“Para quem quer fazer exercícios de reflexão”

Olá crianças!

Há um antropólogo e historiador famoso chamado Huizinga que fez notáveis contribuições no estudo do jogo. Inclusive foi ele um dos que abriram caminho para um estudos acerca da seriedade mesma do jogo em nossas vidas. Afirma ele que o jogo não é um elemento da cultura (ou seja, originado pela civilização humana), mas um elemento de cultura (ou seja, o originador mesmo da civilização humana).

Para ele, todo elemento cultural possui em sua raiz algum elemento de jogo como, por exemplo, a linguagem que é sempre “jogo de palavras” tanto quando tratamos de fenômenos mais concretos, como também dos mais abstratos.

Evidentemente, isso não quer dizer que jogos não possuam características das culturas em que se originaram. E também não é incomum perceber que muitos jogos sofreram modificações ou adaptações quando passaram a integrar um outro contexto cultural que não o seu de origem.

E por que isso aconteceria? Por um fenômeno que chamamos na área de letras de “tradução”. Porém, é claro, as tradução de jogos antigos e modernos não se resume a textos, mas a outros elementos estruturais.

Já falamos aqui na Academia Gamer sobre a versão de textos para um outro idioma, mas aqui estou pensando em discutir uma outra questão que, embora relacionada, trata de um aspecto mais geral.

Antes disso, porém, vale lembrar que a verdadeira tradução nada mais é do que a expressão da compreensão de algo que nos foi comunicado em outro idioma. Ou seja, um falante de inglês que domine o japonês pode compreender o que é dito em idioma nipônico e, por sua vez, expressar aquilo que entende em seu idioma natal. a própria palavra “tradução” tem uma raiz que a aproxima de “tradição”: ambas referem-se a um “trazer/levar adiante”. Um tradutor leva a outras pessoas aquilo que compreendeu em outro idioma.

E ao falarmos disso, posicionamos diretamente o problema dos jogos exclusivos do oriente. Para nós brasileiros, poderíamos pensar em jogos exclusivos em inglês, mas a distância para o japonês, coreano, chinês etc. é maior por perpassar o próprio alfabeto e pode ficar mais fácil de entender aquilo que pretendo conversar com vocês.

Porém, como nosso foco aqui não é o idioma, quero que pensem naqueles jogos que muitas vezes qualificamos, por exemplo, de “japoneses demais”. E para isso não faltam exemplos. Para não criarmos uma lista imensa aqui, podemos ficar apenas com as séries Tengai Makyou e Megami Tensei como ilustrações.

Ambos são jogos que, em sua estrutura, temática e estética expressam muito da cultura japonesa. Seja de forma um pouco mais caricata ou de forma mais honesta e respeitosa. Muitas vezes, como é o caso de Megami Tensei, parece até mesmo haver certa repulsa para com aquilo que é ocidental quase que por completo (uma mentalidade japonesa comum principalmente a partir da Era Tokugawa) por sua ameaça ao povo e cultura japoneses.

E é aqui que surge o problema da cultura do jogo que quero refletir essa semana. Quando jogamos um jogo, não deixamos nosso mundo linguístico e cultural completamente para trás. Apenas compreendemos um outro povo a partir de nosso próprio ponto de vista. Podemos até dizer que vemos o mundo de um modo brasileiro (ou português já que a ênfase do sentido é sempre inerente ao nosso idioma). O próprio mundo hoje em dia é, com toda certeza, europeu e ocidental. Não há lugar no planeta que não tenha sofrido influência do pensamento e ciência que surgiram na Grécia antiga.

A falácia seria considerar que, como tais games expressam (direta ou indiretamente) elementos culturais do lugar de onde vieram, é preciso manter certa “pureza” e evitar o contato com “falsas compreensões” ocidentais. Isso aparece na linguagem escrita das mais diversas formas principalmente em traduções não oficiais com a manutenção de partículas como -chan, -kun, sensei etc. Esses sinais de respeito, educação ou troça aparecem no ocidente através de outros recursos (entonação, diminutivos, pronomes de tratamento, uso de títulos oficiais antes do nome etc.). Logo, nosso próprio idioma possui os meios para compreender aquilo que é dito em japonês nesses casos sem perder nunca a “pureza” do japonês.

