“Para quem quer fazer exercícios de reflexão”

Olá crianças!

É uma experiência comum que abandonemos um jogo em algum momento. Na realidade, ela é necessária em todos eles. Todo jogo possui um fim de jogo. E ele pode acontecer de diversas formas diferentes. Seria possível, por exemplo, pensar quando nosso personagem perde todas as vidas e continues e não podemos mais prosseguir, quando terminamos o jogo e vemos seu encerramento, ou ainda quando alguma coisa nos chama a atenção fora do mundo-jogo em que estamos entretidos.

Mas o que queria pensar neste momento é a experiência de realmente “largar” um jogo. Não aquela situação em que ultrapassamos os limites dele, ou quando descumprimos suas regras, ou porque cumprimos a tarefa que nos havia proposto. Refiro-me aqui àqueles jogos que realmente deixamos de lado, incompletos e por nossa própria vontade.

Para começar, gostaria de usar um exemplo que soará um tanto paradoxal se se lembram de minhas preferências com relação a games. A primeira vez que peguei Phantasy Star III para jogar, eu o abandonei após meia hora de jogo. Havia achado deprimente a velocidade com que o personagem andava, o sufoco para derrotar pintinhos (os Chirpers) e ganhar somente um ponto de experiência e o texto sofrível (porque jogava a versão em português – um dos piores trabalhos da TecToy neste sentido).

Pequena amostra (em qualidade reduzida) do trabalho mais recente do Yoz que podem conferir neste link aqui.

“Mas Senil, Phantasy Star III não é o seu jogo preferido?” Sem dúvida alguma! Embora eu seja meio avesso a estabelecer uma lista de jogos que prefiro e jogos que menosprezo, a série clássica de Phantasy Star é uma parte essencial de minha experiência de jogador; e uma da qual eu sou muito grato de ter desfrutado. E, dentro todos os games desta saga, Phantasy Star III é o meu predileto. É o que me traz mais boas lembranças e é o que mais quero jogar de novo.

Esse exemplo é bem útil para o que quero descrever e discutir com vocês em seguida. Vejam, eu não gostei dos primeiros minutos do jogo. Já li muitos designers de games afirmarem que “os cinco minutos iniciais do jogo são os mais importantes” porque são eles que “seguram” ou não um jogador. Ah, eu me pergunto, quantos jogos excelentes estes designers não jogaram justamente porque seu único pecado foi não ter tido os primeiros minutos mais inspirados do mundo! Para mim, Phantasy Star III é um deles. Eu realmente achei ele chato e tedioso (coisas que não queremos quando nos colocamos para jogar alguma coisa) e parti para outro jogo.

Fiquemos aqui por enquanto. Mais ao final do post eu voltarei a este assunto.

Acima, uma imagem da parte superior da fatídica torre de Final Fantasy IV (ou Final Fantasy II, tanto faz) da qual falo mais à frente.

Outra experiência que me recordo é que, quando jogava Final Fantasy IV pela primeira vez, eu cheguei em determinado momento em que não conseguia avançar. Não por falta de níveis ou força. Estava em uma torre (a de Babil caso queiram maior precisão), derrotava o vilão que estava nela e descia todos os andares. Quando eu chegava ao térreo, deveria dar sequência a outros eventos que me tirariam daquele lugar. Só que isso não aconteceu. Tentei de todas as maneiras possíveis consertar isso, sempre em vão. Cheguei a aprender algumas das magias mais poderosas só derrotando inimigos aleatórios. Daí abandonei o jogo; ele não fazia mais o menor sentido para mim. Estava chato ficar andando, andando sem rumo. Chegou uma hora que nem lembrava mais o que teria que fazer a seguir. Cheguei a retomá-lo tempos depois, torcendo para não sofrer do mesmo problema e, felizmente, nada aconteceu; ou melhor, aconteceu o que tinha que acontecer.

Outros games eu abandonei por razões semelhantes: por achá-los tediosos e cansativos. Ou seja, não conseguia me sentir motivado a me deixar envolver por aquele mundo integralmente. Não entrava em jogo, por assim dizer. Com certeza possuem experiências semelhantes. Não somente com games, mas com livros (sempre que tento reler Memórias Póstumas de Brás Cubas que adorei no colégio não passo da décima página), com filmes (Rocky Horror Show – só assisti a primeira meia hora) e com jogos de tabuleiro ou de rua. Existem aquelas pessoas que não entram no jogo realmente, embora estejam lá fisicamente. Por exemplo, uma pessoa que compõe seu time de vôlei, mas que não faz o menor esforço para jogar, alguém que joga xadrez sem se angustiar com os movimentos que pode fazer com as peças e assim por diante.

