Olá velharada do Gagá Games. Hoje vou falar de um game de Neo Geo que foi um dos mais subestimados do sistema. Tá certo que o Neo Geo nunca foi um videogame de fácil acesso, pelo contrário. Se não foi, chegou perto de ser um sistema dos mais elitistas possíveis. E isso não foi só no Brasil não: mesmo nos Estados Unidos e no Japão, pagar mais de US$ 700 em um console e em média US$ 200 por cartucho era saleiro, muito salgado. Só para se ter idéia, a cada cartucho adquirido para o Neo Geo, seu proprietário pagava o equivalente a um Mega Drive ou Super Nintendo. Por isso, a escolha de títulos era feito com muita cautela.

E por causa da política de preços dos cartuchos praticada pela SNK, muitos jogos, principalmente os da primeira leva foram ignorados, não por sua qualidade, mas por seu preço. A maioria dos donos de Neo Geo preferira comprar Art of Fighting em vez de Magician Lord.

“Mas Piga, você está sendo injusto em comparar Magician Lord com Art of Fighting.” Não estou. Acompanhe o raciocínio. 

Quem comprou na época um Neo Geo, queria algo semelhante aos arcades, coisa que nem o Mega Drive e nem o Super Nintendo conseguiam fazer. E quem tinha o console da SNK, provavelmente tinha o da Sega ou o da Nintendo ou ambos,  e o que imperava nesses consoles eram os jogos de plataforma. Magician Lord é um jogaço, mas era um jogo de plataforma e para a grande maioria não justificava seus suados 200 dólares.

Sobre a magia

Magician Lord foi desenvolvido pela Alpha Denshi Corporation que mais tarde mudaria o seu nome para ADK. Lançado em 1990 para o sistema AES e MVS, tinha incríveis 46 megas e foi uma das opções de jogos que vinham com o Neo Geo AES Gold System. Outras opções eram Fatal Fury (a que eu ganhei na época), Baseball Stars Professional e NAM-1975.

Uma história mágica

Nem tanto. Obedecendo os padrões de jogos para arcade, a trama tinha que ser curta e grossa.

O vilão Az Atorse consegue obter os oitos livros sagrados de magia que lhe dão o poder de controlar o mundo. Então Elta, o “Magician Lord”, recebe a missão de derrotar Az Atorse, selar os oito livros e impedir que o mundo se transforme num caos. A cada fase superada, Az Atorse aparece para dizer meia dúzia de palavras que mostram a personalidade forte do antagonista (ao contrário de Elta que não tem personalidade nenhuma).

Como a maioria dos jogos de arcades da época, o enredo não evolui. Fala-se alguma coisa na introdução e  na tela final. Entre fases, o que acontece são insultos do malfeitor frente a seu progresso.

Vendo a magia

Para o que o Neo Geo se mostrou capaz de realizar em sua vida, os gráficos de Magician Lord são bastante pobres. Mas em 1990, comparado a qualquer outro jogo de plataforma lançado até então para qualquer outro sistema existente, os 46 megas do cartucho mostravam a que vinham.

Personagens e inimigos estão muito detalhados. Os cenários contam com três camadas de fundo em movimento, muito detalhamento, efeitos de transparências e luzes, utilizando quase toda a paleta de cores do sistema. Os chefes de fase ocupam um terço da tela sem slowdown no frame rate. Porém, o que faz o jogo parecer meio fraco hoje em dia são os poucos quadros de animações e que alguns cenários com temática fechada, tipo a fase da masmorra, que parecem muito flat. De resto, o jogo figura entre uns dos melhores jogos de plataforma dos sistemas de 16 bits.

Ouvindo a magia

A trilha sonora do jogo é boa e te deixa no clima, apesar de eu não achar uma das melhores do Neo Geo [nota do Gagá: vai se catar, Piga, a música é sensacional ^_^]. A música sintetizada estilo anime japonês utilizou bem os recursos de aúdio do sistema da SNK. Porém como eu mencionei antes, Az Atorse realmente fala meia dúzia de palvaras. Nada espetacular para os dias de hoje. A voz é muito mecânica e indefinida, porém nasceu aí a tendência de se incluir vozes nos jogos de Neo Geo.

Mão na magia

A jogabilidade não poderia ser mais simples. O direcional e dois botões, um para atacar e outro pra pular. Porém, a altura do pulo depende de quanto tempo você deixe o botão pressionado. Os controles respondem bem dentro da proposta do jogo. O que acontece é que Elta se movimenta meio que lentamente, e os saltos requerem algum treino. Os ataques não podem ser executados quando estamos nas escadas — aliás quando estamos nela não podemos fazer nada além de subir ou descer. Não dá nem pra pular e em algumas áreas isso é frustrante.

