Olá amigos leitores do Gagá Games! Aqui é o retrogamer André Breder trazendo em mais este Sábado, uma nova edição do Recordar é envelhecer! O foco desta vez é um game que está entre os meus preferidos do velho e bom primeiro PlayStation: Spider-Man. Tenham todos uma boa leitura e até o próximo final de semana!

Introdução:

Spider-Man (ou Homen-Aranha para o público brasileiro) é sem dúvida um dos personagens mais carismáticos da Marvel. Um herói claramente criado para agradar ao público mais jovem, acabou ganhando fama e prestígio entre todas as idades, e rendeu milhares e mais milhares de revistas vendidas em todo o mundo, fora os desenhos animados, filmes, e claro, games.

Quantos jovens tímidos pelo mundo afora não se identificaram com Peter Parker, e quantos outros não o invejaram por conta de seus super poderes e a possibilidade de ter uma outra vida, onde ele não era mais um nerd rejeitado pelos colegas de escola, mas sim um herói, que mesmo perseguido pelas autoridades, sempre fazia o bem e ainda de quebra partia os corações de beldades como Felícia Hardy e Mary Jane Watson. Obra do mestre Stan Lee e de seu grande parceiro, Steve Ditko, Spider-Man não apenas trouxe ao mundo um super herói que ganharia a afeição das massas, mas também um universo cheio de super vilões igualmente carismáticos e muito bem bolados. Sou fã de outros heróis, mas é difícil achar alguém que tenha inimigos tão diversos, muitos sendo tão bacanas quanto o próprio mocinho, do que o valente aracnídeo. Talvez somente o Batman, da rival DC Comics, tenha inimigos tão variados e criativos.

Graças a todo o seu sucesso, o Homem-Aranha tem games lançados desde o longínquo ano de 1982, e até hoje continua gerando títulos de sucesso entre os seus fãs. Estou longe de ter jogados todos os games do aracnídeo, mas dentre os que eu pude conhecer, o título Spider-Man que foi lançado em 2000 para o PlayStation, é com certeza o meu preferido.

Sobre o game:

A trama do game começa mostrando Peter Parker testemunhando uma demonstração científica na cidade de Nova York, que é organizada pelo então supostamente regenerado Dr. Otto Octavius. Durante o evento, um falso Homem-Aranha surge, e rouba o experimento do Dr. Otto, fazendo com que a polícia passe a caçar o “herói” aracnídeo em todos os cantos da cidade. Para piorar a situação, duas pessoas misteriosas lançam sobre Nova York uma densa névoa, algo que muitos passam a ver como mais uma atitude errada por parte do Homem-Aranha. Peter, querendo provar sua inocência, parte então em busca do falso Homem-Aranha, mas acaba tendo que resolver um caso urgente: a bela Black Cat surge em seu caminho e revela que o “Jade Syndicate” está aproveitando toda a situação para roubar um dos maiores bancos da cidade, e fazendo vários inocentes como reféns no processo. Sem pestanejar, Peter, usando seu uniforme de herói, parte para o banco afim de salvar o dia mais uma vez. Mas ele sabe muito bem que tendo toda a polícia em seu encalço, sua vida de herói nunca será a mesma até ser capaz de provar sua inocência e mostrar a todos quem são os verdadeiros vilões.

Spider-Man, o game, foi desenvolvido pela Neversoft e publicado pela Activision, fazendo o uso da mesma “game engine” do título Tony Hawk’s Pro Skater (sendo que em Tony Hawk’s Pro Skater 2 o herói chegou a ser colocado como um personagem secreto). Este jogo do Homem-Aranha foi aquele que veio junto com meu PlayStation desbloqueado, quando o comprei em meados de 2000, e acabou sendo o primeiro título totalmente em 3D que pude jogar do início ao fim. A possibilidade de encarnar um dos meus heróis preferidos, só que agora em um universo tridimensional, foi uma experiência totalmente positiva, e em poucos minutos de jogatina eu já estava maravilhado com todas as possibilidades e a liberdade que o game passava. Eu já escalava prédios no comando do Homen-Aranha desde o Atari 2600, mas nunca pude experimentar algo tão bem feito e divertido como neste game do PlayStation.

O game segue o gênero Action-adventure, e mistura também elementos de um bom Beat ’em up. No controle do Homem-Aranha, o jogador deve passar por várias fases, onde deve sempre encontrar a saída do estágio ou então cumprir um certo objetivo para prosseguir na trama do título. O herói só tem uma vida, mas os continues são infinitos. Caso Spider tenha toda a sua barra de energia esgotada, caia do alto de um prédio ou mesmo falhe no cumprimento de algum objetivo apresentado durante uma das fases do jogo (como não ser capaz de salvar um refém, por exemplo), terá que reiniciar o estágio em que está. Para tornar possível o sucesso do jogador no game, o título permite que se possa utilizar (praticamente) todos os poderes aracnídeos do herói, como sua habilidade de grudar em paredes e tetos, ou utilizar ainda sua super força, que permite com que ele seja capaz de nocautear inimigos menores com poucos golpes e também tenha a capacidade de erguer objetos pesados e utilizá-los como arma. Até mesmo o “sentido de aranha” marca presença, avisando ao jogador que ele está se aproximando de um local mais perigoso do que o normal.

