Ontem, um velho amigo veio me contar sobre os prazeres de micar geral jogando Hatsune Miku em seu Playstation Vita num ônibus lotado de bigodudos com olhares reprovadores. Isso me lembrou deste post que fiz para o finado GameBlog da Editora Europa em 2009, então decidi fazer uns updates nele e postar por aqui. Acho que ninguém vai me processar quase dez anos depois, certo?

* * *

Antes que digam que só falo de Sega Saturn por aqui, decidi preparar um post sobre o Playstation. Vários jogos me vieram à cabeça: Xenogears, Vagrant Story, Star Ocean II… o problema é que eu gosto tanto desses jogos que vou querer caprichar nos posts, e esta semana está uma loucura. Achei melhor começar mais devagar.

Pensei, repensei e decidi falar deste clássico absoluto: Dance! Dance! Revolution!

Ok, ok, eu já esperava a reação enfurecida do meu público. No mínimo, devem achar que estou fazendo pouco do PlayStation, que estou sendo irônico. Mas honestamente? Não estou sendo irônico não, eu gosto pra caramba desse negócio!

A primeira vez que joguei Dance! Dance! Revolution! foi com um amigo em um arcade. Sabem como é o jogo, né? A música toca, você sobe numa plataforma e tem que ficar pisando nas setas correspondentes às que aparecem na tela, no ritmo certo. Nessa pisação toda, você acaba meio que dançando. Vimos uns caras jogando, pulando como doidos e achamos ridículo. E como gostamos de ser ridículos (curiosamente eu não tinha namorada nessa época), decidimos experimentar. Só por curiosidade, é claro.

Obviamente, semanas depois eu já estava comprando um tapete com as setas para pisar e as três edições disponíveis de Dance! Dance! Revolution! para jogar em casa no meu PlayStation. Virou um vício, eu jogava aquele negócio o dia inteiro. No início era um pouco constrangedor quando minha mãe entrava no quarto e me via pulando que nem um doido, mas depois eu perdi a vergonha, soltei a franga geral. O mais engraçado era ver sempre a mesma reação entre os amigos que me viam jogar: o sujeito chegava lá em casa, via aquela cena desmoralizante, achava que dessa vez eu tinha ido longe demais. Eu dizia ao sujeito para experimentar, ele ria, jogava uma vez (só por curiosidade, é claro), jogava duas, jogava três. Geralmente era na terceira que vinha o “liga para o fulano, ele tem que ver isso”.

Se esse tapete falasse… ia ser estranho pra caramba jogar enquanto ele gritava de dor

Ao longo daquela primeira semana, minha casa foi gradualmente enchendo de gente. Quando o sábado chegou, havia dez pessoas no meu quarto se alternando para jogar Dance! Dance! Revolution! Minha casa virou point. Tinha até mulher no meio e eu só não me arranjei com nenhuma porque era um tremendo mané naqueles tempos.

Engraçado um cara como eu, louco por RPGs, ficar tão bitolado em um jogo desses. Talvez se lançassem um RPG com tapete e maracas ele se tornasse meu jogo favorito. Por que diabos ninguém lançou algo assim? Uma pena eu não ter um vídeo para mostrar a vocês a minha performance — pensando bem, que bom que não tenho, minha esposa não suportaria mais esse golpe em sua dignidade.

Anos depois, o Wii chegou brandindo sua varinha-mote mágica e todo o universo soltou a franga em um momento de catarse coletiva. Claro que eu também entrei nessa, inclusive com o aval da esposa, que jogava Just Dance comigo a noite inteira. Era bacana, sim, mas para ser honesto, eu acho que sentia falta daqueles olhares de vergonha alheia do resto da humanidade enquanto eu me divertia pra valer ao som caribenho de “La Señorita”…

Requebra, Gagá! Dance! Dance! Revolution!

2 thoughts on “Requebra, Gagá! Dance! Dance! Revolution!

  • 19/10/2018 at 11:23 pm
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    Tive uma experiência parecida mas foi com Guitar Hero. Inclusive acabei comprando um Playstation 2 (eu não tinha mais console há uns anos desde que tinha vendido o PSX) principalmente para jogar Guitar Hero. Gastei algumas centenas de horas jogando o 1, 2, 3, GH Aerosmith, etc etc.

    Acho que tem alguma coisa fundamentalmente viciante em “apertar botões” no ritmo da música, o mecanismo é o mesmo.

    Depois de Guitar Hero fui pra drogas mais pesadas e também joguei bastante Rocksmith (similar, mas com guitarra de verdade). Fiquei bem melhor do que eu esperava na guitarra por causa do jogo.

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