Recordar é envelhecer: Castlevania – Harmony Of Dissonance (Game Boy Advance)

Olá amigos do Gagá Games! Aqui é o retrogamer André Breder trazendo para vocês mais uma edição do Recordar é envelhecer! Hoje vou relembrar um game lançado em 2002 para o Game Boy Advance, e que fez a alegria de muitos “caçadores de vampiros”: trata-se de Castlevania – Harmony Of Dissonance. Tenham todos uma boa leitura e até o próximo Sábado!

Introdução:

Castlevania – Circle of The Moon mostrou que o Game Boy Advance podia mesmo ser capaz de fazer um bom “MetroidVania”. Mas mesmo com todas as qualidades do primeiro game da franquia Castlevania neste portátil da Nintendo, ficou claro que algo melhor ainda poderia ser concebido, e que Circle of The Moon havia sido uma espécie de “primeiro teste”.

Surge então em cena o talentoso Koji Igarashi (também conhecido simplesmente como IGA), que foi uma peça fundamental no sucesso de Symphony of The Night. Ocupando desta vez o cargo de produtor de um game da franquia Castlevania, IGA tomou para si a missão de criar uma espécie de “Symphony of The Night de bolso”, um jogo que pudesse ser ainda melhor que Circle of The Moon e mais próximo do grande sucesso do PlayStation.

Depois de algum tempo de trabalho, surgia em 2002 o game Castlevania – Harmony of Dissonance, que colocava como protagonista um legítimo membro do clã Belmont, mesmo que ele lembrasse mais o visual de Alucard do que qualquer outra coisa. Detalhes bobos a parte, o novo Castlevania mostrava que IGA é mesmo competente no que faz, e se existe alguém capaz de fazer um “MetroidVania” tão bom, ou até melhor que Symphony of The Night, esta pessoa não pode ser outra, a não ser ele próprio.

Sobre o game:

A história de Castlevania – Harmony Of Dissonance é a seguinte: “alguns anos após o caçador de vampiros Simon Belmont derrotar Drácula, dizem que Juste Belmont, descente da família, também procurou pelas relíquias do vampiro. Maxim Kischine, o melhor amigo de Juste, tinha viajado para treinar dois anos antes disto acontecer, mas retornou inesperadamente, dizendo a Juste que Lydie, uma garotinha que eles tanto adoram, havia sido raptada. Maxim havia perdido misteriosamente parte de sua memória, e esqueceu-se completamente do período em que esteve em treinamento, só restava uma vaga lembrança sobre o rapto de Lydie. Maxim levou seu amigo Juste ao ponto onde ele acreditava que Lydie estava, e lá os dois encontraram um estranho castelo que não estava em nenhum mapa. Eles acreditaram que aquele poderia ser o famoso castelo do Conde Drácula. Agora os dois irão se separar e procurar por Lydie, nas salas obscuras deste tenebroso castelo que encontraram”.

Juste Belmont, assim como os outros caçadores de vampiros, usa apenas o lendário chicote “Vampire Killer” como arma principal, mas durante a aventura, ele poderá aumentar o poder destrutivo do chicote, fazendo com que ele tenha efeitos elementais, e outros poderes, como ser capaz de atirar bolas de fogo. Juste possui também a sua disposição as armas sagradas, que em Harmony Of Dissonance podem ser utilizadas sozinhas ou então combinadas com livros de magia (Spellbooks). Fazendo esta combinação, Juste pode lançar várias magias bem legais, que lembram muito o “Item Crash” de Richter Belmont. Em Harmony Of Dissonance existem também várias relíquias, algumas com funções semelhantes as do clássico Symphony Of The Night, que deixam o personagem principal do jogo ainda mais poderoso. A loja que vende itens e armaduras está de volta em Harmony Of Dissonance, facilitando a vida dos jogadores que passarem um bom tempo juntando dinheiro, pois poderão deixar com que o Belmont tenha uma boa defesa e também alguns poderes especiais que podem ser conseguidos através de medalhões e outros itens especias que o personagem pode se equipar. A Konami falhou feio não tendo colocado uma lojinha em Circle Of The Moon, mas se redimiu com este jogo.

No início o jogador pensará estar em um castelo simples como o do game anterior da série que saiu para o Game Boy Advance, Circle Of The Moon, mas logo descobrirá que em Harmony Of Dissonance existem, na verdade, dois castelos. É diversão em dobro, como ocorreu com Symphony Of The Night! O segundo castelo não é invertido como no clássico do PlayStation, mas possui inimigos mais difíceis que no primeiro. O legal em Harmony é que você não irá completar um castelo para depois jogar o outro, mas irá completando os dois simultaneamente. Neste ponto a Konami conseguiu se superar, e fazer o uso de dois castelos de uma forma mais inteligente do que a que ocorreu em Symphony of The Night.

