Academia Gamer: Fim do Mundo

“Para quem quer fazer exercícios de reflexão”

Olá crianças!

Tendo em vista as conversações a respeito do fim do mundo, achei que seria interessante discutirmos e pensarmos nessa questão, mas sob duas perspectivas diferentes.

Quando jogamos qualquer coisa, certamente que o jogo termina em algum momento. Pode ser logo no começo por razões triviais como quedas de energia, ou até a lembrança de alguma obrigação urgente a ser cumprida. Acontece também (e muito frequentemente) durante o próprio jogo: pulos incorretos, contra-ataques fulminantes, falta de atenção etc.

Ainda assim, não jogamos para alcançarmos este término: lutamos (agressivamente talvez se pensarmos na postagem da última semana) para cumprirmos a tarefa que jogo nos coloca. Ou seja, buscamos alcançar determinado fim, ou uma finalidade específica.

É certo que o “fim de jogo” (famoso Game Over) nos retira de seu mundo. Mas será que essa retirada implica no “fim do mundo”? Em outras palavras: fim de jogo é fim do mundo-jogo?

E essa questão toca em uma outra que tratamos aqui outras vezes: o senhor do jogo é o próprio jogo (seu mundo, suas regras, a tarefa que ele nos coloca). Nós apenas nos submetemos a ele (somos sujeitos no sentido mais original da palavra). É uma pretensão muito grande achar que somos nós, jogadores, que criamos o mundo-jogo de Ivalice quando jogamos Final Fantasy Tactics, ou Algol quando jogamos Phanatsy Star. Esses mundos já estão aí, dados desde antes de nós: apenas decidimos se entraremos nele ou não.

É mais ou menos como quando nos vemos diante de uma obra de arquitetura qualquer como uma catedral: ela nos convida a entrar, mas seu espaço interior e tudo que ela contém já está ali. Se colocamos um pé lá dentro não tornamos reais aquelas coisas todas que a compõem. Ou teríamos nós criado Nárnia e a Terra Média quando lemos as primeiras páginas de C. S. Lewis e Tolkien?

Assim como o mundo de qualquer jogo existe desde antes de nós o habitarmos, da mesma maneira ele permanece depois de nós. Ou seja, assim como podemos sair de uma catedral e voltarmos a ela em outra oportunidade, assim também podemos fazer com o jogo. Nosso passaporte não tem limites neste sentido.

Claro que desastres acontecem e um terremoto pode destruir tanto a catedral como todas as cópias existentes do seu jogo predileto em todo o mundo, mas é o tipo de coisa que não nos ocupa de sobremaneira porque, se isso acontece simplesmente não teremos mais um mundo a voltar de meios usuais. Talvez apenas pela lembrança, imagens, gravações, filmagens etc., mas ainda assim voltaríamos a ele de certo modo.

Portanto, parece-me seguro dizer que o fim do jogo não é sinônimo de fim do mundo. Se o nosso vai terminar ou não agora, não importa muito: pois quando o mundo deixa de existir, também seus jogadores deixam de habitar nele e não o contrário. Talvez haja esquecimento, talvez lembrança.

É isso que queria trazer para vocês hoje! Até o próximo post!

About Senil

Escritor e ouvinte de música em tempo integral que joga menos videogame do que gostaria. Fez miraculosamente uma dissertação de mestrado sobre Phantasy Star que praticamente ninguém deve ter tido paciência de ler.