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Continuação do relato da longa jornada de Rhys, ainda buscando salvar sua amada Maia que foi seqüestrada no dia de seu casamento. Agora, ele pode ir a terras ainda mais distantes de Landen.

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Tendo saído da caverna e retornado a Yaata com a Safira em minhas mãos, tentei rememorar com cautela e precisão o que me dissera aquele rapaz em Landen… Aparentemente, aquela gema azul brilhante poderia ser utilizada em uma caverna na divisa do mundo que conhecia. Com isso rumei, um tanto quanto silenciosa e ansiosamente à caverna.

Com Mieu a meu lado, as coisas estavam menos enfadonhas do que durante o início de minha peregrinação. Meus passos estavam um pouco mais leves como se a música densa e pesada que seguia o ritmo de meus pés tivesse recebido um instrumento mais alegre. Enfrentamos juntos muitos animais que nos atacavam constantemente. Afinal, não estávamos nos limites de cidades; não havia muros para delimitar nosso território. Estávamos invadindo o de outras espécies. Mesmo que fossem animais modificados cuja origem remontaria à Laya dos mitos antigos.

Próximo à extremidade leste do mundo que conhecia, deparei-me com um templo. Suas colunas, estranhamente, me fizeram lembrar daquelas que o velho de Yaata me mostrara em nossa viagem. Ao adentrar nele, um aviso estranho ecoou por todo aquele lugar anunciando que somente aqueles do povo de Laya poderiam usá-lo. Com ódio correndo pelas veias, ele foi perpassado com veios finos de alegria ao pensar que estava no caminho certo e que, em breve, veria Maia novamente.

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Tanto que por um instante, me esqueci da necessidade de se usar a Safira para entrar na caverna. Não podia ver seu interior por estar bem escuro. Entretanto, tal escuridão não se reduzia a mero obstáculo à vista; era tão densa que podia tocá-la. Era como se me impedisse de entrar. Enquanto passava uma das mãos por aquela estranha treva, Mieu ofereceu-me um de seus braços. Estranhei a princípio, mas vi que ela estava com a gema que nos foi dada por Lyle em sua outra mão. Ela a ergueu e, conforme avançávamos em direção ao escuro, as trevas iam se dissipando ao nosso redor e selando uma vez mais a entrada atrás de nós.

Aquela caverna era estranha… Mieu não pareceu não se incomodar com ela… Todavia, era muito incomum e nada do que esperava. As cavernas que visitava nas montanhas próximas à minha cidade natal eram poucas, mas não se comparavam aquilo. Talvez tendo percebido meu olhar que me impedia de dar passos adiante, Mieu me explicou que aquela era uma caverna de tecnologia semelhante à dela própria. O que me tranqüilizou ao pensar que seria algo construído por meu povo; não precisaria ter ressentimento daquele lugar como sentira no templo instantes atrás.

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As surpresas, é claro, não acabaram por aí… O choque térmico entre minha ansiedade e a neve do outro lado da perigosa passagem quase me tornaram em um objeto inerte em formato humanóide. Mieu tentou se aproximar de mim para me aquecer um pouco, mas a pele sintética que a recobria não aquecia e sequer esfriava de acordo com a temperatura externa, mas sim de acordo com seus músculos. Tentei aquecer-me como pude com minha capa e combatendo alguns animais que tentavam impedir nossa perigosa e lenta jornada naquela nevasca. Segurávamos um no outro para tentar evitar buiracos traiçoeiros. Não sabíamos a quantos metros de neve vagávamos… Depois de muito tempo (ao menos foi assim que percebi) alcançamos uma vila…

Admito que tremi. Não só de frio, mas de temor. Tinha medo de que estivéssemos entrando em território layano e que minha atual debilidade me impedisse de buscar por Laya ou por informações que me levassem a ela…

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O acolhimento do povo de Rysel, a primeira cidade que conseguimos alcançar, foi reconfortante. Mesmo tendo tão pouco a oferecer, se mostraram solícitos a mim, que era orakiano como eles. A maioria deles não escondia o mal que sofriam, mas alguns lamentavam a altas vozes sobre suas chagas. Pude descobrir que, ao sul dali, havia uma antiga fortaleza orakiana e que, em seu subsolo, havia uma antiga passagem que me levaria a Aridia. Supostamente, neste outro mundo poderia conseguir alguma maneira de solucionar o problema climático daquele lugar. Não tive como pensar diferente já que me aqueceram e me ajudaram quando precisei, desfalecido, nos braços gelidamente quentes de minha companheira Mieu. Talvez fosse por este caminho que deveria passar para encontrar minha amada Maia de novo… Quem sabe…

Sob aquela neve, não foi fácil encontrar o caminho. Mais uma vez, dependi dos olhos fixos de Mieu para chegar até as ruínas do que outrora foi uma fortaleza de… De um antepassado meu?… Ou um deus qualquer inventado?… Não sabia mais… Uma vez lá, ela permitiu que eu ficasse em um dos cantos ainda intactos evitando que a vento afiado me penetrasse a carne através das pesadas roupas que vestia. Não tardou muito e ela encontrou uma entrada que, felizmente, estava com pouca neve sobre ela. Puxando a argola de ferro do alçapão, entramos.

Era uma caverna semelhante à outra que nos fez chegar a este mundo frio. Todavia, era mais aquecido e as roupas que vestia se mostraram pesadas. Ainda suportei carregá-las junto comigo enquanto enfrentávamos as criaturas modificadas de Laya. Todavia, assim que vislumbramos o vapor quente que subia próximo à saída, decidi deixar aquele pesado casaco de lado, tentando escondê-lo em um buraco ao lado da saída.

Saímos de um deserto branco para um amarelo. Andar não era fácil e constantemente nuvens de areia impediam-me de enxergar com precisão. Nada podia ser visto diante de nós. Em certo momento, pensei estar ficando doente ou com o calor afetando meu juízo ao sentir a mão de Mieu segurando meu braço ao mesmo tempo em que a via diante de mim vagando sem direção. Quando a areia parou de subir e descer em nuvens lacrimejantes, eu a vi.

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Diário de Bordo: Phantasy Star III – A primeira geração (02)
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