Ignorar, ou abandonar um game, é como fechar uma porta que nos leva a outro mundo. Buytendijk diz que um jogo é melhor descrito como uma porta de uma casa cheia de gente: do lado de fora, vemos que ela está cheia de vida pelas janelas e ruídos, mas é preciso que entremos lá. Uma vez lá dentro, podemos ficar até completar o que precisamos completar, ou sair a qualquer momento (seja temporária ou definitivamente). O problema desta questão é fechar a porta perpetuamente; às vezes é interessante deixar a porta entreaberta e tentarmos mais uma vez.

A prova de que isso é relevante é que eu retomei Phantasy Star III. Passei seus primeiros minutos chatos e desbravei um jogo que ainda hoje me impressiona. E um dos poucos em que digo “poderia ser melhor” não porque tenha sido ruim, mas justamente porque poderia ser uma pérola ainda mais bela se não fosse pela pressa. E este é outro fenômeno interessante. Vivemos em uma época em que as coisas têm que ser rápidas e, se possível, concisas. Em games, é preciso sintetizar todo um jogo em três minutos (o tempo usual de uma apresentação com música); ou ao menos “vender seu peixe” e fazer o restante do jogo ser medíocre e alongado ao máximo às vezes. Muitas peças de teatro mais antigas, histórias e filmes começam num marasmo que vai se intensificando com o tempo. Hoje em dia é o contrário. Podem reparar que o que existem de filmes que começam com uma cena de ação e, logo depois, há aquele flashback básico que retorna à monotonia que antecede a aventura.

Símbolos de famílias reais orakianas (abaixo à esquerda) e layanas (acima, à direita) de Phanatsy Star III.

Por isso, é sempre bom relembrar o que C. S. Lewis fala com relação aos livros. É preciso que viajemos em todos, sem exceção, como se fossem os melhores livros do mundo. Somente depois de termos entrado seriamente nos mundos que nos oferecem que podemos dizer se valeu a pena ou não. Claro que temos todo o direito de ver imagens do Japão e desejar nunca visitar este país; não precisamos ir até lá para saber que não gostamos. Afinal de contas, as descrições daqueles que conhecem estes mundos e culturas diversos podem nos ajudar a compor um quadro que nos convida a entrar nele ou não. Lembram-se do pre-ludere (prelúdio)? Aquele momento que antecede todo jogo em que somos seduzidos por ele? Ele é importante; mas às vezes somos nós que temos que nos entregar ou “fingir” que fomos seduzidos. Não é sempre uma paixão à primeira vista; e são justamente aqueles afetos cultivados com o tempo que podem se converter em um carinho mais duradouro e especial.

É isso por hoje. Até o próximo post!

Academia Gamer: Por que parou?

20 ideias sobre “Academia Gamer: Por que parou?

  • 12/04/2011 em 9:32 am
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    Pessoalmente, sou um cara muito impaciente, e acredito que esse post é mais do que adequado para relatar minha experiência com a maioria dos RPGs. Muitos deles têm um começo arrastado, uma curva de aprendizagem longa, muita fala e pouca ação. É isso que me mantém um pouco afastado do gênero, e tenho plena consciência de que deixo de conhecer grandes clássicos graças a isso. Por exemplo, o Zelda Ocarina of Time, quando joguei há muito tempo: À primeira vista, achei muito tediosa a primeira parte, dentro da Deku’s Tree. Assim, abandonei o jogo. Só depois que resolvi dar uma segunda chance, matei a aranha, e aí que a história se desenrolou e fui até o final sem desistir. E foi algo incrível, mas quase que não acontece devido ao início chato e miserável. Outro jogo que me lembro de ter acontecido o mesmo foi Conker’s Bad Fur Day.

