Recordar é envelhecer: Aladdin (Mega Drive)

Olá amigos leitores do Gagá Games! Aqui é o retrogamer André Breder trazendo até vocês mais uma edição do Recordar é envelhecer! Hoje vou lembrar um game de plataforma lançado originalmente para o Mega Drive que chamou muito atenção na época em que ele saiu, principalmente por trazer um visual até então inédito para o console: Aladdin! Tenham todos uma boa leitura e até o próximo Sábado!

Introdução:

Games baseados em filmes quase sempre tem um resultado nada satisfatório, mas é bom perceber que a mesma regra não ocorre com os games que são baseados nos longas animados da Disney, ou mesmo nos jogos que contém seus personagens famosos como Mickey e Donald. Após eu ter jogado bons títulos como Castle of Illusion e The Lucky Dime Caper no meu velho Master System, eu me acostumei em sempre esperar por games de qualidade por trás da Disney. E para minha total felicidade, sempre que eu jogava algo que trazia o famoso logotipo desta empresa, ficava feliz por estar me divertindo em mais um game muito bacana.

No final de 1993 foi lançado mais um game excelente de uma animação da Disney para o Mega Drive, que chamou a atenção de todos principalmente por sua incrível (para a época, claro) qualidade visual: Aladdin era baseado no longa de mesmo nome que havia sido lançado nos cinemas de todo o mundo, praticamente um ano antes do game. Nesta época eu já não ligava para os desenhos ou filmes da Disney, mesmo que só tivesse 13 anos, mas sabia que em relação a um game feito com a permissão desta grande empresa, dificilmente eu iria me arrepender em dar uma conferida. Dito e feito! Mesmo que tenha demorado um pouco, ao jogar Aladdin pude comprovar que a Disney continuava acertando em cheio quando o assunto era games de plataforma!

Sobre o game:

Aladdin do Mega Drive possui uma trama muito próxima da que é vista no famoso longa (acabei vendo o desenho anos depois, para comprovar isso, quando já era adulto o suficiente para não ter preconceitos bobos em relação aos desenhos da Disney), e logo de cara põe o jogador no controle do ladrão “do bem” Aladdin, aprontando mais uma das suas nas ruas do reino de Agrabah. Vendo as habilidades do jovem, o maléfico Jafar chega a conclusão que Aladdin é o único que pode entrar na perigosa caverna que guarda a lendária lâmpada mágica, e ser capaz de sair de lá com vida e de posse do objeto sagrado. No decorrer da aventura, Aladdin acaba descobrindo as más intenções de Jafar, que deseja se casar com a bela princesa Jasmine à força, para então poder tomar o controle de todo o reino de Agrabah. Como um bom moço que é, e também por estar apaixonado pela princesa, Aladdin fará de tudo para livrar Jasmine das mãos do asqueroso Jafar.

Aladdin não chega a representar uma revolução no gênero ação/plataforma, mas é mais uma amostra de um ótimo game deste tipo e que traz também suas pecularidades. Uma delas é que não existe um contador de tempo durante a atravessia pelos estágios. Marca registrada em outros games do gênero, e que obrigam o jogador a ter uma maior rapidez na passagem das fases, em Aladdin o jogador pode explorar cada estágio do título de uma maneira mais tranquila, sem pressa. Isto ajuda o jogador na busca pelos diversos itens que ele encontrará na aventura, e que irão garantir alguns bônus no final de cada fase ou mesmo durante a mesma. Ao pegar, por exemplo, um item que representa a face azul do sorridente Gênio, Aladdin irá participar após o término de uma fase, de uma espécie de roleta da sorte, onde pode ganhar itens importantes e até mesmo vidas extras. Outro item que garante um divertido bônus é o que possui a face do simpático símio Abu, e que permite que o jogador possa controlá-lo em uma fase bônus.

Aladdin possui vários inimigos que estarão em seu caminho nas fases, e para vencê-los terá duas armas principais: uma afiada espada scimitar e… maçãs. É engraçado notar que ao mesmo tempo que no game os produtores tenham colocado uma arma de verdade para o protagonista, por outro lado resolveram “amenizar” as coisas, ao permitir que o mesmo também possa derrotar seus adversários ao jogar neles simples maçãs. Mesmo que Aladdin utilize uma arma cortante e também algum de seus inimigos, o que faz com que ocorram duelos que lembram um pouco o que foi visto no clássico Prince of Persia, este é um jogo da Disney acima de tudo (mesmo que ele tenha sido desenvolvido pela Virgin Interactive), então não há sangue jorrando por aqui, sendo que os inimigos ao serem vencidos somem da tela virando fumaça, e não em um monte de pedaços voando pela tela.

