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Rhys, que desmaiara pelo cansaço, precisava se preparar para rumar a Aridia, uma vez mais.
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Não me lembro se tive algum sonho… Sei que foi como se tivesse piscado meus olhos um pouco mais longa e preguiçosamente do que normalmente fazemos sem perceber… Estava com a vista embaçada e foi preciso que sacudisse um pouco a cabeça e coçasse minhas órbitas para que voltasse a ver com alguma clareza. Ao fazer um pequeno esforço para me erguer, senti minhas pernas e braços doloridos. E então, lembrei-me que tive que usá-los muito antes, quando lutei contra Lyle no castelo… Aquele castelo que era dele e do qual era príncipe.

Não sei se foi por pensar nisso ou se pela própria dor muscular que me atravessava os nervos, mas gemi ao tentar me sentar. Mieu estava ali perto e foi em minha direção. Ela me ajudou e colocou-me da forma que queria. Perguntei-lhe o que havia acontecido desde que desmaiara. Ela me disse que só tinha se passado um dia e que Wren estava do lado de fora da porta montando guarda (ela disse isso com certo gracejo – afinal, o jeito dele era esse meio preocupado e sério de qualquer modo). Talvez ela pretendesse evitar que perguntasse por outros, mas arrisquei e questionei sobre Lena e Lyle.

Ela deu um suspiro e disse que Lena estava bem, andando pela cidade e conversando com as pessoas juntamente com Lyle. “Tentando convencer as pessoas daqui que os orakianos não são todos ruins como até as crianças daqui acreditam.”. Foi esta singela colocação de minha mais antiga parceira de rumo certamente incerto que fez meu peito dar um pulo. Afinal de contas, importava mesmo tanto assim que Lyle fosse layano? O nome de Laya ainda ressoava maléfico em meus ouvidos… Mas, naquele momento eu sentia que, sendo Laya e Orakio pessoas que realmente existiram ou não, não poderia culpar todo um povo por conta disso… Em meu âmago, naquele instante silencioso que sucedeu, desejei: “Espero que as gerações futuras sejam mais complacentes… Mais até do que eu…”. Afinal, é difícil retirar, de uma vez só, anos de contos e lendas cristalizados que nos fazem odiar um povo que, até algum tempo atrás, nem tinha certeza de sua existência…

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De qualquer forma, levantei-me e me arrumei depressa, saindo à luz do sol com meus dois companheiros andróides. Uma vez na rua, nos reencontramos com Lyle e Lena que, em compreensiva quietude, se uniram a nós e, prontos, começamos mais uma parte de nosso caminho. Próximo à saída da cidade, um homem chamou Lyle pelo nome e disse que era bom tê-lo novamente em casa. Ele respondeu que estava de saída de novo, mas que retornaria em breve, para ficar. O homem agradeceu e se retirou. Parecia ser um príncipe bem amado pelos seus; como eu era, em Landen há tanto tempo que nem sabia como mensurar.

Para economizar tempo, e poupar explicações demoradas, dirigimo-nos direto a Rysel, sem passar por Agoe. Uma vez lá, compramos as provisões necessárias para a longa caminhada que nos aguardava além das ruínas da antiga fortaleza orakiana.

Ali, mais uma vez com os passos lentos e dificultados pelos ventos arenosos, vimos Miun uma vez mais, vagando com um rumo preciso em sua intenção. Não incomodamos suas passadas e seguimos direto para Hazatak. Seria preciso decansar antes de rumarmos ao nosso destino naquele momento… Conversando com os habitantes dali, percebemos que também sabiam da prévia existência de dois satélites que orbitavam nosso mundo. Coisa que somente seres que vivem muito tempo, ou que passam suas tradições com cuidado e zelo conseguem manter.

