Recordar é envelhecer: Mortal Kombat (Arcade)

Olá amigos leitores do Gagá Games! Aqui é o retrogamer André Breder para trazer mais uma edição do Recordar é envelhecer. Hoje vou voltar para 1992, ano em que era lançado um dos jogos mais violentos de todos os tempos: Mortal Kombat! Tenham todos uma boa leitura e até a próxima!

Introdução:

A década de 90 no mundo dos games ficou marcada definitivamente pelos jogos de luta, que eram os mais populares na época. Mesmo que a franquia Street Fighter tivesse alguns rivais de peso, foi preciso o surgimento de um jogo cheio de sangue e violência para que ela tivesse um “inimigo” de verdade: Mortal Kombat. A Midway foi inteligente ao não criar um mero clone de Street Fighter II, como tantas produtoras de games da época estavam fazendo, e sim fazer um game que trazia algumas características próprias bastante originais, que foram mais do que suficientes para chamar a atenção até mesmo dos mais fanáticos amantes do grande game de luta da Capcom.

Lembro até hoje quando chegou em um fliperama aqui da cidadezinha aonde moro, uma máquina de Mortal Kombat: enquanto o dono da casa de jogos fazia os últimos ajustes na máquina, a garotada ficava em volta só vendo e babando pelos gráficos do “novo jogo”, que trazia imagens de vários atores digitalizados com uma qualidade jamais vista antes. Todo mundo já tinha na época jogado Pit Fighter, mas os gráficos daquela “tranqueira” eram tão ruins, que nem se comparava com que todos estavam vendo durante as telas de apresentação de Mortal Kombat. Não é preciso nem ser vidente para saber o resto da história: assim como ocorreu em vários fliperamas espalhados pelo mundo, Mortal Kombat logo se tornou o game mais jogado entre os frequentadores do fliper da minha cidade, fazendo com que a antes concorrida máquina de Street Fighter II Turbo ficasse largada às moscas…

Sobre o game:

Originalmente os criadores de Mortal Kombat, Ed Boon e John Tobias, queriam um game protagonizado por Jean-Claude Van Damme, onde uma versão digitalizada do ator lutaria contra vários vilões. Contudo isto não foi possível, pois na época Van Damme já estava em negociação com outra empresa para o lançamento de um game, que acabou nunca vendo a luz do dia. A dupla então concebeu um game só com atores desconhecidos, e com uma história bem fantasiosa e original: “os antigos deuses criaram vários reinos, e decretaram que os habitantes de um reino só poderia conquistar o outro ao derrotar os maiores guerreiros do reino que estava sendo atacado, em dez torneios consecutivos. O reino de Outworld já venceu nove torneios em sequência, fazendo com que os maiores guerreiros da Terra tenham que impedir que ocorra mais uma derrota, ou o seu planeta passaria a viver na mais densa escuridão. É hora da batalha decisiva! Com a ajuda do Deus do trovão Raiden , os guerreiros da Terra desafiam então o maligno feiticeiro Shang Tsung e seus fiéis servos, travando um combate mortal!”

Mortal Kombat traz ao todo sete personagens jogáveis (a saber: Sonya Blade, Kano, Raiden, Sub-Zero, Scorpion, Liu Kang e Johnny Cage) cada qual contando com seus poderes especiais exclusivos. Além dos personagens que podem ser controlados pelo jogador, também existem os dois chefes finais do game, Goro e Shang Tsung, e ainda um personagem secreto: o ninja verde Reptile. Os esquema do título é bem similar a dos outros jogos de luta, onde o jogador deve vencer dois rounds contra um mesmo adversário, para poder continuar seguindo com o desenrolar do game.

