thanks a lot!

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  • 08/09/2014 at 4:57 pm
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    Boa, Gagá, acho que você sabe que meu esquema é mais ou menos esse também. O problema é de vez em quando faltar tempo para ler mais e praticar mais.

    Uma dica de ouro que outras pessoas que aprenderam idiomas nesse esquema me deram e que eu acho muito importante é a seguinte: se for usar flashcards como esse Quizlet, NUNCA faça cartões só com a palavra solta. Se quiser aprender uma palavra nova, crie um cartão com uma frase usando essa palavra (de preferência uma frase simples que você conheça o resto das palavras). O contexto faz uma diferença imensa na hora de lembrar. Onde arranjar as frases? Nesse ponto é que ter um bom dicionário faz uma diferença grande. Eu comprei um dicionario Jap-Eng barato da Kodansha que é muito bom e tem frases de exemplo em quase todas as palvras. Também tenho um dicionário que eu uso no NintendoDS que é fantástico (Jap-Jap, Jap-Eng e Eng-Jap). Até porque você pode consultar desenhando os kanjis, mesmo que não saiba a leitura.

    Outra coisa: se for usar flashcards, procure usar um sistema de Spaced Repetition (SRS). Eu uso o Anki e é excelente. Tem vários textos online explicando o princípio da repetição espaçada.

    Para Kana e Kanji eu recomendo muito o método Heisig. Eu tentei memorizar os kana na “força bruta” umas duas vezes e não funcionou, com o Remembering the Kana de Heisig aprendi tudo em menos de uma semana. É um pouco chato passar um tempo nisso (os kanji demoram mais de uma semana:)) porque você não está lendo nem assistindo nem jogando, mas eu acho que é um tempo muito bem investido ao longo prazo.

    Se tiver alguma dúvida ou quiser que eu detalhe mais essas dicas é só dizer.

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  • 08/09/2014 at 5:45 pm
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    Caramba Gagá!

    Eu aprendi inglês também com games, música e filmes, mas esses alfabetos japoneses são um inferno na terra!

    Também quero aprender japonês (pelos mesmos motivos) mas primeiro quero aprender o árabe, gostei das dicas do post de repente consigo adaptar.

    Abraços!

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  • 08/09/2014 at 5:49 pm
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    Cosmao,

    Rs… você é um figura, Cosmão.

    Andrei,

    > Se quiser aprender uma palavra nova, crie um cartão com uma frase usando essa palavra (de preferência uma frase simples que você conheça o resto das palavras).

    Olha, eu não tô tendo grandes dificuldades para memorizar as palavras, mas colocando uma frase no cartão eu ainda treino mais um pouco a leitura… acho que vou aproveitar essa dica aí, thanks!

    > se for usar flashcards, procure usar um sistema de Spaced Repetition (SRS). Eu uso o Anki e é excelente.

    Ah, sim, o meu camarada Filipe Andrade comentou isso comigo também… memórias de curto e longo e prazo e coisa e tal, certo? Ele inclusive me indicou o Anki também.

    Eu comecei com o Quizlet por ele ser um aplicativo Web, isso me facilita por uma série de motivos. Como no início eu tava com poucas palavras nele dava para levar, mas agora que já passei das 100, acho que vou “gerenciar” melhor a memória com esse sistema de spaced repetition.

    Vou dar uma pesquisada, porque os joguinhos lá do Quizlet me ajudam um bocado. O ideal é um sistema que tenha os joguinhos, mas que selecione as palavras nesse esquema que você sugeriu. Vou ver isso, e se for o caso de mudar de programa mesmo, atualizo o post (minha intenção é fazer vários updates no futuro).

    > Eu tentei memorizar os kana na “força bruta” umas duas vezes e não funcionou

    O Filipe ficou meio cabreiro quando eu falei desse meu método de força bruta, mas é que como eu sou um cara muito cabeça-dura esse método funciona incrivelmente bem comigo, rs…

    Sobre os kanjis, há uma boa chance de eu acabar recorrendo ao Remembering the Kanji. Cheguei a dar uma olhada há uns anos, mas na época eu não tinha nenhuma disciplina, não estava me dedicando legal. Ainda assim, me pareceu bem interessante!

    Valeu aí pelas dicas, e pelas outras que você já tinha me dado pelo Facebook!

