Jedi Knght – Dark Forces II (Windows 9x)

 

Bom dia, amigos leitores do Gagá Games! Hoje damos um pequeno salto e aportamos no fim dos anos 90, analisando um FPS que passou batido por muitos – ofuscado por grandes títulos como Quake e Unreal, mas nem por isso menos importante. Estamos falando de “Jedi Knight”, da Lucasarts.

Apesar de breves momentos em baixa, a franquia Star Wars nunca deixou a desejar e não passa um ano sem que alguma novidade nos chegue ao alcance. Desde filmes remasterizados até jogos, quadrinhos e todas essas belezas que formam o “universo expandido” (aquele que vai além do que conhecemos nos filmes).

Em 1998 comprei meu primeiro Pentium 100 – já então ultrapassado. A consequência natural foi buscar em bancas pelas famosas revistas com CDs de brinde – afinal baixar 650 mega de demos de jogo era coisa futurista! E foi com uma dessas revistas da época que tive meu primeiro contato com Jedi Knight. Eu já havia jogado Unreal, Quake e os FPS pareciam estar tomando força, mas o título contava com ajuda da força e, consequentemente, tinha um algo a mais… 

Contexto histórico (nos games)

Saudosamente me lembro da época em que os donos de diferentes placas 3D (placas aceleradoras eram realmente coisa de rico) disputavam para provar que uma Voodoo era melhor que uma TNT e por ai vai. No fim dos anos 90 a batalha pela então nova fatia de mercado de hardware de placas 3D era uma coisa quase épica. Antes do mundo passar a conhecer apenas os nomes “Geforce” e “Radeon”, gigantes do panteão 3D atendiam por nomes não menos “irados”, como Savage, Rage, Voodoo e palavras como “extreme” sempre acompanhavam cada nova tecnologia.

Jedi Knight surgiu em tempos que a falecida 3Dfx dominava o mercado com sua tecnologia Glide – concorrente do Direct3D. Porém, de forma curiosa, o título já veio com suporte ao Direct3D e trazia de sua própria maneira gráficos muito interessantes. Não eram os mais avançados para o seu tempo, mas eram caprichados e passavam longe de fazer feio.

Um detalhe interessante, talvez não tanto no contexto de jogos, mas que eu não poderia deixar de comentar, as cenas entre fases em JK foram as primeiras tomadas com sabres de luz a serem feitas desde “O Retorno de Jedi”, em 1983.

O sabre de luz era meio pontudo… mas cortava que era uma beleza!

História / Gameplay

Você é Kyle Katarn, um espião da Aliança Rebelde (não confundir com RBD) que, como todo bom protagonista (herói ou anti-herói), desenvolve sua história na trilha da morte de seus pais. Porém, lembro a vocês que JK é a continuação de Dark Forces, então as coisas podem não ficar muito claras num primeiro momento para quem não tiver contato prévio com o jogo anterior. O que fica claro logo nas primeiras fases é que você está atrás de um lendário “Vale dos Jedi”.
Como é de se esperar, a trilha sonora é de fazer fãs de Star Wars vibrarem logo de cara. Toda a história entre as fases é dada por cut-scenes filmadas e bastante competentes. Mas o que chama a atenção acima de tudo é o level design.

um Jedi por caminhos não ortodoxos…

Em JK encontramos tanto cenários abertos quanto extremamente fechados, e cada qual tem seu ponto forte. A ligação entre salas, montanhas, naves, tudo é de muito bom gosto e mostra que um bom level designs às vezes fala mais alto do que a própria história – contraditoriamente, pesquisando um dia desses, li um post num fórum antigo em que o autor detonava exatamente as fases do jogo. Gosto realmente é algo que varia.

Algo que talvez pareça banal hoje foi bastante legal em JK: de acordo com suas ações no jogo, conforme você perseguia os caminhos Jedi, poderia se tornar um Jedi bom ou um Dark Jedi, modificando o desfecho da história.

