Olá amigos do Gagá Games! Aqui estou eu novamente, “Ancião-Kid” com meu último post de 2009! Vamos dar uma olhada no jogo Rambo, lançado para Nes, um dos melhores exemplos de como NÃO fazer um jogo baseado em um filme. Boa leitura e tenham todos um ótimo fim de ano!

Parece um jogo normal e bom...parece.
Parece um jogo normal e bom...parece.

O jogo começa até bem, com uma musiquinha animada, o nome Rambo surgindo das chamas, e ao escolher Start um helicóptero de guerra sobe, trazendo a ficha de Rambo. Se a ficha está certa, aí são outros quinhentos. Aproveite, pois a coisa só piora a partir daqui. O jogo começa lhe dizendo que o Coronel Trautman vai visitar Rambo na prisão. Bom, então vamos lá.

Coronel Trautman e... ei, você não vendia enxaguante bucal?
Coronel Trautman e... ei, você não vendia enxaguante bucal?

Eu preciso mencionar como os personagens são mal desenhados? Não, acho que não. O coronel já é estranho, agora olhem o Rambo. O desenhista substituiu a boca torta de Stallone por beiços inchados, provavelmente por alergia a azeite de dendê, e deu a ele uma mandíbula digna daquele personagem de desenho que fazia propaganda de enxaguante bucal, lá nos anos 80-90, lembram? Ah sim, e reparem que um dos olhos está entreaberto. Acostumem-se, pois todos os personagens parecem vindo de algum cartum americano. Uma demonstração do quão pouco sobre Rambo os programadores sabiam.

Bom, vamos continuar. Trautman oferece a Rambo a chance de liberdade, basta invadir um campo inimigo em uma selva no Vietnã, e salvar soldados aliados. Ele pergunta se Rambo está apto para tal missão. Você pode responder que sim, ou que prefere ficar na prisão. Se responder isso, o coronel diz: “Mas isto depende de você. O jogo não começa até você dizer SIM”. Er… então tá. Após responder umas trezentas vezes que prefiro ficar na prisão só para ver se ele me deixa lá, ao invés de ter que encarar esse jogo lindo, resolvo dizer que sim.

A base de operações
A base de operações

Agora reparemos que além destes problemas, o jogo foi muito mal programado. O helicóptero que traz Rambo à base fica piscando enquanto sobe, mostrando que o jogo mal aguenta mostrar os dois ao mesmo tempo. O sistema de passwords é extremamente falho, o jogo vive dando passwords erradas. Você pode ter até três passwords para a mesma parte… Outro bug é que Rambo não morre imediatamente ao ter a energia zerada, ele leva uns dois segundos para reparar que seu coração parou… tempo suficiente para usar um item de cura. Mais bizarro ainda é quando você pausa o jogo enquanto estiver correndo. Rambo continua correndo, sem sair do lugar, enquando o jogo está pausado. Eu gosto de fazer isso, e ficar falando pro computador: “Vamos Rambo, você está acima do peso! Mexa esse traseiro gordo, você tem uma missão a cumprir!” É bem divertido, tentem! Bom, agora que vocês estão provavelmente duvidando de minha sanidade, reparem que o gráfico de Rambo não é grande coisa. E por que durante todas as conversas ele tem uma camisa verde, mas durante as missões está sem camisa alguma? Vai ver ele acha que macho que é macho encara o inimigo mostrando os músculos, mas é muito tímido no social, colocando sua camisa toda vez que vai conversar com alguém…

Um avião que se camufla perfeitamente!
Um avião que se camufla perfeitamente!

Logo, recebo minha missão, ir até o campo aonde os prisioneiros estão encarcerados, e tirar fotos. NÃO devo enfrentar eles. Vai entender por que chamaram o Rambo… agora sou levado de avião até a selva, e fico imaginando por que raios esse avião é vermelho. Chegando na selva, vemos que o jogo possui um sistema de experiência, que aumenta o poder da sua faca. Além da faca, temos flechas, flechas explosivas, metralhadora, granadas, facas para serem arremessadas e um estoque limitado de itens de cura. A jogabilidade é simples, B ataca, A pula, Select seleciona uma das armas ou o item de cura. Pode-se escolher enquanto o jogo está pausado, o que facilita um pouco as coisas.

Bem, devo encontrar meu contato em algum lugar da selva, então saio matando cobras, abelhas grandes (?) e tigres, até encontrar o contato, uma mulher. Você pode perguntar aonde está o campo, ou perguntar o que ela acha de você, fazendo ela dizer que você é bonito, para Rambo sorrir com seus lábios inchados. O jogo continua a se mostrar bizarro, pois até agora não há um só soldado inimigo para enfrentar, mas a mãe natureza e até o sobrenatural decidem atacar Rambo. Além das abelhas, cobras e tigres, temos que enfrentar aranhas, morcegos, flamingos assassinos (!), bolhas de ar saindo de um lago, crânios voadores, cobras que cospem fogo e uma aranha gigante! Adaptação digna de Uwe Boll.

Rambo em : Uma mãe natureza muito louca!
Rambo em : Mamãe natureza muito louca!

Pois bem, não há mais o que dizer da história. Só isso que falei é um quarto do jogo, de tão curto que é.
Quanto ao resto, você enfrenta mais uma porrada de animais, salva um garoto preso numa caverna, é preso e depois foge, e logo encara o último chefe, que é difícil pra burro: um helicóptero que fica zanzando pra lá e pra cá, enquanto mísseis caem do céu, ao mesmo tempo que soldados surgem dos dois lados. Após acertar cinquenta granadas (isso mesmo), você vence, podendo retornar à base. E se você achava que o roteiro não podia piorar espere as cenas finais, tradução cortesia de Ancião-Kid (OBS: eu não traduzi nada errado!):

Os programadores não surgem nos créditos... que surpresa...
Os programadores não surgem nos créditos... grande surpresa...

Ah, mas vocês acham que acabou? Falta um último detalhe, a cereja do bolo. Após vencer o último chefe e voltar para a base, por algum motivo, Rambo ganha o poder de disparar uma enorme letra oriental, sabe-se lá o que significa:

Acho que quer dizer: Vá fazer jogo ruim na casa do chapéu.
Acho que quer dizer: Vá fazer jogo ruim na casa do chapéu.

Em posse deste poder, vá até o Comandante Murdock, que é o queixudo que lhe dá a missão de tirar fotos do campo inimigo no começo, e que no fim pede desculpas. Atire nele a letra, e Murdock será transformado em um sapo. Sério. Eu juro.
Acho que posso encerrar essa análise aqui, não? Agora se me desculpam, vou na fase da floresta, pausar o jogo com a tela cheia de inimigos, para que todos fiquem se mexendo sem sair do lugar, aí colocarei a música do filme Flashdance e ficarei rindo feito um completo idiota. Até a próxima, e se forem jogar Rambo façam a si mesmos um favor: joguem o de Mega Drive.

Comandante Sapo e Game Over, a melhor parte do jogo.
Comandante Sapo e Game Over, a melhor parte do jogo.
Rambo (Nes), e a maldição dos games baseados em filmes…
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