“Este cartucho-programa contém versões adicionais para crianças”. Até hoje não descobri o que a Polyvox quis dizer. Acho que só quem sacou foi o Kim Jong-un. Pra quem não sabe, Kim Jong-un é o novo ditador da Coréia do Norte e foi criado no leite com pêra. 🙂

 Olá retrocaducada do Gagá Games. Hoje falarei sobre Missile Command do Atari 2600, por que antes de mais nada, foi o meu primeiro contato com qualquer videogame. Lá nos jurássicos anos de 1984, com apenas 4 aninhos de vida, com dente de leite, sem cordenação motora, semianalfabeto e com discernimento zero, o Piga aqui aprendeu três coisas: que aquele buraco no meio daquele retângulo preto servia pra encaixar aquele outro retângulo prata; que o botãozinho mais à esquerda fazia aquele retângulo preto funcionar; e que se mexesse naquela alavanca e apertasse aquele botãozinho vermelho algo acontecia na tela 🙂 

Não me pergutem quanto tempo levei para aprender a jogar e como foi o processo, pois não faço a menor idéia. Aliás, eu era algo um pouco mais evoluído que um embrião, um ser que nem tinha conhecimento da própria existência,  como poderia me lembrar?  A única certeza que eu tenho desse período paleolítico da minha vida gamer foi-me dito pelos meus pais. O Atari 2600 da Polyvox chegou em casa em 1984 e com ele Missile Command. Minhas lembranças começam em um tempo em que eu já dominava o jogo, jogava bem. Antes disso, só trevas 🙂

Na época da histeria nuclear

Quando o Tio Sam travava uma guerra de nervos com a Mãe Rússia, o hemisfério norte se encontrava apreensivo com os acontecimentos e o hemisfério sul vivia a era de ouro da pornochanchada, do batuque “nocudum” e da reserva de mercado. A indústria americana absorveu a paranóia nuclear e a transferiu para os seus jogos. Um dos medos mais colossais dos norte-americanos foi o tema escolhido pela Atari em 1980 para divertir (ou apavorar) as crinças da época: os mísseis balísticos nucleares intercontinentais.

A história oficial do jogo é uma guerra travada entre dois planetas: Zardon, o planeta que o jogador defende e Krytol, o planeta agressor. Você controla um silo de mísseis nucleares e deve proteger seis grandes cidades dos ataques inimigos, além da sua própria base. Como o jogo Missile Command nasceu no arcade e lá ele não tinha história oficial, tava na cara a referência a uma provavel guerra USA vs USSR e que as seis cidades alí seriam as seis maiores cidades americanas da época. E os inimigos provavelmente eram os “comunas”. São só suposições. O que estava claro era a apologia a guerra fria e a corrida armamentista. É só ver a capa do jogo.

O panorama do fim do mundo

Hoje em dia fica difícil de falar sobre os gráficos de algo tão limitado tecnicamente. Comparando com jogos consagrados e clássicos do Atari 2600 como River Raid, Frostbite, Hero e Enduro por exemplo, os gráficos de Missile Command não são tão trabalhados como os dos games citados, mas funcionam muito bem e caem como uma luva na proposta e na mecânica do jogo. O que dá pra citar são as mesclas de cores nas explosões dos mísseis. De resto as cidades, o céu e sua base vão trocando de cor a medida que se vai progredindo no game. Você verá combinações sóbrias e verá também combinações berrantes. Mas ainda hoje acho os gráficos acima da média no geral de um game de Atari 2600.

Ouvindo o estrondo

E que estrondo! O ponto alto deste título da Atari é sua gama de efeitos sonoros. Naquela época os jogos não tinham músicas “para bailar”. E que o sistema da Atari conseguia realizar nada mais eram que chiados. Devia ser uma luta transformar aqueles chiados em efeitos agradáveis aos timpanos. Muitos jogos conseguiram, mas poucos foram tão bem sucedidos como este. Os barulhos das explosões, dos mísseis e quando acontece o game over são muito marcantes.

Lançando a ogiva

É só apertar o botão vermelho, o que você esperava? 🙂

Brincadeiras à parte, a jogabilidade é muito boa, rápida e precisa. No jogo original de arcade, o controle é um trackball, já que você movimenta um cursor na tela. Como nunca joguei a versão de arcade com trackball, não posso fazer um comparativo da precisão dos controles, mas na versão Atari 2600 eu nunca achei um defeito.

