Cruzada Jaguar: E tem coisas que só a Atari faz por você

Olá meus queridos amigos, leitores e retrocompatriotas! Está edição ficou um pouco grande, porém se faz necessário. Meu Playstation 3 clama por minha presença, e confesso que já estou enjoado de jogar tanta porcaria. Mas como um bom soldado não foge à luta, estamos quase no fim. O caminho continua difícil… mas vamos em frente!

Raiden

Apresento-lhes o segundo melhor jogo do Atari Jaguar, só perdendo para Aliens VS. Predator na minha humilde opinião.

Raiden é um shooter vertical, e esta versão é a mais fiel possível ao game de arcade. Tudo nesse jogo me agrada, a começar pelo logotipo no cartucho: a fonte usada para escrever “Raiden” é baseada na fonte do logotipo do Iron Maiden, aquela banda inglesa de heavy metal que, aliás, é minha segunda banda predileta, perdendo apenas para o Megadeth.

Os gráficos são espetaculares, com grande variações de cenários e inimigos. As animações estão muito bem feitas, principalmente as explosões e os tiros, com especial atenção às armas especiais. Falando nas armas especiais, existe uma “bombinha” aqui que quando usada limpa a tela. Muito boa na hora do aperto. A jogabilidade é muito legal, só o que peca é ter que ficar apertando indefinidamente o botão de tiro. Cansa. Nesse caso seria bom ter a opção de quando o botão de tiro ficasse pressionado, atirar sem parar.

O grande trunfo desta versão é que dois jogadores podem jogar simultaneamente, o que facilita as coisas, já que a dificuldade é alta. O som é show, tanto as músicas como os efeitos sonoros, bastantes diversificados e criativos. Sem dúvida nenhuma, obrigatório para quem possui um Jaguar.

Rayman

Lindo! Colorido! Uma fofura! Até a menina mais fresca da face da terra se renderia ao charme de Rayman, um personagem bastante carismático. As mãos e os pés do protagonista não são ligados por pernas e braços, o que fez das animações dele um espetáculo à parte

Com gráficos 2D coloridíssimos, cheios de florzinhas pra lá, borboletinhas pra cá, os cenários são tão doces que beiram a meiguice, de tão bem desenhados que ficaram. Durante o jogo, você pode fazer carinho nas plantinhas pra elas crescerem e através delas ter acesso a áreas até então inatingíveis. O som contribui para o clima “mamãe tô apaixonada”, com músicas alegres e melosas. Os efeitos sonoros são cuti-cuti. A jogabilidade é no estilo Super Mario Bros. 3, e o jogo tem uns mapas onde você pode escolher os estágios. Você também pode revisitar as fases concluídas e salvar seu progresso no jogo. Os controles são simples e eficientes. Rayman é um jogo calcinha que muito cueca irá gostar de jogar!

Ruiner Pinball

Outro bom jogo de pinball para o gatinho da Atari. Temos apenas duas mesas contra quatro do Pinball Fantasies, porém as daqui são maiores e mais desafiadoras.

A primeira mesa, que dá título ao cartucho, tem temática de guerra. Possui dois níveis, é decorada com aviões, armas, mísseis, bombas e duas gostosas, uma loura e outra morena. Está cheia de metas, e a mais legal delas é a Defcom, que vai do nível 1 ao 4. A segunda mesa se chama The Tower e possui um tema gótico-medieval. É decorada com olhos, poças de sangue, um prisioneiro em torutura, uma bruxa e uma torre. Essa mesa é maior que a Ruiner, pois possui três níveis e muitas e dificílimas metas.

A física está razoável, não é tão boa quanto a de Pinball Fantasies mas não compromete o game. O único ponto negativo é o som. A música é muito ruim e os efeitos sonoros são secos e apagados. Há também a manha de inclinar a máquina igual a Pinball Fantasies, porém parece que você pode abusar um pouco mais deste recurso, o pinball demora muito a dar pau. Em resumo, é um bom jogo.

