Recordar é envelhecer: Altered Beast (Mega Drive)

Olá amigos do Gagá Games! Aqui é o retrogamer André Breder para trazer até vocês mais uma edição do Recordar é envelhecer! Hoje vamos voltar para o ano de 1988, e relembrar aquele que foi o primeiro game lançado para o grande Mega Drive: Altered Beast! Tenham todos uma boa leitura e até sábado que vem!

Introdução

Próximo do fim da década de 80, mesmo com o Master System fazendo sucesso na Europa (sendo que posteriormente ele também seria bem aceito aqui no Brasil), nos Estados Unidos e Japão ele praticamente estava sendo um fracasso. O NES tinha muitas produtoras de games como exclusivas, o que também “ajudou” o Master System em seu insucesso. Sem meias palavras: a SEGA sabia muito bem que não podia concorrer com o NES apenas com o Master. Se quisesse realmente sucesso no mundo dos consoles, teria que recomeçar do zero, criar um novo console. Como no mundo dos Arcades, a SEGA continuava com seu sucesso inabalável, a empresa japonesa procurou então criar um console que conseguisse ter versões de seus sucessos dos fliperamas, só que ainda mais perfeitos do que as versões que já estavam sendo lançadas para o Master. Seria a oportunidade de ter um Arcade em sua casa: nascia assim o Mega Drive!

Usando sem dó uma campanha ferrenha que dizia que seu novo console podia fazer o que o NES não já era capaz, a SEGA finalmente conquistaria o seu próprio país e também o cobiçado mercado americano com seu poderoso Mega Drive. Para mostrar que o console de 16 Bits realmente deixava o 8 Bits da concorrente “no chinelo” em termos técnicos, em 1988 a SEGA lançou para o seu novo console uma versão excelente de um de seus últimos títulos dos fliperamas, chamado Altered Beast, que deixou os gamers da época boquiabertos! Normalmente uma conversão vinda do arcade, era bem inferior, o que não era o caso de Altered Beast, que conseguia manter uma fidelidade nunca antes vista!

Sobre o game

Em Altered Beast o jogador (ou jogadores, já que é possível jogar com dois personagens simultâneos na tela) entra na pele de um guerreiro que é trazido de volta a vida por Zeus, e que ganha a missão de resgatar Athena, que caiu nas mãos do demônio Neff, e está agora sendo mantida cativa no submundo. O jogador tem então que lutar contra hordas de inimigos mortos vivos e outras criaturas demoníacas, sempre se dirigindo ao local onde a filha de Zeus está aprisionada.

Durante sua jornada, o herói pode obter algumas “Spirit Balls” ao derrotar lobos brancos/azuis de duas cabeças, sendo que estas bolas espirituais funcionam como uma espécie de power-up no jogo, fortalecendo o guerreiro que está ao controle do jogador. Ao conseguir juntar três “Spirit Balls”, o jogador então verá seu personagem se transformar em uma besta com super poderes. O tipo de transformação varia de acordo com o estágio do game, e são 5 no total: lobisomen, dragão, tigre, urso e lobisomem dourado.

Os gráficos da versão do Mega estavam bem próximos da versão original, e mostravam que definitivamente o NES não podia mesmo competir neste quesito com o Mega Drive. São cinco cenários distintos que o game traz: Graveyard, Underworld, Cavern of Souls, Neff’s Palace e The City of Dis, cada qual trazendo características próprias. Os cenários do jogo possuem singelos detalhes, que hoje podem ser vistos até como simplórios demais, mas que na época eram algo que os jogadores de consoles domésticos não estavam acostumados.

A animação dos personagens na tela é muito boa, e a curta, mas estilosa animação que ocorre quando o herói vai se transformar em uma das bestas do jogo, servia para deixar os jogadores da época de queixo caído! Lembro que até mesmo a caixa do primeiro Mega Drive foi comercializado por aqui justamente com uma foto do momento de mutação que ocorre no jogo, tudo para dar ênfase a todo o poder gráfico do 16 Bits da SEGA! Quer melhor cartão de visitas do que uma imagem praticamente perfeita de um lobisomem envolto a chamas do inferno?

A sonoridade de Altered Beast também era inovadora, principalmente na parte referente aos efeitos sonoros, todos muito bem feitos. Antes de Altered Beast alguns jogos lançados para consoles já haviam utilizado vozes sintetizadas, mas nunca antes os jogadores tinham ouvido algo tão perfeito saindo das caixas de som de seus televisores: já logo de cara o jogo trazia o poderoso Zeus soltando uma frase que se tornaria clássica no mundo dos games: “Rise from your grave!” E não era só isso, já que o personagem controlado pelo jogador emitia gemidos para cada ataque sofrido e literalmente berrava de dor ao perder uma vida, tudo soando extremamente bem! Zeus ainda soltava seu vozeirão cada vez que o jogador pegava uma “Spirit Ball” e o vilão Neff, sempre soltava a “singela” frase “Welcome to your doom!”, antes dos combates. Finalmente os jogadores poderiam ter em casa um game que “falava” de verdade!

