Este post é parte do meme Retrodia das crianças. Participe você também e me avise aqui nos comentários para que eu coloque um link para o seu post na lista de blogs participantes.

Dia das crianças chegando, e aí está o Gagá Games participando do meme elaborado pelo Gabriel do impagável GLStoque. Qual é a desse meme? Simples: indique um retrogame que seja bom para a garotada jogar no dia 12 de outubro! Pode ser uma boa introdução ao mundo retrô, ou apenas um jogo divertido para a criançada de um modo geral.

Acredito que a maioria dos companheiros de meme vá escolher jogos mais simples, que a molecada possa destrinchar sem se enrolar muito. Eu optei por um jogo que não é tão simples quanto se poderia esperar, mas que também não é terrivelmente complicado. Minha ideia é a de que você jogue este jogo aí com o seu moleque, ajudando e explicando aos poucos.

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O Gagá não quer que você diga “filhão, olha aí que joguinho bacana! Vai jogar enquanto o papai trabalha”. Não senhor, este jogo aqui é para você jogar ao lado do pimpolho, assessorando e vivendo essa aventura junto com ele. Aposto que ele nunca vai esquecer da jornada. E o jogo é Lunar — The Silver Star Story Complete, para o Playstation.

Qual é a desse jogo?

Trata-se de um dos RPGs mais famosos dos videogames. Em Lunar, um moleque aventureiro chamado Alex sonha em seguir os passos de seu herói, o dragonmaster (ou mestre de dragões) Dyne. É aquela coisa clássica do jovem que está descobrindo o mundo e quer ser igual ao seu ídolo, toda criança curte essas coisas.

Se você tiver grana para comprar o original em algum site de leilão como o eBay ou o Mercado Livre, melhor ainda: a caixa vinha com mapa, CD de trilha sonora e mais uma pregada de mimos sensacionais que vão fazer os olhos do seu moleque briharem. Os meus, pelo menos, brilham até hoje quando vejo fotos desse negócio.

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Eu juro que um dia compro esse negócio

A trama é simples e fácil de entender, mas extremamente bem contada. Os personagens são charmosíssimos, a música é excelente e tem um monte de ceninhas de desenho animado de alto nível. Só de ver a abertura o seu moleque já vai ficar doido. Os gráficos são muito bonitos, bem coloridos e “fofinhos”. O melhor de tudo é que esse pacotão não vai agradar só à criançada, não: Lunar é um espetáculo de jogo, um dos RPGs mais deliciosos que você vai jogar em toda a sua vida. Pode apostar que não vai ser só seu pimpolho que vai guardar para sempre a lembrança desses dias de jogatina.

Mas RPG não é complicado para o meu filho?

Sim, se você tacar o controle na mão dele e disser “te vira”. Mas nós vamos jogar com ele, não vamos? Então vamos ver como usar os problemas em potencial de um RPG a nosso favor para tornar a coisa toda mais divertida.

O primeiro obstáculo é o inglês. Aí você tem que manjar, senão fica complicado. Se você manja, pode perfeitamente traduzir tudo o que rolar na tea. Na verdade, Lunar pode ser uma excelente oportunidade de seu filho memorizar algumas palavras recorrentes do idioma, como “sword”, “adventure”, “heal”, “song”, “magic” e muitas outras. Mas não transforme a coisa em uma aula de inglês, concentre-se nessas palavras bem comuns, sem ficar explicando flexões verbais ou noções gramaticais… a ideia principal é se divertir, lembra?

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Os gráficos do Lunar são bonitos pra caramba

Quanto ao sistema de jogo, o ideal é que você vá ensinando aos poucos. Por exemplo, ao começar o jogo, diga ao moleque para explorar a cidade, conversar com as pessoas… esse é o básico de todo RPG, vai ser divertido bancar o professor de game. Depois de rodar por Burg, a cidade inicial, é hora de ir para a caverna do dragão, onde vão rolar os primeiros combates. Sim, combates, com menus, magias para escolher… O truque aqui é não botar o carro na frente dos bois.

Lunar conta com um útil recurso de autobattle, que é a opção selecionada por padrão nas batalhas. Use e abuse disso. Eu fiz um teste aqui e passei o primeiro labirinto todinho com autobattle, sem abrir menus entre uma batalha e outra para ficar me restaurando. O autobattle dá conta do recado direitinho neste início: Luna cura Alex e Ramus sozinha quando eles estão fracos, e Nall ressuscita quem morrer durante a batalha. Perder é uma possibilidade, mas com você assessorando as coisas devem caminhar bem.

A abertura já dá uma boa ideia do clima do jogo

Aproveite que as batalhas rolam sozinhas neste início para explicar ao moleque sobre os pontos de vida e magia. Mostre como o HP diminui quando os heróis levam bordoadas, e como o MP cai quando Luna cura alguém. Brincando, brincando, você estimula o moleque a fazer contas. Volte à cidade quando precisar recuperar energia e magia, explique o lance da estátua restaurar a energia dos personagens.

Enquanto batalha, você pode ir dando uma “colorida” na coisa: dependendo da idade do seu filho, pode ser legal dizer que ele é o Alex e que você é o Ramus (ou a Luna, para mamães/filhas, conforme o caso). Se passar a ideia de que vocês estão vivendo a aventura juntos, como personagens, a coisa pode ficar bem mais divertida. Ao ganhar níveis, explique como a batalha tornou o grupo mais experiente. Mostre como os personagens ficaram mais fortes, assim ele não vai pensar que os combates são um fardo. Dependendo da sua criatividade, a batalha pode ficar bem mais animada com sua narração emocionada: “magiaaaaaaa do foooogooooo!” 🙂

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As crianças adoram personagens fantásticos como dragões. Para completar, o herói é muito educado e um ótimo exemplo para a molecada

Depois que o moleque estiver bem à vontade com o sistema de batalhas, você pode ir explicando aos poucos como ele pode jogar sem o autobattle. Se for aos poucos, tenho certeza de que ele logo vai manejar Lunar como um profissional (as crianças de hoje são bem mais inteligentes do que você imagina). O truque é ir com calma, naturalmente, no ritmo dele.

Umas duas ou três idas e vindas entre caverna e cidade devem bastar para ganhar níveis e chegar ao dragão — aposto que ele vai curtir o encontro: o bicho é enorme e tem um vozeirão bacana, com uma ótima ceninha animada no primeiro contato. Daí em diante você vai recebendo missões, a história vai ficando mais incrementada e logo logo você e ele vão estar envolvidíssimos com os acontecimentos. As cenas de desenho animado estão bem distribuídas, e servem para fazer o jogo ganhar fôlego de tempos em tempos.

Podem me chamar de gay, mas eu já vi e revi essa cena quinhentas vezes. É um dos meus momentos favoritos dos videogames

Lunar pode não ser o jogo mais simples para o seu pimpolho, mas também não é dos mais complicados; não é facílimo, mas também não é muito difícil. Aposto que juntos vocês dois vão destrinchar tudo naturalmente e criar uma lembrança gostosa para o resto da vida.

P.S.: Lunar tem versão para vários consoles diferentes. Foi lançado originalmente para o Sega CD, e sua versão mais recente saiu para o PSP. A única que eu joguei foi a do PSX, e como ela recebeu uma tradução excelente pelas mãos da conceituadíssima (e falecida) Working Designs, acredito que seja a melhor versão disponível.

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Retrodia das crianças: Lunar the Silver Star Story Complete
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