Boas novas, rapaziada carioca: a Video Games Live estará de volta ao palco do Canecão este ano!

Peguei a dica no Console Sonoro (thanks!) . De acordo com o calendário no site oficial, o show será no dia 4 de outubro. Parece que a rapaziada de São Paulo vai ficar de fora da brincadeira mais uma vez, mas como o show seguinte só ocorre no dia 11, na Filadélfia, quem sabe não surge uma data aí no meio? Eu certamente estarei no Canecão, como no ano passado. Quem sabe não rola um encontro de gagás no local?

Aproveitando a deixa, a Video Games Live finalmente incluiu o mestre Yasunori Mitsuda em seu repertório, e já circula pelo Youtube um vídeo da VGL tocando Chrono Trigger:

É claro que gosto não se discute, mas vem havendo um certo exagero nas reações de alguns fãs mais hardcores. Em um post que incluiu o vídeo no Original Sound Version, um malandrinho usou o espaço nos comentários para descer a lenha na versão da VGL para os temas de Chrono e ainda ofendeu a Tommy Tallarico, lendário líder do projeto. Tallarico não se fez de rogado e defendeu-se das acusações, dizendo que o molecote era um elitista.

Não é de hoje que se discute a qualidade do trabalho da VGL. Muita gente, como fez o pequeno rebelde no link acima, compara os arranjos aos de outros concertos de Game Music como o Press Start ou o Play!. Acontece que a comparação simplesmente não é justa. A VGL é um projeto bem mais popular, com uma agenda muito mais generosa, e que para manter sua flexibilidade precisa trocar de orquestra quando visita um país diferente. No Brasil, por exemplo, a missão ficou com a Orquestra Sinfônica da Petrobrás. É impossível para a VGL ensaiar extensivamente como fazem as orquestras de outros concertos, que por suas enormes dimensões e agendas restritas provavelmente nunca passarão por países como o Brasil.

Portanto, gosto não se discute, e não é porque a VGL tem dimensões menores que ela não pode ser criticada, mas sejamos razoáveis. É preciso entender a proposta da VGL para poder criticar sem parecer um moleque malcriado.

P.S.: Quando eu falei que iríamos novamente ao show da VGL minha esposa quase me matou. Ela gostou do show no ano passado, mas disse que o Tallarico fala demais e que ela não vai aguentear ouvir tanto blá blá blá novamente 🙂

UPDATE: Meu infalível camarada Alexei Barros, do Hadouken, apontou um detalhe interessante que eu não sabia. O sujeito que postou a crítica foi Chris Greening, editor do Square Enix Music Online, que entende do riscado, e portanto não é qualquer molecote, como eu disse aí em cima. Continuo achando que não é justo comparar a VGL aos outros concertos de Game Music, mas é sujeira tratar o Chris Greening como um Zé Ninguém como eu fiz. Dez chibatadas no Gagá! 🙂

Video Games Live no Rio de Janeiro em 2009
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13 ideias sobre “Video Games Live no Rio de Janeiro em 2009

  • 17/04/2009 em 7:06 pm
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    Orakio, não quero criar polêmica, mas vou situar os fatos: quem criticou veementemente o VGL nesse post do Original Sound Version foi o Chris Greening, editor do Square Enix Music Online. Ele é muito bem informado (é o responsável pela maioria das biografias e entrevistas do site), e não faria esses apontamentos por molecagem. A crítica possui fundamento, e concordo com o que ele disse. A rixa que o Chris tem com o Tommy Tallarico não é de hoje, tanto que já vi discussões dos dois em fóruns, como quando o Sixth Symphonic Game Music Concert em 2008 foi cancelado na Alemanha por conta de um show do VGL.

    Desculpe discordar, Orakio, mas o fato de fazer milhares de apresentações por ano e ser mais popular a mim não é motivo para aliviar as críticas e nem serve de subterfúgio para as falhas que citei no post do Hadouken publicado um mês antes do OSV, falando mal do medley tanto ou até mais do que o Chris. Eu até revi várias vezes a performance com o receio de ter sido contundente ou injusto, mas não consegui mudar de opinião. =P

    http://hadouken.wordpress.com/2009/03/02/chrono-trigger-cross-%E2%80%93-vgl-2009-em-oakland/

    Por exemplo, as passagens abruptas e a ausência do tema “Chrono Trigger”, uma música que seria instantaneamente reconhecida pelo público no meu entendimento e ficou de fora desse medley, não tem relação com o número exorbitante de shows, que, sinceramente, não consigo ver como algo positivo – é quantidade em detrimento da qualidade. Mais um exemplo: o genial medley do Sonic do VGL (esse sim com transições elaboradas), supera, a meu ver, as versões do PLAY! e do Press Start 2008, ambos com bem menos apresentações por ano. Em termos de performance, isso em relação ao número de ensaios, grandiosidade da orquestra, instrumentos atípicos ou solistas aí devo concordar com você.

