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“Para quem quer fazer exercícios de reflexão”

Olá crianças!

Comecei este post querendo fazer um review sobre um jogo de Atari 2600 do qual gosto muito. Resenhas são comuns aqui no Gagá Games como devem saber. Porém, acabou virando uma reflexão mais profunda e, embora o foco seja um jogo só mesmo, fiquei curioso em discutir isso com vocês. Então, acabou se tornando num post do “Academia Gamer”; espero que não se incomodem com isso.

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Acima, uma imagem que poucos aqui viram ao vivo. Eu, pelo menos, não tinha esse cartucho. Meu River Raid vinha junto com outros três jogos. Devem saber do que estou falando, não? 😛

O que vou começar dizendo é praticamente válido para qualquer jogo de Atari 2600. Mas seria prepotência minha querer afirmar tal coisa já que não só não joguei tudo que já foi lançado para Atari como levaria muito tempo para ilustrar tudo o que pensei. Podem até achar que é viagem demais e que talvez nem seja muito relevante pensar a respeito disso. Contudo, ao falarmos de alguma coisa que é essencial a um jogo, às vezes ela toca na essência do jogo em geral, de todo jogo. E acredito que seja um pouco desse caso. Tanto que acho até que isso poderia se aplicar a todo jogo (seja eletrônico ou não).

Já ouviram falar daquela angustiante história sobre um rei famoso por suas ardilosas enganações, e que foi capaz de enganar humanos e deuses? Assim era Sísifo que não só seduziu sua sobrinha como tomou o trono de seu irmão e revelou segredos do grande Zeus. Até mesmo a implacável Morte (Thanatos) foi iludida e lhe ensinou como sair de seus grilhões do Tártaro, tendo sido ela mesma presa por um simples não-mais-mortal. Somente Ares conseguiu resolver isso e apenas porque estava se divertindo pouco: suas guerras sem mortos não tinham a menor graça. Enviado novamente ao recantos mais tortuosos de Hades, disse a Perséfone ter combinado uma prova de amor com sua esposa: ela deveria lançar o corpo nu dele em praça pública em vez de enterrá-lo. Ela assim o fez, e então Sísifo argumentou com a deusa que uma mulher que realmente amasse seu marido jamais poderia deixar de enterrá-lo, mesmo que ele houvesse pedido.

Com isso, ela permitiu que voltasse à terra vivente para atormentar sua esposa por algum tempo. Só que ele se recusou a voltar para o mundo inferior como combinado; o que inflamou mais uma vez os deuses e somente pelo braço de Hermes retornou pelo mesmo caminho de onde veio. Então, de modo semelhante a outro humano enganador que teve seu fígado comido todo dia e regenerado toda noite, recebeu uma punição: deveria subir um grande rochedo por uma encosta e, quando finalmente estivesse quase chegando lá para concluir sua tarefa, a rocha descia e ele tinah que recomeçar o esforço todo novamente. E isso se perpetuou por toda a eternidade.

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Acima, uma representação bem interessante de Sísifo empurrando sua pedra ladeira acima. Mais difícil que um Uno Mille voltando da viagem de férias com a família toda. 🙂

Esse mito é cheio de vida, apesar de ser muito conciso. Sua importância é notada não só por quem se dá ao trabalho de ler as passagens originais nas quais ele é registrado como também por literatos como Albert Camus, um famoso filósofo e escritor do século XX. Em sua obra dedicada a este mito (chamada justamente de “O mito de Sísifo”), levanta uma problemática interessante: o absurdo (ou falta de sentido) da vida. A vida, sendo absurda pode levar alguém que perceba isso ao suicídio; mas ele afirma que o mais improtante é aceitar o absurdo da vida e ousar viver; e essa é uma tarefa que deve ser sempre e sempre repetida. Em um trecho muito conhecido ele afirma algo mais ou menos assim: “O embate é suficiente para preencher o coração do homem. É preciso imaginar Sísifo feliz”.