A dificuldade do jogo é insana. De um lado, você com uma velocidade de cágado; do outro, inimigos que aprenderam a correr com o Sonic. Os inimigos ocupam a tela como ervas-daninhas, seus ataques são onipotentes como Deus e a sova é cruel. Elta tem seus ataques limitados, porém o game nos oferece os Alter-Egos, que são a habilidade do nosso protagonista se transformar em seis entidades distintas: Dragon Warrior, Water Man, Shinobi, Samurai, Poseidon and Rajin. Consegue-se isso coletando esferas durante os estágios e esse é um elemento vital para o avançar do jogo, pois aumenta (e enche) a barra de energia de Elta.

As fases são praticamente lineares, porém existem certos portais que te levam a um desvio, onde a dificuldade aumenta ainda mais (como se fosse possível), mas aumentam também a quatidade e a qualidade dos itens. É como uma “warp-zone”. Ao sair você está na mesma fase, só que um pouco mais adiante. E os estágios são oito no total, todos com nomes bem sugestivos: Dale of Evil Gods, To the Evil Mine, Highway Leading to a Foreign Space, Castle of Devils, Underground Passage of Terror, Corridor Leading to Hell, Gal Agiese e God of Destruction Reincarnates. Ao chegar nos chefes, as coisas embaçam. Imagine-se lutando com um chefe de R-Type só que em vez de controlar uma nave, você está controlando o velhinho do The Immortal. Pode abusar dos continues.

Diferenças entre as magias

Há quem pense que as versões AES, MVS e CD são idênticas. Não são. Nas versões de cartucho, a MVS (arcade) tinha opções de se ajustar a dificuldade e introdução é diferente, mais simples. Ao ser atingido por um inimigo, você fica temporariamente invencível. O número de continues pode ser ajustados, Elta tem quatro pontos de vida e as fases possuem tempo. A versão AES (caseiro), além de uma intro mais trabalhada, não tinha opção de se mudar a dificuldade do jogo e tinha apenas 4 continues na revisão R1. Ainda nessa revisão, ao ser atingido, você fica invencível, igual ao que acontece na versão MVS. Já a revisão R2 possui continues ilimitados, só que a invencibilidade temporária foi removida. As versões R1 e R2 não possuem tempo para terminar as fases e Elta possui 6 pontos de enregia.

A versão CD é a que mais sofreu ajustes. Para começar, os logos da Alpha Denshi foram substituídos pelos da ADK. Outra grande mudança é que o jogo ficou muito mais fácil do que dos seus irmãos em cartuchos, especialmente nas batalhas contra os chefes. De resto, igual a versão AES R2. Mas a grande diferença da versão de CD é sua trilha sonora. Dá de dez no cartucho. Só que a voz de Az Atorse e os efeitos sonoros ficarm inalterados, iguais aos originais.

Fim da magia

Magician Lord é definitivamente um jogo old-school. Casca-grossa ao extremo, não será nenhuma moleza encará-lo. Este foi o terceiro cartucho de Neo Geo que eu tive na época, minha versão foi a R1 com 4 continues apenas e eu não fui muito longe. Porém, numa época em que eu era mais persistente, joguei bastante e por isso tenho boas lembranças deste jogo e sinto um certo pesar de falarem tão pouco sobre ele. Até a próxima!

Magician Lord (Neo Geo AES / MVS / CD)
Tagged on:                         

11 thoughts on “Magician Lord (Neo Geo AES / MVS / CD)

  • 15/06/2012 at 9:51 am
    Permalink

    Maaaaaan, esse jogo é muito bom!

    Peguei naquela coletânea do Wii e viciei. De fato, é insanamente difícil… até com continues infinitos o negócio é pauleira. Sem falar naqueles malditos sapos…

    Ah, perdoe-me por ter acrescentando um comentário sobre a música, não deu para evitar 😛

      [Citar este comentário]  [Responder a este comentário]

  • 15/06/2012 at 9:59 am
    Permalink

    já ouvi falar desse game como um clássico perdido. mas com o jogo a 200 contos e a Neo Geo é famosa em games de luta…só pelos gráficos fiquei na expectativa de joga-lo, mas onde vou arrumar um Neo Geo a essa altura?

    e sei-la, esse personagem me lembrou o mago negro do Yugi-oh. o que para mim ganha pontos adicionais

      [Citar este comentário]  [Responder a este comentário]

  • 15/06/2012 at 12:54 pm
    Permalink

    bons tempos de neo geo!!!video game muito caro..caro até mesmo nas importadoras da época!!!!se neo geo tive-se expandido mais em jogos neste estilo e de navinhas ficaria legal mesmo,,,mas acabou se tornando um console de luta mesmo!!!!gosto muito de ninja combat, KOF 94 e metal slug, clássicos!!!!magician lord,,,conheci no fliperama do seu Zé,,,bons tempos!!!!dificuldades as vezes afastava esse jogo,,,não consegui chegar ao fim,,,mas tenho boas lembranças!!!!acho que ninja combat era o melhor neste estilo na época e depois vieram metal slug para detonar!!!dificuldades e preço caro para a época,,,a maioria sempre acabava comprando com certa análise e experiência!!!!bons tempos de neo geo!!!!dukaralho!!!!

