Bom dia, amigos leitores do Gagá Games!

Hoje falaremos não sobre um, mas sobre alguns jogos extremamente clássicos que, por sua simplicidade, conseguem fazer um pequeno amontoado nesta matéria. Entretanto, vale sempre lembrar, simplicidade não é sinônimo de falta de qualidade. Hoje falaremos sobre verdadeiras obras primas.

Os jogos em questão povoam uma era muito interessante para os computadores. Foram criados para placas de vídeo CGA, o que por si só já era um grande feito pois muita coragem se fazia necessáira para apresentar sua criação em uma paleta de cores tão terrível quanto era a destas plaquinhas.

Em uma breve explicação histórica, o padrão CGA – Color Graphics Array – foi criado pela IBM no início dos anos 80 e, devido à extrema limitação de memória da época, conseguia exibir um máximo de 16 cores – 8 normalmente – em 320×200 pixels, embora fosse possível atingir uma resolução maior no caso de usar apenas duas cores.

Até ai tudo bem, é possível fazer coisas incríveis com poucas cores… Desde que elas sejam bem escolhidas. Porém, no caso de CGA, a coisa era no mínimo extremamente saturada.

No fim das contas, especificamente no Brasil, computadores equipados com placas e monitores CGA perduraram muito depois do tempo de vida da tecnologia, devido à política de reserva de mercado. De uma forma ou e outra, nós, Brasileiros, acabamos por curtir muito mais esses jogos. Mesmo que forçadamente.

Explicações históricas deixadas de lado, vamos a alguns dos jogos mais marcantes que tiveram coragem de usar esse padrão de vídeo tão bizarro.

Alley Cat – 1984
Como era bastante comum, Cat foi produzido por apenas uma pessoa e, arrisco dizer, foi também o precursor de jogos como Wario Ware.

Você controla um gato vira-latas em um beco onde há uma cerca de madeira e um prédio, rodeado por varais que te possibilitam, ao escalar em latas de lixo e pular nas roupas, entrar pelas janelas, sendo que cada janela te leva a um mini-game diferente.


O objetivo de se completar os mini-games é acumular pontos para chegar em uma fase especial, onde devemos escalar e desviar de outros gatos, buscando o grande prêmio: namorar com uma gatinha 😉

Para te atrapalhar existem enguias elétricas, uma vassoura com vida própria e, não menos importante, um bulldog muito chato.
Embora os mini-games não sejam tão variados, se levarmos em conta o ano de criação do jogo, Alley Cat foi um pequeno prodígio, com bastante interação e, o que perdura até nossos dias, muita diversão e bom gosro.

Test Drive – 1987
Ok, então Need for Speed não nasceu em tempos de placas CGA. Mas Test Drive nasceu e, para quem pegou essa época, sabe que a franquia pode ter entrado em decadência, mas teve seus tempos áureos. Embora existam versões com gráficos melhores – como em computadores Amiga – no PC a gente ficava em CGA mesmo. Era a tal lei que comentei acima.

Produzido pela Accolade na mesma engine de Gran Prix – entre os dois, preferi falar sobre TD, mas basta saber que Gran Prix era a versão F1 – Test Drive foi um grande marco para a história dos jogos. Um dos primeiros games de corrida em que você fugia da polícia, em tempos que qualquer coisa mais politicamente incorreta encontrava forte força contrária pela mídia e diferentes formas de censura.

 

Em Test Drive você escolhia entre cinco carrões para correr numa espécie de Serra, fazendo eventuais paradas para reabastecer e desviando de carros, além de fugir dos policias. O que mais um homem de ação pode desejar? Se a jogabilidade não era das melhores, a sensação de quebrar todas as regras era.