Agora, muito provavelmente, devem estar dizendo: “blog errado Senil! Isso devia estar em algum blog existencialista, de mitos gregos ou, quem sabe, de literatura mesmo!” Não nego que, quem pensa assim, esteja certamente correto. Aprendi com meus estudos que não é adequado ficar procurando coisas em obras de arte e jogos  que não estão lá de fato. Não adianta dizer que “com essa pintura ele revela toda a situação da trans-espiritualidade genocida dos nazistas pan-germânicos sionistas do Norte” se o pintor não pintou isso. Esse tipo de coisa é “jogada” para a obra por algum observador que prefere tecer opiniões e reflexões vazias do que se deixar envolver pela obra e ver o que ela tem a dizer de si mesma. Contudo, ao pensar em Sísifo (e na posição de Camus com relação ao mito), a única coisa que quero é clarear um pouco mais um movimento que é inerente a todo jogo e que, em jogos de Atari 2600, é um tanto mais evidente: a repetição.

Espero que o vídeo acima tenha ajudado vocês a pensarem em porque escolhi River Raid como exemplo. Quando perdemos todas as nossas vidas nele, é provável que fiquemos irritados ou cansados (ou qualquer mistura de ambos), larguemos o controle, desliguemos o console e partamos para algum outro afazer: “não quero mais saber dessa porcaria!” Claro, pelo menos por uns trinta minutos. E lá vamos nós descendo a montanha para empurrar a pedra uma vez mais. E, ao vermos o final do jogo, quando finalmente alcançamos o máximo de pontos que podemos obter nele, o jogo termina. Nosso avião é destruído, todas as nossas chances de avançar se mostram infrutíferas; a pedra desceu de volta para o início. Vamos buscá-la de novo?

Um comentário nesse mesmo vídeo que passei é interessantíssimo: “É um dos finais mais dramáticos e grandiosos que eu já vi. O intrépido piloto e sua determinada tripulação morrem após um combate acirrado, onde estiveram sempre em desvantagem numérica. A grande epopeia termina com o sacrifício do piloto e sua tripulação! Estou com lágrimas nos olhos!”. E, com ele, percebemos duas coisas. A primeira é que é evidentemente cômico (pois não é isso que o jogo nos diz, mas algo que dizemos a respeito dele) e a segunda é que não importa como o final do jogo é; se é uma interrupção por quebrarmos a barreira da pontuação, ou alguma cena dramática que mostra o protagonista indo embora anonimamente em busca de nossas aventuras. Ou ainda se, mesmo antes do encerramento, perdemos todas as nossas vidas ou somos derrotados por nosso melhor amigo em um jogo de luta. É preciso ousar; é preciso repetir. Uma palavra dinamarquesa, usada para “repetição” é bem útil aqui: Gjentagelse. Isto é, re-apropriação. E este é o movimento circular de todo jogo: o game over (seja sob a forma do que se chama hoje de game endindg ou uma mera linha na tela com letras garrafais estampando “game over”) sempre nos lança novamente para o início do mesmo jogo.

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Acima, o começo do jogo para o segundo player. Eu joguei muito mais com essa nave do que com a amarela.

É certo que a indústria e os game designers de modo geral não incentivam esse tipo de repetição. Afinal, eles não cobram por vezes que jogamos um mesmo jogo. Pensando nas tendências atuais, eles podem nos cobrar por add-ons como os famosos DLCs ou por sequências do jogo em uma espécie de franquia. O que quero dizer é que não é preciso ficar pulando de um morro para o outro após a pedra escorregar de volta para a base da colina. Essa “busca por felicidade e prazer” é vã e se aproxima muito do suicídio tal como fala Camus: é rejeitar o absurdo inerente à vida do jogo.

“É preciso imaginar Sísifo feliz…”. É preciso imaginar a nós mesmos descendo a colina de um mesmo jogo que adoramos, sorrindo. Aquele sorriso melancólico, mas não triste, angustioso, mas não ansioso, que nos leva novamente à mesma tarefa. A uma mesma tarefa que já não será mais a mesma. É preciso ousar repetir esse embate. E isso é algo que só um homem, só um indivíduo pode fazer. Não é algo que a indústria de games, a indústria das artes plásticas, ou a indústria da música pode fazer por você.

