Olá amigos leitores do Gagá Games! Aqui é o retrogamer André Breder, trazendo até vocês mais uma edição do Recordar é envelhecer! Hoje vou relembrar um game esportivo que é, até hoje, um dos mais divertidos que já joguei: o clássico inesquecível NBA Jam do Mega Drive. Tenham todos uma boa leitura e até o próximo Sábado!

Introdução:

Nunca fui bom em esporte nenhum, e também sempre gostei de modalidades esportivas que não eram as mais populares. Gosto de Boxe (hoje curto ver uma luta de UFC, já que o Boxe não tem mais espaço nos canais de TV aqui no Brasil) e de Fórmula 1, e em contrapartida detesto Futebol (se bem que adoro ver o Flamengo perder), Vôlei, Basquete, e outros esportes deste tipo. No video game minha habilidade em relação aos jogos esportivos, assim como na vida real em relação as práticas esportivas, era, e ainda é, um desastre.

Games de futebol eu tentei jogar, mas descobri que era tão ruim, que logo vi que aquilo não era mesmo para mim. Poucos jogos esportivos realmente me agradaram ao longo da minha vida gamer, entre eles o clássico Jogos de Verão do Master System, que foi um dos games que mais joguei deste sistema. Outro título que é uma exceção, por incrível que pareça, é de uma modalidade esportiva que eu não gosto nem de ver um segundo sequer na TV: NBA Jam. Apesar de não gostar de basquete, este título me conquistou por sua simplicidade e modo de jogo alucinante, sem ter regras chatas ou outros empecilhos que encontramos em alguns jogos esportivos. O próprio basquete não é um esporte complicado de se entender (já o Baseball, este eu vou morrer sem saber exatamente como funciona), e em NBA Jam tudo era ainda mais simples, com duplas disputando entre si, e não um time inteiro (por isso o Jam no título). Quando matava aula com os amigos e íamos para uma locadora, enquanto alguns jogavam Wining Eleven, eu ficava mesmo é me divertindo horas e horas na excelente versão de NBA Jam que saiu no Mega Drive…

Sobre o game:

Originalmente NBA Jam foi lançado em 1993 pela Midway para os Arcades, e só posteriormente o título recebeu versões domésticas para vários consoles (onde foram publicados pela Acclaim) e sistemas. A Midway já havia feito games similares a NBA Jam como os títulos Arch Rivals (1989), High Impact (1990), e Super High Impact (1991), mas nenhum destes jogos teve o impacto de NBA Jam, onde muito se deve, claro, ao fato deste último colocar no comando dos jogadores grandes estrelas do basquete americano da década de 90, como Scottie Pippen, Larry Johnson, Ron Harper, entre outros. Para tristeza dos fãs do Chicago Bulls, o astro supremo Michael Jordan não pode ser incluído no game, pois na época o próprio jogador já detinha os direitos relacionados ao seu nome e imagem, ao contrário dos outros jogadores que eram “praticamente” uma “propriedade” da própria NBA. Outra ausência sentida pelos fãs do esporte foi a do jogador Shaquille O’Neal, que estava presente na versão Arcade, mas que de maneira misteriosa foi cortado das versões domésticas de NBA Jam.

NBA Jam pode ser jogado sozinho ou em dupla, onde os dois jogadores podem se divertir em um modo cooperativo, onde ambos jogam no mesmo time; ou ainda disputarem entre si, onde cada jogador fica no comando de um dos dois times da partida. Neste último modo de jogo, deve-se escolher qual astro do basquete será controlado pelo jogador, enquanto que o outro ficará sob o comando do computador. O basquete é cheio de regras e penalizações, só que em NBA Jam tudo isto foi resumido ou mesmo abolido: não existem faltas, lances livres ou violações, apenas as regras do Goaltending e a Regra dos 24 segundos (uma equipe que esteja de posse da bola, tem no máximo 24 segundos para a lançá-la ao cesto do adversário). Estas mudanças tornam o game mais divertido, pois não há interrupções longas durante a partida ou momentos “parados”, fazendo com que tudo flua de maneira bem empolgante. Agora a característica mais marcante no título, foi com certeza o exagero empregado nos saltos e enterradas proporcionadas pelos jogadores. Verdadeiras acrobacias que são impossíveis de serem feitas no mundo real, mas que dão um charme todo especial para o game.