A trilha sonora de Altered Beast é bem variada, com temas épicos como o da primeira fase (“Rise from Your Grave”), e temas mais macabros como a música do terceiro estágio (“I’ll Be Back”). O responsável pelas músicas foi o artista japonês Tohru “Master” Nakabayashi, que já havia trabalhado antes na trilha dos games Alien Syndrome e Thunder Blade.

A jogabilidade do game é boa, e para a época a inclusão de mais um botão de ação no controle foi algo que por si só já chamava a atenção do jogador, que dizia: “Uau! Agora são três botões”! Isto pode até soar ridículo hoje, mas quem viveu de perto a época do lançamento do Mega Drive aqui no Brasil sabe muito bem que foi bem por aí mesmo. Ainda sobre o controle do Mega em si, vale citar que desta vez a SEGA não marcou bobeira, e colocou o botão “Start” nele, algo que poderia ter feito uma diferença enorme se o mesmo já tivesse ocorrido no controle do Master System.

Em Altered Beast a jogabilidade vai mudar um pouco de acordo com a situação pela qual o jogador está passando: quando ainda está na forma humana ele pode pular, chutar e socar os inimigos, sendo possível também dar golpes no ar ou quando estiver agachado. Já quando se está transformado em algumas das criaturas do jogo, o herói terá novas habilidades, que irão variar de acordo com o tipo de transformação, dando toda uma nova gama de ações possíveis.

Em relação ao nível de dificuldade, eu considero Altered Beast como difícil. A possibilidade de se jogar com um amigo ajuda a amenizar a dificuldade, mais ainda assim as coisas não ficam fáceis. Alguns inimigos são terríveis, e podem fazer o jogador perder muita energia em pouco tempo, e até mesmo perder uma vida! São apenas três vidas, cada uma dando ao jogador três pontos de energia, mas ao perder todas as vidas é game over sem perdão! Ah, mas espere lá: por meio de um “macete” fácil, pode se ter continues infinitos no jogo, só que você sempre voltará para o início da última fase visitada, ou seja, se morrer próximo do final do estágio, esteja preparado para ter que passar tudo novamente. Ainda sobre os macetes no jogo, existem outros que dão a possibilidade de aumentar tanto o número de vida, quando os pontos de energia do jogador, além de até mesmo mudar o nível de dificuldade do jogo, deixando-o ainda mais complicado. Até mesmo alterar os tipos de transformações que existem em cada fase é possível por meio de macetes.

Agora de forma contraditória, o confronto com o vilão Neff, que sempre surgirá no final de cada uma das fases do jogo e se transformará em criaturas ainda mais terríveis do que as que o jogador é capaz de virar, é uma das partes mais fáceis do jogo. Neff é “bacana”, e nos primeiros encontros irá se recusar a lutar contra o herói se ele ainda não tiver se transformado em uma besta super poderosa, que não por mero acaso, sempre terá as características necessárias para eliminar o “pouco telha” do mal em segundos! Agora se o jogador vacilar e não for capaz de pegar as “Spirit Balls” durante os períodos em que o vilão der essa chance para o herói, terá que encarar Neff ainda em sua forma humana, e aí vencê-lo se torna algo muito difícil, sendo que dependo da forma que o vilão estiver, a batalha contra ele é praticamente impossível de ser vencida. Estando com os superes poderes na hora de lutar contra o vilão, a única forma de Neff que pode dar um pouco de trabalho é a última, onde ele vira uma espécie de homem-rinoceronte, só que ainda assim será “bico” vencê-lo.

Conclusão

Altered Beast foi, na minha opinião, um bom começo para o Mega Drive. Tudo bem que logo depois surgiram outros títulos bem melhores para o console de 16 Bits da SEGA, fazendo com que muitos jogadores passassem até a detestar este jogo, o que não foi o meu caso, que até hoje o vejo como um game interessante.

Um amigo que não compartilhava do mesmo “sentimento” pelo Altered Beast, certa vez até utilizou o cartucho do pobre e renegado game para tentar fazer um macete em outro título, neste caso o jogo Strider. O “macete” consistia no seguinte: primeiro colocava-se o cartucho do Altered Beast no console e o retirava sem desligá-lo, colocando logo em seguida o cartucho do Strider e dando então um “reset” no Mega Drive. Se o macete funcionasse, o game Strider ficaria “bugado”, e o jogador poderia ter continues infinitos. Este macete é algo “oficial”, e até o GameFaqs faz referência a ele. Só que manhas do tipo, podiam estragar tanto o console, quanto os cartuchos. Por “sorte” no caso do meu amigo, que não foi capaz de realizar a artimanha corretamente, “apenas” perdeu seu cartucho do Altered Beast, que simplesmente parou de funcionar. Pior seria se ele tivesse queimado o console junto…

About André Breder

Um gamer que não tem preconceitos: curte tanto os games clássicos, quanto os novos, e nunca deu preferência para nenhum console ou empresa específica do mercado. Tanto que criou um blog sobre games de todas as épocas, chamado Blog do Breder.