Recordar é envelhecer: Top Gear (Super NES)

Olá amigos leitores do Gagá Games! Aqui é o retrogamer André Breder para trazer até vocês mais uma edição do Recordar é envelhecer! Neste sabadão irei recordar um clássico game de corrida da geração 16 bits: trata-se do primeiro Top Gear, jogo lançado para o Super NES! Tenham todos uma boa leitura e até o próximo Sábado!

Introdução

Lançado em 1992 pela Kemco, numa época em que ainda não existiam os “Need for Speeds” de hoje, Top Gear levou os fãs de games de corrida à euforia! O Super NES ainda estava dando seus primeiros passos, mas já trazia jogos diferenciados e divertidos, e Top Gear facilmente entrou nesta lista, sendo que até os dias de hoje é muito lembrado (e ainda jogado) pelos gamers que vivenciaram a febre que foi este game. Nas locadoras de games era comum ver um ou mais consoles com dois jogadores se “degladiando” em Top Gear, dividindo o espaço com games de futebol e de luta.

Top Gear foi desenvolvido pela Gremlin Graphics, que já havia lançado outros títulos de corrida dentro da série Lotus, sendo que jogadores que tiveram contato com esta franquia antes de Top Gear, com certeza notaram as grandes semelhanças que ambas compartilham. Já para aqueles que só foram se viciar em jogos de corrida após Top Gear, a novidade trazida pelo título era um convite quase que obrigatório para partidas com dois jogadores: aqui além dos competidores normais, o jogador sempre tem um rival a ser batido, fazendo com que seja numa partida solo, seja numa partida multiplayer, a tela do game fique dividida em duas, mostrando na parte superior o carro do jogador, e na parte de baixo o veículo de seu oponente ou daquele seu amigo que sempre tinha que jogar com o segundo controle.

Sobre o game:

Top Gear dá várias opções para o jogador em seu início, como a possibilidade de entrar com seu nome, escolher entre quatro configurações diferentes de controles, decidir se vai jogar com as marchas automáticas ou manuais, e ainda escolher entre quatro tipos de carros (Cannibal, Sidewinder, Razor e Weasel), cada qual com suas características, sendo que todos os modelos tem seus pontos altos e baixos. Por exemplo o vermelho Cannibal é o mais veloz, mas em contrapartida é o que mais gasta combustível e a aderência dos seus pneus é muito baixa. E falando em combustível, Top Gear chamou a atenção na época por conta da necessidade de ter que reabastecer o carro durante certas provas de maior duração.

Cada carro possui ainda três “nitros” por corrida, que servem para aumentar a velocidade do automóvel de forma impressionante por um curto período de tempo, mas que muitas vezes é suficiente para ultrapassar muitos adversários ou para garantir aquela vitória difícil em um final de prova. Para resumir sobre a questão dos carros do jogo, o branco é para iniciantes, enquanto que o azul e o roxo para jogadores intermediários, e o possante vermelho é mais indicado para jogadores profissionais ou hardcore.

O game leva o jogador a participar de corridas que ocorrem em diversas partes do mundo, sendo que cada país ou região que esteja sediando uma competição traz quatro pistas diferentes. Ao todo são oito campeonatos que resultam num total de 32 pistas. Para se qualificar para uma próxima corrida, o jogador deve terminar no mínimo na quinta posição em uma prova, caso contrário é fim de jogo.

Apesar de ter sido lançado quando os criadores de games ainda não sabiam como utilizar de todo o potencial do Super NES, Top Gear traz gráficos muito bons. A foto digitalizada de uma pista de corrida que serve como tela de fundo do menu de opções do jogo, já serviu para chamar a atenção de todos na época. Durante o jogo os carros passam uma deliciosa sensação de velocidade, e o design tanto dos veículos, quanto dos cenários ficaram muito bem feitos, ainda mais nas cenas que rolam na tela durante os reabastecimentos. E a variedade dos cenários foi muito bem explorada, e até mesmo corridas durante a noite são possíveis, o que dá todo um charme para o game. O velocímetro está bem posicionado na tela, fazendo com que seja bem fácil sua visualização, o que permite que o jogador possa conferí-lo de forma rápida, sem perder o foco na corrida. Bacana também foi o uso de balões estilo “história em quadrinhos” para mostrar o que o piloto sobre o controle do jogador está falando, o que varia de acordo com a situação vivida na corrida.

A parte sonora de Top Gear, composta por Barry Leitch, é sem nenhum exagero, uma maravilha, sendo muito elogiada pelos gamers até hoje! Suas músicas extremamente empolgantes só fazem a adrenalina do jogador ir às alturas durante as corridas, e muitos temas possuem melodias tão grudentas que mesmo depois de anos muitos gamers não conseguiram esquecê-las. Apesar da trilha sonora ser um espetáculo, e muitos gamers terem a escutado pela primeira vez ao conhecerem Top Gear, muitas dos temas não eram inéditos: várias músicas são remixes de temas originalmente feitos para alguns jogos da série Lotus. Lógico que isso não tira os méritos da versões de Top Gear, muito pelo contrário, pois na opinião de jogadores mais veteranos que conheceram os games da franquia Lotus, as músicas ficaram ainda melhores no game lançado para o Super NES. Os efeitos sonoros, como o som dos motores dos carros, das derrapagens, batidas, etc, também ficaram muito bem feitos.

A jogabilidade também é ótima, e como já dito anteriormente, em Top Gear o jogador tem a sua disposição quatro tipos de configurações de controles, fazendo com que seja praticamente impossível que um jogador não encontre uma que seja mais ao seu gosto. Todos os comandos funcionam muito bem, com respostas precisas. Jogadores que já tenham uma certa prática em games de corrida não terão qualquer dificuldade com os controles de Top Gear, e mesmo jogadores de “primeira viagem”, ou melhor, primeira corrida, poderão se adaptar aos controles já nos primeiros minutos de jogo, pois tudo é realmente bem simples.

Em relação a dificuldade, Top Gear permite que o jogador escolha entre três níveis, sendo que cada nível mais alto de dificuldade terá carros adversários mais velozes e “ferozes” durante as competições, e também mais obstáculos nas pistas. O desafio é crescente, mas jogadores fanáticos por jogos de corrida não terão nenhum problema em terminar este game, seja qual for o nível escolhido. Tendo um bom domínio sobre os controles, e sabendo reabastecer o seu carro nos momentos corretos, o jogador poderá sempre conseguir se qualificar para uma próxima corrida, sem nenhum problema.

Conclusão

Top Gear é um dos melhores jogos do gênero corrida da geração 16 Bits, e por todas as suas qualidades e diversão que ele proporciona, acabou gerando uma franquia que visitou o Super NES mais duas vezes e também foi para outros consoles, como o concorrente Mega Drive. É um daqueles games que dificilmente um jogador enjoa, e por conta disso é até hoje jogado por muitos retrogamers mundo afora.

About André Breder

Um gamer que não tem preconceitos: curte tanto os games clássicos, quanto os novos, e nunca deu preferência para nenhum console ou empresa específica do mercado. Tanto que criou um blog sobre games de todas as épocas, chamado Blog do Breder.