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Acima, à esquerda, encerramento de Ghouls’n’Ghosts. À direita, o fatídico encerramento de Shinobi.

E quanto a vocês? Qual é seu River Raid? Ou jamais repetiram a mesma descida e subida? O absurdo angustia e é nauseante; mas é preciso ser rebelde contra isso e manter vivo o jogo (e a nós mesmos como jogadores), aceitando um “game over” como um “start game”. Não de outro mundo-jogo, mas deste mesmo que até momentos anteriores nos abraçava com profunda consideração e que só exigia de nós só uma coisa: seriedade em nossa dedicação.

É isso por hoje. Até o próximo post!

PS: Para que possam rir um pouco após um post como esse, um amigo meu me disse que “esse final de Shinobi é interessante porque como o jogo é bem difícil, serve para que qualquer um possa ver o final do jogo, mesmo sem derrotar o último chefe”. E, instantes depois, me mandou a seguinte e impagável figura, feita por ele mesmo:

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Academia Gamer: River Raid e… Sísifo?!
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23 thoughts on “Academia Gamer: River Raid e… Sísifo?!

  • 26/10/2010 at 6:38 am
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    Rapaz, gostei desse negócio, que barato… não só a história do Sísifo é muito interessante como a associação é extremamente válida. Deu para entender bem o que você quis dizer, a gente “liga os pontos” rapidinho assim que vê o vídeo do River Raid.

    Essa de “é preciso imaginar Sísifo feliz” foi ótima. Quem curtia Battletoads certamente vai se identificar 🙂

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  • 26/10/2010 at 9:41 am
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    A respeito do que vc falou de “Então, de modo semelhante a outro humano enganador que teve seu fígado comido todo dia e regenerado toda noite, recebeu uma punição” se for de Prometeu. Ele era um titâ e não era enganador, roubou o fogo dos deuses que não queriam compartilha-lo. é diferente do safado do sísifo – hahhahahhahhaha Muito bom esse review.

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  • 26/10/2010 at 10:37 am
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    Orakio Rob, “O Gagá” :
    Rapaz, gostei desse negócio, que barato… não só a história do Sísifo é muito interessante como a associação é extremamente válida. Deu para entender bem o que você quis dizer, a gente “liga os pontos” rapidinho assim que vê o vídeo do River Raid.
    Essa de “é preciso imaginar Sísifo feliz” foi ótima. Quem curtia Battletoads certamente vai se identificar

    Eu sou um deles!!!

    Sensacional esse post!

    E o que você relatou é bem verdade mesmo: o gamer, especialmente quando os jogos eram mais simples (até a era 16-bits), vive alguns momentos de Sísifo quando se depara com um determinado jogo.

    Eu tenho vários “River Raids”: a série Advanced Wars (já tenho mais de 200 horas de jogo no Days of Ruin, do DS), FF VI, Top Gun, Axelay, etc…

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  • 26/10/2010 at 11:14 am
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    Bela forma de encarar o replay factor. De fato, já escalei a montanha “Final Fantasy VII” mais de 20 vezes, e sempre aguardo ansioso pela próxima subida.

    Creio que o que nos leva a escalar a montanha novamente sejam as sensações (principalmente de felicidade) que nos levaram a encará-la a primeira vez. “É preciso imaginar Sísifo feliz” – se não houver felicidade, provavelmente iremos abandonar a montanha antes mesmo de chegar ao topo.

    Agora, em relação a lógica do “sobe montanha – pedra desce – sobe novamente – pedra desce” era muito presente nos jogos antigos principalmente pelas limitações tecnológicas. Hoje já existem jogos que, ao menos em parte, contradizem essa lógica, como os MMORPGs, jogos que “nunca terminam”.

    Já notaram que, geralmente, um jogador de MMORPG começa, fica forte, vicia, mas depois enjôa e pára? Eu acho que isso se deve ao fator “RECOMPENSA”. Chegar ao fim da montanha é a “recompensa” pelo árduo esforço. No MMORPG, não há reinício, mas também não há a glória do topo da montanha.