Quando a partida começa, os mísseis inimigos surgem do alto da tela e vão em rotas aleatórias em direção ao solo. Não disse em direção às cidades ou a sua base militar, pois as vezes eles erram os alvos. O grande macete do game (além de agilidade) é se antecipar a rota dos mísseis inimigos. Ao disparar um míssil, ele leva determinado tempo para alcançar o projétil inimigo. Se você não aprender a compensar não vai acertar nada. Quando você pega o jeito da coisa, dá pra acertar até 4 mísseis inimigos com apenas um tiro seu, quando suas rotas estiverem próximas e cruzadas. E isto lhe confere bônus extras nos finais das rodadas.

Outro lance que você tem que ficar atento é na sua munição. Ela não é infinita e você não pode disparar a esmo. Caso tome um tiro na base ou sua munição se esgote, você ficará impotente vendo suas cidades serem destruídas. Pois é, em Missile Command as coisas só acabam quando terminam 🙂

Pegadinha do alto comando militar

Assim como em Adventure que o programador escondeu uma sala com seu nome, em Missile Command o programador do jogo, Rob Fulop fez algo parecido. Ao chegar no level 13, se o jogador usar toda sua munição sem marcar ponto nenhum (ou seja, você não pode acertar nada), no game over aparecerá no lugar da cidade mais a direita na tela, as inicias RF do programador. Parece que os easter eggs não são coisas tão recentes assim.

Até a próxima!

 

 

 

Missile Command (Atari 2600)
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11 thoughts on “Missile Command (Atari 2600)

  • 29/06/2012 at 8:28 am
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    Missile Command!!! 😀

    Esse é, com certeza, um dos meus jogos favoritos do Atari 2600. Acredito que esteja entre os primeiros que eu conheci também. Mas como você, Piga, minhas primeiras memórias com este console estão mergulhadas nas trevas…

    Minhas primeiras lembranças de jogatina são da época em que meu irmão (que é quatro anos mais velho) brigava comigo, dizendo que eu não podia levar amigos em casa para jogar, pois eles destruiam o manche do joystick… :p
    Ele provavelmente tinha razão de reclamar, hehehehe.

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  • 29/06/2012 at 9:48 am
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    É… 1984. Eu ganhei um Atari no meu aniversário de 9 anos.

    E veio esse jogo. Lembro que me divertia bastante com ele…

    Lembranças boas… Hoje, não tenho mais interesse em ter um Atari. Depois que conheci o NES por meio dos famiclones, que me desculpem os fãs do Atari 2600, mas meu interesse por ele caiu a zero.

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  • 29/06/2012 at 10:47 am
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    parece que já joguei esse game antes no Atari do meu meio irmão há muito tempo. eu e o Nelson não entediamos como jogar aquilo, preferindo trocar a fita por um de ace shooter/navinha. vou até conferir, quem sabe eu aprecie mais o jogo. valeu Piga!

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  • 29/06/2012 at 4:17 pm
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    Secret Quest é um jogão! Foi o ultimo que saiu nas lojas nos Estados Unidos. Tem sistema de password, pause, multiplas armas, enfim, um jogão (pena que nção consigo passar da quarta fase..), possui 16 KBytes e um chip adicional de RAM (como a maioria dos últimos jogos do Atari). Mas se complexidade for tamanho do jogo, o Fatal Run é o maior jogo da Atari para o 2600 com 32 KBytes. É um bom game que mistura Out Run com Mad Max e gráficos com os gráficos do 2600, e tem também o cartucho do Mega Boy fabricado pela Dynacom que tem 64 KBytes e é muito procurado no exterior!

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  • 29/06/2012 at 7:32 pm
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    Jogo sensacional Piga!!!
    Demorei para jogá-lo porque meu Dactar tinha um “menu” de games mais diferenciado,he he he.Mas quando conheci Missile Command foi marcante,principalmente pela mecânica de tiros ser bem diferenciada dos jogos em geral,eu o considerava um simulador de guerra
    computadorizado.Na minha imaginação claro!A questão de “antecipar a rota dos mísseis inimigos” eu vazia isso sempre he he he é isso mesmo Piga!
    Concordo plenamente sobre a proposta e a mecânica do Missile Command,o jogo casava bem aqueles gráficos com a ideia do tema,quando eu jogava eu imaginava a tela de um computador militar destruindo os inimigos em tempo real.Não simpatizo com nenhum dos dois mas se fosse pra escolher um lado eu ficaria com os EUA sem dúvida.Aliás muito boa sua contextualização da guerra fria ao jogo,realmente todos estavam vivendo suas vidas meio que com o c* na mão,era a paranóia do “botão vermelho” que poderia acionar um ataque nuclear a qualquer momento por qualquer uma das potências USA/USSR.O cinema também reflete muito desse medo em vários filmes da época.Ainda no campo político do seu texto Piga,quando você se descreve com 4 aninhos “…sem cordenação motora, semianalfabeto e com discernimento zero…” lembrei na hora do Ex-presidente LULA,he he he.Bom mas deixa isso pra lá.He he he.

