O Maravilhoso Mundo de Alex Kidd, Parte 2

Alex Kidd The Lost Stars [1988] – Master System / [1986] – Arcades

Muitos consideram Lost Stars um dos piores jogos já feitos com o Alex Kidd. Eu não tiro a razão dessas pessoas, afinal, após o estrondoso sucesso de Miracle World, a Sega nos devia pelo menos uma continuação à altura, principalmente depois daquele final cheio de ganchos e do nonsense BMX Trial. Mas ela optou por fazer uma versão para Arcades que saiu no mesmo ano de Miracle World, denominada Alex Kidd The Lost Stars. O arcade é algo raríssimo, eu mesmo desconhecia totalmente essa versão até experimentar o MAME e sua enxurrada de roms de arcades velhos. Primeiramente vou falar da versão Arcade, que veio antes da versão do Master System, que saiu dois anos depois.

Capa, cartucho e manual de Alex Kidd in the Lost Stars, do Master System!


No game ainda controlamos Alex, pelo menos. O objetivo é resgatar todas as estrelas perdidas da constelação do planeta Aries, lar de Alex Kidd. A principal característica dos arcades é que ganhamos a ajuda de uma amiga do cabeção, chamada Stella. Essa segunda personagem é utilizada pelo player 2 ao jogar o game com alguém. As diferenças acabam no sprite, sendo que são idênticos em tudo, mas não deixa de ser uma idéia diferente na série. Poderiam ter usado Eagle, mas aí acho que é pedir demais pra Sega…

As telinhas de intro de ambas as versões, Master System e Arcades

Bom, o jogo tem uma mecânica bem diferente de Miracle World: Alex pula, anda e atira um poder estranho que parece uma poeira. E só. Alguns power-ups aparecem pelo cenário randomicamente, mas nenhum deles faz alguma diferença considerável na jogabilidade. Alguns dão o poder SHOOT, que permite destruir alguns inimigos, outro dão mais velocidade, outros permitem um pulo maior, etc… No geral, é um bom jogo, mas pelo que foi Miracle World, ficou devendo muito. Na verdade podemos considerar Lost Stars uma espécie de gincana, uma corrida de obstáculos pra ver quem chega primeiro no final da fase.

A capa japonesa mostra o jogo e todas as suas maluquices

Alex Kidd in the Lost Stars tem as mesmas fases tanto no Arcade quanto no Master System, então, pra não fazer duas matérias pro mesmo jogo, vou mesclando as imagens e mostrando os principais pontos de referência em cada uma delas. O jogo é dividido em constelações, em um círculo temos todos os símbolos do zodíaco e precisamos avançar por todos eles até terminar o jogo. Em cada fase, resgatamos uma estrela. Após a sexta etapa, as fases se repetem, mas com uma dificuldade maior, mais inimigos e perigos. Reconheço que isso é um método sujo de alongar um game, mas na época, pouca gente ligava pra isso.

A energia de Alex é medida por seu tempo, que vai se esgotando conforme encosta em inimigos. Se perder quatro vidas no Master System, voltará no início da etapa. Nos arcades são duas vidas, perdendo as duas, será obrigado a usar um continue (leia-se: colocar mais uma ficha).

O game, como é de natureza de arcade, é medido em pontos e, bem por isso, induz o jogador a fazer placares cada vez melhores. Por esse mesmo motivo, pontos são distribuídos de maneira crescente conforme o jogador se mantém vivo no game. Alguns items aumentam a pontuação também, mas o mote é se manter vivo e avançar pelas etapas.

Agora é hora de dar uma repassada em seus estágios, lembrando cada uma delas e suas particularidades. Desde já aviso: quem leu meu Game Crap de Lost Stars já sabe mais ou menos o que esperar, o jogo tem muita bizarrice e coisas estranhas, portanto, não se espantem. Vamos lá!

A primeira fase se passa em uma espécie de playground infantil, com pisos vermelhos em formato de dados, desenhos espalhados pelo chão, um fundo campal e diversos inimigos em formato de ursinhos, palhacinhos, cãezinhos cuspindo letrinhas, passarinhos e um balão que cospe notas musicais no final. Em um determinado trecho, é preciso passar por aqueles cabos de bondinhos, onde os mesmos também deslizam e podem te acertar. Em cada final de fase há uma espécie de chefe, onde geralmente temos que tocar o final da tela sem ser acertado. Alguns são simples, como o balão da primeira fase, outros já dão uma dor de cabeça enorme, como o chefe de Ziguratt, que lança meteoros por todo lado, te atrapalhando bastante.

Na versão arcade, antes de cada fase é mostrado uma figura que simboliza onde está a estrela. Essa figura aparece no final de cada fase, bastando tocá-la para terminar a mesma. No Master, a figura é mostrada no começo da fase, mas no final dela é preciso tocar a placa EXIT no final da tela para poder passá-la. Em seguida surge uma animação mostrando Alex pegando a estrela dentro da figura, como no Arcade. As figuras variam de fase a fase, sendo que algumas delas são até personagens famosos, como o Opa-Opa de Fantasy Zone, logo na segunda fase.

