Cruzada Jaguar: Chegamos ao fim

Olá meus retroconfederados do asilo mais retrogamístico do Brasil. Depois de três semanas travando verdadeias batalhas campais no trabalho, finalmente consegui um tempinho no cessar-fogo para escrever o último capitulo da nossa maravilhosa (?) cruzada, que provavelmente vai deixar saudades… ou não! Vamos nessa!

Tempest 2000

Tempest 2000 é aclamado por muitos fãs do sistema como um dos top ten do Jaguar. Sim, concordo que o jogo deva estar sim entre os dez melhores, porém isso não faz dele um bom jogo.

Tempest 2000 é uma releitura do antigo Tempest, de Arcade lançado em 1981. Aliás, este cartucho conta com três versões do jogo. A original de arcade, a Tempest 2000 para um jogador e a Tempest 2000 para dois jogadores. Os gráficos da versão original são vetoriais, muito bonitos e bem feitos. Os efeitos sonoros são aquilo que se tinha em 1981.

Mas o que importa mesmo é a versão 2000. Os gráficos são soberbos, com muitos efeitos, rotações, zoom, quebra de pixel, deformações, extrapolações, torções, deformações e o diabo. Porém aqui é o caso de Medusa, onde sua beleza o condena. É tanto efeito ao mesmo tempo que fica difícil distinguir o que é obstáculo, power-up, tiro, inimigo. Logo o jogo fica muito confuso. Agora imagina a zona que é com dois players ao mesmo tempo com a tela dividida. Impossível de jogar. Apesar de ser um game com boa jogabilidade e com uma música razoável, Tempest 2000 se daria melhor como proteção de tela do Windows. 

Theme Park

Tá aqui um jogo do qual eu não consigo gostar, independente da versão que seja. Ainda mais se eu compará-lo a Roller Coaster.

Eu acho os gráficos toscos. Acho o som irritante! Sua interface é lenta e confusa. O jogo tem a proposta de ser algo profundo, logo você tem zilhões de coisas para gerenciar, desde a posição da árvore, passando pelo menu de seu restaurante com a possibilidade de configurar os preços de cada item, até comprar e vender ações do seu parque. Logo de cara, tem tanta coisa pra determinar que você leva quase uma hora pra poder construir o arco de entrada do seu parque. Quando você enfim consegue começar a construir, o cansaço já vai estar querendo o seu corpo e o tédio já terá dominado sua mente.

Towers II

É com grande pesar que lhes apresento o único RPG de Jaguar. Graças ao “design concept” de Jag Jaeger, conhecido popularmente no meio RPGzístico como “O Jegue”, nossos corações se enchem da mais melancólica tristeza quando jogamos este game horrendo dos infernos!

Com visão em primeira pessoa no estilo Doom, você começa em um labirinto de texturas mediocres enfrentando seu primeiro inimigo, o controle. Aliás, este é um inimigo que não pode ser derrotado e irá acompanhá-lo até o final do jogo, caso você tenha paciência o suficiente. A coisa mais agradável aqui é o silêncio, mas ele é constantemente interrompido por efeitos decadentes. A história é um horror e você interage com os personagens mais bizarros e sem graça que a mente torta e sem um pingo de criatividade de seu idealizador conseguiu criar.

Troy Aikman NFL Football

Não sei se esse Troy Aikman já foi um jogador famoso lá nos EUA, mas eu, no lugar dele, teria vergonha de estampar meu nome no título deste game.

Os gráficos são aquilo que  um sistema de 16 bits pode fazer de pior. O grande prêmio vai para as animações dos jogadores, que parecem só ter dois quadros. Nem um jogo de Atari 2600 tem os personagens com uma animação tão brusca e mal feita. O jogo é um fiasco e a única coisa que tem de positivo são as milhares de opções para montar times, jogadores e temporadas. Ponto positivo se você gostar de futebol americano. O que não é meu caso.

Ultra Vortek

Bebendo o que sobrou da fonte de Mortal Kombat, Ultra Vortek não faz feio, porém não chega aos pés do jogo criado por Ed Boon.

Os cenários são muito bonitos, com várias fontes de luz e efeitos bastante variados. Além dos personagens criados inteiramente no computador, existem também personagens digitalizados a partir de atores reais. Há um desequilíbrio grotesco entre os lutadores e eu consegui terminar sem esforço com Lucious, pois parece que nem o chefão final é capaz de defender seus chutes.