    Acho o VGL um show extremamente supervalorizado, com um repertório fraco e sem imaginação (muitos jogos recentes ocidentais e pouquíssimos games japoneses velhos), algo que fica ressaltado pelas orquestras amadoras (Famicom Band, Video Game Orchestra, University of Maryland Gamer Symphony Orchestra, Orchestre à Vents de Musiques de Films e outras) que, mesmo com todas as limitações, selecionam músicas com muito mais inventividade. Já faz uns anos que o meu encantamento com o VGL se perdeu, provavelmente pela constante repetição de faixas ao longo dos anos e novidades esquisitas (Harry Potter?). Ainda que com agenda abarrotada e trocando de orquestra a cada performance, acredito que poderia ser feito muito mais.

    Desculpe se o meu comentário soou pretensioso, Orakio, mas é isso. Claro que não sou o dono da verdade.

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  • 17/04/2009 em 7:36 pm
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    @Alexei Barros

    Vai pro inferno, Alexei!

    Nada, tô brincando 🙂 Valeu pelas informações sobre o Chris Greening, acrescentei um update no final do post.

    Quanto às críticas, eu dei uma olhada nos comentários que você fez no Hadouken e achei pertinentes. Como eu disse no final do post:

    “não é porque a VGL tem dimensões menores que ela não pode ser criticada”

    Eu só não acho justa a comparação entre os espetáculos. Tipo, dizer que os gráficos de FFVI são horríveis só porque os do FFXIII são melhores. Mas se você acha ruim mesmo por natureza, aí é diferente. Pelo que você comentou, tive a impressão de que você acharia uma droga mesmo que não tivesse o PLAY! para comparar. Para mim, esse é um ponto de vista válido.

    E seus comentários são sempre bem-vindos, até porque você deixou bem claro no final do post que não é o senhor da verdade; afinal, o senhor da verdade sou eu e todo mundo sabe disso 🙂

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  • 17/04/2009 em 10:57 pm
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    @Orakio Rob, “O Gagá”

    Entendo bem o seu ponto de vista sobre a comparação, Orakio “Senhor da verdade” Rob! :D. Inclusive o próprio Chris salientou que o VGL tem a proposta diferente dos demais por ser muito mais show do que propriamente um concerto erudito.

    Porém, por mais que seja na maioria das vezes inapropriado, comparar os espetáculos acaba sendo inevitável, já que muitos arranjos são aproveitados de concertos antigos ou mesmo reciclados das versões dos CDs. Por exemplo, os segmentos do Mario e do Zelda do VGL que são originalmente da série de concertos japonesa Orchestral Game Concert (1991-1995) ou então o início do medley do Castlevania do PLAY! baseado no CD Perfect Selection Dracula ~New Classic~.

    Sobre o medley do Chrono, realmente eu fiz o máximo possível em evitar de confrontar com as outras performances. Eu me baseei somente na versão do disco Chrono Trigger Orchestra Extra Soundtrack, que é a fonte de inspiração da instrumentação, e na original da “Scars of Time”. De fato não é uma questão de comparação, preferência de estilo ou porque a gravação do vídeo do YouTube é péssima; eu achei o segmento musicalmente ruim. Aliás, nos comentários do OSV deu para perceber que muita gente não gostou, até mesmo fãs declarados do show. Enfim, acho que esse medley dará muito o que falar quando for tocado no Brasil, seja para o bem, seja para o mal.

    O problema do VGL é que o projeto surgiu de maneira muito promissora em 2005, com ideias criativas e arranjos interessantes, mas não evoluiu muito de lá para cá. Se achei fantástico em 2006 a primeira vez em que vi o Genome Soldier subindo no palco e a caixa se movendo no tema do Metal Gear Solid, na segunda em 2007 já não tinha a mesma graça. Perde o impacto. Eu meio que desisti do VGL – no sentido de não esperar mais por novidades bombásticas, não por deixar de assistir–, quando percebi que o show não saía disso.

    Não sei se você viu o VGL em 2006 e 2007 aí no Rio antes de 2008, mas estaria curioso para saber a sua opinião em 2009 caso assista. Em geral, noto que quem vai pela segunda vez começa a reclamar da falta de novidades – quando ouve o mesmo medley do Sonic, se pergunta “Quando vai ter Sonic 2?”. =P

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  • 18/04/2009 em 12:34 am
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    Acho que o VGL é como um show da Ivete Sangalo: você vai lá para se divertir, acha tudo muito legal mas sabe que tem coisa muito melhor. Já um Play! ou um Press Start são como um show do Radiohead. Quem vai assistir, vai porque quer ouvir o que há de melhor, tem um gosto mais apurado e já não suporta mais o VGL.

    De repente o Chris até tinha lá a razão dele em reclamar. Eu curto o VGL mais por uma questão nostálgica, e inclusive fiz questão de destacar isso na crítica que fiz ao show de 2008 (nem foi bem uma crítica). Foi meio mágico ouvir aquelas músicas ao vivo. A experiência como um todo me agradou, e o foco do VGL me parece ser esse. Acho que o lance deles é mais o de ser um show no sentido mais amplo da palavra, tipo um “venham ver o fantástico atirador de facas!”