A existência de dois tipos de armas principais para o protagonista do jogo garante então, duas formas diferentes de atacar, que são ataques de perto (com a espada) ou ataques à distância (com as maçãs). Como é bem mais fácil, e também mais seguro, atacar os inimigos com as maçãs, seu uso no game é limitado: ao iniciar o game o jogador tem apenas 10 maçãs a sua disposição, e terá então que procurar por maçãs extras, que são encontradas ao longo das fases. As maçãs podem ser, todavia, acumuladas em até 99 unidades, caso o jogador prefira utilizá-las com cautela ou mesmo não usá-las durante o jogo.

A parte visual do game é a que mais chamou, e ainda chama, a atenção: o nível de detalhes é enorme, com cenários literalmente vibrantes e com a utilização correta das cores, tornando o título muito próximo do visual arrebatador do desenho animado em que ele foi baseado. Desde Castle of Illusion, a Disney soube transpor seus personagens com perfeição para os consoles da SEGA, e em Aladdin isto também ocorre, só que em um nível muito acima do esperado, tendo conseguido então superar todos os outros títulos lançados anteriormente pela empresa do Mickey Mouse. A excelente animação do título também é outro aspecto que deixa o jogador de boca aberta. Os personagens possuem movimentos tão reais, que você até custa a acreditar que está no controle de um game ao invés de um desenho animado interativo. Mantendo o clima infantil e de bom humor do desenho animado, temos animações das mais diversas para os vários adversários de Aladdin no game, algumas tão divertidas e bem boladas que podem até fazer com que o jogador solte boas gargalhadas durante a jogatina.

Em termos sonoros o game também é brilhante, trazendo efeitos que são bem característicos em um game do tipo: todo som possui um clima bem infantil e leve, e para deixar tudo ainda melhor, há também a presença de algumas vozes digitalizadas, tanto para o protagonista, quanto para alguns dos inimigos. Mesmo que tudo se resuma no final das contas em alguns “grunidos” ou frases curtas como “C’mon!”, esta última dita por alguns dos guardas de Jafar, na época estes detalhes faziam a diferença, e davam mais vida ao game. A trilha sonora do jogo é dividida entre versões de temas que também apareceram no desenho, e outras músicas que foram compostas especialmente para o game. Os temas são todos bem variados, e se adequam de forma perfeita nas diversas situações do jogo: temos temas agitados, lentos e alguns que chegam a ter uma sonoridade épica, fazendo com que o jogador possa sentir todo o clima de aventura de Aladdin! Destaque para o tema “Prince Ali”, na minha opinião a melhor música presente no título.

A jogabilidade é uma das melhores que já vi em um jogo de plataforma do Mega Drive, com todos os comandos fluindo que é uma beleza! Aladdin pode fazer muitos movimentos durante o jogo, como pular, atirar maçãs, usar a espada, subir ou descer cordas, entre outros. No game, o personagem é tão habilidoso quanto sua encarnação no desenho animado.

Sobre a dificuldade do título, há três níveis que podem ser escolhidos pelo jogador no menu de opções: “Practice”, “Normal” e “Difficult”. Jogando no modo padrão, o game apresenta um desafio moderado, com algumas fases que podem complicar as coisas um pouco (como a etapa do tapete voador, que até lembra um pouco a fase “Wind Tunnel” do dificílimo Battletoads). Em certos estágios algumas plataformas são complicadas de serem alcançadas, requerendo que o jogador tenha precisão ao executar saltos mais longos. Já em outras alguns inimigos são tão “petulantes”, que podem até fazer com que o jogador passe um pouco de raiva. Mas mesmo com todas essas adversidades, Aladdin está longe de ser um game impossível de terminar. Durante a aventura muitos bônus estão disponíveis, e dão a chance do jogador de acumular várias vidas extras. Até mesmo durante as fases do jogo existem lojinhas que vendem vidas e também “continues”, que são comprados por meios dos rubis que são coletados durante os estágios. Tudo isto ajuda a tornar o título bem mais fácil. As batalhas contra os chefes são todas fáceis, exceto a derradeira luta contra o maquiavélico Jafar, que talvez seja a verdadeira parte mais difícil do game.

Conclusão:

Aladdin é, na minha opinião, um dos melhores games de plataforma da geração dos consoles de 16 Bits. O jogo reúne em um só pacote tantas qualidades técnicas, que só isso já era suficiente para no mínimo, fazer com que qualquer jogador tenha respeito e admiração por ele. Mas para alegria daqueles que puderam jogá-lo, Aladdin se mostra ainda um game muito divertido, e com um fator “replay” alto. Bons tempos em que a parceria Disney e SEGA estremecia o mundo dos games…

About André Breder

Um gamer que não tem preconceitos: curte tanto os games clássicos, quanto os novos, e nunca deu preferência para nenhum console ou empresa específica do mercado. Tanto que criou um blog sobre games de todas as épocas, chamado Blog do Breder.