    Assim, posso concordar com a afirmativa de que os cinco primeiros minutos de um jogo são importantíssimos. Principalmente pra mim, que quero arrumar algum motivo logo para ficar preso à história e aos personagens. Num momento em que tudo ao redor pode distrair e lhe fazer trocar de entretenimento facilmente – sem contar o tempo escasso – isso é algo crítico. Por exemplo, não tenho mais tempo para acompanhar os 50 minutos iniciais de cutscenes em MGS 3; quiçá o jogo. É lamentável, mas é a realidade. Se for jogar PS III, só no emulador com o frameskip no máximo 😛

    Estou jogando Chrono Trigger, em doses homeopáticas. E estou jogando muito, justamente por ser um jogo que não perde tempo em começar. De forma bem grosseira, posso até constatar que nos games se aplica a mesma forma: O importante é surpreender no início e no final – o meio é encheção de linguiça 😀

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  • 12/04/2011 em 1:23 pm
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    A idéia de abandonar o jogo antes do fim ocorre muito nos jRPGs. Esse é um dos motivos de eu criticar este gênero atualmente. Tem muitos jRPGs que me fascinam, mas ao começar a jogar, sinto um tédio muito grande. Isso é falha de design. O game-designer destes rpgs deve atentar que um jogo não pode ser arrastado ou confuso.

    Um dos grandes trunfos de Chrono Trigger e também de Super Mario RPG é de serem RPGs ágeis e bem segmentados, sem dungeons enormes e inúteis ou necessidade de evoluir a níveis super saiyajin para poder simplesmente vencer o jogo.

    E assim como FFIV te causou problemas, comigo também. Mas foi num momento decisivo: na batalha contra o chefe final.

    Eu tentava de todas as formas derrotar o chefe final e não conseguia. Então voltava a lutar para ganhar xp, com montagem dos anos 80, música do Rocky I Gonna Fly Now, novas magias, mais itens e etc. Aí enfrentava o chefe novamente e morria miseravelmente.

    Voltava a treinar. O personagens corriam, pulavam, pegavam galinhas suavam a camisa. No fundo, tocava Eye of The Tiger. No final, Cecil grita Kaaaaaaaaaaahn… digo, Caiiiinnnnn.

    Voltei a enfrentar o chefe e nada.

    Não desisti. Desta vez, Cecil e CIA foram treinar na neve. Carregam lenha, faziam abdominais. Matavam balrogs. No fundo, tocava Training Montage de Rocky IV.

    Depois de horas, dias de treinamento, Cecil sobe na montanha e grida Dragooooo, digo, Golbeeeeez.

    É claro que poucas magias do vilão derrubaram meus heróis.

    Desisti do jogo e passei a odiar um pouco mais os RPGs por causa dessas péssimas implementações de game-design, que privilegia mais a sorte e o tempo livre do que as habilidades e estratégia do jogador. E pior ainda é que por causa disso, a diversão e imersão de jogar um RPG é destruída por causa disso.

    É nessas horas que a Nintendo se sobressai. A filosofia da Nintendo é fazer games que cativam no início e que não percam o ritmo. Se Miyamoto tivesse feito Okami, teria dado um peteleco no maluco que incluiu aqueles diálogos intermináveis no início. Tiraria a maior parte do texto, já que é quase todo inútil e sem inspiração.

    E já que falou em livros, isso ocorreu comigo com Don Quixote. Achei o início muito bom, mas depois foi ficando morno. Depois tedioso. Chegou um ponto que não conseguia mais me focar a ler e nem me lembrava do que havia lido segundos antes. A diversão da leitura já tinha se esvaído muito antes, mas só persisti porque tinha alguma esperança. Mas acabei desistindo.

    O problema é que dizem que a melhor parte do livro é a partir da metade, onde eu estava quase chegando. Talvez um dia eu retome a leitura.

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  • 12/04/2011 em 4:49 pm
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    Comigo o que acontece é que eu acabo abandonando os jogos não por querer, mas por outros fatores. Chrono Trigger, por incrível que pareça, eu nunca terminei. Sempre acontece alguma coisa, devolver o cartucho pra locadora, perder o save, o PC em que eu jogava estraga, é uma coisa séria a minha história com esse jogo…

    Mas o que comumente acontece é a de eu ficar sem tempo para me dedicar e acabo abandonando o jogo, livro, etc. Semestre passado comecei a jogar Final Fantasy V, determinado a fechar o jogo. Só que teria que ser antes deste semestre de agora, onde eu voltei para a faculdade, começo o TCC e tal. Resultado: não fechei o jogo, e faz uns cinco meses que está lá parado… Para piorar, nas férias, comecei também a jogar o Phantasy Star II. Esse eu AINDA não abandonei, mas jogo cerca de duas horas por final de semana, ou seja, vou terminar o jogo lá por 2020 (se eu não abandonar antes).

    Outro caso curioso é o de dar uma “segunda chance”. Quando eu era gurizão peguei um tal jogo de PC “Grand Prix Legends”, ou GPL para os íntimos, simulador de corridas de F1 dos anos 60. Simulador… para quem estava acostumado com “jogos de carro” foi um choque. O fato é que eu não conseguia fazer nem a primeira curva! Tentei, tentei, tentei e, enfim, desisti.

    Anos mais tarde, mais maduro, não queria mais saber de “jogos de carro” e queria uma simulador de verdade, já que jogos de corrida, em geral, são muito arcade. Dei uma segunda chance ao GPL. Mais experiente, desta vez consegui fazer a primeira curva! Mas continuava difícil. Depois de várias tentativas comemorei o fato de dar uma simples volta sem rodar nenhuma vez! E depois disso comemorei a primeira corrida que completei e vi como o jogo era recompensador, só que necessitava muito treino, paciência e know-how para entender um carro de F1 com a física imperdoável dos carros sem nenhuma aerodinâmica e com freios rudimentares como eram nos anos 60. Hoje, inclusive, participo de uma liga online do jogo, onde fazemos campeonatos sérios, com regras bem definidas. Até que não faço tão feio (embora sempre termine entre os últimos), mas o importante é que eu me divirto todo final de semana com um jogo que poderia nunca ter redescoberto se eu não tivesse dado uma segunda chance para que ele tirasse a má impressão que tinha deixado tempos atrás, muito mais por imaturidade e falta de paciência minha, do que propriamente culpa do jogo.

    É isso. Muito bom esse tema do abandono, algo que é tão comum.

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  • 12/04/2011 em 6:51 pm
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    Concordo plenamente com o Senil – curiosamente, adorei Phantasy Star III de cara, deve ter sido porque joguei a versão em inglês mesmo, razoavelmente bem traduzida comparando com a da Tec Toy 😛

    Mas acontece muito mesmo, e não tem jeito. Videogame desde os 8-bit é um negócio “meio cinematográfico”: é música, é imagem, animação, personagem… muita mídia pra te seduzir… ou criar asco. Não é só mecânica de gameplay. Mais uma prova de que jogos eletrônicos são arte (ai, de novo esse papo, rs, mas é rapidinho, só pra provar um ponto): você pode adorar jogos com falhas graves ou com os ‘minutos iniciais’ arrastados porque simplesmente adora ouvir um efeito sonoro específico que tem nele. Veja, nem estou falando de uma música – que é mais “poderosa e envolvente” nesse aspecto. Estou falando de um ruidinho aleatório que alguém em algum lugar curtiu.

    Minha última experiência foi com o que é considerado pela PC Gamer o melhor jogo de PC de todos os tempos: Deus Ex, de 2000. Puuuttzzz… é foda, o jogo é FODA. Mas não pelas razões erradas, gameplay e interfaces são acima da média até. Mas é difícil mesmo, muita coisa pra se preocupar, então ele… começou a se arrastar depois de umas 2, 3 horas de jogo. Mas deve se tornar um jogo divinho depois de umas 5 horas, por isso prometo a mim mesmo que retornarei 🙂

    Como me preocupo bastante com essa questão, mantenho um post-it na área de trabalho intitulado “Back to the Save”, onde registro quaisquer jogos com um save em andamento que por ventura eu abandone. Já funcionou algumas vezes. Outros acabei apagando da listinha, como “H.A.W.X” recentemente 🙂

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  • 12/04/2011 em 8:36 pm
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    Ah, isso acontece direto mesmo, mas comigo em algumas ocasiões é humor mesmo ! Eu pego um RPG novo sem estar no clima pra jogar e abandono ele, ou pego um de aventura e abandono porque estou no pique de um game de corrida… e por aí vai.

    Quantos saves não tenho aqui por estar de saco cheio de um game ? O Oblivion tá paradão fazem alguns meses, porque ficou um pouco repetitivo, tava cumprindo muita side-quest, treinando meu personagem, aí fica naquela rotina (Parece até mundo real, rotina… oO), enfim, deixar pra continuar quando realmente der aquela vontade !

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  • 14/04/2011 em 10:52 pm
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    Opa pessoal! Desculpem de novo a demora em responder. É a mesma correria básica de sempre…

    @Rafael Fernandes
    Sua experiência com Zelda se assemelha à minha com Phantasy Star III então. Os cinco minutos para mim só são realmente relevantes se têm a função de apresentar o jogo e buscar seduzir o jogador para ele. Alguns usam muito mais tempo para fazê-lo, outros menos ou praticamente nada. O problema é quando só jogam ação, ação e ação logo de cara para tentar esconder um marasmo chato a partir do sexto minuto até o final da nonagésima hora. Em RPGs isso é muito comum; e estes eu não me envergonho de largar pelo meio. hehehe É como se tivesse sido enganado, sabe?

    O começo e o final de um jogo são momentos importantíssimos! Eles marcam o nosso salto para dentro dele e o nosso último salto para fora dele (quando sabemos que cumprimos a tarefa que nos foi colocada por ele). Não vejo o durante (o in-ludere) como enrolação, mas como o jogo propriamente dito. Muitos games são enrolados, mas se eles não se mostram atraentes e nós não nos esforçamos para nos mantermos dentro dele, acaba ficando maçante mesmo.

    Chrono Trigger é um daqueles jogos que não tem muita enrolação (o que é raro na Square). Você só fica subindo de nível se quiser. E eu geralmente não quero. Na verdade, nem tenho mais tempo para isso. hehe

    @Fernando Lorenzon
    Você citou uma palavra muito importante: tédio. quando eu falar novamente dessa questão de abandonar o jogo pela metade eu certamente vou falar dela. Não sei se será na próxima semana ou não, mas fica o aviso de qualquer forma.

    Concordo com o que falou de Chrono Trigger e Super Mario RPG. Os melhores no gênero são aqueles que não exigem que você pare a cada desafio maior e fique evoluindo seus personagens à exaustão. Para mim, RPG bom é aquele que você pode chegar em uma cidade, salvar e seguir para o próximo desafio proposto penando para conseguir solucioná-lo, mas tendo ainda a possibildiade de fazê-lo. Final Fantasy geralmente não se enquadra nessa categoria. 😀 A série toda de Phantasy Star (menos, talvez o PSII), a série Shining de modo geral e o Der Langrisser (não o Langrisser II de Mega Drive) são outros exemplos de jogos que aumentam a dificuldade com parcimônia e seguindo o ritmo da evolução normal dos personagens.

    Isso que falou sobre o último chefe eu experimentei na primeira vez que joguei Final fantasy VI… Depois, quando joguei de novo, peguei o jeito e consegui passar numa boa. Se fosse em um chefe opcional (como acontecia comigo contra o Omega Weapon do FFV), tudo bem; mas um chefão final? Ninguém merece. hehehe Pode ser difícil, mas que não exija mais de vinte horas de treino adicional.

    Mas existem bons RPGs sem enrolação! Acredite em mim! hehe Posso dar algumas sugestões se quiser. Mande-me um e-mail que vejo que tipo de jogo você mais curte e vou tentando ajudar. Até porque manjo mais de outras empresas diferentes da Nintendo e posso dar alguns nomes que você não esteja ainda familiarizado (podemos até trocar umas figurinhas se for o caso).

    Eu preciso ler Dom Quixote… É a fundação do romance (que é o estilo que mais gosto) e ainda não li. Muitos livros são enrolados. Alguns sem querer e outros por que quiseram mesmo. Vou dar dois exemplos: Conde de Monte Cristo (Dumas) e Os Miseráveis (Victor Hugo). O primeiro é enrolado como uma novela (ele tinha auxiliares que redigiam capítulos para ele – fora que ganahva dinheiro por linha escrita, então enfiava vários personagens gagos no meio, usava alguns parágrafos curtos etc.); o segundo enrolou bastante com capítulos descrevendo o contexto histórico da França no período (eu cortaria metade dele, mas tudo bem porque o livro é bom mesmo assim). Tem o Senhor dos Anéis também; o Tolkien escreve muito enrolado nele. O Hobbit avança muito melhor e é bem mais agradável.

    @Onyas
    Cara, eu não consigo retomar um jogo depois de algumas semanas sem jogá-lo. Se ficar quinze dias sem tocar nele eu tenho que começar de novo. hehe Já fiz isso dezenas de vezes inclusive.

    Não desista de Phantasy Star II! O jogo é muito bom. O chato é que ele exige ficar subindo de nível com alguma frequência o que o torna maçante de vez em quando. Mas ele compensa.