Kyle irá se deparar com sub-vilões bastante batidos – temos que ser sinceros – e, na verdade, o desafio mesmo são as fases. Os chefes valem mais a pena pelas cut-scenes, mas acho que todo jogo deve ter seus pontos fortes, o que por si só implica na existência de pontos… não tão fortes assim.

Ao final de cada fase você ganha estrelas de acordo com quão bem você foi e poderá então distribuí-las em diferentes poderes da força – super pulo, super velocidade, arremessar objetos, esse tipo de coisa que te faz desejar ter nascido com midi-chlorians em abundância no sangue :D.

Kyle não está sozinho nessa luta…

Nosso herói conta com a ajuda de Jan Ors, pilota de sua nave e dona de um timing perfeito para te tirar de encrencas… e talvez uma queda por Kyle, porém isso já é interpretação de quem lhes escreve. Jan é uma personagem que não faz nada efetivamente ao longo das fases, porém é sempre interessante ver que um jogo se preocupou com sua história, ainda mais quando falamos de um título da saga Star Wars.

Quem decepciona um pouco – ou talvez bastante – é o antagonista, Jerec, um Dark Jedi que busca encontrar o tal vale com intuito de recriar o Império Galático, aquele mesmo que Luke Skywalker derrotou nas telonas. Jerec é uma espécie de Darth Maul: um vilão com mais maquiagem do que carisma e, num universo onde todos temeram Darth Vader, não há lugares para antagonistas de segunda… em outras palavras, não é bem derrotar Jerec que te motiva a jogar. Você joga para viver um pouco no universo de Star Wars e, por sorte, há outros fatores no jogo que te motivam.

Já imaginou rebater lasers com seu sabre de luz?

Os controles são responsivos e seguem o padrão da época. Na primeira vez que joguei terminei sem usar o mouse para mirar – resquícios de anos jogando Doom – e só aprendi que era possível jogar como um FPS contemporâneo depois de aprender O QUE é um FPS contemporâneo. A coisa chata de falar sobre FPS é exatamente essa: os controles? Bem, são os mesmo de sempre e funcionam que é uma beleza. A não ser que haja uma grande anomalia, a jogabilidade no gênero é uma formula que não tem muito como inovar.

Já que os controles não inovam, vale lembrar algo que, além de inovador, caiu muito bem para o game: JK foi um dos primeiros títulos a adotar sons 3D, o que, quando feito direito, contribui muito para a imersão do jogador. Aqui a coisa foi desenvolvida sem preguiça, fazendo com que valesse a pena jogar sozinho em casa trancado no quarto e com luzes apagadas.

Conclusão

Se você é fã de Star Wars, Jedi Knight vai ser um jogo inesquecível – seja pela alegria de se usar um sabre de luz num FPS, pela trilha sonora extremamente cativante ou mesmo pela experiência de vivenciar um pouco do universo expandido da série. Se você é um fanático por FPS, o que definirá se o jogo vale ou não a pena é o caso de você simpatizar com a ambientação sci-fi, independente de ser Star Wars. Sejamos francos, em FPS ambientação é tudo.

Opa! Conheço esse cara ai…

No meu caso, joguei e re-joguei incontáveis vezes. Uma revista da época elogiou o título pelo fato de você poder dar grandes pulos e fazer coisas que não são convencionais em outros games de tiro, o que é bem verdade.

JK conta ainda com uma continuação oficial, “Mysteries of the Sith” que, embora tenha satisfeito em partes meu desejo por saber um pouco mais da força, decepcionou exatamente no ponto em que JK triunfa: o level design, antes tão cuidadosamente pensado, agora apareceu de forma nitidamente não preocupada e fez com que eu largasse o jogo pela metade.

É isso ai, meus amigos. Boa jogatina, e que a força esteja com vocês!

Vai se arriscar com um AT-AT a essa distância?

About Cássio "Pé na Cova" Raposa

Estudante de "Jogos Digitais", futuro retrogame designer e vegetariano convicto, viveu a gloriosa época dos monitores de fósforo monocromáticos e sobreviveu para contar como era a vida em baixa resolução :)