    Quando a gente analisa sob uma ótica estritamente musical, aí as diferenças saltam aos olhos (ou melhor, aos ouvidos). O Chris analisou por esse lado, e a opinião dele é válida sim. Mas agora eu já postei, então fica aí. Se alguém vier me perguntar sobre o assunto depois, eu digo que tomei uns gorós quando postei 🙂

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  • 18/04/2009 em 12:06 pm
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    Hahaha! Essa dos gorós foi boa!

    A analogia que você fez é perfeita. Resumiu, enfim, o que penso sobre o VGL: um show casual. Na verdade, de todos os concertos, o único verdadeiramente hardcore, a meu ver, é o Press Start, mas também só no Japão há público para um repertório mais abrangente. Afinal, que outra apresentação tocaria Sakura Wars? 😀

    Agora só fico na dúvida se as pessoas têm o consentimento de que o VGL não só não é o único espetáculo de games, como está longe de ser o melhor. O Press Start que você mencionou no post é raramente lembrado.

    Sobre o set list do VGL, em 2007 e 2008 foram adicionadas de cinco a seis faixas inéditas, excluindo músicas no piano, segmentos interativos ou performances exclusivas de cada localidade. Esse ano parece que haverá um número respeitável de novidades representativas para o público brasileiro, algumas já mostradas. Lembrando:

    – Chrono Trigger & Cross
    – Mega Man
    – Earthworm Jim
    – Shenmue
    – Silent Hill
    – Shadow of the Colossus
    – Monkey Island
    – Super Smash Bros.

    Vamos ver no que vai dar.

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  • 18/04/2009 em 12:41 pm
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    Rapaz, a música do Shenmue é um espetáculo… mas tenho medo. O Koshirão tascou um instrumento oriental na trilha que faz um som fantástico. No mínimo os caras vão botar na guitarra no VGL. Paciência.

    Essa coisa do VGL de ser um espetáculo diferente já se reflete na apresentação do “showman” Tallarico. Ele fala pelos cotovelos! sempre que uma música termina. Eu confesso que acho o Tallarico muito divertido e curto o blá blá blá, mas minha esposa fica louca de raiva!

    “Agora só fico na dúvida se as pessoas têm o consentimento de que o VGL não só não é o único espetáculo de games, como está longe de ser o melhor.”

    Esse é o problema clássico do brasileiro. Não tem nada de errado no cara gostar da Ivete Sangalo, mas ficar achando que a mulher é a Madonna, não dá. Aliás, até a Madonna já tá meio xoxinha. 🙂

    Dá só uma olhada nos comentários que fizeram neste meu post sobre o show da Ivete Sangalo, as pessoas são totalmente sem noção:
    http://naosejamediocre.blogspot.com/2007/02/mediocridade-como-ela-ivete-sangalo-no.html

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  • 18/04/2009 em 2:48 pm
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    Realmente as pessoas perdem a noção quando a paixão fala mais alto, hehe. É um caso bem típico.

    Sobre a música do Shenmue, apenas uma correção, Orakio. Imagino que você esteja se referindo à “Shenmue ~ Sedge Tree”. Essa é uma composição do Takenobu Mitsuyoshi. Na trilha tem um arranjo dela do Koshirão chamado “Shenmue ~Sedge Tree~ / Arranged by Y.Koshiro”.

    Mesmo no PLAY! o tema é reproduzido no violino convencional. Com erhu como no original só mesmo nessa performance chinesa:
    http://hadouken.wordpress.com/2008/10/16/%e2%80%9cshenmue-medley%e2%80%9d-%e2%80%93-shenmue-peoples-association-youth-chinese-orchestra/

    Estou curioso para saber como será feito no VGL. Talvez com guitarra como você disse até fique interessante.

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  • 18/04/2009 em 4:38 pm
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    @Alexei Barros
    Na verdade, estou falando da “Shenfa”. Eu adoro essa música:
    http://www.youtube.com/watch?v=l-yscG027w0&feature=PlayList&p=0D5EA907144D72CC&index=2

    Tem mais de uma versão, e não sei qual é a que eu gosto… sei que toca no jogo, mas eu não tenho certeza se é essa versão. Lembro dela ter um toque mais oriental, mas não tenho certeza, talvez seja a minha imaginação. Só botando o jogo mesmo.

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  • 18/04/2009 em 5:05 pm
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    Ah, saquei! Pelo que averiguei existem três versões dessa música que encontro também como “Shenhua”:

    Pena que não estou conseguindo postar novas músicas no Goear para facilitar, mas nesse álbum Shenmue chapter 1 -yokosuka- Original Sound Track tem a original do jogo (essa que você colocou o link), composta pelo Ryuji Iuchi, e a arranjada do Koshirão:
    http://www.goear.com/listen/e8f879b/Shenhua-~Sedge-Flower~—Arranged-by-Y.Koshiro-Yuzo-Koshiro

    Já no Shenmue Orchestra Version tem uma versão arranjada pelo Hayato Matsuo: http://www.youtube.com/watch?v=wZ1KVYUI2NA&fmt=18

    Tenho minhas dúvidas se o VGL vai escolher essa. Devem optar pelo caminho mais óbvio que seria a “Shenmue ~ Sedge Tree”.

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