      [Citar este comentário]  [Responder a este comentário]

  • 15/06/2012 at 4:16 pm
    Permalink

    O Neo Geo (as versões de cartucho) continuam tendo até hoje custos meio proibitivos. A versão CD é mais barata, mas não dá para aguentar os loadings a cada segundo (especialmente nos jogos “mais pesados”). Por isso, Neo Geo por enquanto apenas nos emuladores (apesar de ainda ter uma vontade tremenda de ter um AES ou quem sabe um MVS).

    Sobre o jogo, é bem isso que o Piga falou: é um jogo bem subestimado, muito por conta da fama do console em jogos de luta, o que faz com que o pessoal se esqueça dos jogos da primeira leva do console. E a dificuldade é absurda, mesmo na versão CD.

      [Citar este comentário]  [Responder a este comentário]

  • 15/06/2012 at 6:36 pm
    Permalink

    @Adney Luis

    Só uma coisa… Os jogos mais antigos do Neo Geo, tipo Burning Fight, Mutation Nation, Ninja Combat e outros com 46 e 58 mega, No Neo CD carregavam apenas UMA unica vez.

    Os loadings demorados apareciam nos jogos já meio gigantescos para a época, tais como KOF 94 (196 megas), Samurai Showdown II (202 mega), Fatal Fury 3 (266 mega), Real Bout Fatal Fury (346 mega) e etc…

      [Citar este comentário]  [Responder a este comentário]

  • 15/06/2012 at 10:45 pm
    Permalink

    @Man On The Edge

    Certinho o comentário acima, joguei o Magician a pouco tempo no Neo CD e o loading é só no começo, e mesmo assim rapidinho, valendo para quase todos os jogos first gen do Neo Geo. Fatal Fury 1 é no loading in-game, fica igual à máquina de fliper.

    Jogo excelente, cheio dos segredos, à frente da maioria dos jogos de plataforma da sua época, como era de se esperar de um aparelho como o Neo Geo. Inclusive empaquei numa fase parecida com uma masmorra-labirinto, que você anda, anda, desce escada, sobe, e a parada não vai prá frente. Se alguém souber a solução, me fala :)!

      [Citar este comentário]  [Responder a este comentário]

  • 16/06/2012 at 8:29 am
    Permalink

    Hehehehe, NeoGeo é um console com quem tenho de me redimir e pegar “sério” pra jogar. Meu um grande feito na plataforma foi ter vencido Pulstar 🙂
    Parece muito interessante o jogo, vou dar uma checada. Valeu, Piga!

      [Citar este comentário]  [Responder a este comentário]

  • 16/06/2012 at 9:24 am
    Permalink

    @Orakio Rob, “O Gagá”
    uhahuaahu, tá perdoado. A música é boa e combina com o jogo, mas não faz o meu estilo.. 🙂

    @leandro(leon belmont)alves
    Pra jogá-lo só usar um emulador. Tu não vai comprar um Neo Geo só pra isso, né? 🙂

    @helisonbsb
    Ainda hoje é caro. O AES é o mais caro de todos, pois é muito raro achar alguns cartuchos. Já é difícil achar o console….

    @Adney Luis
    Foi o que eu comentei na matéria. O Neo Geo foi (e continua sendo) um sistema extremamente elitista. É muito mais caro sustentar um Neo Geo que um PS3.

    @Man On The Edge
    O Neo Geo CD foi uma tentativa da SNK de baratear o Neo Geo. Pena que chegou muito tarde e foi feito de uma forma não mutito legal. Deu no que deu. 🙂

    @Eduardo
    Isso ningém duvida. O Neo Geo esteve muito a frente de seu tempo e inovou em muitos quesitos. Foi o único até hoje que colocou na caixa controles arcades em vez dos tradicionais pads.

    @Cássio “Pé na Cova” Raposa
    Valeu Raposa. 🙂

      [Citar este comentário]  [Responder a este comentário]

  • 16/06/2012 at 11:09 am
    Permalink

    Putz, o meu Neo Geo Aes eu doei puts que saudade…

    Jogaço, extremo e dificil mas muito bacana, um clássico que muitos não quiseram saber.Apesar de um jogo que sempre fui apaixonado é e sempre será o Ninja Combat.

    Um dia eu vou ter um outro Neo Geo.
    Alguem quer me doar um aí rsrsrsrsrsrsrsrs, aceito doações mesmo quebrado.

    Abraços.

      [Citar este comentário]  [Responder a este comentário]

  • 17/06/2012 at 12:33 pm
    Permalink

    O Neo Geo merecia mais jogos desse estilo…
    Mas acredito que por causa de suas “barreiras” como jogo para arcade, muito caro para um vg caseiro, etc… Tenham impedido que mais softhouses investissem nele.

      [Citar este comentário]  [Responder a este comentário]

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *