Olá, amigos leitores do Gagá Games! Estou de volta com a análise de mais um jogo dos tempos em que passávamos longe de imãs!

Confesso que minha intenção inicial era falar sobre Stunts – já havia começado a escrever – mas, como pelos comentários do último post percebi que anteviram minha intenção, arquivei esse jogo para mais tarde. Afinal, o que seria da vida sem o fator “surpresa”?

Em 1996 minha família comprou um PC 486, minha primeira experiência realmente multimedia – kit Creative com Soundblaster 16, mas sem drive de CD-ROM pois era muito caro…

Em uma das visitas a um amigo de escola, voltei para casa com minha já companheira caixa de disquetes, trazendo comigo o demo de Death Rally, motivo pelo qual eu havia passado acordado a noite anterior. 

Correndo contra as regras

Então você acredita mesmo que Need for Speed Underground era coisa de malandro? Ok, não que não seja, mas antes dele a estrada já havia sido pavimentada – perdoem o trocadilho.

Em Death Rally definimos “boa corrida” como aquela em que se pilota bem, desvia-se de armadilhas e, de preferência, nos damos ao trabalho de danificar irreparavelmente os carros dos oponentes. Mesmo que para isso seja preciso molhar a mão de algum agente do submundo, antes mesmo da corrida, buscando sabotar o carro de determinado oponente.

Como podemos ver é uma equação com muitas variáveis, sendo a mais importante o dinheiro – afinal ninguém quer ficar correndo de Fusquinha o resto da vida – na verdade o tal Fusca é chamado no jogo de “Vagabond”

 Audio/Vídeo

Quando as placas de som se popularizaram no mundo dos PCs, calhou de ser uma época com um gosto musical bastante Rock ‘n Roll, aliado a elementos eletrônicos. Death Rally possui uma trilha sonora perfeita para a proposta do jogo: tensa, na medida que o deve ser.

Graficamente falando, nos deparamos com um artifício então muito usado – não só nos computadores, mas também em vídeo games da quinta geração (primeiro Playstation, Saturn, etc): menus em resolução alta (incríveis 640×480 pixels). Pode parecer besta, mas limitações de hardware faziam com que a rápida movimentação dos jogos sofresse com resoluções como 320×200 pixels. Os monitores aguentavam mais, porém não havia placas de vídeo boas o suficiente para resoluções altas E processamento pesado de gráficos simultaneamente. Entretanto, se o menu apareceu com uma definição invejável, minha primeira impressão fica, e fica de forma bem agradável.

Criando um personagem e usando o avatar do Duke Nukem 😀

Nas corridas voltamos à velha resolução baixa, mas nada disso importa. A ação corre solta – literalmente – e o fator de desafio é muito equilibrado, daqueles em que é fácil de se iniciar mas difícil de dominar (e isso é uma unidade de medida em game design!). A visão é aérea, como em MicroMachines, mas os relevos no terreno – árvores, postes, etc – são poligonais, passando uma sensação muito interessante. Algo que fomos ver melhor desenvolvido pouco tempo depois, com o primeiro GTA.

A palavra aqui é “capricho”, tanto na trilha sonora quanto nos gráficos – top de linha para 1996.

Jogabilidade

Como escrevi ainda há pouco, Death Rally é um jogo que “soa” natural ao teclado. Você usa as setas, um ou outro botão de ação e a coisa flui. Mas como jogabilidade não se resume apenas a controles, vamos ao que interessa: eventos no jogo.
Além de correr, sabotar e ganhar dinheiro, você pode comprar carros melhores – há um total de seis tipos de veículo. Seus carros podem ser “tunados”, melhorando seu desempenho, inclusive com armas.

Drifts na terra!

Pausa para detalhe importante: Death Rally é o único jogo de carros “tunados” onde é possível correr contra o Duke Nukem! Ele é um de seus oponentes com o carro mais possante, o “Deliverator”. Pior que eu reparei primeiro no avatar para só depois ler o nome.

Continuando… um dos fatores mais interessantes são algumas “missões” que aparecem de vez em quando entre corridas. Missões do tipo “detone o carro de tal oponente e te dou uma grana preta em troca”. Novamente vemos princípios posteriormente expandidos por outros jogos. Podemos atropelar pessoas na pista, ficar “embriagados”, o que causa distorção na imagem, e há uma boa dose de power-ups em cada corrida. Seu carro sofre danos e deve ser reparado, tanto com power-ups nas corridas quanto na oficina entre uma acelerada e outra.

Não bastando, há um total de 19 pistas, embora 8 sejam versões espelhadas e com alguns detalhes modificados. Há quatro níveis de dificuldade, sendo o mais desafiador composto apenas de uma corrida, um tanto quanto desleal, diga-se de passagem. A ultima corrida se dá contra seu adversário e é a única onde a sabotagem não é permitida, numa versão eletrônica de Chuck Norris: “ninguém encosta no carro do adversário e vive para contar história” é a explicação que te é dada. Todos os oponentes são estereótipos muito interessantes do sub-mundo, com nomes e avatares bastante divertidos.

Conclusão

Politicamente incorreto é apelido para Death Rally. Eu mesmo não categorizaria o jogo como corrida e, na verdade, mais curtia ficar recebendo missões do que vencendo corridas. Mas o principal fator em qualquer tipo de jogo está presente: jogabilidade viciante.

Nada do que vemos no jogo foi realmente uma “novidade”, entretanto, tudo foi tão bem trabalhado que culminou em um produto redondo, sem grandes falhas – ao menos nada muito aparente. Para não dizer que o jogo é só perfeição, admito que às vezes era bastante frustrante ter meu carro inutilizado em meio a uma corrida difícil. Mas a vida é isso ai, altos e baixos. Na corrida seguinte lá estava eu sabotando meu oponente :).

Estranhamente esse título não fez grande sucesso na época, pelo menos no círculo gamer que eu conhecia.
As boas notícias: recentemente Death Rally foi relançado como freeware e atualizado para rodar em sistemas Windows modernos, então nem mesmo de DOS-Box você vai precisar. Para completar, saiu um remake para iOS, mas esse é devidamente pago, embora não deva ser nada muito caro – só que pela qualidade do remake eu não posso responder por falta de conhecimento de causa.

Está esperando o que? Um jogão desses, de graça, não é todo dia que damos toda essa sorte!

Death Rally (DOS)
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18 ideias sobre “Death Rally (DOS)

  • 15/03/2012 em 11:39 am
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    Amigo, eu tenho a impressão que vou gostar muito dessa coluna…Ela me trará boas lembranças dos jogos de DOS (Win95 vale também?).Se bem que tanto no Win 3.1 quanto no Win95 em sua maioria eram jogos de DOS.Mas obrigado pela análise e principalmente por garimpar um jogo “de grátis” pra gente!

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  • 15/03/2012 em 12:33 pm
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    Death Rally é uma mistura de Trash Raaly (Neo Geo) e Destruction Derby (PC) e ficou muito interessante. Eu brinquei um pouco com ele na época e apesar de já ter um Kit Multimidia, minha cópia era um RIP do CD-ROM sem o aúdio e para que o jogo rodasse lembro que tinha que dar um F8 e escolher linha por linha o que seria executado no autoexec.bat e no config.sys. Tudo relacionado ao CD-ROM e a placa de som não deveria ser carregado. Hoje eu tenho aqui a ISO desse jogo guardada, mas tem tantos outros jogos para serem jogados…..

    Falow! 🙂

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  • 15/03/2012 em 7:04 pm
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    Cássio! Vc está rodando esses jogos como? Aqui a muito custo consegui fazer rodar o POD da Ubisoft (aliás um clássico que recomendo para uma futura matéria) e mesmo assim não consegui habilitar a versão para a as placas voodoo.

    Outro jogo fantástico que consegui rodar (mas novamente sem os melhores gráficos) foi o Screamer 2.

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  • 15/03/2012 em 11:31 pm
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    Nesta época, eu só sonhava em ter um PC. E, com os preços que eles tinham, nem achava que fosse ter condições de ter um de fato, para falar a verdade.
    Um amigo meu já tinha um (na verdade, tinha três pois ele adorava jogar em rede) e, certa vez, ele me veio com esta: “Você curte Rock’n Roll Racing, né? Você vai gostar de Death Rally (DR), um jogo no mesmo estilo, mas que tem o Duke Nuken”.
    Eu não entendi muita coisa naquele momento, até porque, ele deu ênfase no fato do jogo ter o Duke como um dos personagens: “O Death Raaly é legal só porque tem o Duke Nuken? Que bosta!”.
    Entretanto, bastou eu começar a jogar e ver que o game era muito mais que isto… era viciante mesmo. Ficamos o dia todo jogando.
    Mas, como era a época das cópias em disquetes, eram jogos atrás de jogos, e logo deixou de lado DR por outro. Somado ao fato de que nunca fui fã de ficar xepando videogame na casa dos outros, nunca mais joguei Death Rally… aliás, nem me lembrava mais dele, até este post. Hehehe!

