Olá galera do asilo retrogamer! Aqui é o seu amigo André Breder para trazer mais uma edição do Recordar é envelhecer! Hoje vou relembrar um clássico dos fliperamas, lançado no longínquo ano de 1987: Contra! Tenham todos uma boa leitura e até a próxima!

Introdução

Na década de 80 os filmes de ação eram a grande sensação! Os heróis eram caras truculentos, normalmente soldados ou ex-combatentes de guerra, que tinham grandes habilidades no manejo de armas de fogo e adoravam uma boa briga. Muitos atores e estúdios de cinema se tornaram milionários fazendo filmes cheios de violência. No mundo dos games a coisa não era diferente, pois muitos jogos colocavam os jogadores dentro de verdadeiras guerras, onde poderiam atirar, matar e morrer. E os gamers simplesmente adoravam tudo isso! Era a maneira mais fácil e simples, de poder tentar ser um “Rambo” por um dia.

A Konami foi uma empresa que soube explorar games que colocavam os jogadores na pele de soldados de guerra muito bem, e com o título Contra, lançado em 1987 para os Arcades, se tornou referência dentro do gênero “Run and gun”. Gamers do mundo inteiro passavam horas na frente de uma cabine com o título, sempre tentando conseguir terminá-lo, o que se mostraria como uma tarefa árdua, e para poucos…

Sobre o game

No jogo os jogadores (o game pode ser jogado até por duas pessoas simultaneamente) entram na pele dos militares Bill e Lance, que devem a todo custo neutralizar a organização criminosa chamada Red Falcon, que é na verdade controlada por aliens que pretendem dominar todo o planeta Terra! O período de tempo em que a trama de Contra ocorre varia de acordo com o local de seu lançamento: na versão japonesa o game se passa no futuro, mais precisamente no ano de 2633, enquanto que em sua versão americana tudo se passa no presente, ou seja, no mesmo ano em que o game foi lançado: 1987.

Contra é um game do gênero “Run and gun”, ou seja, o lema aqui é correr e atirar! Como todo jogo deste gênero, Contra é extremamente empolgante, e possui uma ação contínua, o que obriga o jogador a ter um grande domínio nos comandos do jogo, pois caso contrário a morte será rápida e cruel. Como a munição é infinita, o jogador deve atirar em tudo o que se move na tela sem economias, e ainda ter o cuidado para desviar dos ataques inimigos. Como não há pontos de vida, basta um simples tiro certeiro por parte de um adversário bom de mira, para perder uma vida. Um mero esbarrão também causa “morte prematura”, algo que mostra que apesar de todos os músculos ostentados pelos heróis do jogo, eles não passam de dois “fracotes”. Toda esta fragilidade só “ajuda” a tornar a vida do jogador em um verdadeiro inferno!

O game traz um total de 10 áreas e dois modos de câmera principais, com fases com jogabilidade horizontal/vertical, seguindo da esquerda para direita, ou de cima para baixo; e jogabilidade traseira, onde a câmera é fixa atrás do personagem e você tem uma visão “quase” de segunda pessoa, e deve atravessar pequenos “labirintos” em 3D, dentro de um período limitado de tempo. Durante este tipo de fase, um pequeno mapa no alto da tela irá indicar o caminho a ser seguido pelos heróis dentro da base inimiga. Algumas portas deste tipo de área estarão trancadas, e só irão abrir se tiver seus lacres destruídos.

Para ajudar, de verdade, a missão de Bill e Lance, eles poderão contar com até 4 tipos de armas: Machine Gun, Laser Gun, Fire Gun, e Spread Gun, cada qual com suas características e benefícios. Existe ainda um item especial que torna a arma comum em uma metralhadora Rapid Fire, que passa então a possuir um melhor poder de fogo, e também um outro item que faz com que se tenha invencibilidade temporária.

Graficamente Contra não faz feio, trazendo um bom design, tanto em suas fases, como nos personagens que povoam o jogo. Os protagonistas Bill e Lance, foram claramente baseados em dois ícones dos filmes de ação: o hoje político Arnold Schwarzenegger, e o “eterno Rambo” Sylvester Stallone, respectivamente. Contra não traz muita variedade de cores, mas possui uma paleta com tons mais escuros, o que ajuda no clima sério que o game possui. Nada de cores exageradas e “berrantes” por aqui. Os cenários são, no entanto, bem variados, e mostram a criatividade dos produtores, que souberam explorar diversos tipos de terrenos. Destaque para o design de alguns dos chefões gigantes que são encontrados no jogo.