A grande sacada de Mortal Kombat foi fazer algo que os demais jogos de luta não tinham “coragem”: ser sangrento e violento ao extremo! Os combates do título são cheios de sangue jorrando dos adversários, e para deixar tudo ainda mais “legal”, os produtores tiveram a grande ideia de incluir no final das lutas finalizações bem violentas, que receberam o nome de “Fatalities”. Jogadores que estavam acostumados com games mais “leves” como Street Fighter, com certeza ficaram de olhos arregalados ao ver pela primeira vez o criminoso Kano arrancando com as próprias mãos o coração do adversário vencido, que ainda ficava batendo após o corpo já ter caído no solo. Uma cena que lembrou muito o que os vilões faziam no filme “Indiana Jones e o Templo da Perdição”. Contando também com decapitações e incineramentos, as finalizações de Mortal Kombat serviram tanto como para criar uma marca registrada do game, como um motivo para o título ser criticado pelos mais conservadores. O alto nível de violência neste game com certeza serviu para alimentar aqueles que acham (de maneira errônea, claro) que video game é coisa de pessoas anormais.

Saindo do campo da violência explícita, nua e crua, há uma espécie de minigame que surge durante o decorrer do game, chamado de “Test Your Might”. Nele o personagem controlado pelo jogador estará de frente para a tela, e terá que apertar alguns botões (ou melhor, “esmagá-los”) para conseguir concentrar força suficiente para quebrar blocos de vários tipos de materiais, começando pela madeira, passando para a rocha, então vindo o aço, ruby e finalmente o diamante, cada qual mais difícil de ser quebrado/destruído do que o outro. Durante este minigame há na tela um indicador da força necessária para se quebrar cada tipo de material, só que também um tempo limite para que o jogador possa alcançar isto. Ou o jogador é bom em apertar botões, ou não consegue se dar bem nesta parte do game.

Quando se vai avaliar um jogo “antigo” como Mortal Kombat, o mais correto no meu entendimento, é compará-lo com os outros games de sua época. No quesito gráficos, quando este título saiu em 1992, ele apresentava um visual que na época chamou a atenção, mesmo que hoje, claro, tudo já esteja ultrapassado. Como já disse antes, foi por meio deste título que eu vi pela primeira vez personagens digitalizados de uma forma tão bem feita, o que garante uma sensação de realidade imensa para os jogadores. Mesmo que os efeitos de sangue jorrando seja muito exagerado e falso, a produção do jogo conseguiu fazer um belo trabalho na parte dos personagens, capturando com perfeição os movimentos dos atores que interpretam os lutadores do jogo. Na parte dos cenários, eles não chegam a ser tão cheios de detalhes quanto os de outros jogos de luta de sua época, mas Mortal Kombat traz uma boa variação, e locais bem originais. Destaque para o cenário que possui a ponte, onde o lutador pode jogar seu adversário, quando este é derrotado, para cair em um monte de espetos! E vale lembrar que é também neste local onde se pode travar a batalha com o lutador secreto do jogo, Reptile, só que ao invés de lutar em cima da ponte, o jogador trava o combate em seu fosso, sendo este, com certeza, o cenário mais macabro do jogo, cheio de corpos desmembrados.

A parte sonora do jogo é fraca em relação as músicas, que possuem em sua maioria uma sonoridade oriental e sombria até bacana, e totalmente condizente com o game, mas que poderia ser melhor, com melodias mais marcantes. Para piorar, o volume das músicas é ainda muito baixo. Já na parte dos efeitos sonoros, tudo é muito melhor, com vozes digitalizadas bacanas para os personagens. Mesmo que somente Sonya, Liu Kang e Goro tenham seus próprios “sets” de efeitos sonoros, as vozes existentes no jogo são muito bem feitas, e ajudam a dar todo o clima de violência dos combates. Gritos de dor são tão reais, que você chega a acreditar que os personagens na tela estão realmente se machucando feio.

Os controles de Mortal Kombat trazem 5 botões de ação e mais o manche direcional que movimenta o personagem na tela. De maneira bem original, um dos botões é utilizado para acionar a defesa dos personagens, diferente de outros jogos de luta da época, onde os lutadores entram em estado de defesa quando o jogador pressiona o manche direcional para o lado contrário de onde está vindo o ataque adversário. Esta forma de defesa divide opiniões entre os apreciadores de jogos de luta, onde claro, os fãs de Mortal Kombat preferem este modo do que o utilizado na maioria dos outros games. Os quatro bostões restantes são para os ataques, sendo dois para socos e dois para chutes, onde há a divisão entre ataques fracos e fortes. Golpes no ar ou “balões”, claro, podem ainda ser executados durante os sangrentos combates.