O som já é bem porco, com uma guitarrinha que mais lembra uma máquina de moagem. As vozes são pobres e os efeitos crus, o que te leva a perguntar o porquê de não terem ficado melhores. Os controles respondem bem, porém eu não consegui fazer nenhum golpe especial ou fatalidade, mesmo estando com a lista na mão. Ultra Vortek foi o melhor em jogos de luta que o Jaguar conseguiu oferecer.

Val D’isere Skiing & Snowboarding

Mais um esportista que empresta seu nome para um jogo de Jaguar e que provavelmente deve ter se arrependido depois. Val d’Isere Skiing & Snowboarding é um game que apesar de ter um cenário de fundo bonito e digitalizado com bom áudio, é mais um jogo no qual ninguém testou a porcaria da jogabilidade.

Os controles são muitos sensíveis e é impossível fazer qualquer manobra, como desviar dos obstáculos ou passar entre as marcas de pontuação. Além disso há um bug: se você apertar repetidas vezes o botão de pulo, seu personagem começa a pular que nem doido e só depois de trombar em algo é que para. Sinistro. Os controles são tão podres que é difícil fazer seu esquiador ficar em linha reta. O legal deste game é o modo free ride, onde você pode descer as colinas sem se preocupar em marcas pontos. Basta chegar à linha de chegada dentro do tempo. E isso vai ser uma árdua tarefa.

Vid Grid

Este game para Jaguar CD é bastante original em sua proposta, porém peca na execução. Trata-se de um jogo de quabra cabeças cujo objetivo é colocar as peças em seus devidos lugares.

A diferença aqui é que ao invés de ter imagens estáticas, há um video clip rolando e você deve concluir o desafio antes do clip terminar. Três coisas me impressionaram. A primeira, o naipe dos artistas. Aerosmith (Cryin’), Ozzy Osbourne (No More Tears), Red Hot Chili Pepers (Give It Away), Guns N’ Roses (November Rain), Van Halen (Right Now), Soundgarden (Spoonman), Metallica (Enter Sandman) e outros. A segunda foi a qualidade do áudio. Como se trata de um jogo de CD, a som deveria ser qualidade de CD não é? Bom, aqui a qualidade é de fita K-7.  A terceira não será surpresa pra ningém. Trata-se do que? Adivinharam? Isso mesmo, a famosa granulação não poderia ficar de fora, se não este não seria um jogo de Jaguar CD, não é mesmo?

Você começa com uma grade 3×3, e conforme for concluindo o desafio a grade vai aumentando. Cheguei até a grade 5×5 e fica realmente uma dor de cabeça, pois a dificuldade é absurda, principalmente no clip do Metallica onde há muitas luzes estroboscópicas. Vale mais pela curiosidade e pelos artistas do que pela diversão em si.

White Man Can’t Jump

Apresento-lhes o segundo pior jogo de Jaguar, só perdendo para Supercross 3D: White Man Can’t Jump.

A única coisa em comum com o filme (que no Brasil foi traduzido como “Homens Brancos Não Sabem Enterrar”) é o nome. Tudo aqui é pixelado ao extremo, e a menção honrosa vai para os personagens que estão irreconhecíveis, deformados e grotescamente mal animados.

Tudo no cenário está fora de escala, e durante o jogo a bagunça é geral. Gire a câmera para ver todos os tipos de defeitos que um jogo eletrônico possa ter. Aqui a modalidade de basquete é o dois contra dois em meia quadra, bem estilo gueto. O cenário de fundo é a coisa mais bizarra que já vi. Tem um prédio amarelo que mais parece um pote de mostarda! Só faltou o rótulo. A física não existe, a bola tem vontade própria, e a inteligência artificial na verdade é burrice artificial. Os controles são infernais, de arrancar o couro cabeludo com a unha! Pra não dizerem que eu só malhei, este jogo é um dos poucos compatveis com o multitap do Jaguar.

Wolfenstein 3D

Capricharam muito neste jogo. Isso sim é uma verdadeira homenagem ao pai de Doom.

Quem pensa que este jogo é uma simples conversão do original de PC, está redondamente enganado. Todos os sprites foram retocados, ganhando mais definição e sombreamentos. Agora os pixels não estouram quando você chega perto. O som ganhou uns canais a mais, está mais cheio, encorpado. A velocidade está ótima, o jogo rola suave na tela e os controles não poderiam ter ficado melhores. Os esquemas das fases continuam os mesmos, os segredos estão nos mesmos locais. Prepare-se para chutar o traseiro do Hitler. Este vale a pena!

World Tour Racing

Mais um game de Jaguar CD que sofre com a granulação. À primeira vista pensei que jogaria algo parecido com World Circuit (PC), mas após cinco minutos vi que estava enganado.

