Recordar é envelhecer: Jungle Hunt (Atari 2600)

Olá amigos leitores do Gagá Games! Aqui é o retrogamer André Breder para trazer até vocês mais uma edição do Recordar é envelhecer! Hoje irei relembrar um clássico dos arcades lançado na década de 80, só que em sua versão lançada para o velho e eterno Atari 2600: Jungle Hunt! Tenham todos uma boa leitura e até a próxima!

Introdução

Jungle Hunt foi lançado inicialmente pela Taito para os arcades, no ano de 1982, mas no ano seguinte o Atari 2600 ganhou uma versão deste título. Jungle Hunt tinha originalmente o nome de “Jungle King”, e até o personagem principal era bem similar ao personagem Tarzan, criado pelo escritor americano Edgar Rice Burroughs. Na realidade, o personagem era mesmo uma cópia descarada do Tarzan, sendo que algumas máquinas com o jogo até traziam o característico e famoso grito do personagem criado por Rice.

Como a Taito não havia pedido aos familiares de Rice, uma autorização para o uso do personagem, acabaram tendo que mudar isso no jogo posteriormente, colocando no lugar do “homem macaco” um típico explorador, usando um chapéu e um uniforme, e o game veio então a se chamar Jungle Hunt.

Resolvido os problemas legais, os jogadores puderam então ter em mãos um divertido side-scrolling, que trazia em um só jogo uma boa variedade de desafios.

Sobre o game

Em Jungle Hunt o jogador assume o papel de um destemido explorador, que em uma de suas expedições pela selva, acabou tendo sua namorada raptada por uma tribo de canibais! Para impedir que a coitadinha seja servida como almoço para os selvagens, deve-se então passar com sucesso por 4 etapas dentro de um período limitado de tempo. Haverá muitos obstáculos no caminho, e o jogador ganha pontos por cada um que vencer, sendo que a cada 10.000 pontos conseguidos, ganha-se uma vida extra. Vale lembrar que o jogador começa com cinco vidas, e não há continues! Acabou todas as vidas, é game over e fim de papo!

A primeira etapa do jogo é a que mais lembra o universo do personagem Tarzan: nele o jogador deve ir pulando de cipó em cipó, até chegar no final desta fase. Aqui é testada a coordenação e o “timing” do jogador, pois basta um salto na hora errada, para uma vida ser perdida. Os cipós se movem em velocidades diferenciadas, o que faz com que o jogador tenha que realmente agir na hora certa. Na segunda etapa o jogador terá que atravessar a nado um grande rio, que está infestado de crocodilos! Nesta fase é necessário sempre pegar ar na superfície, e desviar ou atacar os asquerosos répteis que insistirem em ficar no caminho.

Na terceira etapa o jogador deverá atravessar uma região onde pedras, algumas pequenas e já outras enormes, virão rolando ou “quicando” na direção do explorador. Aqui o jogador terá que saber o momento certo para pular, ou se abaixar, e deixar que uma grande rocha passe quicando por cima de sua cabeça.

A quarta e última etapa coloca o jogador frente a frente com a dupla de canibais responsável pelo sequestro de sua amada: aqui deve-se pular sobre os inimigos, que estarão se movendo para todos os lados de maneira raivosa. Como eles estão armados com afiadas e pontudas lanças, nem pense em cair sobre eles, ou perderá uma vida! O jeito é mesmo pular sobre eles e conseguir ir seguindo para a esquerda, até ser capaz de salvar sua namorada. Após completar a quarta etapa, o jogo voltará a repetir as fases anteriores, só que elas estarão mais difíceis.

Graficamente Jungle Hunt fez bonito: para os padrões de um game do Atari 2600, este jogo estava muito bem feito, trazendo até um personagem principal bem detalhado. O design dos canibais e crocodilos também ficou bacana, e o visual da selva foi colocado no game de maneira sutil, mas satisfatória. Destaque para a ótima animação do personagem principal, seja durante as fases onde ele anda e salta, seja nas fases aquáticas.

A parte sonora é, como em todos os games do Atari 2600, bem limitada, mas ainda sim Jungle Hunt consegue ter algumas músicas, que mesmo sendo meras repetições de pequeninhas trilhas, conseguem ditar de maneira perfeita a aventura pela qual o jogador esta passando. Há sempre uma música curta, mas bacana que rola em cada passagem de fase, e a etapa aquática e o confronto com os canibais também possui um tema rolando a todo momento. Na fase dos cipós e a das pedras rolantes, os bons efeitos sonoros do jogo já são suficientes para preencher de forma consistente a parte sonora destas etapas.

A jogabilidade é simples: com o manche direcional se movimenta o personagem na tela, e com o botão do controle faz com que o personagem tenha algum tipo de ação, que varia de acordo com a etapa do jogo. Na maioria das fases, o botão quando acionado faz o personagem pular, mas nas fases aquáticas aciona o “soco”, que pode ser utilizado para matar alguns crocodilos. Vale lembrar que durante a fase das pedras rolantes, apertando para baixo no manche direcional, o personagem irá se agachar, sendo este um movimento primordial para escapar com vida de alguns dos pedregulhos.

Jungle Hunt é um game difícil, e exige que o jogador tenha um pleno domínio nos comandos do jogo se quiser sobreviver por muito tempo. Não há pontos de vida, então basta cometer um erro grave para que o corajoso explorador morra. À medida que o jogador vai progredindo no game, ele se torna pior, onde todos os inimigos e obstáculos se tornam ainda mais difíceis de serem vencidos.

Conclusão

Jungle Hunt é facilmente um dos meus títulos preferidos do Atari 2600. Lembro até hoje a alegria que tive quando consegui pegar este cartucho emprestado com um amigo, e pude então me divertir muito jogando-o… bons tempos! O Atari 2600 é a prova de que um sistema limitado não é desculpa para que se façam jogos ruins, e Jungle Hunt mostra que o console líder da segunda geração sempre teve boas conversões dos arcades da época.

About André Breder

Um gamer que não tem preconceitos: curte tanto os games clássicos, quanto os novos, e nunca deu preferência para nenhum console ou empresa específica do mercado. Tanto que criou um blog sobre games de todas as épocas, chamado Blog do Breder.