Cada lutador possui também vários poderes e golpes especiais, além das finalizações, os famosos “Fatalities”. Cada golpe ou magia pode ser executada seguindo uma forma bem similar a de outros jogos de luta da mesma época de Mortal Kombat, fazendo com que jogadores veteranos no gênero não tenham problema nenhum de adaptação quanto a esta parte da jogabilidade do título. Basta primeiro descobrir ou aprender como é a sequência de comandos que deve ser feita para executar estes tipos de ataques especiais sem maiores problemas. Agora apesar da jogabilidade em si de Mortal Kombat ser boa e funcional, alguns jogadores criticaram a falta de variedade dos lutadores quanto aos golpes normais, onde todos tem os mesmo ataques só variando mesmo quanto aos ataques especiais. Diferente de outros títulos como Street Fighter, onde, por exemplo, um ataque aéreo de Guile é totalmente diferente de um ataque aéreo do personagem Dhalsim, os produtores de Mortal Kombat parece que preferiram fazer com que os personagens de seu game tivessem um equilíbrio em relação aos ataques normais, por isso talvez, todos tenham os mesmos tipos de movimentos básicos.

Como todo bom arcade, a dificuldade de Mortal Kombat variava de acordo com o nível ajustado pelo dono da casa de fliperama: se ele fosse apenas uma salafrário que queria faturar, colocava a máquina na dificuldade mais elevada, tornando o game muito difícil ou até impossível de ser jogado por alguns, onde os mais “afoitos” gastariam uma boa “grana” com fichas. Já na dificuldade “normal”, o título apresenta um desafio mais moderado. Os primeiros combates são sempre mais fáceis, onde a máquina parece dar uma chance para que os jogadores novatos que possam estar tendo os primeiros contatos com o jogo. Mas até a última e derradeira batalha, as coisas vão ficando mais complicadas, com lutadores cada vez mais apelões, que só serão derrotados por aquele jogador que estiver realmente “fera” em Mortal Kombat. Antes de confrontar o temível Goro, o jogador tem até mesmo que lutar contra três duplas, sendo uma dupla de cada vez, claro. Como já não fosse complicado para alguns ter que encarar um só oponente, o jogo coloca a obrigação de ter que vencer dois lutadores em um mesmo round.

Os dois “chefes” finais são, com certeza, a parte mais desafiadora do game, onde o lutador de quatro braços Goro é o mais difícil na minha opinião. Esta criatura possui uma força descomunal, o que faz com que seus ataques causem muito dano e que ele também possa ter o privilégio de sofrer menos com os ataques certeiros do jogador. Se um jogador passar por Goro, chegará então a hora de encarar o velho Shang Tsung. Podendo fazer o uso de uma “apelona” magia de caveiras, o último desafio de Mortal Kombat ficará mudando de forma, mas só se tornará realmente difícil quando ele “cismar” em ficar na forma do poderoso Goro. O problema é que geralmente Shang Tsung adora fazer isso.

Conclusão:

Mortal Kombat foi um game que chamou bastante a atenção na época, tanto por criar grande polêmica ao redor do mundo por conta de sua alta violência, quanto por ser um game bem original. Conquistou uma legião de fãs ao redor do mundo e acabou se tornando uma franquia milionária, que rendeu versões para outros sistemas, filmes, desenhos animados, brinquedos e uma infinidade de produtos. A série passou por maus bocados nos últimos anos, mas parece ter encontrado novamente o “caminho” no último game da série lançado para os consoles da atual geração. Mesmo eu não sendo um fã fervoroso desta franquia, é muito bom saber que uma série lendária como Mortal Kombat está viva até hoje, e voltando a produzir games que agradem os jogadores.

About André Breder

Um gamer que não tem preconceitos: curte tanto os games clássicos, quanto os novos, e nunca deu preferência para nenhum console ou empresa específica do mercado. Tanto que criou um blog sobre games de todas as épocas, chamado Blog do Breder.