Os efeitos sonoros são bem simplórios, mas todos cumprem bem o seu papel no jogo. Felizmente, pelo menos, não existem sons irritantes aqui. Já a trilha sonora é um estouro: todas as músicas de Contra são excelentes! Os temas são agitados, o que casa perfeitamente com o clima alucinante e acelerado que o game possui! Não é por acaso que muitas bandas de rock que tocam game music sempre gravam os temas deste jogo, pois é somente “pauleira” mesmo! A jogabilidade também está perfeita, e é sem a menor dúvida, o maior destaque do jogo e a responsável por Contra ter dado certo! Todos os comandos são executado de maneira rápida, sem nenhum atraso, o que é totalmente necessário para um jogo deste tipo ser jogável.

A dificuldade do jogo é extrema! Coisa para deixar até o mais hardcore dos jogadores roendo as unhas! Cada jogador começa o game com apenas três vidas e tendo que se virar com uma arma bem ruim. E como já disse antes, Bill e Lance não possuem pontos de vida, mas em “compensação”, existe um exército inteirinho, armados até os dentes, para se enfrentar! Isso sem falar nas fases cheias de canhões, armadilhas e até lança-chamas! Quando o jogador pegar uma arma especial ele ainda deverá ficar atento para não morrer, pois do contrário voltará a ficar com a fraca arma inicial. E mesmo jogadores “riquinhos”, que tinham grana suficiente para comprar um caminhão de fichas, não seriam capazes de vencer Contrar se não tivessem uma grande habilidade nos controles do jogo: a Konami foi cruel, e só permite 3 continues no jogo. Depois disso é game over! Jogadores que tenham sido capazes de terminar este game nos fliperamas, com certeza, merecem uma medalha, pois Contra definitivamente não é um jogo para os “patos”.

Conclusão

O primeiro Contra foi o responsável por iniciar uma das franquias mais bacanas da Konami. Apesar do alto grau de dificuldade, Contra tem qualidades suficientes para viciar os mais diversos tipos de jogadores. Um clássico que posteriormente ganhou versões para os mais variados sistemas e consoles, e que até hoje é jogado por muitos, nem que seja por meio de emuladores.

Recordar é envelhecer: Contra (Arcade)
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30 thoughts on “Recordar é envelhecer: Contra (Arcade)

  • 26/11/2011 at 7:07 am
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    @leandro(leon belmont) alves

    Problemas com o uso do MAME? Qualquer coisa dê uma busca na net por um tutorial. Eu pelo menos acho bem simples mexer com este emulador, e graças a ele posso relembrar grandes clássicos dos Arcades.

    @Unknownuser2

    Não tem por onde. Eu que agradeço sua visita e leitura. 8)

    @Agent13

    Essa versão do PS2 vem em alguma coletânea da Konami ou é somente o Contra original mesmo sozinho?

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  • 26/11/2011 at 8:23 am
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    Esse jogo é um dos melhores de todos os tempos.

    Tudo nele é bacana, só dificil pacas mas da pra terminar sim, só trienar e marcar os locais dos tiros vc consegue.

    Bela lembrança.

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  • 26/11/2011 at 9:55 am
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    André Breder :
    @leandro(leon belmont) alves
    Problemas com o uso do MAME? Qualquer coisa dê uma busca na net por um tutorial. Eu pelo menos acho bem simples mexer com este emulador, e graças a ele posso relembrar grandes clássicos dos Arcades.
    @Unknownuser2
    Não tem por onde. Eu que agradeço sua visita e leitura.
    @Agent13
    Essa versão do PS2 vem em alguma coletânea da Konami ou é somente o Contra original mesmo sozinho?

    Ele vem sozinho mesmo. Oretachi Game center Zoku é o nome de uma série de jogos de arcade portados pela Hamster pra Ps2 Pena que são exclusivos apenas no Japão.
    Em best matches vc vê a lista.

    http://www.gamefaqs.com/search/index.html?game=oretachi+game+center&platform=0&s=s

    O Bizarro Trio the Punch tá na lista! hehehe…

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  • 26/11/2011 at 11:19 am
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    Pude conferir esse classico no Mame, mas lembro muito bem dele na epoca do Nes, foi um dos meus primeiros jogos. Dificil pra caramba. Quando vejo e lembro de Contr, alem da diversão e qualidade do jogo, me lembro muito da dificuldade deste jogo. Boa materia André.