Apesar dos vários circuitos, na prática todos parecem iguais, principalmente os cenários de fundo, que aliás são mal feitos e desfocados. Há três tipos de vista, mas só a do cockpit presta. A vista de fora do carro lembra um Virtua Racing (Mega Drive) piorado. Os efeitos sonoros são sofríveis, todos os carros têm o mesmo som e não há músicas, inconcebível num jogo de CD! Os controles respondem bem, mas a colisão entre os carros é muito mal feita. Tem horas em que você passa por dentro do adversário, tem horas em que você bate só de chegar perto. Mas como a biblioteca de jogos do Jaguar CD é nula, talvez este aqui, apesar dos defeitos, possa valer a pena. Por cinco minutos.

Worms

Worms é um bom jogo, mais pelo conjunto da obra do que por suas partes separadas.

Se você for analisar gráficos, sons e jogabilidade, vai ser mais um jogo entre muitos. Porém a originalidade aqui e a diversão são o que realmente contam. Sendo uma mistura de Lemmings com Bomberman, adicionando uma barra de energia comum aos jogos de luta tipo Street Fighter, Worms faz funcionar a sua salada, e muito bem. O objetivo aqui é derrotar os outros esquadrões de minhocas em um cenário gerado aleatoriamente, usando estratégias e deslocamentos. Há muitas armas à disposisão, como bazucas, granadas e escopetas. Com controles simples e intuitivos, bastam cinco minutos e você já saca a mecânica do jogo. Muito bom mesmo.

Zero 5

Zero 5 é ruim de dar dó. Tentaram aqui fazer uma mistura de Star Fox com Missile Command e não deu certo. Os polígonos são feios, as texturas são de gosto duvidoso e a mistureba de cores seria terrível até para uma criança de três anos. Junte isso a um batidão techno e controles ruins e teremos um game que não queremos jogar.

O interessante é que há três modos de jogo absolutamente distintos entre si, e eu me pergunto por que o infeliz não concentrou seus esforços em um único modo em vez de lançar três bem meia-boca. Como sempre, os fãs da Atari e as revistas especializadas falaram maravilhas deste jogo, que não vale nem sua embalagem.

Zool 2

Para quem gosta de jogo estilo plataforma, Zool 2 é um prato cheio. A versão de Jaguar ficou bem semelhante à do Amiga CD 32, tirando, claro, as cinematics, pois o jogo é em cartucho.

Zool é um ninja da dimensão “N”, logo não espere ver algo normal. Tudo aqui é surreal: às vezes dá vontade de rir, tamanha a piração. Porém as fases são muito bem feitas, com dezenas de áreas secretas e itens pra coletar. O jogo roda suave, é rápido com dificuldade na média e controles que não te deixam na mão. O som é espetacular, porém não tem a qualidade do jogo do Amiga. Zool 2 garante boas horas de diversão.

Zoop!

O último jogo da lista tem gráficos simplórios mas é bastante divertido. Você controla um triângulo no meio da tela e deve atirar para evitar que inimigos vindo das quatro direções entre em seu quadrado.

Misturando Tetris com Bust-a-Move, Zoop! requer mais habilidade do que estratégia. Estratégia tem, mas bem pouco. O lance é atirar nos inimigos que tenham preferencialmente a sua cor. Estes morrem com um hit. Os demais precisam de dois hits. E só. As músicas e efeitos combinam muito bem com este estilo de jogo. Os controles são simples e eficientes. Com Zoop! dá pra brincar sem sentir o tempo passar.

Uma breve conclusão

Meus retroaventureiros, chegamos ao fim de nossa cruzada e dissecamos de cabo a rabo todos os jogos lançados oficialmente para o console e seu add-on, o Jaguar CD. Infelizmente o Jaguar não foi um grande sistema e nem teve grandes jogos. Este console só serviu para enterrar de vez a pouca reputação que a Atari um dia já possuiu. Ao mesmo tempo em que gostei de fazer esta cruzada, sinto-me aliviado que ela tenha acabado. Agora vamos deixar o felino da Atari descansar em paz, pois bater em gato morto é covardia. Que toquem a marcha fúnebre.

Obrigado a todos que acompanharam nossa jornada e que me deram força para eu ir até o fim. Um grande abraço a todos!

About Piga "the ancient alien"

Gamer desde criancinha, teve tudo quanto é console e computadores antigos, dos mais populares aos mais obscuros. Pegou a doença do colecionismo, mas hoje está curado (em constante observação). Gosta de relembrar velhas histórias e compartilhar experiências. Sem "ismos", joga do mais antigo ao mais novo.