Todo mundo sabe que hoje em dia investem-se milhões de dólares para se fazer um jogo de sucesso. Os RPGs, em especial, são megaproduções dignas de Hollywood, com gráficos mirabolantes e trilha sonora orquestrada. Mas nem todos são assim…

NetHack é um joguinho nada medíocre de 1987 para Linux, Windows, Mac, DOS, OS/2, Amiga e… Atari! Ele recebe atualizações até hoje. É um RPG rogue-like, gênero também chamado de dungeon crawler, em que você vaga por uma labirinto matando criaturas e coletando tesouros. Esse gênero faz um baita sucesso com jogos como Diablo (outra megaprodução). Mas vejam só que interessante: o NetHack é um jogo gratuito, de código aberto, feito pela comunidade. Isso significa que você tem acesso a todo o código do jogo, pode contribuir para seu desenvolvimento e, se assim desejar, pode usar o código para criar seu próprio jogo sem dar satisfação a ninguém, desde que mantenha o código aberto também.

Os gráficos, se é que podem ser chamados de gráficos, são caracteres exibidos numa tela de terminal. Cada caractere representa algo diferente. Para vocês terem uma ideia, este é um típico momento de ação em NetHack:

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Acima temos nosso bravo aventureiro (@) sendo atacado por um morcego sedento de sangue (B). Seu cão companheiro (d) parece estar com um pouco de medo do morcego, mas às vezes ele ajuda. Há dinheiro ($) no aposento, uma porta fechada (+) e outra aberta (-) além de um corredor (####). Inacreditável, não?

Você deve estar pensando: fazem o jogo desde 1987 e os gráficos são assim? Pois aí é que está o truque: ao invés de investirem no desenvolvimento da parte gráfica, os desenvolvedores de NetHack se concentraram no jogo em si. Eu nunca vi um RPG com tantos eventos diferentes. Há tantas possibilidades em cada situação do jogo que seria impossível descrever todas aqui. Vou dar um exemplo de uma partidinha que eu disputei faz algum tempo. Clique nas imagens para vê-las com maior resolução, e fique atento nas mensagens no topo de cada tela.

O bravo OrakioRob, um aprendiz de feiticeiro, caminhava pelas masmorras quando deparou-se com um baú. Abrir ou não abrir? Mas espere, há uma fonte neste aposento… beber ou não beber sua água? Se eu molhar minha espada na fonte e a água for mágica, a espada pode ganhar propriedades mágicas. Se bem que da última vez que tentei isso minha espada enferrujou…

Já sei, vou tacar o baú na fonte! Vamos ver o que acontece:

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Xi! Invoquei um demônio da água!!! Pernas pra que te quero!!!

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Ai! Um raio pelas costas!

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Ei! Morder não vale!

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É. Não foi dessa vez.

Se você gostou do jogo mas detestou a idéia de jogar com esses gráficos, pode gostar de saber que existem, sim, algumas interfaces gráficas mais atraentes para o jogo. O projeto mais interessante talvez seja o Vulture’s Eye, vejam só este vídeo (o som está fora de sincronia, mas serve):

Curte uns emuladores? Que tal comprar um belo joystick para dar uma incrementada na experiência? Confira os preços de joysticks.

NetHack e a jornada da arroba heroica
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