    Legal sua experiência com o simulador de F1! Eu, por outro lado, não sou fã de simuladores em jogos de carro. Prefiro aqueles mais “mentirosos”, geralmente só com acelerador e breque mesmo. hehehe Por exemplo, prefiro OutRun que nem é muito sobre corrida. Quem sabe eu mude de ideia, não é? Não custa nada manter a mente aberta para estas coisas.

    Abandonar um jogo é algo bem comum mesmo. E com certeza vou falar disso em algum outro momento.

    @Eric Fraga
    Ah, eu imagino que deva ser isso mesmo porque foi isso que mais me chateou. hehehehe Quem sabe isso seria diferente se tivesse jogado a versão em inglês? Eu adorei a música, a introdução, os gráficos… Isso tudo mesmo na primeira vez que joguei. Mas esses detalhezinhos me fizeram pular para o PSIV (embora tivesse feito isso pensando “assim que terminá-lo, volto para tentar de novo). E foi o que fiz. E hoje é meu game favortio. 😀

    Com certeza isso acontece em games, de você jogar somente por uma única coisa (uma música, uma cena, um efeito, um personagem). Não só com games. Em música, é comum ouvir um disco (ou uma sinfonia inteira) somente por alguns compassos (às vezes algumas poucas notas se for o caso). Não adianta dar loop naquele ponto; é preciso ouvir tudo até chegar lá. Alguns games que “joguei até chegar lá” eu larguei porque depois deste ponto nada mais me interassava nele. É algo importante a se pensar; valeu por ter me lembrado deste fenômeno! Vou inserir nas reflexões agora. hehe

    Deus Ex é bem interessnate, mas joguei bem pouco. Preciso experimentá-lo de novo também.

    Ah, como falei em outro comentário, eu não consigo retomar um jogo depois de muito tempo e acabo voltando desde o começo. Alguns têm a zica de nunca serem completados mesmo com vários retornos (como Valkyrie Profile por exemplo que já recomecei umas três vezes hehe).

    @Flávio de Oliveira
    Isso é verdade. Às vezes não estou no pique de jogar um RPG e acabo deixando algum que porventura esteja jogando por algo “mais leve”.

    hauhauha Rotina em um game ninguém merece. hehehe Até porque “aventura” é justamente sair da rotina. hehehe Seja lendo um livro ou jogando um game, tem que ser algo incomum e diferente. Mesmo The Sims tem eventos surreais para que haja algum interesse no jogo. Se não houvesse furacões e coisas do tipo em The Sims, eu duvido que tivesse jogado por muito tempo na minha infância.

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  • 14/04/2011 em 11:56 pm
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    Acho que abandonei todos os ultimos RPGs que joguei, e não que fossem ruins… por exemplo o Arc Rise Fantasia eu estava adorando, la se iam 40 horas de jogo, só que viajei… quando voltei nao conseguir retomar o pique.
    Mas ouve outro jogo que abandonei por ter travado em uma parte, foi o Shining the Holy Ark… jogo fodastico! mas eu não consegui resolver o pluzze da ultima dungeon, vai ver foi o meu ingles da época, vai ver não peguei algum item no começo…
    Lunar 2 e Lunar Silver Story (versão do PSX) são duas lembranças fortes que guardo de um RPG até o fim. E são 2 dos meus jogos favoritos =)

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  • 15/04/2011 em 12:03 am
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    @Leon
    Isso de ficar um tempo sem jogar o jogo é complicado para mim também.

    Shining the Holy Ark é sensacional! O puzzle que diz qual é? Aquele de colocar as peças certas nas estátuas? Este é bem complicadinho mesmo. O jogo compensa; se quiser tentar jogar ele de novo, eu recomendo! É um dos melhores do Saturn.

    Curto bastante Lunar também, mas só joguei as versões de Sega CD (que são muito boas). É uma excelente série, sem dúvida.

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  • 15/04/2011 em 12:14 am
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    @O Senil
    Estou com muita vontade de jogar Dragon Quest IX. Só o fato de customizar o protagonista e até os outros personagens, na aparência e na classe, já me chamou muito a atenção, pois gosto muito de criar personagens. Outra coisa legal é que o game possui bastante side quests, o que indica uma progressão não tão linear.

    Outra série que me interessa muito é a Wild Arms. Gostei bastante do primeiro pelo clima leve e tema western. Ainda pretendo jogar os mais recentes para conferir.

