Daniel Govoni é um retrogamer assumido. Morou 15 anos no Japão, na Baia de Tokyo, ou seja, esteve um bom tempo no berço dos jogos eletrônicos! Sua paixão pelos games não se limita apenas em jogá-los, mas também colecioná-los. Hoje ele tem uma invejável coleção, com mais de 1000 jogos originais e completos, de fazer qualquer fã de games ficar de boca aberta! Daniel nos concedeu uma entrevista onde ele dá maiores detalhes de sua extensa coleção. Confira:

André Breder: Você lembra como foi o seu primeiro contato com os jogos eletrônicos?

Daniel: Bem, isso foi há muito tempo, no final dos anos 70, quando meu tio, que era viciado em máquinas de pinball, costumava me levar num “fliperama”. Enquanto ele jogava, eu ficava vendo outros jogos e num canto, vi pela primeira vez algumas máquinas de jogos eletrônicos. Me lembro que naquela época, a maioria das máquinas eram de pinball, mas naquele canto tinha algumas daquelas máquinas diferentes e duas delas eram “Asteroids” e “Space Invaders”. Alguns anos depois, esse mesmo tio comprou um Atari 2600. Aquilo foi o meu verdadeiro início no mundo dos jogos eletrônicos.

Daniel em frente a um dos prédios da SEGA.
Daniel em frente a um dos prédios da SEGA.

André Breder: Toda grande coleção tem seu “ponto zero”, o seu marco inicial. Aquela hora em que, os colecionadores, percebem que são diferentes dos seus amigos, que apenas “consomem” jogos. A dedicação é maior, o investimento é maior, o cuidado com tudo é maior. Quando você percebeu que estava se transformando de um jogador em um colecionador?

Daniel: Na verdade, nunca me desfiz das minhas coisas. Desde o primeiro Atari, sempre que ganhava um novo console, guardava o velho. Com o passar do tempo, percebi que tinha uma porção de consoles, mas nunca os vi como coleção. Só fui levar a sério em 1994, quando me mudei para o Japão, onde a disponibilidade e facilidade de se adquirir jogos é bem diferente daqui. Nessa época jogava muito Famicom, Super Famicom e Mega Drive, e foi a partir daí que comecei a comprar com mais frequência. Vale frisar que apesar de colecionar, sempre coloquei o jogador no primeiro plano. Diferente de muitos dos colecionadores de prateleira, que se contentam em apenas possuir, prezo o jogante, estou sempre jogando e terminando algo, ou mesmo batendo meu próprio placar em alguns jogos.

André Breder: Quantos jogos você possui?

Daniel: Atualmente devo possuir uma média de 1000 jogos em cartucho e 300 a 400 jogos em CDs. Em DVD devo ter uns 150 títulos. Nenhum RPG, estratégia ou do tipo, não curto esses gêneros.

Uma amostra da coleção de Daniel.
Uma amostra da coleção de Daniel.

André Breder: E quais consoles você possui?

Daniel: São vários, mas a grande maioria está aposentada. Posso falar só dos que mais gosto? São eles: Atari, Mega Drive, Famicom, Super Famicom, PC-Engine, Mega Drive, Master System e 1Chip MSX.

André Breder: Qual o seu console preferido?

Daniel: Pergunta difícil, hein! Não tenho um preferido, acho que todos esses que respondi na pergunta anterior.

André Breder: Existe alguma série/franquia que você tenha mais material por ser realmente muito fã dela?

Daniel: Castlevania e Rockman são duas séries que amo de coração. Por ser um jogador que acompanhou a série desde o seu início, as versão 3D e do DS não têm mais o clima original e, apesar da série X ser muito boa, a série Rockman original (contando o excepcional Rockman 9) é insuperável. Em 2008 tive a oportunidade de conhecer e bater um papo com Keiji Inafune (criador do Rockman) tamanho amor pela série.

André Breder: Vamos voltar um pouco no tempo então: qual foi o primeiro jogo que você comprou e por quê?

Daniel: Me lembro bem. Era natal de 1990, trabalhava numa locadora de games. Meu primero salário foi gasto com um jogo lançamento de NES, o Yo! Noid. O tenho guardado até hoje.

André Breder: Qual o item que você considera o mais raro da sua coleção?

Daniel: Talvez seja o autógrafo/desenho do Keij Inafune (risos). Brincadeiras à parte, acho que seja um jogo de Famicom que teve uma limitadíssima tiragem, Summer Carnival 92′ Recca completo, um belíssimo (e dificílimo) shmup.

André Breder: Qual foi o maior número de jogos que você comprou de uma única vez?

Daniel: Nos 15 anos que vivi no Japão, costumava a comprar jogos todos os meses, mas nunca comprei muitos de uma vez só. Talvez 20, 25 jogos, nas raras exceções.