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  • 16/03/2012 em 8:26 am
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    @fredtoy
    Somos dois 🙂

    @Marcos A.S. Almeida
    Escrever aqui é um exercício de reavivar minha memória também!

    @piga
    Eu fazia aqueles menus de config.sys pra você escolher iniciar o pc em modo “Jogo” ou genérico, hehehe.

    @Randolph
    Então, nesse caso especificamente o desenvolvedor atualizou o jogo para rodar em Pcs modernos, mas normalmente uso DOS-Box mediante muita configuração para jogos diferentes. Tenho um PC antigo encostado aqui para quando o DOS-Box não funciona legal.

    @Douglas Deiró
    O jogo me marcou bastante então acabei jogando mais do que normalmente fazia rs.

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  • 16/03/2012 em 8:57 am
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    Joguei pouco Death Rally na época, acho que só testei ele lá em 1998 porque fazia manutenção de kits multimídia e a creative por um tempo enviou o Death Rally como CD bônus, mas o pouco que joguei posso falar que era bem legal mesmo, tem outros jogos da mesma época que são melhores mas em funfactor ele se dá muito bem.
    Vou ficar esperando ansioso o dia do review do Stunts. Ainda bem que a maioria desses jogos já podemos jogar até no dingoo via Dosbox, bons tempos.

    []´

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  • 16/03/2012 em 9:32 am
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    então….quer dizer que posso baixa-lo no notebook?

    me interessei a testa-lo. eu sempre gostei de games de “corrida” a lá Twisted Metal e Vigilante 8(se bem que esse é fraquiiinho) achei até legal que pode sabotar o carro adversário.

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  • 16/03/2012 em 12:58 pm
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    eu o estou jogando. é quase jogar aquele filme, corrida mortal. só que não sou o Jason Staham…se bem que tem um avatar que lembra um pouco ele. o Raposa escolheu bem o game para esse post. gostei bastante, agora vou voltar a jogar

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  • 16/03/2012 em 5:19 pm
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    Eu já tinha lido seu outro post, mas nunca comento. Dessa vez resolvi comentar, pois estou adorando lê-los. Quero aproveitar o post desse joguinho que parece legal para pedir um sobre o Micro Machines! Eu sei que não é tão underground (hihi), mas eu adoraria ler sobre esse jogo com as suas palavras. Eu não sou tão nerd assim, então vou pedir mais jogos famosos: quero muito ler sobre Descent, Doom, Jazz Jackrabbit, Lemmings, Box World, Monkey Island, Alone in the Dark, Laura Bow, Prince of Persia. Eba!

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  • 18/03/2012 em 12:31 am
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    Muito interessante esse jogo, li que era DOS e já me interessei, recebi uma tarefa para apresentar um trabalho sobre DOS e como na época que ele existia eu era muito novo, e além do mais não tinha condições de ter um pc então não conheço praticamente nada do sistema. Me empolguei com a idéia já que a primeira coisa que veio a mente era emular o Doom original, tanto é que baixei, tentei emular no DOSBox e apanhei tanto pra conseguir que desisti, a versão era pronta pra instalar no W7 e foi o que fiz, consegui jogar o Doom de boa, e ele eu vou terminar mas de DOS tenho muito a pesquisar.

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  • 18/03/2012 em 8:47 am
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    @spyblack
    Esses kits multimedia vinham com jogos muito bons às vezes. Lembro de ter conseguido meu Twinsen’s Oddysey desta forma!

    @leandro(leon belmont) alves
    Obrigado :). Tem muita coisa super interessante dessa época!

    @cis_negro
    O bacana é que nessas lembranças vem junto tudo associado à época, inclusive a rotina que envolvia jogar – amigos, tardes depois da escola, etc.

    @Mahaila
    Mahaila, bela lista! Curiosamente joguei todos esses jogos e já pensava em escrever sobre alguns deles :D. Pra estar aqui não precisa ser underground – basta ser idoso!
    Obrigado pela visita e seja bem vinda na roda de dominó da terceira idade!

    @helisonbsb
    Nada melhor do que um jogo antigo que, para a gente, é novo. É como descobrir um álbum de fotos da sua infância que você nem sequer desconfiava da existência.

    @Juliano
    Juliano, a época do DOS trouxe muitos jogos inesquecíveis. Muito legal você se interessar mesmo não tendo pegado esses tempos. Há inúmeras maneiras de se rodar essas coisas antigas. O DOS-Box em geral funciona bem, mas sempre da pra se rodar uma máquina virual instalando o DOS “de verdade” e vendo como era na prática. Usar janelas brancas de Windows 3.1 e se matar tentando fugir do monstro de neve no Skifree!

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