Skyhammer

Muitos fãs da Atari, principalmente os “apreciadores” do Jaguar tecem elogios a torto e a direito sobre este título. Lembro também de algumas revistas na época elogiarem bastante Skyhammer, mas pra mim ele não passa de outro rascunho nojeto de Descent (PC).

Li um review uma vez no qual o autor disse que os cenários deste jogo eram “fotorrealísticos”, os cenários de fundo “tão lindos quanto os do filme Blade Runner”. Tá tirando uma com a minha cara? Tá me chamando de palhaço? Os cenários do jogo são feios de doer. Um monte de prédio cinza com janelas brancas, e como o jogo se passa à noite, o background é preto.

A jogabilidade é bisonha, seu avião voa como se não existissem leis da física. Além disso, você pode bater à vontade nos edifícios que nenhum dos dois sofrem danos. Os inimigos aparecem nos lugares mais insólitos e os tiros deles parecem fazer curvas, pois você demora pra achar de onde estão vindo. O estilo de jogo é não linear, você pode escolher as missões que quer fazer e ganhar dinheiro com elas, equipando sua nave com novos motores, armas e equipamentos, mas isso não foi o suficiente pra eu me empolgar. O radar mostra sua localização, porém não diz a direção na qual você está indo, o que o torna quase inútil, salvo algumas referências que você possa deduzir em situações específicas. Não há músicas e os efeitos sonoros podiam ser melhores.

Soccer Kid

A essa altura do campeonato eu já desisti de achar algo do nível do Saturn ou do Playstation, ambos de 32 bits. Achar algo que lembre alguma coisa feita em 64 bits é utópico no Jaguar. É mais fácil um ET pousar um disco voador no seu quintal, bater à sua porta e pedir pra entrar e tomar um café.

Soccer Kid é mais um jogo de plataforma 16 bits com um único diferencial: a arma do seu protagonista é uma bola de futebol. Tudo que define um jogo desse tipo está aqui. Plataformas, buracos, coleta de itens e uma gama de inimigos. A história é a mais sem noção possível: um meteoro caiu na terra e “destruiu” a copa do mundo, como se a copa fosse um objeto. E como um objeto, você deve coletar as peças e juntá-las para que o mundo tenha novamente uma copa. Fala sério.

Os graficos são tocos e o cenário de fundo não te dão a mínima sensação de profundidade (aliás, nada aqui dá). Os sprites parecem todos chapados, colocados um em cima do outro. A paleta de cores é pobre e os inimigos parecem sobras de outros jogos, tamaho o “nada a ver” da coisa! O som está uma porcaria, as músiquinhas são boçais, os efeitos sonoros são “flat” e parecem todos iguais. Os controles são outra tristeza, principalmente o pulo, muito truncado. A dificuldade é muito alta, fazendo com que este jogo já ruim por toda sua concepção fique realmente um porre.

Space Ace

Mais um jogo de FMV. Mais uma vez o Jaguar CD não conseguiu fazer melhor que o Sega CD e ficou uma porcaria, de tão granulado e desbotado que está o vídeo.

Ao contrário de Braindead 13 e Drangon’s Lair, aqui até o áudio ficou ruim, completamente fanho e abafado. Como de praxe, seus comandos são cima, baixo, esquerda, direita e atirar. Só que o jogo não te dá dicas do que fazer e descobrir quais comandos usar na tentativa e erro é frustrante. Como se não bastasse, o tempo de carregamento aqui é muito alto. Space Ace é mais uma “pérola” que só irá testar sua paciência.

Spacewar 2000

Este game tem um grande potencial, mas deve ter sido lançado às presas, pois parece um protótipo.

A nave está bem desenhada e texturizada, e no início há umas animações psicodélicas com o nome do jogo que eu desgosto. Outra coisa que eu desgosto é do calvo de três olhos e cavanhaque que aparece na contagem de bônus. Bizarro e desnecessário. As opções estão “bugadas” e muitas delas não funcionam. Os controles são muito parecidos com os do Hover Strike, também de Jaguar. Logo, é uma grande meleca. O mesmo vale para o radar, que parece ter sido “xerocado” de lá. Confuso e inútil. Seus inimigos na maior parte do tempo são asteróides e algumas naves.