Sokoban
O que dizer de Sokoban? Devo ser um grande herege por escrever sobre esse jogo de forma resumida em um post “compartilhado”.
Sabe quando Isaac Asimov fez as três leis da robótica? Bem, Sokoban tem suas próprias leis:

  • apenas uma caixa por vez pode ser empurrada.
  • uma caixa jamais poderá ser puxada
  • o jogador não pode andar através de caixas ou paredes
  • a fase termina quando (se) todas as caixas forem colocadas em seus devidos lugares


Embora o jogo tenha surgido inicialmente no Japão para computadores NEC PC-8801, ficou conhecido no ocidente pelo port para MS-DOS. A coisa é tão genial que o ato de resolver uma fase de Sokoban é alvo importantíssimos de estudos de complexidade computacional.

Total Eclipse – 1988
Mais um dos jogos que foram portados para diversas plataformas, TE é aqui mencionado devido a um importante feito: fazia uso de Freespace, uma das primeiras engines 3D aplicadas em maior escala. Total Eclipse apresenta uma série de puzzles e uma missão especial: evitar que uma maldição se concretize e, consequentemente, salvar o mundo da destruição.


O que é mais interessante é que o jogador deve ficar de olho em diversos fatores para continuar seguindo em frente: as pilhas de sua lanterna, seu estoque de água e até mesmo seus batimentos cardíacos! Coisas assim sempre me deixaram um pouco nervoso em jogos, mas a implementação foi bem feita e, no geral, Total Eclipse é extremamente prazeroso e desafiador na medida certa.
Dado a época em que foi criado, a utilização dos ambientes 3D foi implementada de forma magistral.

Flight Simulator 2.0 – 1984
A segunda versão para PCs do famoso simulador de voo era apresentada completamente em CGA.
A série sempre foi muito importante para a história dos jogos, sendo na verdade, antes de mais nada, um aplicativo cientifico.


Na versão 2.0 todo o território dos Estados Unidos já era reproduzido virtualmente, o que é um dado bastante impressionante.
Embora não tenha sido presente em muitos computadores por aqui, não poderia deixar de estampar esta lista. Para qualquer estudante de computação, jogos e áreas correlatas, ver como a física foi implementada é um exercício mandatório.

Starquake 1988 (port para PC)
Simplesmente fantástico, seja pela jogabilidade ou pela história.

Em Starquake você controla uma espécie de “sonda”, responsável por penetrar em um planeta que surgiu de um buraco negro e re-estabilizar seu núcleo, prevenindo assim que o universo inteiro seja destruído em consequência de uma reação em cadeia. Como se não bastasse, ao longo do planeta você vai encontrando restos de uma civilização há muito extinta, passando a sensação de que o universo é muito mais amplo do que julgamos.


Os gráficos são cativantes e o sistema de jogo conta com inventário, teletransportes, criação de plataformas temporárias e bastante estratégia por parte do jogador para lidar com tudo isso.

Psion Chess – 1985
O que um jogo de Xadrez pode ter de tão interessante? Simples, em Psion Chess o desenvolvedor escolheu abrir mão das cores em prol de uma maior resolução de vídeo, fazendo com que o jogador pudesse visualizar um tabuleiro inteiro em “3D”, o que era tão impressionante para 1985 quanto infinitas cores em um monitor.


Com uma pegada “avô de Battle Chess”, Psion já contava com uma inteligência artificial bastante avançada, proporcionando nos níveis mais altos um verdadeiro desafio para jogadores que não detenham recordes mundiais – ou nem mesmo regionais, como no meu caso. Adoraria saber jogar xadrez como se deve :D.

Outros jogos clássicos como adventures mais antigos da LucasArts (Loom, Monkey Island) e ports da série Ultima, Kings Quest, Lemmings (etc) também rodavam em CGA, porém fizeram sucesso em outras plataformas ou outros modos de vídeo, ficando desta forma de fora do post de hoje. Entretanto, assim como novos padrões de vídeo (EGA, VGA) foram surgindo, outros jogos deram as caras no mundo e também merecem ser lembrados e, por que não, jogados vez ou outra?