Como um bom nerd que é, tendo um conhecimento fora do normal em várias ciências, Parker desenvolveu para si lançadores de teia, que ficam presos em seus pulsos. Estes mecanismos disparam um fluído de teia, que o permite “passear” de um prédio a outro, bem no estilo “Tarzan”. No game isto também é possível, e para mim, foi uma das primeiras características do título que me chamou a atenção. Como é divertido ficar “balançando” entre os prédios! Games anteriores do aracnídeo já permitiam algo semelhante, mas fazer isso em 3D tem toda uma diferença. Seguindo um padrão dos quadrinhos e desenhos mais antigos do herói, a teia aqui é artificial, e portanto não é infinita. No jogo é necessário utilizar a teia com sabedoria, e sempre procurar por novos cartuchos de teia, para não ficar sem ter como utilizar este artifício de forma mais livre e eficaz. Caso fique com os cartuchos de teia zerados, o jogador ainda poderá utilizar a teia, mas ficará limitado por conta de uma barra lateral que mostrará como anda o estoque do produto. Se esta barra ficar “limpa”, o jogador terá que esperar que ela comece a se encher de forma automática, para poder então utilizar a teia de maneira apropriada.

O bacana é que as teias artificiais não são utilizadas apenas para Spider se locomover entre os edifícios e demais estruturas que encontram no seu caminho, mas podem ser usadas para atacar os inimigos das mais variadas formas. O herói pode prender os adversários, jogar bolas de teia neles ou ainda usar uma boa quantidade de teias para reforçar seus punhos, e desta forma aplicar golpes ainda mais mortíferos. E nas horas do aperto, quando muitos inimigos petulantes estiveram azucrinando o herói, ele poderá utilizar a eficiente barreira explosiva. Fora seus super poderes e teias artificiais, neste game o Homem-Aranha pode ainda contar com alguns power-ups interessantes, como a “Spider-Armor”, que aumenta temporariamente aumenta sua força e defesa; ou usar a “Fire Webbing”, que é bastante eficaz contra inimigos do tipo simbiontes.

Para os jogadores que não gostam do uniforme original do herói (onde eu me incluo), o game oferece ainda alguns uniformes alternativos, que são conseguidos ao se cumprir certos objetivos ou ao utilizar códigos. Enquanto alguns uniformes servem somente para dar um novo visual ao herói, outros concedem algumas características extras. O uniforme preto (que particularmente é o meu preferido) bem como outras roupas cheias de estilo, como o uniforme do Aranha Escarlate ou do futurístico Homem-Aranha 2099, estão disponíveis para deleite dos fãs. E para aqueles que querem deixar o game ainda mais fora do seu normal, foi criado o modo “What If?”, que é ativado por um código e que foi baseado em uma série de histórias em quadrinhos que mostrava eventos alternativos na história da Marvel Comics. Se ativar este modo, o jogador faz com que o game se torne uma versão alternativa de si mesmo. Apesar da trama continuar a mesma, haverá sutis diferenças espalhadas pelos cenários do título, e também mudanças quando ao áudio do jogo.

Algo que eu não posso deixar de falar, e que eu achei sensacional enquanto jogava Spider-Man pelo primeira vez, foi me surpreender com a aparição de vários personagens bacanas da Marvel durante sua trama, mesmo que apenas nas cutscenes. Heróis lendários como o Demolidor (Daredevil), Tocha-Humana (Human Torch), Justiceiro (The Punisher) e Capitão América. E para os fanáticos pelas revistas em quadrinhos do herói aracnídeo, o jogo apresenta uma outra surpresa bacana: é possível coletar ao todo 32 revistas clássicas do Homem-Aranha durante o game, sendo que muitas das revistas tem suas histórias como inspiração para fatos que ocorrem durante o jogo.

