É hora de mais uma edição do Recordar é envelhecer aqui no Gagá, sob direção do retrogamer aqui, André Breder! Bem, o jogo que recordo desta feita é um dos melhores já lançados para o velho Mega Drive: trata-se de QuackShot, um game estrelado pelo ranziza pato Donald! Bem, espero que curtam o texto. Boa leitura!

Donald e a lenda do tesouro perdido!

Donald começando sua aventura!

O ano de 1991 foi realmente especial para os fãs do Pato Donald, que receberiam de forma praticamente simultânea 3 jogos para todos os consoles da SEGA da época: enquanto o Master System e o Game Gear ganharam o jogo The Lucky Dime Caper, o Mega Drive ganhou o espetácular QuackShot!

Os jogos de ação/plataforma eram febre na época, mas QuackShot conseguiu trazer boas inovações para o estilo, sendo um jogo até hoje considerado por muitos, como o melhor já lançado para o Mega Drive. Uma grande diferença que este jogo trazia em relação aos outros do mesmo gênero era a questão de não ser um jogo linear, onde o jogador deve simplesmente passar várias fases numa ordem pré-estabelecida.

Em QuackShot Donald tem sempre que viajar para diversos lugares do planeta, mundando assim de fase várias vezes durante toda a jogatina. Com frequência o jogador chegará em um ponto do jogo em que irá precisar de uma chave ou item que só é encontrado em outra fase para poder prosseguir, fazendo então da alternância das fases algo praticamente obrigatório. Esta é sem dúvida uma das características mais legais encontradas em QuackShot, pois o jogador se sente realmente um “explorador” ao ter que ficar alternando as fases do jogo a procura de itens necessários para continuar a aventura.

História

As despedidas são sempre difíceis…

Certo dia Donald estava mexendo nos livros antigos da biblioteca do Tio Patinhas, enquanto o velhote tirava um cochilo. Ele acabou encontrando um livro que falava sobre um tesouro perdido de um tal de Rei de Garuzia, que antes de ir para o além, escondeu toda a sua riqueza em um local misterioso. Para sorte de Donald dentro do livro ele encontra um mapa que parece indicar o local onde a fortuna do Rei de Garuzia está escondida! Esta era a oportunidade perfeita para Donald ficar tão rico quanto o Tio Patinhas! Como se encontrava em total estado de euforia, o descuidado Donald não percebeu que um dos capangas do infame Bafo-de-Onça observava tudo, e claro, o malfeitor não iria deixar seu chefe sem saber deste cobiçado tesouro.

Donald se une aos seus três sobrinhos (Huguinho, Zezinho e Luizinho), e todos partem em um pequeno avião para a busca ao tesouro, mesmo com Margarida avisando que eles iriam se atrasar para o jantar. Antes de partir, Donald promete a namorada que está preparando para ela uma surpresa muito especial. Com o avião seguindo seu destino, Bafo-de-Onça e seu bando observam tudo e planejam uma forma de impedir que o pato chegue até o cobiçado tesouro, ao mesmo tempo em que eles possam possuí-lo no lugar de Donald e sua turma.

As armas de Donald

Não há obstáculos para Donald…

Durante a sua aventura Donald poderá fazer o uso de três armas diferentes: a pistola que lança desentupidores, o revólver de pipocas e uma espécie de goma ácida. A arma que lança desentupidores é a principal do jogo e seu uso é infinito, mas ela só paralisa os inimigos por um curto período de tempo. O bacana é que esta arma vai evoluindo no decorrer do jogo: no início ela lança desentupidores amarelos, depois os desentupidores passam a ser vermelhos (e assim podem grudar por um certo período de tempo em estruturas laterais) e no final os desentupidores passam a ser verdes (e desta forma podem ser utilizados para Donald pegar “carona” em alguns pássaros do jogo).

O revólver de pipocas precisa ser recarregado para que possa continuar sendo usado, e para isso deve-se coletar itens durantes as fases, assim como a goma ácida, arma que é conseguida com o Professor Pardal no decorrer da aventura. Ambas as armas conseguem atingir de forma mortal os inimigos, diferente dos desentupidores, que como já foi mencionado, só os paralisam.

