Olá caros leitores do Gagá Games! Aqui é o seu amigo André Breder trazendo até você mais uma edição do Recordar é envelhecer! Hoje vou recordar um game lançado para o Nintendo 64 no ano de 1998: o controverso Castlevania, ou Castlevania 64 como ficou mais conhecido. Tenham todos uma boa leitura e até a próxima!

Introdução

Castlevania (popularmente conhecido como Castlevania 64), saiu para o console Nintendo 64 no ano de 1998 nos Estados Unidos e no ano seguinte seguiu para o Japão e por toda a Europa. Este foi o primeiro jogo da série em 3D, e a ida de Castlevania para o este novo universo dividiu opiniões dos fãs da série: para uns o jogo foi um sucesso, para outros (a maioria), um fracasso. Para muitos que não gostam deste game, Castlevania 64 nem sequer deveria ter sido lançado um dia, e muitos menos carregar o nome “Castlevania”. Deixando o radicalismo de lado, temos um game que no final das contas, se não é tão ruim como a maioria diz, também ficou longe de fazer justiça à franquia que representa.

Após o sucesso obtido com o game Castlevania – Symphony of The Night, o nome da franquia estava em alta novamente, mas muitos gamers consideravam a série como antiquada, pois ainda se mantinha presa no universo 2D. No desejo de renovar sua franquia e finalmente explorar o mundo dos jogos em 3D, a Konami confiou a missão para os produtores Etsunobu Ebisu (que já havia trabalhado no excelente Batman Returns do Super NES) e Shigeru Umezaki (responsável pela programação de vários games da série Contra). Missão esta nada agradável, diga-se, pois o Nintendo 64 na época ainda era um console “novo”, e os programadores não tinham até o momento o pleno domínio deste novo sistema. O risco de algo dar “errado” era grande, ainda mais se tratando de um game de uma franquia que nunca havia explorado antes o universo 3D.

Sobre o game

Neste jogo, seguindo os passos de alguns dos títulos anteriores da série Castlevania, temos a possibilidade de escolher entre dois personagens. De um lado temos o clássico caçador de vampiros Reinhard Schneider (que apesar de não carregar o nome Belmont, muitos afirmam que ele é um descendente do clã) que carrega consigo o lendário chicote “Vampire Killer”. Com o retorno do maldito Castelo de Drácula nas terras da Transylvânia, ele sabe muito bem que como sendo o último guerreiro de posse do chicote sagrado, sua missão é encarar as forças do mal. Do outro temos a jovem feiticeira Carrie Fernandez, cujo principal ataque são “bolas de energia”. A jovem parte para os domínios das trevas afim de vingar a morte de sua família.

É bacana ver que apesar de ambos os personagens terem sua “arma principal”, ainda há uma segunda opção para ambos: Reinhard ainda pode fazer uso de uma espada, enquanto que Carrie utiliza algo semelhante a argolas. Como era comum nos primeiros games da série, aqui é necessário pegar “upgrades” para as armas principais, afim de torná-las mais eficientes. Desta forma o chicote de Schneider passa a ter um alcance maior e também se torna mais mortal para os inimigos, enquanto que as magias de Carrie se tornam mais eficazes, chegando até a perseguir os inimigos mais petulantes. As clássicas armas secundárias também se fazem presentes para ajudar os heróis (faca, machado, cruz e água benta), e são usadas a custo de cristais (não de corações como na maioria dos jogos da franquia).

Algo bacana que Castlevania 64 pegou “emprestado” do velho Castlevania II – Simon´s Quest (NES), é o fato do game mostrar que existe passagem de tempo, tendo dia e noite, só que de uma maneira ainda mais precisa: ao apertar o botão Start o jogador tem acesso a um relógio que mostra a hora exata do dia.

E o fato de existir tanto o amanhecer quanto o anoitecer aqui não é simplesmente para dar uma sensação de realidade para o game, isto influencia diretamente no final do jogo, pois para se conseguir fazer o melhor final é necessário gastar poucos dias. A passagem de tempo influencia também o decorrer do game, pois em alguns momentos você precisa pegar certos itens com um determinado personagem, e isto só pode ser feito em um período específico do dia. Alguns chefes também se tornam mais “duros na queda” se forem combatidos durante a noite, e algumas portas no jogo ainda só podem ser abertas em determinados períodos do tempo. Mesmo com o jogador podendo ter controle sobre o dia e a noite no game por meio de alguns cartões mágicos (o Sun Card e o Moon Card), isso acaba fazendo com que os dias se passem mais rapidamente, o que vai, como já dito, influenciar no final do game.