    Qualquer dia eu confiro a série Shining.

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  • 15/04/2011 em 1:04 am
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    @Fernando Lorenzon
    Dragon Quest eu só joguei o quinto (para SNES) e, veja só, foi um dos RPGs que abandonei. hehehe Mas este foi às portas do último labirinto. Mesmo assim, lembro de ter gostado bastante dele (mesmo tendo uma série de limitações). Só por você não controlar um adolescente, mas um pai de família já é bem curioso.

    O primeiro Wild Arms é espetacular! Um dos melhores jogos que já joguei. O clima dele, as músicas e os eventos que vão acontecendo valem a pena cada minuto. Pena que o remake para PS2 não chega nem perto disso tudo (acaba virando só enrolação pura). Joguei Wild Arms 2 também que é bem interessante; tem boas músicas, bons personagens e a história é boa. Valeu a pena eu tê-lo jogado. Sou doido para jogar o quarto game, mas ainda não tive a oportunidade, mas quem sabe um dia.

    Se gostar de jogos de estratégia, comece por Shining Force 2 (que é o mais fácil de ser gostado), ou o Shining Force CD. Se preferir um RPG mais tradicional, recomendo o Shining the Holy Ark (Saturn) ou o Shining in the Darkness (Mega Drive). Não que os outros não sejam bons, mas estes já servem para dar um gostinho. hehehe É minha série favorita depois de Phantasy Star.

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  • 15/04/2011 em 9:33 am
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    Eu também, por vezes, recomeço do começo (!). Porque é muito frustrante você retomar algo, você perde o clima, esquece nomes, lugares, esquece até o mote principal do jogo.

    Mas também, se eu recomeçar o Final Fantasy V, já vai ser a terceira vez, já tem mais de 40 horas de jogo, não dá para jogar isso fora. Isso acontece também com livros, já comecei e abandonei “A Divina Comédia” umas duas vezes.

    Meu problema é que eu só tenho os finais de semana para jogar, o jeito é ter uma boa memória para lembrar de onde parou, hehe.

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  • 15/04/2011 em 9:39 am
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    Olá, Senil! Mais um excelente post. Eu sempre tento não me deixar levar pelo começo de um game. Normalmente acho todos muito sem graça. Por exemplo, tem muitos rpgs que são tão cheios de tutoriais no começo, isso é tão chato! Confesso que não presto muita atenção em nada do que os personagens vão falando sobre magias, combinar isso e aquilo, fazer tal coisa pra melhorar a arma… Vou descobrindo tudo isso durante o jogo!

    Já parei de jogar diversos jogos sem terminar. A maioria deles é porque encalho em algum ponto. Dois exemplos clássicos são o Sonic 3 com aquele MALDITO BARRIL, e um X-men do megadrive, que tem a fase do Mojo em que você mata o chefe e… nada acontece. Você fica preso na tela por toda a eternidade. Achei que meu cartucho estivesse com algum problema. Só no ano passado fui descobrir, graças a um vídeo do AVGN (Angry Videogame Nerd, conhece?) que você tem que apertar RESET pra passar de fase. Como assim??!?! Quem teve essa ideia?! Só se a pessoa resolvesse resetar pra começar de novo, mas eu ficava tão irritada que desligava direto…

    Outra grande frustração é no Magicalhoopers, do saturn. Eu juro que não consegui descobrir como aumentar seus pontos de vida. Você começa com dois, vi algumas imagens com muito mais do que dois, mas… não tenho ideia de como aumentar! Cheguei o mais longe que consegui com essa life bar tão pequena, mas não deu pra passar de um chefe.

    Quanto a livros… Poxa, o memórias póstumas é tão legal =P Uma coisa engraçada é que eu amo Iracema, que dizem ser chato demais, Dom Casmurro é um dos meus livros preferidos e achei os outros livros de vestibular legaizinhos, mas… Aquele Sagarana eu não consegui ler de jeito nenhum. Não teve como!

    O comentário já está gigante, mas só puxando o off-topic do post anterior… fico feliz que tenha gostado da minha interpretação da Eternal Snow! =) Algumas músicas ficam com outro “feeling” quando tocadas em algum instrumento solo. Acho que Full Moon não faz muito seu estilo de anime, mas se você der uma chance, creio que iria gostar. Principalmente do mangá. Caso se interesse, fiz um review mais detalhado no meu blog. http://bit.ly/eMRMi8 Duvido que você saiba mesmo o final =P

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  • 15/04/2011 em 12:03 pm
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    @Onyas
    É exatamente isso! Esquecer nomes,personagens e até o objetivo do jogo. Se for um tempo curto, até dá para retomar, mas se for muito, não consigo mesmo.