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  • 08/09/2014 at 5:52 pm
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    Tiago Almeida,

    Caramba, você diz que japonês é um inferno e logo em seguida diz que vai estudar árabe? ^_^

    Velho, aquelas letrinhas lá… sei não, acho que são ainda piores que os kanas!

    Eu não sei se o meu método vai funcionar para você (como eu disse agora para o Andrei, comigo funciona porque eu sou um cara muito cabeça-dura), mas o lance de trazer um pouco da cultura dos falantes para o estudo (seja na forma de games, cinema, literatura, música ou qualquer outra) definitivamente vai te ajudar.

    Boa sorte!

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  • 08/09/2014 at 6:13 pm
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    Se for usar o Remembering the Kanji, guarde esse site:
    http://kanji.koohii.com/

    Ele tem um sistema de flashcards que usa spaced repetition e etc, já seguindo a ordem dos kanjis no RtK. Dá para fazer no anki também mas nesse site você só diz quantos kanjis novos você estudou hoje e ele já adiciona os cards certos, na ordem certa, para a sua pilha de estudos. É muito prático.

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  • 09/09/2014 at 11:16 am
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    Excelente artigo, Orakio. Quem sabe não me anime a voltar a olhar pro japonês (onde o mais longe que consegui ir foi decorar parte do hiragana/katakana)… Como disse tenho certeza que melhorar meu espanhol ou aprender alemão seria mais útil comercialmente… mas poder jogar jogos japa não deixa de ser um benefício incrível 🙂

    Parabéns pela dedicação e pelo artigo. Fico no aguardo das sequências!

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  • 10/09/2014 at 7:40 pm
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    Aprendi inglês sozinho do mesmo jeito, com games, letras de música e filmes, mas só atualmente (tenho 36 anos, então são uns 20 anos de “estudo”) estou conseguindo assistir filmes sem legenda, mas ainda assim perco diálogos quando começam a falar muito depressa ou com muita gíria.

    Mas japonês acho duvidoso que consiga. Tem que decorar os “desenhos” silábicos, o sentido deles nas frases (já que elas são aquele embolado), o som… Pra mim tudo é “uma bolinha no canto, uma cruz no meio e uns traços bizarros em cima”. Vou levar mais 40 anos pra falar pior que o Joel Santana.

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  • 11/09/2014 at 4:11 pm
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    Vulgo “Gray Fox”.

    Também estou nessa de querer aprender japonês de forma autodidata. Até porque, morando em cidade pequena, pelo jeito, não vamos formar uma turma de japonês tão cedo. Ainda estou esperando o telefonema da escola de idiomas…

    Meu problema – e o de tantos outros – é a falta de tempo. Que bom ver este post, me animou bastante. Mas outro problema que enfrento é que não tenho internet em casa. Só aqui no trabalho. Mas isso não me impede de baixar material e guardar no pen drive.

    Eu lembro que acabei decorando o katakana por causa do Winning Eleven 4, para PlayStation. Tentando “traduzir” os nomes dos jogadores de cada time.

    Peguei a tabelinha e fui descobrindo o nome de cada jogador e, consequentemente, pegando um pouco do estilo de usar os silabários. “Ronaldo”, por exemplo, estava escrito “Ronarudo”. Assim sendo, fui “traduzindo” por dedução. Os jogadores mais conhecidos eram fáceis, mas e para traduzir o dos menos conhecidos? Normalmente ficava errado mesmo. Lembro que tinha um jogador polonês que se chamava Swierczewski… passei longe nesse caso – vim só a descobrir o nome real anos depois, já com internet em casa. Mas… ah… eram bons tempos…

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  • 18/09/2014 at 11:44 pm
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    Não posso expressar em palavras a alegria de ver meu blog favorito ativo novamente 😀 Parabéns pela iniciativa, sempre tive a mesma vontade porém nunca tomei iniciativa pra começar. Depois de ler esse excelente post vou te seguir nos estudos e agora vai, sem pressa mas sendo constante. Consegui um digimon world 2 pra ps1 que é um dos meus jogos favoritos por 20 obamas com frete free, o americado custa mais de 50 só o disco e esse meu é completo japonês. Vou usar o seu método e acompanhar a sua jornada. Obrigado e parabéns mais uma vez!!!