Graficamente a versão do Mega Drive ficou muito boa se comparada com a versão original lançada para os fliperamas. Apesar da evidente superioridade técnica do jogo lançado para os Arcades, os produtores souberam muito bem transpor o título para dentro das limitações do console de 16 Bits da SEGA, fazendo uma versão bem bacana visualmente. Cada jogador tem sua imagem digitalizada de uma maneira muito decente na tela (durante as cutscenes, não durante o jogo propriamente dito), por exemplo, mostrando que mesmo quando se faz uma versão para um sistema mais “leve” não há desculpa para se fazer algo sem qualidade. Algo que também ajudou na transposição do título com poucas perdas, é que NBA Jam não é um game onde os gráficos tinham que ser muito trabalhados. O mais importante é a parte da animação dos jogadores de basquete, que deveria estar perfeita, e que, para alegria dos jogadores está! Os backgrounds são todos simples e repetitivos, com uma platéia que não se mexe em nenhum momento, mas isto sinceramente não faz a menor diferença para o game. Quem vai perder tempo olhando para a platéia quando a ação rola de maneira desenfreada durante uma partida? Um jogador “xarope” pode até achar o game feio graficamente, ou pelo menos muito limitado, e mesmo que isto reflita realmente a realidade, para mim não faz a menor diferença. NBA Jam é um ótimo exemplo de quando os gráficos ficam em segundo plano em um game, onde eles estão ali mais de “enfeite” mesmo.

A parte sonora de NBA Jam é bem caprichada, contando com bons efeitos sonoros, mas onde a narração de Tim Kitzrow rouba a cena! Frases como “He’s on fire” e “Boomshakalaka!” se tornaram parte da cultura gamer mundial, sendo repetida pelos fãs nos quatro cantos do planeta! A voz digitalizada de Tim no game ficou muito bem feita, apesar de toda a limitação de hardware, e dão mais emoção para as partidas. A trilha sonora do game, apesar de ter poucos temas, também é bem bacana, onde as músicas possuem uma sonoridade leve, com melodias simples que dão mais ênfase para as linhas de baixo. Nenhum tema entrará na lista de “melhores canções de games de todos os tempos”, mas neste caso as músicas cumprem muito bem seu papel, o que para mim já é o suficiente.

A jogabilidade é o ponto forte do game! Simples, prática, funcional… sensacional! O botão direcional move com precisão e rapidez o jogador na tela, enquanto que os três botões do charmoso controle do Mega Drive fazem com que variadas ações sejam possíveis durante a partida, como passes, roubadas de bola, bloqueio, arremessos, entre outros movimentos. De maneira inteligente, os produtores do game souberam usar muito bem a existência de apenas três botões de ação do Mega, fazendo com que os comandos variem de acordo com a situação que o jogador está vivendo durante uma partida. Por exemplo, enquanto o jogador está de posse da bola, o botão A serve para executar o arremesso da bola; já quando está sem a posse de bola, o mesmo botão serve para executar o bloqueio. O botão B é bem útil pois oferece a função turbo quando pressionado, servindo principalmente para executar ataques velozes que não deem tempo para o adversário reagir e também a execução dos grandes saltos do jogo.

Algo bacana que ocorre no game, e torna sua jogabilidade mais “animal”, é quando o jogador consegue ativar o modo “He’s on fire”, podendo assim ter turbo ilimitado o que garante mais chances de fazer pontos. Este modo é ativado quando o personagem controlado pelo jogador marca pontos três vezes seguidas, sem permitir que nenhum outro jogador marque pontos durante a sequência, nem mesmo o seu próprio parceiro. O efeito visual é bem bacana, pois a bola de basquete ficará literalmente em chamas, e até irá queimar a rede a cada ponto marcado. O modo “He’s on fire” termina quando o jogador que o ativou deixa que outro jogador marque faça uma cesta.

Em relação a dificuldade, tudo fica a critério do jogador, já que a mesma pode ser alterada na seção “options”, onde há também como aumentar ou diminuir a duração dos quatro períodos de uma partida (o padrão é que cada período tenha três minutos de duração), mudar a configuração dos controles, entre outras coisas. Seja em qualquer modo escolhido, é interessante notar que muitas vezes o time adversário costuma “apelar” quando está perdendo uma partida por uma boa diferença de pontos: de uma hora para outra, a dupla adversária que não estava jogando nada começa a fazer, muitas vezes até de maneira seguidas, cestas de três pontos com uma precisão absurda. Os times variam em relação as sua qualidades técnicas, mas as diferenças não são tão gritantes, fazendo com que seja possível jogar com qualquer time sem tantos problemas. Os times que integram a NBA são a elite do esporte, logo não poderiam mesmo ter no jogo times muito ruins se comparado a outros. Durante alguns intervalos da partida, surgirão na tela os “Coaching tips”, que são dicas dadas pelo técnico virtual da dupla, e que ajuda jogadores novatos. Ainda durante os intervalos, e também no final das partidas, surgem na tela estatísticas bem detalhadas que mostram como está, ou como foi, a atuação de cada jogador durante o jogo.