Uma tradução é sempre uma versão e, por isso, sempre revela um sentido inerente àquilo que foi visto. A tal “falsa compreensão” só faz sentido quando não houve compreensão alguma, quando nada foi pensado em outro idioma. Dizer que “isso não pode ser compreendido em outro idioma” é inibir qualquer possibilidade de compreensão por parte dos falantes de outros idiomas.

No que se refere a outros aspectos culturais e estéticos, o mesmo se aplica. Os sentidos que determinadas coisas possuem podem ser expressos em linguagem e, portanto, podem ser traduzidas conforme a necessidade. Podemos compreender o que é o Japão Feudal se nos dispusermos a compreender esse período histórico, sem dúvida!

O que me parece incorreto é acreditar que os jogos devem falar de sua cultura de origem quase que didaticamente. Como se um “game brasileiro” devesse possuir determinadas características para ser de fato de “nossa terra”. Analogamente, muita gente diz que determinado game é japonês por uma série de definições que parecem ter sido colocadas ali de propósito pelos nossos irmãos orientais que pensaram: “precisamos colocar aqui algo de nossa cultura!”.

Embora alguns provavelmente tenham feito isso, é importante retomar o que falei antes: nós vemos o mundo, o compreendemos e expressamos nossa compreensão dele a partir do mundo linguístico em que nascemos e fomos criados. Mesmo que sejamos poliglotas, sempre seremos estrangeiros em outros mundos linguísticos. Apenas compreendemos o “mundo japonês” através do nosso “mundo português”.

E por vermos o mundo desse modo e lhe atribuirmos sentido assim, muitas vezes o óbvio de nossa cultura nos escapa. E isso influi, sem dúvida, em qualquer uma de nossas produções. Tanto que artistas japoneses que tiveram um contato mais aprofundado com certos elementos da cultura ocidental acabam “saindo pela tangente” do tradicional japonês, mesmo que vejam o mundo originalmente daquela maneira. Na literatura temos Shusaku Endo e Ayako Miura e na música temos Yasunori Mitsuda e suas influências que remontam muito mais a composições celtas e indianas do que japonesas.

Jogos japoneses sempre falam da cultura japonesa porque foram criados por japoneses. Podemos até dizer que tais games surgiram dentro do “jogo cultural” em que habitam. Parece óbvio? Mas essa reflexão pode ajudar a pensar melhor sobre uma certa “brasilidade” dos games. Nós queremos mostrar o Brasil para outros jogadores do orbe terrestre, ou simplesmente o modo com que vemos o mundo aparecerá de um modo ou e outro independentemente do tema ou ambientação que queiramos utilizar?

Isso mostraria muito mais o sentido de ser brasileiro a outros povos do que cismar em pisar na mesma tecla de carnaval, caipirinha, Copacabana e futebol como aconteceu até mesmo no encerramento das últimas olimpíadas. Isso daí nada mais seria que um game para inglês ver.

É isso por hoje! Até o próximo post!

Academia Gamer: Cultura do jogo
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11 ideias sobre “Academia Gamer: Cultura do jogo

  • 11/09/2012 em 7:24 pm
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    sobre mostrar o Brasil nos games a outros países nos jogos. temos o tal Max Payne 3. que meio que faz parte da “nossa cultura” ver a bandidagem em morros.(de maneira errada, mas…) e muitos fãs de Assassins Creed ficaram estarrecidos com a possibilidade da continuação se dar pelas nossas terras tupiniquim. e tens uns game que..não lembro bem, parecia que o herói é um menino criado um monstro com a ajuda de uma fada numa favela carioca.

    descobri que os personagens Monstro e fada era uma analogia ao pai e mãe do produtor…a besta sendo bruto e a fadinha calma e compreensiva. é um game indie, mas esqueci o nome

    e Tengai Makyo ou Kabuki Klash, dizem que é um rpg bem bacana, baseado nas culturas nipônicas. vou experimenta-lo um dia e como sabes Mestre, sou muito fã de Shin Megami Tensei e tenho uma certa noção do que se passa por lá devido aos jogos. cultura, machismo, a busca pela perfeição, as datas comemorativas e entre outros assuntos.

    mas ainda num aprendi japonês… -__-

    Hee-Hoo Mestre Senil

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  • 11/09/2012 em 10:57 pm
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    Olá Senil!
    Estou passando só para reforçar a idéia da fonte cultural dos games nipônicos e para falar um pouco do reflexo disso na série Megami Tensei.