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  • 21/09/2014 at 9:34 pm
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    Daniel Lemes:
    Vou levar mais 40 anos pra falar pior que o Joel Santana.

    Ah, se eu tivesse ambição de falar em escrever em japonês já tinha desistido… pra entender o que está escrito até vai, você entendendo de um jeito meio macarrônico já quebra um galho. Aí vai aprimorando aos pouquinhos e tal. Mas falar… aí já é bem mais complicado.

    Onyas:
    Meu problema – e o de tantos outros – é a falta de tempo.

    Gray Fox, meu caro, é aquela história: tempo ninguém tem, a gente arruma. Pelo menos uns 15 minutinhos diários para treinar os flashcards dá para arrumar — o maior problema, na verdade, não é arrumar os 15 minutinhos, mas sim gastar esses 15 minutinhos com o estudo em vez de ir ver um episódio de How I Met Your Mother no Netflix ^_^

    Aí só com disciplina mesmo, tem que estar muito afim e lembrar do objetivo para não desanimar.

    Onyas:
    Lembro que tinha um jogador polonês que se chamava Swierczewski

    Holy shit! Imagina isso escrito em katakana 0_0

    Fellipe Igor,

    Valeu Felipe e todo mundo que curtiu, obrigadíssimo pelos comentários!

    Wellington,

    Velho, legenda em japonês é difícil mesmo de achar. Eu tenho muita dificuldade em achar para filmes, principalmente. Mas para anime, dá para achar várias nestes links:

    http://kitsunekko.net/dirlist.php?dir=subtitles%2Fjapanese%2F

    http://www.d-addicts.com/forum/subtitles.php#Japanese

    http://jpsubbers.x10.mx/Japanese-Subtitles/

    Daniel,

    Valeu, Daniel, boa sorte aí!

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  • 24/09/2014 at 9:57 am
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    Grande Gagá! Excelente post… vou tentar seguir seu método… a passos lentos, rs… se eu consegui dominar o inglês com um método parecido, por que não o Japonês né? Mesmo pq, tenho que fazer jus ao “Segata” em meu nick! haha… Imprimindo esse post… NOW!

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  • 25/09/2014 at 6:08 pm
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    Apesar de saber o básico do básico, não achei o japones esse bicho de sete-cabeças…
    O hiragana e katakana memorizei em uma semana, mas aconselho treinarem a escrita também, ajuda muito a memorizar…
    Se dominar o katakana e tiver boa noção de inglês já dá pra navegar de boa na maioria dos menus em games, uma vez que a mairia das palavras em katakana advém do inglês.
    Material de estudo é o que não falta na net, recomendo o Rosetta Stone, Curso da NHK e Satomi

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  • 01/10/2014 at 6:36 pm
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    Cacildis, meu feed tá tão atrasado que não reparei que já tem um primeiro post da sua saga de aprender japonês.
    Gostei bastante do artigo, vc mencionou no fim sobre heresias e coisas pra se envergonhar, já eu acho o contrário: vc tá praticamente fazendo um diário de bordo do seu aprendizado e, com isso, vai poder mensurar o quanto aprendeu em cada passo. Acho bem válido.
    Suas dicas parecem bem válidas também. Da mesma forma que vc, aprendi inglês essencialmente com jogos (e alguns animes que só tinham legenda em inglês, há um bom tempo atrás, vc deve se lembrar). E as técnicas não eram muito diferentes das suas: dicionário na mão e vamo que vamo.
    Agora, como a sintaxe em si do japonês é bem particular, sem falar nos caracteres diferentes, acho que esses lances dos cartões e mini games são excelentes dicas.
    Se um dia eu tiver a mesma coragem que vc, vou reler este artigo e tomar como base pro meu conhecimento inicial também, pegar as referências e tudo mais.
    Excelente o post, Gagá! Parabéns! Um dos melhores do site sem dúvidas!
    E valeu pelas dicas! 😀

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  • 31/10/2014 at 1:18 pm
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    Excelente post! Aprendi a língua inglesa da mesma forma, com Final Fantasy VI (ou III) e Zelda. Comecei os meus estudos da língua japonesa há pouco tempo, exatamente da mesma forma, apenas para ler mangás e jogar Samurai Spirits RPG.

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