Benefactor (Amiga/Amiga CD32)

Bom dia, amigos do Gagá Games!

Hoje falaremos sobre um jogo que eu quase me arrisco a dar um centavo por comentário de quem não só já jogou como terminou! Mas antes de mais nada, vamos nos localizar na história.

Benefactor foi lançado em 1994 e, dado o ano, estava longe de ser inovador. Peguemos a fórmula criada em Lemmings, ampliemos até chegar em Worms e, em algum momento no meio do caminho deveria estar Benefactor. Aliás, por que não aumentar os ingredientes da salada? Vamos dar uma pitada de Moonwalker e talvez pensar em Inspetor Bugiganga de Playstation, Lode Runner e… Enfim, há muitas referências  aqui.

Fazendo uma média de estilos você já deve ter percebido que falamos de um puzzle… qualquer!


Como assim, qualquer? Pois é, acontece que Benefactor é um jogo cheio de atrativos e pontos positivos, mas não é uma grande obra prima ou referência no mundo dos games. Um produto feito com capricho e que, por não possuir um grande diferencial, passa batido na maior parte das vezes – encontrando reviews apenas nas revistas da época. Nesse mundo contemporâneo onde o retrô fica bonito, são poucos que lembram deste pequeno amontoado de códigos e gráficos. 

Mas esse jogo é para mim?

Se você gosta de puzzles há uma grande chance de achar a fórmula ao menos interessante.

Benefactor não é um título que consegue ser jogado durante muito tempo seguido, entretanto traz aquele fator replay excelente, no estilo “Dessa vez vai! Agora passo daquela fase!”. Em outras palavras, é um jogo em que encaramos uma fase de cada vez – característica bem própria do gênero.

Outro fator que pode atrair jogadores são os gráficos. Esse é o momento perfeito para lembrar que a softhouse responsável pelo game foi a Psygnosis e, para quem viveu os anos 90, o nome é sinônimo de belos gráficos e jogabilidade bem balanceada. São os mesmos caras que criaram o tão aclamado e viciante Lemmings – que foi inclusive bem mais inovador dado o ano de lançamento.

Em Benefactor podemos estranhar logo de cara o fato de os sprites, principalmente o do jogador, serem bastante reduzidos. Talvez os pixels de altura do Ben, nosso protagonista, não cheguem a uma dezena. Só que esses poucos pixels são animados com a maestria consagrada da softhouse, fazendo com que a fluidez do jogo seja algo que vale a pena conferir. Fluidez essa que estende-se também aos inimigos, todos muito bem animados – e muitos com uma altura já respeitável :)

Os cenários são bem caprichados e contam com grande número de detalhes. Começamos o jogo em fases subterrâneas num estilo Spelunky, passamos por tumbas egípcias, florestas e alguns outros cenários que nos fazem perguntar “mas esse não era um game futurista?”.

História

Talvez a parte não tão criativa do conjunto, porém não sei ao certo o motivo, acho fascinante essa linha de história de alguns games da década de 90. São de uma simplicidade funcional…

Você é Ben E. Factor, um renomado herói galáctico. Em uma de suas andanças entre aventuras, eis que seu rádio capta uma mensagem de S.O.S., mandada no melhor estilo código morse não condizente com seres que viajam no espaço.

* Benefactor em inglês seria uma pessoa cujos atos ajudam terceiros. Quase um benfeitor.

Quem chama pela ajuda alheia é um povo muito contente, os “Merry Men”. Merries são bichinhos fofinhos, baixinhos e donos de uma inteligência capaz de criar uma máquina para fazer arco-íres e manipular o clima em seu planeta. Invejados pelo povo vizinho – os malígnos Minniats – acabaram capturados e aprisionados nas seis diferentes luas de Minniat, o que nos leva à nossa missão: resgatar nossos amigos nanicos.

A história é apresentada em estilo Star Wars

A ideia de seis luas é o que possibilita cenários diferentes e explica sua diversidade. Uma boa desculpa para que o jogo não caia na mesmice e, já que estamos falando de um puzzle, talvez devamos relevar qualquer reclamação que pudéssemos fazer aqui.