    Como também sou um fã da franquia Megami Tensei posso falar um pouco dela, que como você disse trata quase que obrigatoriamente dos elementos culturais japoneses, talvez porque ela tenha sido inspirado em uma obra literária que tratava justamente da reencarnação dos dois deuses principais da religião xintoista. Mas acho que mesmo que a equipe criadora vá beber de fontes estrangeiras para criar os novos títulos, os jogos vão acabar se voltando para alguma época e estado cultural do Japão, porque a série se caracterizou por isso.
    Posso até citar um exemplo, que no caso são os demônios invocados em quase todos os jogos da série, que são todos deuses, monstros, ou outras criaturas de diversas religiões, crenças e mitos do resto do mundo.
    Sem contar do envolvimento das crenças cristãs (principalmente no primeiro e segundo SMT), como a aparição de Lúcifer, anjos como Gabriel e tudo mais.
    Mas como o caráter do jogo é unir tudo isso e colocá-lo em um ambiente que os criadores não só entendam como também vivam, acaba saindo ótimos jogos todo (ou quase)abientado em um cenário típico japones, seja ele moderno, pós apocaliptico, pós segunda guerra e etc…

    Gostei muito da matéria, obrigado Senil.

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  • 12/09/2012 em 7:51 pm
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    Estive pensando um pouco nisso… Mas alguns jogos não demandam que se conheçam as raízes culturais das pessoas e do ambiente que o criaram. Para os games de ação, por exemplo, não é necessário nem faz a mínima diferença se você não conhece o Japão, ou paleontologia, ou trabalhe com hidráulica ou fale italiano. Talvez quando o personagem principal é mascote de alguma marca alheia ao mundo dos games (Spot, Chester Cheetah, não me vêm muitos à mente agora) ou personagem de outras mídias. Para este caso, este é um tipo de cultura, se não imprescindível para uma boa jogatina, ao menos serve para uma experiência mais completa (tantos games da série star wars existem que já contam mais histórias que a franquia original… mas assistir aos filmes antes de jogá-los dá mais sabor).

    Mas eu não jogo tantos games japoneses exclusivos como eu gostaria, também estou tentando aprender japonês, mas estou só no começo da jornada. Não acho muito comuns games que retratem o seu país de criação sem apresentar vários estereótipos, tantos quanto teria se fosse criado em local diametralmente oposto. Os games de mariners criados nos USA tem muitos clichês, os mangás e animês “slice of life” acabam sendo caricatos, games tipo Shenmue e Yakuza são ótimos no quesito ambientação. Quando os games dependem muito de conhecimento prévio de outros temas (tipo o Megami Tensei, que eu nunca joguei, mas o Fernando Seta explicou acima como esse tipo de coisa se aplica nesta série tão bem que até eu entendi) acaba restringindo o público alvo. Não que não seja de qualidade, longe disso, mas acaba se tornando de nicho. Se essa é a intenção dos autores, ótimo.

    Mesmo games que deveriam ser 100% originais acabam fazendo referência à outras obras, e não necessariamente ao local onde foram criados. Pegue um rpg de temática medieval, um criado no ocidente e outro no oriente. Ambos terão estereótipos fortíssimos. Skyrim, cria um mundo épico, mas francamente, é original?

    Não estou sendo coeso. Mas o que penso é que toda cultura adicional que se possa levar de bagagem para apreciar uma história é muito bem vinda. Agora, se o jogo não envolver história nenhuma, não faz diferença.

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  • 13/09/2012 em 9:27 am
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    Belo tema Senil.Forçar a cultura em determinado jogo eu acho ridículo.Logicamente que não tem problema em apresentar características culturas do seu país “raiz”.Até porque,como você mesmo escreveu, a forma como alguém vê o mundo está de certa forma inerente na sua língua por assim dizer.Mas enfim,acredito que os jogos devem ser criados para serem vistos como uma forma de desafio e diversão,sendo que seja feita com a participação interativa de quem o joga.e NÂO para serem admirados por conter a cultura do país e ser apresentada como troféu para o resto do mundo.Cada um pensa de um jeito diferente e cada pessoa tem os seus valores.Portanto, alguém que tenta esfregar que a sua cultura é superior a outra ou que é a melhor.Não passa de um ser inferior com visões limitadas.