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Já conhecíamos o caminho já que o controle dos satélites ficava, justamente, no mesmo prédio em que outrora entramos e consertamos o clima no mundo de Lyle. Com exceção dos monstros que nos atacavam durante o caminho, foi uma jornada bem tranqüila… Eu estava falando pouco por estar tanto ansioso como cansado. Wren e Lyle, cada um por suas razões, me acompanhavam nesse silêncio. Somente as mulheres trocavam, esporadicamente uma ou outra palavra e era em geral durante o combate ou logo após ele, trocando informações e dicas de luta.

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A máquina que controlava os satélites era muito semelhante ao computador que Wren operara anteriormente naquele local. Só que era como se estivesse mais bem protegido no andar superior por monstros ainda mais poderosos. Surpreendentemente, ele estava intacto, apesar de sujo, e haviam locais claros da inserção dos dois itens necessários. Os quais agora eu podia fitar pela primeira vez com atenção. Enquanto Mieu, Lena e Lyle guardavam nossas costas, Wren e eu nos posicionamos para operar aquilo.

A Pedra Lunar era uma pedra razoavelmente disforme, com algumas pequenas crateras nela e de cor diferente que oscilava, dependendo de como se olhava, do roxo para o cinza. Ela estava dentro de uma esfera transparente como a outra peça. A Lágrima Lunar, ainda que tivesse o mesmo envoltório, era diferente. Era uma pedra, igualmente coberta de pequenos orifícios, mas que oscilava entre o azul e o cinza. Além disso, tinha a forma de uma gota, lembrando de fato uma lágrima.

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Assim que as colocamos no lugar certo e ativamos o maquinário, uma imagem surgiu no painel com as duas luas se aproximando lentamente. Surgiu então, após isso, uma mensagem escrita dizendo que Dahlia, a lua roxa, havia se movido. Pensamos que isso seria suficiente e nos preparamos para voltar mais uma vez a Shusoran e, dali, para a ilha de Cille onde Maia estava… Faltava pouco para finalmente reencontrá-la…

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Diário de Bordo: Phantasy Star III – A primeira geração (06)
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4 ideias sobre “Diário de Bordo: Phantasy Star III – A primeira geração (06)

  • 24/05/2009 em 2:49 pm
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    >Ao fazer um pequeno esforço para me erguer, senti minhas pernas e braços doloridos.
    R: Deve ser o peso da capa…
    >Somente as mulheres trocavam, esporadicamente uma ou outra palavra e era em geral durante o combate ou logo após ele,
    R: Típico… Fico até imaginando: “você viu só o peitoral bem definido daquele monstro que equilibra uma rocha na cabeça e que fica com as mão na sintura…?”
    >Além disso, tinha a forma de uma gota, lembrando de fato uma lágrima.
    B: Boa!

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  • 24/05/2009 em 3:15 pm
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    @J.F. Souza
    huahuahuhua Imaginei que alguém fosse falar algo assim das mulheres. hehe Mas é coincidência o fato de ambas trocarem algumas palavras enquanto que os outros três ficavam em silêncio. Espero não levar pedrada de feministas. hehehehehe

    E quanto à capa, nem tinha pensado nisso. hehe Acho que seriam mais aquelas ombreiras enormes que lembram os cavaleiros da Clamp em uma escala um pouco mais reduzida (veja Guerreiras Mágicas de Rayearth por exemplo. hehehe).

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  • 24/05/2009 em 9:04 pm
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    Do jeito que está… o coração do Rhys já está preenchido pela Maya, não?
    Ou será que um sentimento silencioso e arrebatador está nascendo por Lena?
    Rsrsrs…ficou mexicano, não?
    Tô na expectativa!

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  • 24/05/2009 em 9:11 pm
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    @Marcio
    hehehe E o pior é que nem eu sei quem ele vai escolher. Mas acho que, para os desenvolvedores terem colocado essa escolha para nós durante o jogo é porque o personagem teria ficado em dúvida durante seu caminho. Então, achei importante não ir deixando unilateral desde o início…

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