Relíquias do MAME #02: Out Zone

Saudações a todos!

Dr. MAME marcando presença mais uma vez para comentar sobre mais um tesouro encontrado na Arca Infinita de Jogos chamada MAME! E hoje trago para vocês um run and gun futurista feito por uma empresa conhecida por ter lançado a pedra fundamental do “bullet hell”. Não entendeu nada? Calma que eu explico…

Quem leu a gigante e sensacional reportagem da OLD!Gamer sobre os shoot’em ups deve lembrar que uma das empresas citadas que contribuíram para o gênero foi a Toaplan. Um ano antes de decretar falência (o que acabou sendo uma “coisa boa”, já que dela surgiram quatro outras empresas – a saber: CAVE, 8ting/Raizing, Gazelle e Takumi), ela lançou o game Batsugun, que com sua ação desenfreada e momentos de intenso ataque inimigo, lançou a faísca inicial do “bullet hell” — subgênero que causa ao mesmo tempo espanto e admiração aos gamers. Caso você tenha vivido em Marte e não acredite no que estou dizendo, veja e comprove com seus próprios olhos (especialmente no duelo com os chefes):

Entretanto, três anos antes de seu maior jogo (ou, pelo menos, do jogo mais lembrado), ela se aventurou em um run ‘n gun (que não é nada mais que uma variação dos jogos de navinha, transferindo a ação dos céus para o plano terrestre. Contra é o melhor exemplo desse sub-gênero) tão intenso quanto o seu jogo mais conhecido e com um visual cyberpunk fantástico.

Out Zone é um run ‘n gun da Toaplan distribuído nos EUA pela Romstar em 1990.  No jogo, controlamos um soldado armado ciberneticamente para enfrentar milhares de soldados inimigos e armas bélicas de última geração em sete fases. A Toaplan, apesar de ser conhecida quase que exclusivamente por Batsugun, possui uma boa lista de jogos feitos especialmente nos anos 80. E Out Zone, na humilde opinião desse blogueiro, é o melhor da empresa.

 

Começo os meus argumentos com os gráficos. Para mim, simplesmente espetaculares! Extremamente coloridos, inimigos (especialmente os chefes de fase) enormes, sem nenhum sinal de slowdown, mesmo com inúmeros inimigos na tela, é incrível o que a Toaplan fez com a CPU 68000 Motorola (sim, a mesma que compõe o Mega Drive, rodando a 10 MHz). Ela simplesmente suga todo o potencial do hardware. Esse é mais um exemplo de como os Arcades eram superiores aos videogames na época.

 

Mas nós retrogamers sabemos que gráficos bonitos não são suficientes para fazer um bom jogo, certo? Podem ficar tranquilos: a jogabilidade é também espetacular. O nosso herói pode atirar em oito direções, e se movimenta livremente pelo cenário. A mudança de direção é feita de forma bem suave, permitindo que você atire sem dó naquele inimigo afoito que insiste em tentar te atingir por trás. O jogo te permite portar dois tipos de armas diferentes (além da tradicional “bombeta” que limpa tudo na tela), que são alternadas coletando os itens “C” que aparecem em cada fase. A shot gun que, apesar de apenas atirar à frente do personagem, permite um maior alcance, já que desprende três balas por “apertada de botão”; já a semi-automática permite atirar nas oito direções, apesar de ter um poder de fogo mais fraco. Saber o momento certo de utilizar ambas as armas é fundamental para chegar até o final do jogo.

 Flyer do jogo! Estiloso o cara, não é?

E já que falamos em “chegar ao final do jogo”, acreditem: você sofrerá muito para chegar a ele. Os iminigos aparecem às bateladas, e qualquer bala que acerte o seu personagem tem como resultado a perda de uma vida. E não são apenas os tiros que causam perigo; a partir da segunda fase, trechos com espaços estreitos (além de poços sem fundo) para a passagem do seu herói também farão parte do arsenal de armas do exército inimigo. Isso sem falar de plataformas móveis, que causam a queda ao personagem caso se dê um passo em falso. Como se não bastasse todo esse repertório, o jogo possui um sistema de “tempo”, representado por uma barra de energia que diminui conforme o personagem avança; permita que a barra se esvazie totalmente, e você será premiado com a perda de uma vida. Para evitar isso, é preciso coletar os itens “E” que aparecem.

 Você verá essa tela muitas vezes!

Infelizmente esse jogo espetacular ficou restrito apenas aos Arcades, não tendo nem ao menos uma continuação. O que é surpreendente, pois trata-se de um exemplar sensacional não só do gênero, mas de toda uma época onde bastavam apenas dois botões, um direcional e um jogo com ação incessante para prender inúmeros olhos grudados na tela. Como se não bastasse, o estilo gráfico do jogo cairia perfeitamente para o SNES, especialmente se fosse feito nos tempos áureos do console. A jogabilidade que lembra Contra (ou, caso prefiram um exemplo mais adequado aos Arcades, o clássico “Commando”), aliado a um senso estético deslumbrante, fez com que a Toaplan fizesse um dos melhores jogos do gênero. E para sacramentar de vez esse texto, deixo para vocês o gameplay do jogo, para que todos comprovem o que foi dito anteriormente.

Até a próxima e viva os Arcades (e o MAME)!

About Dr. Mame, "O Ranzinza"

Professor, químico, cinéfilo e gamer, não necessariamente nessa ordem. Um admirador desde muito cedo daquelas máquinas dos sonhos, mesmo elas se localizando em locais não bem frequentados, tanto que até criou um blog (que acabou não durando muito) sobre o assunto, antes de postar no "Gagá Games".