André Breder: Quantos jogos em média você compra por mês?

Daniel: Ultimamente ando jogando tanto que nem me lembro dos jogos que ainda quero (risos). No mês de Dezembro comprei uns 6 jogos antigos, como presente de natal.

André Breder: Qual o item que você tem mais ciúmes e não venderia de jeito nenhum?

Daniel: Summer Carnival 92′ Recca. Além de ser um jogo raro, é um jogo que jogo todos os dias e já está devidamente “masterizado”.

André Breder: Quais foram os jogos que deram mais trabalho para conseguir?

Daniel: Nenhum deles, pelo fato de que estava morando na terra dos jogos. Lá, tudo é fácil de conseguir, bastar de “cacife” para pagar.

Daniel também tem itens da franquia Castlevania em sua coleção.
Daniel também tem itens da franquia Castlevania em sua coleção.

André Breder: Que itens você, apesar de estar à procura há certo tempo, ainda não conseguiu para a sua coleção?

Daniel: Opa! Vou fazer minha propaganda aqui! Dark Castle do Genesis. O jogo é bizarro, horrível para muitos, mas tem um valor sentimental pra mim. Se alguém tiver um completo e brilhando, podemos negociar! Outros dois são Bonanza Bros e Sunset Riders, ambos para Genesis

André Breder: Você possui algum lugar específico para guardar a sua coleção? E, além disso, tem alguma dica de como conservar todos estes itens?

Daniel: Minha coleção de consoles fica dentro de um armário reservado só para a coleção, longe de claridade e umidade. Já meus jogos ficam divididos, parte numa grande estante e parte num outro armário, no mesmo esquema, longe de umidade e claridade. A dica para uma boa conservação, é que os itens sejam colocados, sempre a salvo de claridade e umidade e se possível, a salvo de poeira também. Digo o mesmo para quem deixa seus consoles prontos para jogar (como deixo vários dos meus) em estantes ou lugares com luz direta vindo de janelas, etc, isso causa um amarelamento e/ou mudanca de cor em alguns consoles, caso famoso do Famicom, Super Famicom, SNES. Também recomendo sempre que possível limpar a poeira que fica sobre o console. No meu caso eu deixo algumas flanelas em cima dos consoles após jogar, fica feio, mas mantêm conservado.

André Breder: Eu queria que você fizesse agora um top 5 com os itens do seu acervo que você mais curte.

Daniel: Outra pergunta difícil! Vou falar, mas pode ser que amanhã eu mude de idéia…

1 – Famicom AV. Meu xodó, sempre trabalhando bastante, aguentando jogatinas diárias desde os anos 90.

2 – Mega Drive 1 jp. Talvez seja o console que mais joguei na vida, além de achar o mais bonito. Está comigo desde 1990.

3 – 1Chip MSX: O mais ‘console’ dos MSX, é perfeito para quem não curte programar. só colocar o jogo e pronto!

4 – PC-Engine Core Grafx. Adoro esse console. Um dos melhores acervos de shooters são para esse console.

5 – Master System jp – Jogos com suporte ao som FM são fenomenais!

André Breder:  Quais são, para você, os dez melhores jogos de todos os tempos?

O Famicom AV, um dos consoles preferidos do colecionador Daniel.
O Famicom AV, um dos consoles preferidos do colecionador Daniel.

Daniel: Só dez?! Eu te pego! (risos)

Não nessa ordem:

1- H.E.R.O. – Atari 2600

2- Akumajou Densetsu – Famicom

3- Rockman 2 – Famicom

4- Rastan – Master System

5- Castle of Illusion – Mega Drive

6- Sonic 2 – Mega Drive

7- Donkey Kong Country – Super Nes

8- Super Castlevania IV – Super Nes

9- Ninja Gaiden Black – Xbox

10- Assassin’s Creed – Xbo360/PS3

André Breder: Que jogos você tem jogado ultimamente e quais têm chamado mais a sua atenção?

Daniel: Eu praticamente parei de acompanhar a nova geração. Salvo raras exceções, tudo anda voltado para jogatina online, coisa que não me atrai. Dos jogos novos, Assassin’s Creed me chamou muito a atenção pela sua relação com os fatos verídicos da história da Idade Média, assim com sua qualidade geral. Bio Shock também me surpreendeu bastante, história envolvente e cativante. Dos antigos, ando me surpreendendo com shmups que não tive a oportunidade de jogar seriamente no passado, como Eliminate Down, Gleylancer e Slap Fight (Mega Drive) e também Zanac X Zanac, um shmup fenomenal para Plastation.

André Breder: É normal entre os colecionadores a troca de materiais. Sendo assim, que item você vendeu e se arrependeu depois?

Daniel: Felizmente, nunca me arrependi. Geralmente só troco algo quando tenho repetido.

Entrevista com o colecionador de games Daniel Govoni
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