Recordar é envelhecer: Wonder Boy (Master System)

Olá amigos leitores do Gagá Games! Aqui é o retrogamer André Breder, trazendo até vocês mais uma edição do Recordar é envelhecer! Hoje vou voltar para o ano de 1987, época em que o Master System ganhou vários games interessantes, inclusive um dos meus preferidos do console: Wonder Boy! Tenham todos uma boa leitura e até o próximo Sábado!

Introdução:

Quando eu tive meu primeiro contato com o título Wonder Boy, o “encontro” ocorreu em uma extinta casa de fliperamas da cidade onde moro. Nesta época, se eu não estiver enganado, ainda não havia sido lançado por aqui o Master System (ou eu pelo menos não havia ainda conhecido este console), então quando descobri que o console de 8 Bits da SEGA tinha uma versão deste divertido game do Arcade, o meu sorriso ia de orelha a orelha. Os fliperamas da década de 90 nunca foram o melhor lugar para crianças, então a possibilidade de jogar Wonder Boy no conforto do lar era de um prazer imensurável. Nada de “pivetes” te ameaçando ou “pedindo” que você os pagasse uma ficha.

Olhando hoje em dia para Wonder Boy, ele é um jogo de plataforma bem básico, simples mesmo. Mas é engraçado também notar que mesmo hoje em dia, com games cheios de recursos interessantes para eu jogar, ainda continuo achando este velho game muito divertido. Games mais complexos demandam tempo para serem jogados, e como hoje em dia meu tempo anda bem curto, a existência de um game simples mas extremamente divertido como Wonder Boy, é para mim quase que como um dádiva dos céus. Nada melhor que chegar em casa após um dia estafante de trabalho, e poder passar alguns minutos ou mesmo horas no comando do garoto loirinho que está desesperado atrás de sua namorada raptada.

Sobre o game:

A história de Wonder Boy não poderia ser mais simples: você é um jovem chamado “Tom-Tom” (é, o nome é ridículo mesmo), cuja namorada Tanya foi sequestrada por um terrível monstro. Em busca do amor de sua vida, o corajoso selvagem (Tom-Tom até possui uma aparência quase pré-histórica) deverá então passar por ilhas, cavernas, florestas, entre outras regiões perigosas, até chegar no esconderijo do misterioso monstro mal caráter. O modo de jogo de Wonder Boy é bem similar a da franquia Super Mario Bros, só que aqui o herói não tem como principal forma de vencer seus inimigos o ato de pular sobre eles… na verdade se ele fizer isso morre no ato! Tom-Tom tem a sua disposição afiadas machadinhas para atacar de forma letal seus adversários. Estas armas são conseguidas, de maneira curiosa (e sem nenhuma explicação lógica) dentro de ovos, que são encontrados durante as fases do jogo.

Além das machadinhas, o herói pode ainda encontrar um skate e outros itens bem úteis para o cumprimento de sua arriscada missão dentro dos diversos ovos que ficam espalhados pelas fases do game. Até mesmo uma simpática fadinha pode ser achada dentro de um dos ovos, sendo que ela é uma companhia muito útil, pois torna o herói capaz de destruir qualquer inimigo ou obstáculo que estiver em seu caminho, e ainda dá invencibilidade temporária. Enquanto a fada estiver ao seu lado, só os buracos das fases podem fazer Tom-Tom morrer.

Uma das principais características de Wonder Boy, é que ele é um jogo onde a ação deve ser contínua. No alto da tela há um medidor de tempo que vai se esgotando aos poucos até zerar, fazendo com que o jogador consequentemente perca uma vida. Para evitar que isso aconteça, o jogador deve então recolher diversas frutas e outros alimentos, que irão aparecer durante as fases. Estes itens além de restaurar o medidor de tempo, ainda dão pontos. Por conta desta “imposição”, o jogador não pode marcar bobeira, e fazer com que Tom-Tom fique sempre caminhando e correndo atrás das várias frutas que vão surgindo no decorrer das fases. O medidor de tempo só irá sumir da tela, permitindo que não seja mais necessário o recolhimento de frutas, quando o jogador for enfrentar os chefes de cada área. Neste momento, o jogador terá mesmo é que se concentrar em combater e vencer o chefão.

Cada área do jogo é dividida em 4 estágios, sendo que cada estágio ainda é dividido em 4 partes. Durante os estágios haverá placas que indicarão em que parte da fase o jogador está. Caso Tom-Tom perca uma vida na segunda parte de um estágio, por exemplo, ele continuará a partir do início da segunda parte, e não do começo de todo o estágio.

