Old!Gamer: vai para o trono ou não vai?

Capa Old!Gamer 1Boa parte da velharada reacionária que acompanha o Gagá Games já deve ter recebido sua edição da Old!Gamer. Eu recebi a minha e passei o fim de semana todo lendo, o que quase resultou em divórcio porque minha esposa queria ver uma exposição sobre dinossauros no Museu Nacional. Pensem nisso antes de casarem, meu amigos.

O fato é que, depois de ler toda a primeira edição duas vezes (a primeira de frente para trás e a segunda de trás para frente, só para garantir) vim dizer o que eu achei. Afinal, a Old!Gamer vai para o trono ou não vai?

A Old!Gamer traz cem páginas de nostalgia gamer sem propagandas. São cem páginas de excelente conteúdo, apresentado com muita competência e bom humor. O trabalho gráfico também é digno de nota, dando um visual muito bonito à revista. Alguns podem achar que algumas páginas ficam um pouco poluídas pelo excesso de imagens (especialmente a reportagem sobre Moonwalker), mas é uma revista sobre games, e acho que é natural e interessante usar muitas imagens mesmo. Só para ser cricri mesmo, a seção Remakes & Cia destoa um pouco do conjunto, quase sem nenhuma arte. Não está ruim não, só destoa. Sabem como é, velho sempre reclama de alguma coisa, mas o trabalho gráfico merece os nossos mais sinceros parabéns, o visual é de altíssimo nível.

As reportagens também foram muito bem escolhidas. A entrevista com Segata Sanshiro é uma comédia, e o bate-papo com David Crane também está excelente. A turma que é mais escolada e já leu outras entrevistas do criador de Pitfall vai notar que o Marcus Garret sabe do que está falando, fazendo as perguntas certas ao homem — como ao perguntar sobre as “manhas” para programar no Atari, assunto que sempre rende ótimas histórias dessa turma. Aliás, o assunto é tratado com maestria no livro “Racing the Beam“, sobre o qual ainda vamos falar aqui no Gagá Games.

Gente feia também tem vez na Old!Gamer, como prova esta foto do David Crane.

Gente feia também tem vez na Old!Gamer, como prova esta foto do David Crane.

As matérias especiais estão muito boas. O texto sobre Moonwalker fugiu do óbvio e falou também sobre as versões menos conhecidas do jogo, como a do Amstrad CPC e do ZX Spectrum (curiosíssimas, diga-se de passagem), e deve ter dado um trabalhão montar aqueles mapas isométricos e encaixá-los na revista. A matéria sobre o Atari no Brasil, também assinada pelo Marcus Garret, conta a movimentada história do console no nosso país, cheia de detalhes interessantes. Só podiam ter posicionado melhor a explicação sobre o que foi a reserva de mercado, que só aparece quase no fim da reportagem em uma legenda meio escondida. Seria bom ter colocado logo no início, porque fica difícil entender a história sem ter essa informação primeiro. Mas estou bancando o velho resmungão novamente… excelente reportagem, muito legal mesmo. Fala-se bastante sobre a parte publicitária do Atari no Brasil, que foi mesmo muito forte e merece o destaque. É até triste comparar com a situação dos games na mídia brasileira hoje em dia.

A matéria sobre Street Fighter 2 está excelente. Cobre todas as versões que você possa imaginar, incluindo o “Street de rodoviária” e uma inacreditável versão “incrível Hulk” para o ZX Spectrum. Mais do que enumerar jogos, a reportagem é bastante precisa ao descrever o papel de Street 2 na guerra dos 16 bits, situando cada jogo num contexto histórico. Coisa de quem viveu a época e, portanto, sabe do que está falando (parabéns ao André Forte). A reportagem sobre Chrono Trigger também está muito legal, apesar de algumas imprecisões apontadas pelo Senil aqui no blog, e traz uma breve descrição de todos os finais do jogo. E tem ainda uma reportagem bem legal sobre o Jaguar, console que fez pouquíssimo barulho por aqui (aliás, não só por aqui) e que, por isso mesmo, é um mistério para muitos de nós. Gostei do que li.

A impagável reportagem sobre as donzelas em perigo nos games.

A impagável reportagem sobre as donzelas em perigo nos games.

Fora as matérias “sérias” há uns momentos mais descontraídos, como os 25 motivos para se odiar Yo!Noid e a matéria sobre as donzelas em perigo dos games. As duas estão muito divertidas, e ainda cumprem seu papel de informar. Esse bom humor (que também afeta as reportagens mais “sérias”) torna a leitura mais divertida sem comprometer a qualidade e dá um “gingado” brasileiro ao texto, o que faz com que a revista não pareça uma cópia de publicações estrangeiras. Também merece elogios a seção Old News, que mostra notícias gamísticas publicadas há anos por antigas revistas como a GamePower e a Videogame. É engraçado notar o ingênuo otimismo das revistas antigas. A imprensa gamer no Brasil, sem dúvida, cresceu muito de lá para cá. Aliás, várias reportagens citam edições dessas velhas revistas, o que é MUITO interessante, não só para fins comparativos como também por mera nostalgia. Bom trabalho!

Não tenho muito do que reclamar sobre a revista. Só o trabalho de revisão é que merece um carinho maior, já que além de diversos erros ortográficos (faltam MUITAS crases, e volta e meia aparece alguma no lugar errado), há dois momentos em que o texto fica pela metade em uma página e não continua na outra, deixando o leitor “no vácuo”. Eu sou tradutor e tenho uma ideia de como essas coisas funcionam, por isso não vou criticar o revisor até saber as condições em que ele trabalhou, muitas vezes o sujeito entra de gaiato numa grande bagunça editorial. Mas o que quer que esteja errado nesse sentido, é bom acertar.

De mais a mais, um excelente trabalho da Editora Europa. A revista tem tudo para vingar e fazer muito sucesso entre a velharada gamer. O Gagá aprova, e torce para que a revista venda bastante e dê à Europa a motivação para lançá-la em território nacional, já que quem está fora do eixo Rio-São Paulo só pode comprar via internet.

Parabéns pelo excelente trabalho, rapaziada, e que venha a Old número 2!

P.S.: Confira uma palhinha da Old!Gamer online aqui.

About Orakio Rob, "O Gagá"

Dono do império corporativo Gagá Games, o velho Gagá adora falar sobre si mesmo em terceira pessoa. E sim, é ele mesmo que está escrevendo este texto.