Opa-Opa dando as caras no game

Na segunda etapa atravessamos uma fábrica de robôs, onde armadilhas é que não faltam. São esteiras rolantes, robôs andando, atirando, pulando, buracos e muitos pisos falsos que se abrem assim que encostar neles. É óbvio que nos arcades a dificuldade é muito maior, pois isso faz com que o jogador dispense cada vez mais dinheiro nas máquinas.  No final da fase, uma rede de choques elétricos muda a todo momento de lugar, obrigando o jogador a decorar seus movimentos pra poder atravessar chegar ao fim. Nada muito difícil, mas requer atenção.

Em ambas as versões, a fase da fábrica é cheia de armadilhas e locais perigosos

Terceiro estágio: a fase se passa em uma floresta cheia de coisas estranhas acontecendo. Começamos em um local plano, onde crânios surgem do chão enquanto insetos voam pelo cenário. Logo após surge um tipo de inimigo muito estranho, um carinha pelado com cabelo punk peidando crânios…. Na versão do Master ele é ainda mais evidente, sendo que os crânios saem em maior quantidade do traseiro do bizarro inimigo. As partes finais são recheadas de saltos entre árvores, plataformas voadoras cheias de inimigos tentando te furar com lanças e tiros. A reta final é composta por seres saltitantes que protegem a estrela. Nos arcades é infernal conseguir passar, já no Master a coisa é mais simples, pois são somente duas criaturas.

o peladão na versão do Master e o maldito final da fase no arcade: quase impossível de passar...

A quarta etapa se passa no fundo do mar, com direito à Alex usando um snorkel e óculos protetores. A fase começa num cais na versão arcade e diretamente na água no Master System. Todo tipo de ser aquático aparece aqui, além dos seres imaginários também, como uma espinha de peixe viva que nada tranquilamente enquanto perfura o jogador que nada sem o devido cuidado. No Master System, mais uma vez, a fase é bem mais simples, com locais mais fáceis e menos estreitos. Nadar com Alex é mais fácil no console da Sega também, sendo que no arcade o controle do personagem é meio duro. No final, várias aguas-vivas (ou medusas) protegem a estrela, devendo o jogador desviar de tudo para alcançar a saída.

a fase aquática e seus problemas: o final cheio de medusas e o peixe gigante

Na quinta fase somos transportados pra era da pedra, onde dinossauros estão por todos os lados. A fase nos Arcades é bem diferente, tendo inclusive algumas etapas em uma caverna com direito à armadilhas e etc. Perto do final, uma bexiga leva Alex pelos ares pra parte mais alta da montanha, onde descemos por uma cordinha até a boca de um tiranossauro. O problema é saltar antes, visto que no arcade a movimentação é muito rápida. No Master é mais simples, sendo uma das fases mais fáceis. Em uma determinada parte é preciso subir por pedras que descem em forma de escada, por ser mais lenta de natureza, no Master System é mais simples. Na última reta, é preciso desviar de várias pedrinhas que saem de um buraco. Tanto no Master quanto nos arcades essa parte não oferece muito desafio.

Alex fugindo da pedra pra dar de frente com um dinossauro.... de mentira??

A penúltima etapa é a mais bizarra de todo o jogo! Ela dá a impressão que se passa dentro de um organismo, mas as criaturas existentes são estranhíssimas demais! São laranjas pela metade que caem do teto, seres que parecem grilos saltando, coisas escorrendo e cabeças de bebê rolando pelo chão! Parece inexplicável, e é! A fase, contudo, tem muitas armadilhas e é bem longa em ambas as versões. No final um desafio cabeludo no arcade e uma facilidade enorme no Master: desviar de 6 pedras que giram e sair da fase. Nos arcades requer um bocado de atenção e até sorte, no Master basta chegar correndo e passar.

Abstenho-me de dizer qualquer coisa... as imagens falam por si próprias...

Agora a última fase: Ziguratt! A fase é no espaço, logo, gravidade aqui não é problema, permitindo que Alex dê saltos enormes. Isso ajuda a transpor plataformas, mas atrapalha bastante ao desviar de inimigos. No arcade, meteoros caem a todo momento e rebatem no solo, fazendo disso o maior obstáculo da fase. No Master o volume de meteoros é menor e bem por isso a fase fica mais simples. A diferença crucial é que, no Master, no final temos um carinha chato que despeja um monte de inimigos na tela, dificultando chegar até o EXIT. No arcade não temos isso, basta chegar e entrar na construção final.

O "chefe" final na versão do Master e o peladão do espaço retornando nos Arcades

Com as 6 primeiras estrelas, uma cutscene mostra o céu e os signos das constelações resgatadas. Agora basta repetir todas as fases com dificuldade aumentada para terminar o game. Claro que não vou resumir todas novamente, basta dizer que em algumas o número de inimigos e obstáculos é bem maior.

As telas correspondem à metade do jogo, mas o final é a mesma coisa, apenas mostrando os signos que faltaram

E assim termina Alex Kidd in the Lost Stars, um jogo controverso, mas com ótimas músicas e desafio repetitivo. Semana que vem, o tal do Enchanted Castle, tido como continuação de Miracle World!

About Cosmão, o "Velho Piadista"

Meu principal passatempo no asilo do Gagá é escrever livros e livros de Detonados de Diários de Bordo. Aos poucos vou postando no blog :D