O pior de tudo é o jogo dando “crash” a cada 20 minutos de jogatina. Incrível mesmo é que SpaceWar 2ooo foi lançado em cartucho e teve gente que comprou!

Super Burnout

Aqui está um jogo despretensioso. Super Burnout é um jogo rápido, de jogabilidade simples bem estilo arcade. Porém, na era dos 64 bits, fazer um jogo com uma mecânica de 8 bits e gráficos não muito melhores que os de Super Hang-On de Mega Drive não é algo para se aplaudir.

Continuando com os gráficos, eles são legaizinhos, mas bastante simples, bem básicos. O destaque vai para o aúdio, muito bem feito, com roncos realistas das motocicletas e vozes digitalizadas muito boas. Há quatro modos de jogo. Championship é o campeonato, você compete contra a máquina em todos os circuitos. Record é como o nome diz, correr contra o relógio e marcar recordes. Trainer te permite conhecer os circuitos. Já o modo Versus permite jogar com um amigo com a tela dividida. E aí ocorre um problema: a divisão de tela não achata sua moto, que fica no mesmo tamanho do modo single player, só que você fica sem a visão do “horizonte”. Como não se vê a pista, fica injogável. Com os controles respondendo bem, Super Burnout é indicado para quem quer passar o tempo sem muita pretensão.

Supercross 3d

Eu tenho um ódio mortal desse lixo. Fui um infeliz proprietário desse dejeto em formato de cartucho. Como eu xinguei a mãe, o pai, a avó do infeliz, do miserável que fez este game horroroso. Se foi uma equipe, essa turma não devia trabalhar mais nem limpando latrina!

Supercross 3d é o fundo do poço do Atari Jaguar. Foi a pior coisa lançada pro sistema, e olha que não falta porcaria. Os gráficos são abomináveis, nojentos de dar ânsia. O som é um punhado de ruidos, algo como um chiado tuberculoso que sugere que sua moto está em movimento. Falando em movimento, as rodas da sua moto não giram. O framerate é baixíssimo, algo como 5 frames por segundo. A lentidão é total e você só consegue pilotar a sua moto quando está em último lugar e os adversários já sairam da tela. Caso contrário os controles congelam.

Até a arte do cartucho e seus manuais são igualmente mal feitos, coisa de moleque. Este jogo fez com que eu desgostasse da Atari como empresa. Se você por um acaso tiver esse cartucho, faça um favor a você mesmo: marrete-o até virar farelo. Estarás prestando um grande serviço à Humanidade.

Syndicate

Um game de bastante sucesso no PC que ficou tosco no console da Atari. Syndicate é um RTS (Real Time Strategy) onde você controla quatro agentes e deve cumprir missões específicas.

Como no computador usamos teclado e mouse, jogar Syndicate pelo joystick do Jaguar ficou muito complicado. O direcional substituiu o mouse na interface point and click do jogo, mas o cursor sofre do mal de Parkinson e não para de tremer. O teclado foi substituído pelo teclado numérico do controle, e como não poderia ser diferente, os comandos se tornaram bizarros, pois você precisa fazer muitas combinações diferentes para se executar uma função, tornando o gameplay um fiasco. Como se trata de um jogo de estratégia em tempo real, até você dominar os comandos, uma paciência digna de santo lhe será requisitada.

Os gráficos estão na média para o Jaguar, porém comparando com a versão original de PC, mais antiga por sinal, deixam muito a desejar. As músicas contribuem para o clima tenso proposto, mas os efeitos são ridículos. Mas o maior aborrecimento deste cartucho são as intermináveis telas de loading durante o jogo. Isso mesmo meus amigos. Cortesia da Atari. Tela de loading em cartucho. São essas coisas que só a Atari faz por você. Só de sacanagem.

Bom pessoal, até a próxima.

About Piga "the ancient alien"

Gamer desde criancinha, teve tudo quanto é console e computadores antigos, dos mais populares aos mais obscuros. Pegou a doença do colecionismo, mas hoje está curado (em constante observação). Gosta de relembrar velhas histórias e compartilhar experiências. Sem "ismos", joga do mais antigo ao mais novo.