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  • 14/09/2012 em 4:44 pm
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    A criação de jogos aqui no Brasil é praticamente nula, pelo menos na minha ignorância eu vejo desse jeito mas se no caso houvesse um investimento no futuro e a indústria crescesse por aqui o que você está dizendo é que os jogos criados aqui não precisam necessariamente estarem relacionados a coisas regionais daqui(como índio, cangaceiro, guerrilheiro farroupilha e etc), é por aí?

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  • 14/09/2012 em 4:52 pm
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    fala mestre senil e a todos retromâniacos!!!!a cultura japonesa meio que cresci vendo ela na tv aberta de antigamente,,,quem nunca tentou escrever algum caractere japonês ou contar de 1 até 10 no idioma nipônico???a verdade é que a cultura japonesa influência muito nossas vidas,,,vi muito o desenho yamato, jaspion, as pernas da anri, animes, tokusatsu e artes marcias dos filmes de ninjas de antigamente,,,e sem dúvida que predomina mesmo nos videogames da vida…os japoneses foram os maiores influenciadores nos jogos rpgs e clássicos da vida…então muitas pessoas cresceram vendo o desenvolvimentos de gerações de video games e animes,,,muitos viram cavaleiros do zodiaco e até hoje muitas pessoas assistem ainda..realmente quando se fala em abertura de copa ou olimpiada os extrangeiros dão o maior show,,,aqui na minha opinião já tou vendo a merd…Luan santanna, calipso e outras porcarias,,,,dificil,,,mas odeio essa falta de cultura que existe no brasil,,,sempre pessoas obcecadas pela rede glob…e não vêem que aonde teria que ter investimento mesmo seria mesmo na educação e segurança,,,infelizmente eles preferem construir estádios de futebol,,,,fazer o que né????o problema é que a roubalheira política continua,,,,brasil perdendo ou ganhando quem ganhará mesmo são os governantes e empresários e os brasileiros ainda dependerão da ¨boa vontade¨política em investir nas áreas problemáticas do brasil…a questão e a diferença está ai…lá fora os japoneses investem na educação, segurança e saúde,,,e ao mesmo tempo conseguem fazer uma copa do mundo e ter tecnologia de ponta…aqui vai ser isso: Brasil faz a copa, perde a copa(não acredito que vai ganhar nessa copa) e ainda vai fazer as olimpiadas para o pessoal de fora levas todas as medalhas,,,nossa cultura está acostumada a isso,,,,em tempo de copa é a alegria,,,,acabou a copa,,,,é igual a uma segunda-feira,,,tristeza total,,,tudo de novo,,,hospital lotado, falta de segurança e greves,,,,para mim é essa a diferença de cultura,,,desculpe se ofendi a alguém,,,mas ultimamente ando muito revoltado com essa roubalheira e com essa lei que protege o menor de idade que mata e é tratado como criança,,,,,engraçado que aqui perto onde eu moro,,,parece piada,,,mas é verdade: um adolescente assaltou a padaria,,,matou o dono da padaria e foi para casa jogar playstation,,,verdade mesmo,,,,muito triste isso,,,,,,para finalizar, nossa cultura é pobre em todos os sentidos e ficaremos sempre adimirando a cultura japonesa e outras por ai,,,,é melhor mesmo ficar em casa vendo um dvd do jaspion ou jogar video game,,,porque a rua está o maior perigo e acho que o iraque é aqui no Brasil!!!!!valeu

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  • 14/09/2012 em 5:21 pm
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    Uma série jogos interessante de se analisar nesse sentido é MOTHER (EarthBound).

    São jogos japoneses, mas com elementos cosméticos quase completamente baseados em culturas estrangeiras. Há referências a coisas como Os Goonies, Blue Brothers, Beatles, Stephen King, Agota Kristof, Ciclo Arturiano, H.P.Lovecraft e por aí vai.

    Entretanto, há também uma presença temática muito forte do budismo japonês (com influências Daoístas).

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  • 18/09/2012 em 5:52 pm
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    E aqui estou eu atrasado em responder… Muita correria resolvendo alguns problemas essa semana; mas tudo resolvido e amanhã volto à normalidade! Vamos lá aos comentários.

    leandro(leon belmont) alves,

    Tenho bastante interesse por Tengai Makyou (inclusive tenho esse do Saturn que coloquei a capa aqui em casa), principalmente o de SNES que tem um sistema de passagem do tempo bem interessante (usa um relógio interno ou algo parecido). Não sei se os outros games da série são assim.