Inicialmente o game segue um “roteiro” igual para ambos os personagens, mas a partir do terceiro estágio, isso muda, com cada um seguindo por caminhos diferentes, onde a história se desenvolve mais de acordo com o personagem com o qual se está jogando. Isto ajuda no fator “replay” de Castlevania 64, pois aqueles que gostam deste game e o jogarem até o fim com um dos personagens, irão querer fazer o mesmo com o outro, por conta das fases exclusivas de cada personagem.

No decorrer da aventura é bacana notar que vários personagens secundários surgem, dando assim mais conteúdo para a trama de Castlevania 64, que reserva boas surpresas para o jogador.

Graficamente o game está dentro do padrão visto nos jogos lançados para o Nintendo 64 na época, ou seja, não possui um visual belíssimo, mas tudo é bem feito. Hoje em dia muitos poderão criticar de maneira ferrenha o game por seus gráficos “quadrados”, mas temos que lembrar que os games em 3D estavam começando a surgir na época em que Castlevania 64 foi lançado, e perto do seus “concorrentes” ele não fez feio. Tudo bem que tudo poderia ser um pouco mais bem feito, ainda mais em certas áreas do jogo onde uma misteriosa névoa se faz presente para tentar esconder alguns “problemas” gráficos do jogo.

Castlevania 64 traz efeitos sonoros bacanas e até a presença de vozes em alguns momentos do jogo. A trilha sonora não chega aos pés do que foi feito em Symphony of The Night ou de outros grandes games da série, mas nem por isso chega a ser ruim. O game possui sim boas músicas, especialmente a música da tela título do game, que é uma das mais belas já ouvidas por mim na saga Castlevania.

Agora um dos grandes problemas do jogo: sua jogabilidade. Os controles estão muito, muito ruins! Não passam total confiança para quem está jogando, pois você nunca terá certeza se conseguirá alcançar uma plataforma ou não. E até mesmo no solo, os personagens parecem estar sempre escorregando, como se estivessem no gelo! Tudo bem que um dos pontos mais criticados pelos jogadores a respeito da série Castlevania, seja a jogabilidade complicada presente em vários de seus games, mas em Castlevania 64 tudo está muito pior! Este ponto foi sem dúvida o principal responsável pela opinião negativa que muitos gamers tem a respeito deste jogo.

Para complicar tudo de vez, ainda temos câmeras que mais atrapalham do que ajudam o jogador, um mal que não só este Castlevania, mas muitos outros jogos lançados para o Nintendo 64 também sofreram.

Em momentos difíceis no game, onde se deve saltar por diversas plataformas, por exemplo, as câmeras acabam mudando o ângulo de visão do jogador sem que ele queira, o que faz com que quedas em abismos ocorram a exaustão! Esqueçam os guerreiros esqueléticos, os vampiros e outros monstros deste jogo, o verdadeiro “vilão” em Castlevania 64 são suas problemáticas e defeituosas câmeras!

A dificuldade do game vai depender mais se o jogador conseguir se adaptar ou até mesmo superar os problemas referentes a jogabilidade e as câmeras de visão do jogo. Feito isso, Castlevania 64 não apresentará tantas dificuldades. Fora alguns puzzles que tem que ser resolvidos durante a trama do jogo, não há nada que torne a vida do jogador realmente complicada. Os chefes são todos fáceis de vencer, com exceção da versão final do Conde Drácula, que é justamente o único ponto onde um jogador poderá ficar emperrado. Agora se você é um jogador que não conseguiu se adaptar a jogabilidade de Castlevania 64, pode considerar este game como muito difícil, ou até mesmo como algo impossível.

Conclusão

Castlevania 64 é um game considerado por muitos, como a ovelha negra de sua franquia. Possui algumas qualidades, mas seus defeitos conseguem ofuscar isso, pois eles interferem justamente no principal ponto de um game, que é a diversão que ele proporciona. Por conta de sua péssima jogabilidade e suas câmeras frustrantes, Castlevania 64, pelo menos para mim, não é algo nada divertido de se jogar. É um daqueles games regulares onde você se dedica a jogá-lo, ou por ser realmente muito fã da franquia que ele representa, ou por conseguir fazer vista grossa para os defeitos que ele possui. De qualquer forma é de se aplaudir a coragem que a Konami teve em fazer este game, mesmo que não tenha sido desta vez que um Castlevania em 3D tivesse realmente dado certo.

Recordar é envelhecer: Castlevania (Nintendo 64)
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