Doom I: 22 anos com corpinho de… peraí, esse título vai render encrenca

Séculos depois da minha primeira jogatina, bateu uma nostalgia e decidi jogar Doom I novamente. Dei um pulo no Steam e quase comprei o pacotão Ultimate que eles vendem, mas aí comecei a ler vários relatos sobre problemas técnicos do jogo em computadores mais recentes.

Olha pra trás, velho, olha pra trás!!!

Olha pra trás, velho, olha pra trás!!!

 

A solução? ZDoom, uma recriação da engine que roda os arquivos das fases (os famosos “wads”) do jogo original. O ZDoom corre lisinho, sem bugs bobocas, e oferece até uns borogodós a mais como a possibilidade de olhar para cima e para baixo e de usar joystick. Mas fiquem tranquilos: quem quiser pode desligar os extras e jogar à moda antiga. É o que eu estou fazendo. 

Doom I é dividido em três episódios. O primeiro, Knee-Deep in the Dead, contém dez fases e era distribuído de graça na época para atiçar a turma a comprar os outros dois episódios (um quarto episódio saiu mais tarde no pacote The Ultimate Doom). Joguei o primeiro episódio inteiro em um dia e fiquei maravilhado em ver como o jogo envelheceu bem. Doom continua sendo megadivertido, com fases cheias de armadilhas marotas que geram momentos tensos e inesquecíveis. Até o controle pelo teclado, sem mouse, não parece algo arcaico e desajeitado como eu imaginei que pareceria depois de anos jogando os Halos da vida. Doom foi construído em torno desses controles, e funciona bem pra caramba com eles.

Um dia como qualquer outro em Doom I

Um dia como qualquer outro em Doom I

 

Cada episódio pode ser jogado em cinco níveis de dificuldade diferentes. Eu sempre escolho o penúltimo, “Ultra-Violence”, porque não é impossível nem mamão com açúcar. Já o último, “Nightmare!”, é surreal demais: além de mais velozes, os monstros renascem segundos depois de abatidos! Coisa de louco, você tem que correr o tempo inteiro porque a munição acaba num instante.

O primeiro episódio dá para levar numa boa. As fases são apenas levemente cruéis, há bastante munição para você matar todo mundo, dá para terminar em poucas horas e você ainda conhece os monstros básicos da franquia (com direito a um sustinho quando… não, é melhor eu não contar). O final é irresistível, e eu desafio qualquer um de vocês a não pular imediatamente para o segundo episódio depois de fechar o primeiro.

É claro que foi isso o que eu fiz: parti para o segundo episódio, The Shores of Hell, e aí eu posso dizer que o bicho pega legal. Rock n’ roll mesmo. Logo na primeira fase, você já percebe que a munição disponível não é suficiente para aqueles demônios todos. Correção: se você tiver boa mira até dá, mas aí você entra na segunda fase e topa com um labirinto de corredores estreitos e imps escondidos em cantinhos marotos. O único alívio que a fase te dá no início é uma espingarda com oito tiros, o que não dá nem pro cheiro. Logo a “cachorrada dos infernos” começa a correr solta atrás de você junto com os imps, e aí, meu amigo, se você não economizou tiro na primeira fase, dançou. Pensando nessas pobres almas, os programadores colocaram nesse estágio aquele item que deixa o seu soco superforte por alguns segundos, mas vai por mim, você não vai querer enfrentar legiões de demônios na mão.

Quando Doom solta os cachorros em cima de você a coisa fica feia pra caramba!

Quando Doom solta os cachorros em cima de você a coisa fica feia pra caramba!

 

Doom I está longe de ser um jogo burro. É claro que você tem que criar uma estratégia para passar das fases, tem que contar a munição e coisa do gênero. Mas ao contrário de outros FPS, que são mais metódicos e dependentes da atmosfera, Doom I brilha mesmo quando você levanta a porta, se joga no meio de um monte de criaturas dos infernos e começa a meter bala em todo mundo sem parar de correr. Ou quando você está sem munição, ofegante e sem energia, atrás de uma porta, pensando no que vai fazer com o Barão do Inferno que está lá dentro. Não existe nada, absolutamente NADA como Doom I. Exceto, obviamente, Doom II.

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About Orakio Rob, "O Gagá"

Dono do império corporativo Gagá Games, o velho Gagá adora falar sobre si mesmo em terceira pessoa. E sim, é ele mesmo que está escrevendo este texto.