Durante as fases do jogo Donald pode ainda coletar algumas pimentas vermelhas, e depois dele comer um certo número destas “gostosuras”, o mesmo entrará em total estado de fúria e ficará invencível durante um curto período de tempo. O jogador pode aproveitar este estado de Donald para passar de maneira mais fácil por partes mais complicadas de uma fase, por exemplo.

Gráficos

Belos cenários povoam QuackShot…

QuackShot veio para confirmar que um dos pontos que mais chamam a atenção nos jogos desenvolvidos pela parceria entre a Disney e a SEGA são os gráficos! A aventura em QuackShot ocorre nos mais variados pontos do planeta: a cidade Duckburg (Patópolis), o deserto no México, a terra amaldiçoada da Transilvânia e a área gelada do Pólo Sul, são alguns dos locais que Donald terá que visitar em sua caça ao tesouro, e todos estes ambientes foram muito bem representados no jogo, sendo cenários cheios de detalhes interessantes, e com fundos de tela muito bem feitos e que cumprem de forma primorosa o seu papel de dar mais vida ao jogo. As cores foram muito bem empregadas nos cenários e personagens, tornando a visualização do game pelo jogador totalmente agradável.

O design dos personagens ficaram perfeitos! Os inimigos e chefes do jogo ficaram muito bem feitos, e todos estão dentro dos padrões de qualidade da Disney. Mas agora o que ficou realmente demais foi o design de Donald: o pato está com um visual inspirado no lendário personagem Indiana Jones, contando até mesmo com um chapéu praticamente idêntico ao do maior aventureiro que o cinema já viu! Pra ficar mais explícito, só faltou Donald ter também um chicote!

A animação de Donald está bem condizente com o pato rabugento que todos conhecemos: se o jogador ficar algum tempo sem mexer nos controles do jogo, Donald irá olhar para tela com cara de bravo e começará a esbravejar! Quando o pato literalmente enlouquece ao “degustar” algumas pimentas, a animação do mesmo em total estado de fúria faz com que os mais velhos se lembrem na hora dos clássicos episódios do desenho animado de Donald, onde o mesmo saía correndo feito um louco atrás de seus sobrinhos peraltas! A animação dos demais personagens do jogo não está tão detalhada quanto a de Donald, mas mesmo assim não fazem feio, sendo algo que não chega a ser um defeito.

Efeitos e Trilha Sonora

Os temas dos chefes são bem agitados!

Os efeitos sonoros são bem bacanas, e todos trazem uma sonoridade bem infantil. E claro que em um jogo com um personagem como Donald, amado pela crianças, isto não poderia ser diferente. Todos os efeitos soam totalmente condizentes com a proposta de QuackShot, e felizmente nenhum deles é irritante ou desagradável, mesmos para os ouvidos de um adulto. Tudo foi feito com muito cuidado pela Disney, e com muito bom gosto.

A trilha sonora é ótima, com temas bem variados: iremos ouvir durante o jogo músicas alegres (bem típicas de desenhos animados infantis), músicas mais agitadas e até temas mais sombrios e tenebrosos. Cada tema é sempre bem condizente com o local em que Donald está, e ajudam a dar o clima certo para a aventura. Os temas dos chefes, como não poderiam ser de outra forma, são bem agitados e empolgantes!

Muitos dos temas musicais de QuackShot são extremamente grudentos. Por exemplo, sempre que me vem a palavra “QuackShot” à mente, na mesma hora eu posso ouvir o tema alegre e divertido da fase de Duckburg. Acho que eu nunca mais vou conseguir esquecer este tema musical! Isso só prova que a equipe do jogo acertou em cheio na criação da tilha sonora de QuackShot, pois quantos jogos existem por aí com trilhas sonoras descartáveis e que facilmente são esquecidas? Eu particularmente poderia citar um monte!

Jogabilidade

Corre, senão você já era!

A jogabilidade do jogo é suave, com todos os comandos respondendo muito bem, sem atrasos desagradáveis. Donald se movimenta de maneira mais devagar em relação a outros jogos do gênero, mas pode dar uma “corridinha”, movimento que ajuda o pato a fugir de perigos ou inimigos com mais eficiência. Donald pode também saltar, atirar com suas armas e até mesmo escorregar no chão, algo que é necessário para se passar certos pontos das fases do jogo.