    “Este cartucho-programa contém versões adicionais para crianças”

    Olha pelo que vi no manual do jogo essas versões eram fases mais lentas e tal,pra criançada se divertir mesmo,agora pra jogar pra valer era só começar do level 1 até o 17,acho que é por aí,não sei Piga,dá uma olhada aí.
    Pra finalizar muito bom seu post Piga!!!Eu piro com esses mega clássicos do Atari,he he he he.

    MANUAL
    6. GAME VARIATIONS

    MISSILE COMMAND has 34 game variations. Games 1 through 17 are
    one-player, and games 18 through 34 are two-player games. this
    ATARI Game Program includes game variations for young
    children, games 17 and 34. The game play is slower in the
    children’s versions (see CHILDREN’S GAMES).

    *CHILDREN’S GAMES
    Games 17 and 34 play at a slower and easier speed for young
    children. They have dumb enemy cruise missiles, slow target
    control, and the enemy attacks at a slower rate with less
    missiles. As children become skilled at this level, they
    should try the more difficult game variations, starting at
    Game 1.

    Fonte:AtariAge
    http://migre.me/9Hd9f

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  • 29/06/2012 at 8:14 pm
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    joguei muito no vg 3000,,,só o chip,,,peguei o cartucho na época,,,mas estava usando só o chip,,,comprei de segunda mão o cartucho detonado,,,naquele tempo tinha um monte de chip(placa com circuito integrado) numa caixa de sapato!!!bons tempos de atari,,,bons tempos de vg 3000!!!!belo post!!!

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  • 01/07/2012 at 8:16 am
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    Cheguei tarde para avisar que as fases 17 e 34 são para crianças. Eu comecei a jogar missile commando pela fase 17 (era o jogo que vinha com o Atari da Polyvox e eu li todos os manuais antes de poder instalar o videogame, uma vez que meu pai tinha que ver o JN, depois minha mãe tinha que ver a novela, e só então eu poderia instalar o videogame recém comprado; naquela época (final de 1984) só tinha uma TV em casa). Por ter lido o manual, sabia que fase 17 era fase para eu começar a conhecer o videogame e o jogo. Só depois de muitas semanas treinando na fase 17 é que eu fui me arriscar a jogar no modo normal.

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  • 01/07/2012 at 9:03 am
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    @Marcos
    hahahaha. Você devia ser um maior destruidor de joystics. Por isso seu irmão te dava um chega pra lá. Eu também arrebentava vários. Fazia parte da brincadeira… 😀

    @Man On The Edge
    Eu também não tenho interesse nenhum em ter o console novamente. Jogar no emulador já tá de bom tamanho para mim. E você é mais velho que eu… 😀

    @felipe henrique
    O Leandro e o Randolph já responderam: Secret Quest e Fatal Run.

    @leandro(leon belmont)alves
    Dá uma conferida sim Leandro, vale a pena.

    @Randolph
    Secret Quest e Fatal Run foram dois jogos que eu nunca ví vendendo por aqui. Se não fosse os emuladores salvando a pátria gamer, eu nunca iria conhecê-los.

    @Dactar
    Opa, valeu pelos elogios. Agora me comparar com o Lula, é uma ofensa a minha pessoa!!! 😀 Bom, esse lance das fases 17 e 34 eu não sabia. Naquela época eu não sabia ler então não li o manual. 😀

    @helisonbsb
    Esse lance de espetar só a placa no Atari era cabuloso! Uma vez ganhei um cartucho pirata e o plástico dele era mais largo que o slot de cartucho. A solução foi abrir e espetar diretamente a placa. Quando eu vendí meu Atari eu já tinha lixado o plastico e ele encaixava direito agora.

    @edu
    O da galinha é muito bom também. Ele se chamava Freeway. Foi o único game que ví meu pai tentar jogar durante minha vida! 😀

    @guilherme
    Bom, você deve ser mais velho que eu também, pois eu ainda não sabia ler direito com 4 anos de idade. Aliás, nunca cheguei ler o manual do Atari ou de seus jogos até vendê-lo em 2000.

    Falow! 😀

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