    Sem o topo da montanha, não há recompensa. Mas, havendo um topo, haverá sempre uma necessidade de reinício, com a pedra retornando para a base. Qual é melhor?

    Quanto a mim… mais do que a sensação da escalada, eu gostaria de comentar a minha sensação de chegar ao topo. Sempre que estou jogando um jogo excelente (ou mesmo lendo um livro), quando eu vejo que o topo se “aproxima”, eu fico com medo de chegar até lá, até o fim, pois sei que aquela escalada irá acabar. Eu propositalmente passo a subir a pedra mais devagar (atualmente está ocorrendo com Arc Rise Fantasia, já bati 70 horas de jogo). Quando finalmente chego ao topo, sinto um “vazio”….. uma tristeza… pois sei que aquilo acabou. Por isso, não é raro que eu reinicie um jogo imediatamente após terminá-lo. Isso aconteceu com Xenogears e Ocarina of Time, por exemplo.

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  • 26/10/2010 at 11:41 am
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    Senil, apesar de não ter tido a oportunidade de opinar nos outros posts, seus texto são espetaculares. Você interrelaciona temas que aparentemente não tem nada haver. Eu como engenheiro por formação, nunca terei a perícia de fazer tais relacionametos, onde somente aprendi que tudo é quantificado e provado. Muito bom ter um amigo que escreva poruma ótica totalmente oposta a minha. Falow!

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  • 26/10/2010 at 11:48 am
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    Há diversão na repetição. Na verdade, nos excitamos pelo mistério, pela descoberta, mas nos divertimos com o já conhecemos.

    Quanto mais eu ouço uma sinfonia, mais aprendo sobre ela, e mais me divirto. Sinto muito mais satisfação em ouvir a nona sinfonia de Beethoven nos dias de hoje do que quando a ouvi pela primeira vez.

    Games curtos precisam ser difíceis para justificar seu tamanho. Mas jogamos esses games não pela dificuldade, mas sim pela familiaridade.

    Se existe uma possibilidade de Sísifo estar feliz, devia ser pela rotina.

    (Claro que este meu comentário nem arranha o que o texto expõe)

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  • 26/10/2010 at 12:21 pm
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    Hideto :

    Já notaram que, geralmente, um jogador de MMORPG começa, fica forte, vicia, mas depois enjôa e pára?

    Engraçado você mencionar isso, porque sempre que eu jogo RPG fico mais empolgado até o meio da aventura. Depois o personagem já fica meio que “estabelecido” e perde um pouco a graça para mim. Talvez as pessoas curtam essa coisa de transformar um zé ninguém em um herói forte, poderoso, mas aí enche o saco, porque o herói meio que já se formou e a gente quer formar outros.

    … e isso daria outro post do Academia Gamer 🙂

    E o lance de diminuir o pique perto do fim do jogo, aconteceu isso comigo no Ocarina of Time. Eu não queria que o jogo terminasse, então comecei a fazer corpo mole para terminar, he he!

    piga :
    Você interrelaciona temas que aparentemente não tem nada haver.

    É um talento que o Senil tem mesmo, ele tá de parabéns! Curti muito o post.

    Fernando Lorenzon :
    Games curtos precisam ser difíceis para justificar seu tamanho. Mas jogamos esses games não pela dificuldade, mas sim pela familiaridade.

    Eu reparei muito isso nos jogos do Sonic. Eles ficam mais divertidos depois que você já conhece todas as fases, é engraçado.

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  • 26/10/2010 at 1:34 pm
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    O nome da minha montanha é Doom ! A época que mais escalai ela foi na época que tive um 486 DX 2 66mhz com 4mb de ram que só rodava isso !
    Tem noção ? Gamer com máquina fraca que só roda Doom ou paciência ?
    Era Doom de tudo quanto era jeito : No fácil, difícil, por tempo, no soco, só correndo e desviando…

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  • 27/10/2010 at 9:34 am
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    Atualmente estou nessa brincadeira com Twilight Princess, e rola algo engraçado, como agora eu já sei a história toda, não fico com pressa de ir para o próximo lugar correndo, então aproveito mais o jogo, principalmente os templos onde agora faço questão de achar todos os baús.