Antes de ir para a parte conclusiva desta análise, vale citar ainda uma curiosidade do game: a presença de personagens secretos, como os políticos Bill Clinton e Al Gore (que na época do lançamento do jogo eram, respectivamentem o presidente e o vice dos Estados Unidos), que podem ser acionados por meio de códigos e sequências de comandos. Existe ainda em NBA Jam verdadeiros “power ups” que também necessitam de “macetes” para serem habilitados, e que deixam os jogadores ainda mais incríveis.

Conclusão:

NBA Jam é um dos raros games esportivos que eu gosto, e acredito que também esta seja a realidade de muitos outros jogadores. Por ter em seu “elenco” vários jogadores famosos do basquete norte americano, e ainda por trazer um modo de jogo simples mas muito divertido, NBA Jam acabou fazendo um grande sucesso por todo o planeta, gerando uma franquia que passou por vários consoles, e que ainda consegue divertir nas plataformas atuais, com a versão “remasterizada” do clássico lançada recentemente pela EA Sports para os consoles da atual geração. Seja a clássica versão do Mega Drive, seja a versão HD do PlayStation 3, uma coisa é certa: jogue NBA Jam e terá muitas horas de diversão!

Recordar é envelhecer: NBA Jam (Mega Drive)
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20 thoughts on “Recordar é envelhecer: NBA Jam (Mega Drive)

  • 28/05/2011 at 1:02 am
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    Acho que esse foi o primeiro cartucho que aluguei pro Mega Drive, junto com Sonic 3 (pirata, sem bateria). E aprendi muita coisa do basquete com ele, apesar da jogabilidade toda arcade, com bola de fogo, a cesta quebrando e causando slowdown no jogo, etc. E era sensacional jogar com o casal presidencial Bill e Hillary Clinton!

    Depois disso, comprei o NBA Hangtime, que saiu em 1996 pela Midway, e que melhorava em muito a jogabilidade do antecessor. E aí nunca mais voltei para o NBA Jam, até porque os controles do Hangtime eram bem mais aprimorados. Mas ainda assim esse jogo merece crédito por popularizar e simplificar os jogos de basquete nos Arcades e consoles da época!

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  • 28/05/2011 at 6:17 am
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    eu gosto de ver basquete(americano,obvio) na tv. mas nunca tive paciência para jogar NBA JAM, meu primo jogava e era um fera no game. ele conseguia ficar no modo “bola de fogo” direto de tão viciado que ele tava. me surpreendi com o comentário do Breder dizendo que ele não curte um futiba virtual(melhor mesmo é ao vivo e com os amigos, né não?) meu irmão não curte jogo velho, mas NBA JAM(ou qualquer jogo da franquia) ele joga e perde a noção do tempo^^. gosto muito de basquete…só que sou baixinho pro esporte, 1,71cm -_-. mas sou um fera no lançamento de 3 pontos com a minha bola de futebol,kkkkkkk! é né, quem não tem cão caça com gato mesmo.

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  • 28/05/2011 at 6:35 am
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    Artigo legal, tirando a parte em que fala do Flamengo, deixa queto! Mais sobre o jogo, eu alugava sempre esta fita para jogar no meu SNES, e adorava, muito bom jogo e recomendadíssimo. Ha pouco tempo havia me lembrado de NBA Jam pelo fato de estar vendo o ALL Star game, onde as estrelas da NBA fazem campeonato de enterradas, e NBA JAm era fantástico neste quesito, os jogadores eram como helicópteros e paravam no ar. Pra quem não conhece este jogo vale a pena conhecer.

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  • 28/05/2011 at 1:12 pm
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    paladino222 :

    Gostar de ver o Flamengo perder, ai ja é mulecagem…

    marcelo :

    Artigo legal, tirando a parte em que fala do Flamengo, deixa queto!

    Sou anti-flamenguista assumido (para orgulho do meu pai que torce para o Fluminense), apesar da grande maioria dos meus amigos serem flamenguistas doentes. No mais tenho uma boa convivência com eles, pois não sou de ficar enchendo o saco dos outros por conta de futebol, ainda mais que raramente perco tempo vendo alguma partida deste esporte. Abro exceções quando me reúno com a galera em um buteco, mas mesmo nestes momentos eu mal vejo o jogo… tenho minha concentração fixada na cerveja que está no meu copo. Esvaziou, estou enchendo-o novamente. 8)

    leandro(leon belmont)alves :

    me surpreendi com o comentário do Breder dizendo que ele não curte um futiba virtual(melhor mesmo é ao vivo e com os amigos, né não?