    Final Fantasy V é bem legal, mas provavelmente não encararia ele de novo depois de parar pela metade.

    @Patty K
    hehe Bem lembrado! Também não gosto desses jogos (RPGs ou não) que teimam em ficar explicando tudo nos primeiros minutos do jogo. Eu também costumo ignorar e dar a cara para bater aprendendo na marra.

    Curiosamente, eu nunca tive problemas com esse barril de Sonic 3. 🙂 Devo ser um dos poucos, mas tudo bem. hehe Em X-Men nunca cheguei tão longe (morria um pouco depois de enfrentar o Juggernaut – se for o mesmo jogo que você falou pelo menos). Conheço o AVGN sim! Tem alguns reviews dele que são muito engraçados e outros nem tanto. hehe Faz tempo que não vejo nada dele inclusive.

    Esse Magicalhoopers é aquele que tem proximidade com Pandemonium? Parece que é a versão japonesa dele ou algo assim. Se for, faz eras que joguei esse e não lembro direito como fiz para aumentar. Aliás, preciso jogar de novo. Pandemonium é muito legal!

    Então, eu gosto do Memórias Póstumas também. Só não consegui avançar muito nele das últimas vezes que tentei. É meu preferido do Machado. Desses livros de vestibular, gostei de boa parte deles; principalmente “Primo Basílio” do Eça. O único que não consigo mesmo gostar e adquiri certa aversão é o Macunaíma… Talvez até o releia algum dia, mas por enquanto é o pior livro de ficção que já li. hehehe Sagarana acho que nem li para dizer a verdade. E Iracema também não lembro de muita coisa; talvez procure para reler.

    Não se preocupe com o tamanho do comentário! hehe Eu vou dar uma procurada no anime e assistir quando tiver tempo. Faz eras que não vejo nada novo, então pode ser uma boa. Vou ler seu review agora mesmo!

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  • 15/04/2011 em 9:53 pm
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    @O Senil
    Eu gosto muito dos reviews do AVGN. Principalmente quando ele resolve interpretar algo na vida real, haha. Como sair quebrando castiçais no review de castlevania!

    Sim, o Magicalhoppers aparentemente é o Pandemonium com personagens diferentes. Não entendi por que fizeram isso, mas eu gostava da menininha, haha. Era muito bom!

    Parece que a sua lista de livros de vestibular era bem diferente da minha, hehe. Tenho vontade de ler mais desses livros “clássicos”, mas pra ser bem sincera, também tenho uma boa dose de preguiça.

    Se assistir full moon, depois me diga o que achou! =]

    @Onyas
    Poxa, o FF VIII é o meu preferido, mas é mais porque eu gosto da “novelinha mexicana”, hahahaha! Admito que o começo é muito chato mesmo!

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  • 15/04/2011 em 10:45 pm
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    Hahahahaha! A “novelinha mexicana” é o “outro motivo” de eu não gostar. Na verdade, dizer que eu não gosto do jogo é meio injusto, apenas não me sinto instigado e me dedicar a ele. Com certeza é um dos melhores jogos do Play1.

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  • 16/04/2011 em 12:14 am
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    @Patty K
    Eu jogava com a menina também. 🙂 Acho que ela tinha um pulo duplo, ou algo assim. Era mais útil para pegar itens de difícil acesso. Pelo que sei, o Magical Hoopers é a versão japonesa de Pandemonium (um tipo de localização do jogo).

    Quanto aos livros, eles mantém alguns e tiram outros a cada ano. E já faz oito anos que prestei vestibular. Nem lembro de todos os livros que precisava ler. hehe

    Vá me lembrando então porque e sou craque em esquecer estas coisas (animes para assistir, mangás para ler, games para jogar…). Se eu não falar nada a respeito, pode me cobrar que não ligo. 😀

    @Onyas
    O FFVIII tem um sistema meio complexo demais e os tutorias dele são bem chatinhos mesmo. Preciso tomar coragem para jogar esse de novo. hehe Lembro de não ter gostado muito dele, mas joguei bastante com um primo meu.

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