Mecânica de jogo

Benefactor é um puzzle com controles de plataforma. Em cinco minutos o jogador já estará “calibrado” com os controles, bastante responsivos, e com suas particularidades.

Seu objetivo para poder prosseguir no jogo é resgatar todos os “merries” presentes em cada fase. Os bichinhos são bastante úteis quando libertados, pois te ajudam com alavancas, botões e demais itens que possam interagir com a geografia do nível.

Ben corre sem a necessidade de um botão para isso. Seus pulos variam entre o normal e o famoso “mortal de longa distância”. Saber o momento certo de pular é crucial logo nas primeiras fases. Muitas plataformas deveram ser habilitadas para que você consiga transpor grandes distâncias e fazê-lo nem sempre é a mais fácil das experiências.
Os inimigos não possuem muita inteligência artificial, entretanto fazem um bom serviço como obstáculos não estáticos. São bonitos e novamente devo elogiar a qualidade das animações. Há muitas armadilhas ao longo de seu caminho e em sua maioria vão requerer um pouco de habilidade no teclado/joystick. É, eram tempos difíceis aqueles :D (assunto recorrente).

O planejamento na ordem das ações a se tomar em cada fase é de vital importância. Por sorte há tentativas infinitas, então errar não é um problema. Porém não se deixe enganar; quando um jogo te oferecer infinitas tentativas é como uma prova com consulta: algo tão difícil que a consulta em si não é um grande trunfo.


A revista “CU Amiga” ( juro que é o nome de uma revista séria de games na Europa) fez uma bela descrição da jogabilidade: “uma mistura de Prince of Persia com Lemmings”. Por minha conta adiciono o detalhe de que os merries são muito mais úteis e inteligentes do que aqueles bichinhos com cabelo de grama!

Há um mini-mapa na parte inferior da tela, de extrema utilidade conforme as fases tornam-se mais amplas. Esses são apenas alguns exemplos de como o jogo interage com o usuário. Benefactor era na verdade bem completo para seu tempo.

Conclusão

Com 60 fases e variável nível de dificuldade, Benefactor é um jogo não inovador, mas com os elementos alinhados de forma a constituir um interessante puzzle que facilmente oferece algumas horas de divertimento. Os gráficos cativantes, principalmente os cenários, a história mediana e as músicas que auxiliam o clima garantem que, se você tivesse gastado os 25 dólares que o título custava, não teria sido desperdício de forma alguma. Claro, considerando que você seja fã do gênero.

Talvez com a atual moda de jogos casuais e o ressurgimento dos puzzles nas telas portáteis nosso amigo Ben pudesse protagonizar uma segunda aventura. Claro que ninguém se interessa em ressuscitar personagens de apenas um jogo, ainda mais sendo ele meio obscuro. Mas que daria certo, daria.

Vale a pena jogar? Certamente. Há tempos que eu desejava escrever sobre esse jogo que me cativou pelos gráficos típicos da plataforma da Commodore e, voltando a jogar para escrever esse post, me vi querendo sair mais cedo da faculdade para passar daquela fase que tanto me perturbava mais de uma vez.

Infelizmente não é o caso de se rodar num simples DOS-Box, porém o gamer dedicado encontrará uma boa maneira de emular um Amiga 500 – no meu caso jogo diretamente no hardware, um Amiga 600 comprado lacrado de um famoso lote da PCI, distribuidora desses PCs.

Para matar a curiosidade daqueles que não conseguirem jogar, segue abaixo um vídeo ilustrando melhor o jogo. Infelizmente no vídeo a coisa não está rodando tão fluida quando num Amiga, mas é um bom começo.

Até a próxima, amigos retrogamers!

About Cássio "Pé na Cova" Raposa

Estudante de "Jogos Digitais", futuro retrogame designer e vegetariano convicto, viveu a gloriosa época dos monitores de fósforo monocromáticos e sobreviveu para contar como era a vida em baixa resolução :)