    Só que isso tudo ainda não é suficiente para me empolgar a tentar aprender japonês. hehehe Já tem tanta coisa por aí em idiomas que entendo, acho que vou ficar com eles mesmo por enquanto. hehehehe

    Fernando Seta,

    Disponha cara! Eu gosto de Megami Tensei também, mas minha abordagem da série é mais próxima da “viagem” que parece ser a obra que a originou: algo mais “trash” e satírico do que sério. Tipo um filme que é B por opção (sei lá, Toxic Avenger me vem à mente hehehe).

    O elemento cultural japonês aparece muito claramente na série e não só nos deuses e demônios invocáveis das mais diversas religiões. Durante o Shin Megami Tensei de SNES, por exemplo, fica claro que o caminho do meio é o “certo”. E essa é uma posição bem japonesa com relação a essas coisas (o budismo japonês tem certa ênfase nisso principalmente pela influência xintoísta).

    Unknownuser2,

    Sem dúvida. Acho uma pena quando as pessoas jogam algo apenas pela cultura de origem, ou porque é novidade e não têm pretensão nenhuma de jogá-lo de novo como falou.

    Sobre a imagem: não sei se esse jogo eu repetiria não! huahuahauhauhauahuha Com a própria vida (ou integridade) em jogo, é melhor ser mais cauteloso! hehehehe

    strider16,

    Concordo com você: elementos culturais aprofundados não importam muito em jogos que não possuem (e nem pretendem ter) história. Mas mesmo games mais simples possuem algo da cultura em que se originou. O xadrez chinês, por exemplo, é diferente do xadrez ocidental que é mais conhecido e jogado.

    Depende muito do nosso interesse com relação ao jogo e à cultura em que ele se originou. Se muitas vezes os game designers buscam colocar esses elementos explicitamente, outros colocam “sem querer” porque não conseguem fazer um game fora de seu próprio lugar de origem.

    E, como falou, essa empreitada pode acabar tornando um jogo de nicho. E, muitas vezes, isso significa ser difícil de traduzi-lo para outro idioma ou cultura. Tanto que acho que o próprio Shin Megami Tensei não foi traduzido oficialmente porque requeriria uma adaptação quase que completa que não valeria o custo envolvido.

    Magnitude,

    Forçar a cultura é complicado mesmo e acaba sendo um empecilho para um aproveitamento melhor do game por outras pessoas. Claro que algumas poderão entender o jogo melhor que outras, mas porque definir previamente um espectro que ele abordará?

    Sou mais a favor do diálogo nesse sentido. Uma boa conversa é sempre bem vinda.

    Juliano,

    Exatamente isso. Até já falamos disso em outro momento inclusive. Um game brasileiro não precisa ter índios, se passar em Varginha ou ter palavrões o tempo todo. Podemos fazer um game de fantasia medieval com caraterísticas de uma cultura que chamaríamos e brasileira mesmo sem nos esforçarmos para isso.

    E, claro, temos o problema interno de não termos uma cultura típica. O povo do Rio Grande do Sul tem tradições bem diferentes do povo do Pará, por exemplo.

    helisonbsb,

    Mas só “as pernas da Anri”? Tem um episódio em que ela aparece nua mesmo (fazendo uma massagem ou algo assim). hehehehe

    E tudo isso é bem complicado mesmo… Como pensar em algum aspecto cultural positivo de nossa cultura (e como isso apareceria implicitamente em games) se só experimentamos coisas negativas com apenas alguns lapsos de bons divertimentos? Daí acabam tentando forçar aspectos culturais que não são brasileiros, mas propagandeados como tais. O encerramento das olimpíadas, como falei no post, foi o exemplo mais recente disso daí: vendemos futebol, Rio e bossa nova há mais de quarenta anos.

    Ed,

    Esse é um game que tenho muita curiosidade. Principalmente porque parece mostrar o ocidente (que é o mundo em geral hoje em dia) sob o olhar japonês. Muitas discrepâncias interessantes devem aparecer desse conflito com a qual o povo do Japão tem se ocupado desde há muitos séculos.

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  • 19/09/2012 em 11:49 am
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    total nonsense mas estou ouvindo no momento um Demônios da Garoa e que baita som, acho que podia ter um jogo regional chamado Demônios da Garoa Hero ou Demônios da Garoa Samba Band, ahahahahahah, olha que jogão que seria

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