E já que estou falando em áreas do jogo, vale citar que a versão original de Wonder Boy que foi lançada para o Arcade possui sete áreas para serem vencidas pelo jogador; já a versão do Master System recebeu o acréscimo de duas áreas exclusivas, tendo assim uma maior duração. Durante o game o jogador poderá encontrar um item semelhante à uma boneca, que serve para dobrar os pontos obtidos com a finalização de cada estágio. Caso o jogador consiga recolher todas as “bonecas” espalhadas pelo jogo, ele irá habilitar uma área extra, fazendo então com que a versão do Master de Wonder Boy tenha um total de dez áreas. Esta área extra também pode ser conseguida na versão original.

Visualmente a versão de Wonder Boy do Master é bem parecida com a do Arcade. Quando um game do fliperama é levado para um sistema mais simples, normalmente a parte gráfica é a que mais “sofre”, mas felizmente este não foi o caso deste título. Apesar da versão original ser melhor, a diferença é muito pequena. Uma mudança bem perceptível entra as duas versões, é que as informações na tela da versão do Master é mais simplificada do que a do Arcade. Enquanto no original a tela mostrava o número de vidas, itens, entre outros detalhes, na versão do Master System só há a barra de tempo como visível no topo da tela. Wonder Boy traz cenários variados, onde em uma mesma área o jogador pode se deparar com diferentes tipos de terrenos. Tudo é bem colorido, com o personagem principal e os demais seres que povoam o jogo contando com uma animação básica, mas bem feita.

A parte sonora do game é bacana, com bons efeitos, mas peca pela quantidade limitada de músicas. A música que rola durante as três primeiras partes de uma área, é sempre a mesma, e por mais legal e animada que ela seja, chega uma hora que você fica de saco cheio de ter que ouvir sempre a mesma coisa. As músicas durantes as fases do jogo só mudam na quarta e última parte de uma área, quando ele ganha um tom mais sombrio, e durante as batalhas contra os chefes, onde a música muda novamente, para uma ainda mais agonizante. Até hoje não tenho certeza se a música que rola praticamente sem parar em Wonder Boy é boa mesmo, para ter ficado grudado de maneira permanente na minha cabeça, ou se isto é fruto de sua alta repetição durante o game. Se bem que normalmente, são as músicas ruins que mais grudam na nossa mente.

A jogabilidade de Wonder Boy é boa, com os comandos de ataque e pulo funcionando muito bem, sem atrasos. Mas quanto ao controle de movimento do personagem principal, esta parte merece um cuidado especial por parte do jogador. Tom-Tom infelizmente escorrega bastante quando você vai tentar mudar de direção caso esteja correndo, o que pode fazer que o jogador sem querer, faça com que o herói acabe batendo em uma pedra ou inimigo. Nas fases onde o piso é congelado, controlar o personagem torna-se uma tarefa ainda mais árdua, pois neste tipo de área Tom-Tom escorrega pra valer, e cometer um erro e perder uma vida é algo muito fácil de acontecer.

Em relação ao desafio que o game proporciona ao jogador, Wonder Boy apresenta um nível de dificuldade crescente, que vai aumentando de acordo com o avanço do jogador na aventura. Nas áreas mais avançadas o número de obstáculos e inimigos na tela aumenta consideravelmente, deixando o jogo bem, mas bem difícil mesmo, ainda mais que basta Tom-Tom simplesmente esbarrar em um inimigo ou em algum obstáculo mortal , como a famigerada fogueira, para perder uma vida. Não há pontos de vida aqui amigão, vacilou, perdeu! Em contrapartida, os chefes do final de cada área do jogo são todos muito fáceis. Este é outro ponto onde a repetição e a mesmice ocorreu no título: os chefes são praticamente iguais, só mudando a face de cada um, e um pouco a sua forma de atacar. Na verdade, Wonder Boy só traz um único chefe, que vai mudando de rosto após cada batalha perdida. E é na face o ponto fraco dos chefes, que devem receber machadadas ali sem dó! Como aqui não há problemas em relação a “munição”, pois as machadinhas são infinitas, o jogador não deve perder tempo durante o confronto com os chefes, e atacá-los de forma constante. Muitas vezes é possível eliminar um chefão sem que ele consiga dar um mero contra-ataque.

Conclusão:

Apesar de seus defeitos e pequenos problemas, Wonder Boy ainda assim é um título divertido que compensa e muito, ser jogado. Ao mesmo tempo que é bastante simples em sua forma de jogo, permitindo que qualquer um possa pegá-lo e sair jogando-o sem grandes problemas, Wonder Boy também apresenta um desafio bem alto, o que ajuda bastante a aumentar sua longevidade. É um game que tenho muito “carinho”, e como já disse, considero-o facilmente como um dos melhores títulos que joguei no meu velho e finado Master System.

About André Breder

Um gamer que não tem preconceitos: curte tanto os games clássicos, quanto os novos, e nunca deu preferência para nenhum console ou empresa específica do mercado. Tanto que criou um blog sobre games de todas as épocas, chamado Blog do Breder.