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  • 27/10/2010 at 6:25 pm
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    @Orakio Rob, “O Gagá”
    hehehe Que bom que ficou claro! Eu fiquei preocupado em deixar tudo bem explciado, mas sem ficar “acadêmico” demais, a despeito do título da coluna. hehe Afinal, a proposta é propor reflexão e não fazer todo mundo ler um texto essencialmente ilegível. hehe

    Eu joguei Battletoads do Mega Drive e, como 99,99% dos jogadores, não passava daquela fase das motos voadoras. hehe Tentava chegar pelo menos até o warp, mas nunca o alcancei, infelizmente. hehehe

    @Edwazah
    E não é verdade? hehehe É legal quando a gente nota essas coisas que, de tão óbvias, passam despercebidas pela gente na mairoia das vezes.

    @Marcelo Paschoalin
    Valeu pela força Marcelo! Eu tenho várias montanhas também que adoro revisitar (mesmo sendo trabalhosas, claro). Tanto que acho que quero mais é jogar jogos que já experimentei diversas vezes do que ficar procurando coisas “novas”. Com “novo”, quero dizer outros jogos. Afinal, um game para Atari que nunca joguei seria novo para mim, embora não para o mercado. hehe

    @Guilherme
    Valeu pelo adendo! Eu falei mais dele como humano porque várias interpretações dos vários mitos que envolvem Prometeu o tratam como um personagem-símbolo da humanidade em geral. Conheço pouco dessa parte da Mitologia Grega, para dizer a verdade. Me interesso muito mais pela parte pré-Olimpiana, que tem deuses mais divertidos. hehehe

    @MrXcao
    Yep. E devia ser assim. Claro que temos um objetivo, uma meta, um “destino” em qualquer jogo (seja vencer uma partida de vôlei ou dar um xeque-mate, ou derrotar Lavos hehe); mas o que mais importa é o caminho que nos envolve até chegarmos lá. Mesmo o final decepcionante de Shinobi não impediu que muitas pessoas pegassem o mesmo jogo de novo e penassem novamente para terminá-lo.

    @Hideto
    O problema dos MMORPGs, pelo menos pensando assim por alto, é que ele “não tem fim”. Ou seja, você empurra, empurra a pedra mas nunca vê o topo. Uma hora isso enjoa. Exceto, claro, se o jogador estabelece uma meta e, depois de cumpri-la, sente-se satisfeito e “dá a si mesmo” um “game over”. Por exemplo, “quero conseguir a Psycho Wand em Phantasy Star Online” e fica lá, meses, jogando só para conseguir isso. Quando consegue, é como se a pedra rolasse novamente para baixo.

    Evidentemente, não é isso que acontece. hehe Empresas lançam expansões para esses jogos online direto. Com a possibildiade de subir mais níveis, novas armas, novas skills e magias somente para que o jogador deixe sua colina e vá para outra. É um pouco da banalização da diversão e do jogo que vemos em todos os tipos de entretenimento hoje (passando por videogames, mas também livros, músicas etc.); é o descartável e falta de revisitação do mesmo.

    E esse sentimento que tem é muito comum. hehehe Mas essa melancolia que sente acontece com todo jogo justamente por essa sensação de que “acabou”. Um autor holandês lá do começo do século passado (Buytendijk) fala justamente isso que ao terminarmos qualquer jogo é assim que nos sentimos. E é isso (e somente isso) que permite que desejemos jogar de novo o mesmo jogo e que o tornemos em tradição. Ou seja, é essa melancolia que abre as portas para que o jogo seja jogo de verdade (pois jogo é repetição – não há jogo sem repetição) e também é o que permite que o guardemos na memória e passemos nossa experiência a outras gerações.

    Faz tempo que não recomeço um jogo logo depois de terminá-lo (ou um livro, como falou). Mas é muito comum que eu me organize para uma próxima jogatina/leitura para breve depois de algumas outras coisas.