    Na introdução do post eu deixei bem claro este assunto: “detesto Futebol”. Seja de qualquer tipo, não sou fã deste esporte.

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  • 28/05/2011 at 9:46 pm
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    Belo post meu caro André,o sucesso de NBA JAM é bem isso que voce disse:”Jogabilidade simples, prática, funcional…” isso porque esses jogos tem a característica “arcade” não são simuladores esportivos,da mesma forma International Super Star Soccer Deluxe é um clássico do SNES porque é divertido e simples e agrada mesmo quem não gosta de futebol.
    É importante contextualizar NBA JAM com a agitação cultural da época:
    André,você lembra que o basquete americano naqueles idos de 90 estava em alta no Brasil? O tema estava em figurinha,stickers,salgadinho da Elma Chips,camisetas e claro…os bonés, que a turma sempre falava:
    Quantas linhas de costura tem o teu?(um boné oficial, segundo o mito da época,tinha que ter 7 ou 8 costuras na parte superior da aba) enfim são coisas que ajudaram NBA JAM ser um sucesso aqui nesta terra estranha chamada Brasil.

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  • 28/05/2011 at 11:37 pm
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    @Dactar

    Mesmo eu que não gosto de basquete, lembro sim como ele foi popular aqui no Brasil nos anos 1990. Sempre tinha um amigo ou outro que curtia o esporte e gostava de usar camisetas ou bonés de algum time norte americano de basquete. Bonés do Chicago Bulls então, praticamente era moda. O fato do Michael Jordan ser na época o esportista mais bem pago do mundo, foi algo que ficou marcado na minha memória também.

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  • 29/05/2011 at 1:34 am
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    Muito legal o post, joguei NBA JAM pela primeira vez no arcade e fiquei impressionado com o que os jogadores faziam em quadra. E mais impressionado com a qualidade do jogo pra mega drive.
    Daí faço uma ponderação: NBA JAM é um jogo de videogame, o que pra mim é diferente de jogo de esporte. Enquanto jogos de videogame ficam na memória pela diversão, jogos de esporte marcam pelo realismo. Acho que é por isso que hoje ainda consigo jogar NBA JAM num emulador, mas não consigo mais jogar Lakers VS Celtics, Superfutebol, ISS, Joe Montana, etc., depois de jogar os PES e FIFAS atuais, NBA 2k, NFL, etc… das gerações atuais. Na minha opinião, jogos de esporte quanto mais perfeitos, melhores, diferente dos games em geral (vide Sonic 2, Mario 3, etc…), que uma vez legais, sempre serão perfeitos independente da qualidade gráfica e sonora.
    Grande abraço!

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  • 29/05/2011 at 5:21 pm
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    Admito que fiz uma leitura rápida, mas parecer que senti falta da menção ao “golpe especial” de quebrar a tabela do adversário, era isso que eu mais gostava de fazer e mais curtia no jogo, mas, por enquanto, não lembro os pré-requisitos para alcançar o feito…

    Só lembro que a tabela só podia ser quebrada 1 vez por partida e no último quarto da mesma, acho que para conseguir, tinha que estar vencendo por uma boa diferença ou ter vencido todos os quartos, não lembro mesmo.

    Quando você fazia isso na locadora, era uma humilhação para o adversário, todo mundo sacaneava, era como levar um perfect no Street Fighter II ou um mortal no Mortal Kombat II.

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  • 31/05/2011 at 11:12 pm
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    @Ondinha

    Cara eu ia citar no texto o lance de quebrar a tabela do adversário, mas acabei esquecendo este detalhe quando fui finalizar o post. Muito bem lembrado. Já fiz isso algumas vezes, até recentemente quando voltei a jogar NBA Jam para elaborar esta resenha, mas confesso que até hoje eu não sei o que se deve fazer exatamente para que isto ocorra no jogo.

    @Andre Matos

    Opa, não tinha visto este comercial. Vou conferir! Valeu xará!

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  • 11/06/2011 at 1:55 am
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    Não sou muito fã de jogos de esporte, mas esse aí é divertido… Tenho o cartucho original japonês (tournament edition), com manual e folhetos. Muito benfeito, aproveita muito bem o potencial do Mega Drive.

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