Saudações a todos!!

Acredito que alguns de vocês devem conhecer a Capcom? Uma empresinha pequena, que atualmente é conhecida por jogos como Street Fighter, Resident Evil, Monster Hunter, Mega Man, dentre outros. 

Mas, nos anos 80 e 90, nos Arcades ela era mais conhecida por ter, além de Street Fighter,  uma linhagem extensa de beat’em ups: Dynasty Wars, Warriors of Fate, The King of Dragons, Knights of the Round, Cadillacs and Dinosaurs, Dungeons and Dragons: Tower of Doom, Dungeons and Dragons: Shadow Over Mystara, The Punisher, Alien Vs Predator, Battle Circuit (jogo que comentei no meu blog antigo), Final Fight, Mighty Final Fight (esse apenas para NES), X-Men Mutant Apocalypse, Marvel Super Heroes: War of the Gems (esses dois últimos para o SNES)… ufa!

Como o leitou observou, a lista é quase infinita, o que mostra que, se tinha uma empresa que entendia do gênero, era a Capcom. Pois bem, apesar de ter citado uma saraivada de jogos (sendo que muitos deles possuem todas as características para aparecer nesta coluna), um deles, que é um dos mais divertidos e frenéticos do Arcade, não foi citado. Ainda. Isso porquê ele é o eleito para a coluna de hoje.

Tela inicial do jogo!

Armored Warriors (ou Powered Gear, como é conhecido no Japão), como vocês devem imaginar, é um beat’em up produzido e distribuído pela Capcom em 1994 (portanto, quando o gênero estava em queda de popularidade, justamente por conta de Street Fighter, que não preciso dizer quem produziu.. =D).

No jogo, controlamos um dos quatro soldados de elite da United World Government, localizado no planeta Terra, cuja missão é derrotar os cyborgs controlados por Azrael, um ex-capitão do Reino de Raian que resolveu se transformar em um cyborg e se rebelou contra o seu antigo reino. Ou seja, temos o velho tema da guerra cibernética sendo abordado em um jogo. Algo como uma mistura de Evangelion e Exterminador do Futuro. =D Para executar tal missão, o jogador dispõe de quatro personagens selecionáveis, cada um relacionado ao seu respectivo robô/mecha:

Tela de seleção de personagens

– Tenente Jeff Perkins (Rash) – O personagem equilibrado do jogo. Meio esquentadinho, ele é um ótimo piloto mas não têm muita experiência em combate. Pilota o mecha AEX-10M (Armored EXecutioner – 10 Middle).

– Capitão Ray Turner (Justice) – O personagem ágil e ótimo para ataques a distância, mas não tão forte. Habitante de Raia, ele fazia trabalhos burocráticos antes de ser enviado para combate. Pilota o mecha SVA-6L REPTOS (Strategic Variant Armor – 6 Light).

– Major Glenn Reed (Gray) – A força-bruta do grupo. Acostumado as batalhas, sendo praticamente uma lenda, ele é um dos poucos sobreviventes do famoso Esquadrão da Morte (Squad of Death). Pilota o mecha AEX-10H (Armored EXecutioner – 10 Heavy).

– Tenente Sarah White (Siren) – O ligeirinho do grupo, apesar de não ter muita resistência. Tendo descendência francesa e Raia, ingressou às forças aos 14 anos, sendo a mais jovem cadete da história. Pilota o mecha AEX-12J (Armored EXecutioner – 12 Junior).

Como vocês perceberam, cada um dos robôs possui as caracterísitcas usuais de um beat’em up, permitindo uma boa gama de opções para o jogador. Mas não pense que esse jogo segue apenas o básico do gênero. Armored Warriors possui vários detalhes únicos que incrementam a jogatina extremamente prazerosa.

É só isso que você tem para nos enfrentar?

Graficamente, como é de se esperar, segue o padrão de qualidade da Capcom. Temos personagens gigantes e detalhados, com o padrão característico da empresa, e sem sinais de slow motion, mesmo com inúmeros inimigos na tela. Somado a isso, os cenários são soberbos, com muitos detalhes de fundo (desde canos e armações de prédios expostos até humanos torcendo para os seus personagens). Além disso, outra coisa a se destacar é a parte sonora, que compõe muito bem o ambiente robótico, com vários sons característicos. Esses fatores somados passam todo o clima de guerra que a história do jogo evoca.

Eu e minha boca grande…

Mas o jogo possui outros trunfos além da qualidade gráfica.  A jogabilidade, por exemplo, é soberba. A ação se resume a três botões, além dos movimentos com o direcional: um para o pulo, o segundo para o ataque normal (melee) e um terceiro botão para os ataques a distância. Com dois toques para frente, o seu  personagem faz o já conhecido dash (ou corridinha, se preferirem), além é claro daquele ataque com os botões de ataque e pulo apertados ao mesmo tempo para livrar o jogador dos apertos (normalmente quando você está cercado por 2373682 inimigos).  Há vários golpes a serem executados, e os comandos respondem muito bem, não te deixando na mão em nenhum momento.

Um dos chefes mais complicados do jogo.

Como é de se esperar, a dificuldade é absurda. O jogo é um dos mais frenéticos que eu já conheci (imagine um jogo onde você deve constantemente dar dash para se livrar dos inimigos), e possui todos aqueles pormenores dos jogos do gênero (chefes de fase apelões, milhares de inimigos menores te cercando, fossos posicionados em locais traiçoeiros, armadilhas espalhadas pelo cenário, dentre outros). Os inimigos são tão ou mais ágeis que o seu robô, e em certos trechos do jogo, eles surgem em bando, prontos para fazer você virar sucata ambulante.  Para passar pelas sete fases do jogo, é preciso reflexos ágeis e usar todo o repertório de golpes.

Chefão final do jogo.

Mas o grande diferencial do jogo em relação a jogabilidade é a possibilidade de incrementar o seu robô com partes mecânicas deixadas pelos seus inimigos. Explica-se: quando um dos robôs inimigos são derrotados, deixa partes do seu maquinário de ataque e movimentação no cenário. Essas partes, uma vez coletadas pelo seu personagem (basta apertar o botão de ataque próximo do item), são adicionadas automaticamente ao robô, afetando diretamente os seus ataques e a sua movimentação. É como se Mega Man X virasse um beat’em up.

Esse fator adiciona um componente estratégico bastante eficaz e inteligente, sendo mais um atrativo para a jogatina. Além disso, quando dois ou mais jogadores estão presentes (o jogo suporta até 3 jogadores), estes podem se unir temporariamente, formando um Megazord com um poder de ataque quase que infinito. Essa incrementação na jogabilidade mostra o quão criativo era o departamento que cuidou desse jogo.

Hora de morfar!!! =D

Apesar de  todos esses atributos, o jogo alcançou apenas sucesso moderado nos EUA e no Japão, talvez por ter sido lançado numa época em que o gênero estava em decadência. Ainda assim, os mechas que aparecem nesse jogo inspiraram a criação do jogo de luta entre robôs Cyberbots, lançado menos de um ano depois, possivelmente para se adequar ao gosto popular da época.

Isso é uma pena, pois Armored Warriors tinha um grande potencial para se tornar uma franquia, pois unia tudo que era bom nos jogos do gênero, acrescentando detalhes que melhoraram substancialmente a jogabilidade, podendo ser o passo seguinte para o gênero não cair no obscuridade. Para que vocês comprovem tudo isso que foi dito, aqui vai o gameplay do jogo:

Até a próxima pessoal, e viva os Arcades (e o MAME)!!

Reliquias do MAME #05 – Armored Warriors
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