Para trocar as armas, chamar o avião ou fazer o uso de itens deve-se apertar o botão “Start” no controle, para assim entrar em um fácil e prático menu de opções. Alguns jogadores podem achar que a necessidade de ter que ir em um menu para trocar as armas usadas por Donald como algo que acaba tirando um pouco da ação eletrizante do jogo. Eu pelo menos não vi nenhum problema com isso. Algo realmente ruim era ter que acessar o menu de opções no jogo Psycho Fox do Master System, pois o botão usado para isso estava no próprio console, o que te obrigava a jogar “colado” nele. Felizmente a SEGA não cometeu esse erro no controle do Mega Drive, e assim como sua concorrente Nintendo, colocou o botão “Start” no próprio joystick, botão esse que serve tanto para iniciar como para pausar os jogos, evidentemente. Ou seja, se alguns acham “chato” ter que ficar pausando o jogo para trocar armas, imaginem como seria se o botão para isto estive lá no console que está na sua estante e não no controle ali, bem ao alcance de seus dedos? Reclamam de “barriga cheia” ou nunca “penaram” na época do Master System como eu penei.

Dificuldade

Donald encarando o último chefe!!!

QuackShot é um jogo que começa fácil mas vai se tornado difícil a medida que o jogador progride na aventura. Cada fase possui seus inimigos, todos bem variados e cada qual com sua forma de ataque. As fases finais prometem boas dores de cabeça aos jogadores, mesmo para os mais habilidosos.

Haverá partes que o jogador deverá usar o cérebro ou mesmo ir na tentativa de “acerto ou erro”, como na fase em que Donald tem que enfrentar o tigre, e para chegar até ele tem que achar o caminho por um grande labirinto.

A última fase do jogo então, conseguiu mostrar como os produtores de QuackShot não fizeram o jogo apenas para o público infantil, pois sua dificuldade é bem alta. Quem não ficou com medo de cair (e caiu) no abismo na parte das plataformas que vão surgindo aos poucos?

Os chefes do jogo também possuem uma dificuldade crescente, sendo que tanto o famigerado Bafo de Onça como o último e derradeiro chefão do jogo são bem complicados para serem vencidos. Em suma: não julgue um livro pela capa, pois apesar de todo o clima infantil que QuackShot possui, este não é, definitivamente, um jogo fácil feito para “criancinhas”.

Conclusão

E mais um final feliz em um game…

O que mais dizer sobre um jogo excelente como QuackShot? Ele foi sem dúvida um dos pontos mais altos do Mega Drive, mesmo que muitos outros jogos excelentes do gênero tenham sido lançados após ele. É um daqueles jogos que não envelhecem, e mesmo após 18 anos de seu lançamento continua sendo divertido, desafiante e viciante! Bons jogos são eternos, e não é por acaso que QuackShot é considerado pelos fãs do Mega Drive como um dos melhores jogos que o console já teve! Bem que a SEGA podia estudar um pouco o seu próprio passado para re-aprender como se faz jogos memoráveis, pois atualmente a coisa está feia…

Recordar é envelhecer: QuackShot (Mega Drive)
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5 thoughts on “Recordar é envelhecer: QuackShot (Mega Drive)

  • 31/01/2009 at 1:38 pm
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    Como sempre um texto impecável e um jogo inestimável… Você acredita que eu só vim chegar ao final deste jogo depois de ter comprado um computador e emulado esse game no mesmo….? Cara, eu conseguia terminar games do Sonic assim que saiam, World of Ilusion, Kid Chameleon e outros, mas esse ai! caramba! Teve de esperar…

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  • 01/02/2009 at 7:40 am
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    Uma pérola inesperada esse jogo. Não levei a menor fé quando aluguei na época. Acho que é um dos jogos de plataforma mais bem-acabados dos 16 bits, ótimo exemplo de como o gênero evoluiu, tudo desce redondinho.

    As músicas são ótimas, e o “culpado” é o bom e velho Tokuhiko Uwabo (Bo), que também cuidou da trilha de Phantasy Star (I, II e IV).

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  • 01/02/2009 at 5:58 pm
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    Só uma coisa a dizer. Foi este jogo e Sonic que me fizeram torrar a paciência de meus pais para trocar meu Master System pelo Mega Drive. Até hoje ambos são uns dos que mais gosto do console. Adoro jogos do Donald do período como The Lucky Dime Caper do Master e o que ele aparece junto com o Mickey (citado pelo Antediluviano: World of Illusion).

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