    @piga
    O que é isso cara! É bom que pense assim e fico lisonjeado com seus elogios. Eu mesmo mal comento em tudo que leio por aí por falta de tempo. Mas seria legal falar que boa parte dos “caras” que me ajudaram a moldar meu modo de investigação em ciências humanas eram matemáticos. hehehe Husserl e Pascal são só alguns dos exemplos. O primeiro em especial queria ressaltar um modo mais original de se perceber as coisas, nosso elo mais primário com o mundo e as coisas nele. Só queria pôr às claras o que é evidente e que, justamente por ser evidente, passa despercebido pelas pessoas (sejam elas cientistas ou não). Por isso…

    É bom saber que posso ajudar, mas os posts servem mais para que cada um de vocês abra os olhos e não que eu dite o que é possível enxergar. Isso que é refletir: é pousar os olhos com maior atenção a determinada coisa e prestar atenção naquilo que ela tem a mostrar de si mesma e não naquilo que podemos teorizar a respeito dela.

    @Onyas
    Valeu pelo elogio cara! É bom saber não só que lêem, mas que contribuiu de algum modo para vocês refletirem. Continue acompanhando e comentando! Afinal, sempre disse que os comentários serão sempre o mais importante dessa coluna.

    @Fernando Lorenzon
    Exatamente isso que falou. A repetição é essencial ao jogo tanto quanto a diversão. Por isso que acho que ficar pulando de um jogo para outro não é bem o que chamaria de jogar. hehe Quanto á música, não teria como falar diferente. Adoro ouvir coisas que já ouvi quinhentas vezes. Não curto muito a Nona (sei lá porque também hehehe Embora escute de vez em quando); prefiro a Sexta (por razões que também não faço idéia! huahuahuahua). Mozart ainda é meu predileto; seguido de Mendelsshon e Pachelbel. Ouço direto cada um deles quando tenho a oportunidade. Então, entendo perfeitamente o que disse; e compartilho completamente disso.

    @Orakio Rob, “O Gagá”
    Eu entendo bem isso daí. Tanto que hoje em dia, nem fico “subindo nível” mais. Vou avançando sem me preocupar com isso. É incrível como o jogo fica mais divertido sem essa coisa maçante de ficar “evoluindo”. hehehe

    O desconhecido há em qualquer jogo. A familiaridade ajuda a nos envolvermos com algo, sem dúvida. Mas se há incerteza de que conseguiremos terminar certo game, estamos aí no “reino da Possibilidade” e, portanto, no mundo do Desconhecido. Se tudo fosse certo e absoluto em um jogo ou game, não jogaríamos mais ele porque nem mesmo jogo ele seria.

    @Flávio de Oliveira
    Tive minha época de Doom também. hehehe Era Doom e Duke Nukem na verdade, mas só com amigos por perto porque, como era bem novo, não jogava aquilo sozinho nem a pau! huahuahuaha E, claro, joguei muito Paciência e Free Cell nessa vida. hehe

    @Sandro “Matusalém” Vasconcelos
    huahauhauha Bem lembrado! Adoro pinball. hehe aliás, faz um bom tempo que não jogo.

    @64gamers
    Valeu pelo apoio! Continue acompanhando!

    @Tchulanguero
    Sim, isso é bem comum em jogos desse tipo. Depois de brincarmos bastante com a história do jogo, nos voltamos para outras coisas que também jogam conosco. Baús escondidos, eventos aleatórios, side quests e até mesmo aquela árvore distante que ficou com preguiça de visitar na primeira jogatina pode ser interessante dar uma averiguada. hehehe

    @Ladrhobbit
    Valeu cara! Foi gratificante para mim escrever e também ler os comentários. Então, vamos lá subir nossas montanhas e sermos felizes como Sísifo! hehe

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  • 03/11/2010 at 1:31 pm
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    @Orakio Rob, “O Gagá”
    huahuahuahau O fato dele ter sido lançado para o SNES e eu só ter tido acesso bem tardio a este console (eu tinha o Mega Drive no período) justifica essa curiosidade não sanada. hehehe

    Mas eu acredito que ele seja realmente muito bom; sempre ouvi falar bem dele. Mas estou em outros mares gamísticos no momento; igualmente “nunca dantes navegados” pela minha pessoa. hehehe

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