Games na era CGA
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7 ideias sobre “Games na era CGA

  • 27/09/2012 em 2:32 pm
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    Fala Raposa. Cara, você pegou a pá e cavou fundo heim? Só jogo jurássico! 😀

    Falando sério, eu tenho todos estes jogos que você citou na matéria. Mas como eu iniciei no mundo do PC com um 386 com uma placa EGA (era uma bosta, mas muito melhor que a CGA), eu cheguei a brincar com Test Drive e Flight Simulator 2.0 na época. Porém por causa da paleta horrorosa da CGA (alguém acha esse roxo bonito?) larguei de mão.

    Agradeço as placas VGA Trident pela minha migração do EGA pro VGA. Essas placas na época tinham boa compatibilidade e um preço acessível.

    Falow! 😀

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  • 27/09/2012 em 3:44 pm
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    não imaginava que a origem de Test Drive foi numa plataforma meio desconhecida.(para mim, ao menos)Total Eclipse seria um adventure point and click? parece bom, vou investigar sobre esse jogo.

    e Psion Chess, eu meio que tenho uma vaga ideia de como se joga e como as peças funcionam, mas nos games, até no nível mais fácil levo uma surra homérica.

    no mais, bom texto sobre essa plataforma.

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  • 27/09/2012 em 10:41 pm
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    A grosso modo, o maior problema do CGA era a falta de memória, as oito cores (16 se considerar a diferença de brilho) não podiam ser exibidas simultaneamente, então eram agrupadas em dois esquemas de quatro cores. O esquema mais comum era o preto/branco/azul/rosa por ser melhor visualizado em monitores mono que o padrão “cocô” preto/verde/vermelho/marrom. Com o tempo criaram variações, mas foram menos comuns ainda.

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  • 27/09/2012 em 10:42 pm
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    já zerei muitos jogos em televisão preto e branco e cga da vida,,,lembro de zerar shinobi 3 no mega drive em uma televisão preta e branco,,,bons tempos !!!bons tempos de test drive,,,cheguei a ver esse clássino nos pcs da vida !!!!só aqui mesmo no gaga mesmo!!!!lemings joguei muito também!!!!só clássicos mesmo,,, falou star fox!!!!!!!!

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  • 27/09/2012 em 10:49 pm
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    Conheço somente os 3 primeiros jogos, test drive era muito bom naquela época, não me recordo bem agora mas tinha um jogo que era nesse estilo, você podia ir fazendo alterações no carro (tunning) ganhava dinheiro fazendo apostas etc.. tinha a garagem e tal, joguei demais esses jogos, o nome não lembrei agora mas acredito que chegou depois do test drive. Adorei o texto vlw raposa 😀

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  • 27/09/2012 em 11:38 pm
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    Piga “the ancient alien”, pois é, Piga, quem não foi feliz com uma Trident 9440? Tive uma desas localbus, daquelas que conectavam em dois slots ao mesmo tempo (um isa e um mini pci, coisa de louco!). Hehehe, realmente, obrigado, VGA – apesar de que EGA já era charmoso vai.

    leandro(leon belmont) alves, então, Total Eclipse não era point n click, a coisa era com controles meio bizarros para movimentar sua visão (cima/baixo). Tempos de experimentação :).

    Leonardo Suárez, pois é, memória era uma coisa cara e o padrão CGA é beeeem velho se formos ver.

    helisonbsb, hehehe, é isso ai, helison, bons tempos. Meu primeiro monitor VGA era preto e branco, que tristeza que era heheheh.

    cis_negro, acho que o jogo que você citou era o “Street Rod”, que todo mundo tinha o 2 instalado e era bem divertido até!

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  • 23/10/2012 em 7:25 am
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    O CGA tinha 16 cores apenas em modo texto. Em modo gráfico tinha 4 ou 2, dependendo da resolução. Em 320×200, tinha uma paleta branco, ciano, magenta e mais uma das 16 a escolher; ou a paleta verde, vermelho, azul e mais uma das 16 cores. Em 640×200, era branco e mais uma das 16 cores.

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