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  • 26/11/2011 at 5:49 pm
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    Grande game André!!!
    Contra eu só joguei no NES e mesmo assim pude reviver este clássico através do seu texto,muito interessante este Contra do arcade,aliás tem muito game por aí que eu adoro e só depois é que fui perceber que começou com as “máquinas”.Por outro lado no NES tinha a famosa dica para conseguir 30 vidas…e devo dizer,mesmo com vergonha,que era difícil assim mesmo, 🙂 sério,Contra é foda e ao mesmo tempo delicioso de jogar,afinal como você disse a jogabilidade é perfeita e isso permaneceu na versão do NES também.
    Eu recomendo o pessoal,que não conhece,emular Contra mas SEM usar save state porque se não perde-se toda a essência deste jogão.
    Veja só,nunca tinha ouvido falar desta expressão “Run and gun” ha ha ha tá certo,Contra é isso mesmo e muito mais,é como Tetris,que em qualquer plataforma fará sucesso e trará ao jogador uma ótima experiência de jogo,sempre preservando suas características.
    Contra é um ótimo remédio pra essa molecada da nova geração,regada a save points intermináveis e barras de energia que voltam a 100% apenas esperando quietinho em algum lugar para não levar dano.
    André essa questão dos personagens fortões e marombados morrerem com um simples esbarrão em qualquer coisa é de se pensar mesmo,tem jogos por aí que o personagem morre só porque caiu na água,por exemplo,essas discrepâncias ocorre muito nos oldgames.
    André ótimo post rapaz,e outra coisa,quando você disse no início: “lançado no longínquo ano de 1987” cara eu já tinha 9 anos nesta data,como o tempo passa…

    André,grande abraço valeu! Tchau! 🙂

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  • 26/11/2011 at 6:16 pm
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    Eu só cheguei conhecer Contra pelo NES porque, a versão original em arcade nunca vi por aqui. Só pude jogar ele em emuladores em 1998.
    Konami e SNK eram as campeãs em jogos com temáticas de guerra… como adorava gastar fichas nessas belezinhas, viu?
    Agora, um detalhe que só os Anos 80 podiam nos proporcionar: Esta propaganda do Contra, está “MARAVILINDA”. Coisa finíssima! Rss!

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  • 26/11/2011 at 10:31 pm
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    @Ulisses Old Gamer 78

    Contra é assim mesmo: um game muito difícil, mas que com dedicação os jogadores mais habilidosos e pacientes conseguem chegar no final.

    @Daniel Maciel

    @Lisandro

    @Fabrício Devechi

    Contra no mundo dos games é sinônimo de jogo difícil, praticamente.

    @Agent13

    Acho bacana a iniciativa que a Konami teve em lançar seus Arcades para o PS2. Eu já tinha noção que eles tinham feito isso com o Haunted Castle, game que pertence a série Castlevania, mas não sabia que haviam estendido o mesmo tratamento para outras franquias.

    @Vinicius

    Neste caso eu também prefiro a versão do NES.

    @dantus

    Foi uma bela homenagem. E o Bill é a cara do Schwarzenegger. Lembro que até a versão de Contra do NES que foi lançada por aqui no país pela CCE, tinha um manual tosco que chamava os heróis do game de “Rambo” e Schwarzenegger… uhauahuahuahua… tosco mas hilário.

    @Dactar

    Comigo é a mesma coisa: muitos games eu só fui descobrir que haviam começado nos Arcades depois de conhecer suas versões domésticas. É bacana notar que muitas destas versões ficavam tão boas, ou até melhores, do que as originais, mesmo feitas para um sistema mais limitado.

    Contra no NES, para mim também, é difícil mesmo com o macete das 30 vidas. E não é engraçado como dois soldados fortões morrem por conta de um mero esbarrão? Mas entendo que é justamente essa característica, a fragilidade dos protagonistas, que tornam Contra um game desafiante e especial como ele é.

    Sou mais novo que você, em 1987 eu completaria meus 7 anos de vida.