Agora vamos falar um pouco da parte técnica do game, começando pelos gráficos: Spider-Man hoje em dia pode parecer um game feio e mal feito, mas na época todos babaram pelos seus gráficos poligonais. A movimentação e a animação do personagem principal, bem como dos vilões e capangas do título, é muito boa, permitindo que Spider-Man consiga ser, sem nenhum slowdown inconveniente, um jogo simplesmente empolgante, onde a ação pode rolar de forma desenfreada. Os cenários do jogo conseguem retratar muito bem a fantástica cidade de Nova York, dando ênfase aos seus majestosos prédios, mas a coisa não fica somente nessa parte mais clássica da metrópole, pois o game explora ainda outros ambientes como os esgotos da cidade e também os interiores de várias localizações interessantes. O game apresenta belas cutscenes que ajudam a mostrar de uma maneira mais clara o desenrolar da trama do título. É legal notar que as cutscenes não são em CG, e sim baseadas no visual in game do título. A transição de telas e fases no game ocorre de forma bem rápida, sendo que eu não me lembro de ter telas de loadings mais longas do que três ou no máximo cinco segundos.

A parte sonora do game também é muito bacana, onde o destaque fica para a parte dos efeitos sonoros e as dublagens dos personagens. Os sons dos socos, chutes, explosões, etc, tudo está dentro do padrão utilizado nos filmes e desenhos animados de super heróis, ou seja, não poderiam estar mais condizentes com este game. A parte da dublagem é um show a parte, onde os personagens são muito bem representados e interpretados. Também isso não poderia ser diferente, pois vários dubladores que participaram de desenhos animados do Homem-Aranha dão as caras por aqui, como o canadense Rino Romano que fez a voz do herói aracnídeo na animação Spider-Man Unlimited, que era inclusive, o desenho animado que passava na TV na época em que o game foi lançado. A excelente dubladora Jennifer Hale também marca presença no game, fazendo a voz da sensual Black Cat e também da idolatrada Mary Jane Watson. Vale citar que Jennifer Hale tem uma bela carreira como dubladora, tanto em games como em desenhos animados, onde podemos destacar seu excelente trabalho em jogos como Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty (como Emma Emmerich), Mass Effect 2 (como a versão feminina de Shepard) e nos games da trilogia Metroid Prime, onde fez a voz da inigualável heroína Samus Aran.

Ainda sobre a parte das vozes presentes no game, eu não poderia cometer o crime de não citar a presença do criador do Homem-Aranha, o eterno Stan Lee, como o narrador da trama do jogo. A presença deste grande mestre com certeza ajudou a dar um toque todo especial para o título. Já a parte musical é boa, mas não está no mesmo nível dos efeitos sonoros e do ótimo trabalho de dublagem. As músicas funcionam muito bem no game, passando para o jogador os diversos climas da aventura, mas não passa disso. Nada de temas memoráveis, com melodias ricas e que ficam grudadas na sua mente.

Agora a jogabilidade do game é um dos pontos fortes do título, com toda certeza. Já havia jogado alguns games com o Homem-Aranha antes, mas foi somente por meio de Spider-Man que pude ter o prazer de controlar o herói de uma maneira bem realística. No game é algo praticamente natural o fato do herói poder grudar e se locomover em todo tipo de superfície, ao mesmo tempo em que tem habilidades super especiais. Os controles então fazem muito bem o seu papel, tornando tudo muito fácil e simples de executar. Mesmo que ocorra alguns momentos no jogo onde a câmera atrapalha um pouco, nem mesmo isso consegue tirar o brilho da excelente jogabilidade de Spider-Man.

A dificuldade do game é ajustável, e possui três níveis, mas em nenhum deles Spider-Man será um desafio complicado. Nas partes iniciais do game o jogador tem acesso a pontos de interrogação no meio das fases, que funcionam como uma espécie de tutorial do que deve ou pode ser feito. Isto ajuda muito o jogador que está se divertindo com o game pela primeira vez, e permite também que ele não tenha que ficar lendo o manual do jogo toda hora que aparecer alguma dúvida. A IA dos inimigos é boa, onde eles são capazes de reagir rapidamente após algum barulho feito pelo jogador ou ao ver algum de seus comparsas sendo atacado, mas mesmo assim ela é bem limitada, e em pouco tempo o jogador já pega as “manhas” de como liquidar os adversários da melhor maneira possível. Os chefões também apresentam uma dificuldade moderada, e todos possuem um esquema repetitivo para serem derrotados, onde o que pesa mesmo é a habilidade do jogador.

Conclusão:

Spider-Man traz aos fãs do aracnídeo, uma das melhores oportunidades de encarnarem o herói em todo o seu esplendor. Você se sente mesmo como se estivesse dentro de uma das histórias em quadrinhos do Homem-Aranha, podendo se gabar de todos os poderes que tem direito e ainda tendo a chance de encarar (e vencer) vilões míticos como Scorpion, Rhino, Venom ou Doctor Octopus. Um dos melhores games de ação do primeiro PlayStation, na minha opinião. Se não o jogou até hoje, não perca mais tempo, e jogue!

Recordar é envelhecer: Spider-Man (PlayStation)
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