    @Douglas Deiró

    Esta propaganda do Contra ficou “boa” mesmo… hehehehehehe… 8)

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  • 27/11/2011 at 2:08 am
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    Curioso é que o nome do jogo vem do Caso Irã-Contras:

    “O Caso Irã-Contras (em inglês: Iran–Contra affair’, em persa: ماجرای مک‌فارلین, em espanhol: caso Irán-Contras), foi um escândalo de corrupção nos Estados Unidos da América revelado pela mídia em novembro de 1986, durante o segundo mandato do presidente Ronald Reagan, no qual figuras chave da CIA facilitaram o tráfico de armas para o Irã, que estava sujeito a um embargo internacional de armamento, para assegurar a libertação de reféns e para financiar os Contras nicaragüenses.”

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  • 27/11/2011 at 3:34 am
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    @Daniel Paes Cuter

    Na verdade o nome Contra não tem nada a ver com este escândalo conhecido como Caso Irã-Contra, tanto é que a versão do game Super Contra que foi lançada para o NES, teve a palavra Contra abreviada (ficando o título do game apenas como Super C), justamente para evitar uma errônea associação do jogo com este caso, como é citado no Wikipedia:

    “Super Contra (スーパー魂斗羅 エイリアンの逆襲 Sūpā Kontora: Eirian no Gyakushū?, ‘Super Contra: The Alien Strikes Back’) is a Run and Gun-style action game produced by Konami, originally released as a coin-operated arcade game in 1988. Like its predecessor, a modified console version was made for the Nintendo Entertainment System, which saw release in North America as Super C (to avoid being associated with the Iran-Contra scandal).”

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  • 27/11/2011 at 3:32 pm
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    Nem com as fichas infinitas do MAME dá pra terminar este negócio, por conta dos três continues. Só resta apelar aos cheats de vida infinita, ehhehee. Aí vamos embora! 🙂

    Um grande texo na altura de um grande jogo. Falow 🙂

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  • 27/11/2011 at 6:48 pm
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    engraçado como um papa fichas desses ter continue limitado
    estava jogando ele hj, na verdade estou jogando um pouco de cda jogo no meme em ordem alfabetica pra ver os jogos legis para me dedicar a eles.
    e estava pensando pq vcs nao fazem uma cruzada de mame ou algo assim

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  • 27/11/2011 at 8:19 pm
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    @piga

    Se não fosse o cheat de vida infinita, eu acho que jamais veria a tela final deste game. Sou pato mesmo, fazer o que. E valeu pela força xará!

    @edu

    Cruzada Mame?!?!? Tô fora, tenho uma vida social para manter… uahuahauhauah… 8)

    Bem, mas fica aí a dica para alguém do blog que for louco o suficiente para partir em uma “missão” como essa.

    Eu tenho certeza absoluta que nunca farei uma cruzada de nenhum sistema, já que gosto de jogar apenas aquilo que realmente me interessa. Ser obrigado a encarar vários jogos ruins, por pura obrigação de cumprir a cruzada, não é realmente comigo.

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  • 27/11/2011 at 9:11 pm
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    Eu joguei a versão de Nes e cheguei a zerar muito bom e o de Snes não passei da terceira fase se não me engano e também joguei a de PSX que odiei .Muito zuado o jogo viu e recentimente baixei o de PS2 que me parece ser bem interesante mas esse de arcade vou ver com é .

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  • 27/11/2011 at 11:36 pm
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    Dificuldade extrema, sem sombra de dúvidas! Menção honrosa para a cambalhota dada ao receber um tiro ou esbarrão! Hehehehehehe! Clássico!
    CONTRA tem uma engine muito interessante em termos de SCROLL e JOGABILIDADE, engine esta utilizada como referencial para muitos outros games. METAL SLUG é um ótimo exemplo da evolução deste gênero. Ótimo texto! Acompanho sempre as suas resenhas, André! Parabéns!

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  • 02/12/2011 at 9:26 am
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    Isso que é jogo. Um jogaço na verdade! Eu entrego meu Gemei nas maos do meu sobrinho de 8 anos e digo para ele jogar jogos como Contra, Shock Troopers, Final Figth e digo a ele: Joga que isso é jogo de homem. Para minha felicidade ele adora estes jogos e o play 3 dele fica dias desligado. 🙂

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