Em Harmony Of Dissonance percebe-se que o poder gráfico do Game Boy Advance estava em grande ascensão na época em que este game foi concebido. O salto de qualidade entre este e o jogo anterior da série que também foi lançado para o portátil da Nintendo é evidente. Harmony conta com animações bem mais detalhadas e cores muito bem balanceadas. Os efeitos de magias estão muito bonitos e os chefões estão arrepiantes e bem animados. Em Circle Of The Moon os gráficos ficaram bastante escuros, o que atrapalhava na hora de jogar na telinha do Game Boy Advance, algo que gerou muitas críticas por parte dos jogadores. Já em Harmony Of Dissonance os gráficos estão mais coloridos e também mais nítidos, fazendo com que o problema do game anterior não se repetisse aqui. Vale citar ainda que os personagens e monstros estão melhores desenhados que os de Circle Of The Moon. Isso se deve ao talento da desenhista Ayami Kogima, que assim como fez em Symphony of The Night, arrasou na criação do conceito dos personagens do título. E mesmo que Juste Belmont seja quase que uma cópia de Alucard (o que gerou a reclamação de muitos fãs mais “puristas”), é inegável o bom gosto dos traços e do estilo gótico de Ayami, que deu novos ares para a série Castlevania, e que na época funcionou muito bem.

Os efeitos sonoros deste game estão excelentes! Os sons dos personagens e dos monstros estão muito bem feitos, sendo que alguns possuem até mesmo vozes digitalizadas. Ouvir toda esta qualidade em um portátil, é algo que realmente chegou a impressionar na época. Agora nem tudo são flores: apesar das várias melhorias se compararmos Harmony Of Dissonance com Circle Of The Moon, a qualidade sonora das músicas foi meio que deixado de lado, ou teve que ser comprometida em favor de outras áreas do jogo. Em Circle Of The Moon a qualidade de som das músicas era quase a de um Super Nintendo, mas em Harmony Of Dissonance a trilha sonora parece vindo de um Nintendinho 8 bits. Mesmo com a fraca qualidade de som, as músicas estão boas, no entanto.

Pra quem é fã de longa data da saga Castlevania vai estar rapidamente acostumado com os controles deste jogo. Juste pode fazer ações bem básicas, como pular, atacar, agachar, etc, além de outros movimentos especiais que irá ganhar no decorrer da aventura, mas em momento algum os jogadores ficaram perdidos em meios aos comandos e controles do personagem, pois tudo é realmente muito fácil de se utilizar. Um detalhe muito bom nos controles é que Juste pode portar seu chicote igual a Simon Belmont no game Super Castlevania IV do Super Nintendo, ou seja, segurando-se o botão de ataque e movimentando o direcional pode se infligir golpes consecutivos em um inimigo, além de pode usar o chicote como escudo para alguns ataques inimigos. Uma boa novidade nos controles é que Juste pode executar dashs e recuos bem rápidos. Isso é ótimo para se passar por salas que você já eliminou todos os inimigos e pegou todos os itens sem perder tempo.

Em relação a sua dificuldade, Harmony Of Dissonance é um dos games mais fáceis da série Castlevania. O jogador não encontrará grandes dificuldades em enfrentar os inimigos e chefões, desde que esteja sempre em um bom nível e portando boas armas e proteções. A maior dificuldade será mesmo a exploração dos dois imensos castelos. Mesmo sendo fácil, não pense contudo que este jogo não é divertido: você sempre estará querendo continuar a jogá-lo, mesmo que esteja com sono, pois seu modo de jogo é muito, muito viciante. E ao chegar ao final, a vontade de jogar tudo novamente é grande!

Conclusão:

Para aqueles que acharam Circle Of The Moon um ótimo game, Harmony Of Dissonance pode ser facilmente considerado quase como um novo Symphony Of The Night. Talvez muitos o considerem até melhor que o game estrelado pelo filho de Drácula. Para mim, ele não chegou a superar o clássico Symphony, mas mesmo assim se tornou um dos meus jogos preferidos da série Castlevania. Se você curte o estilo “MetroidVania” e ainda não jogou Harmony Of Dissonance, não deixe este título passar em branco, pois ele será garantia de muitos dias de diversão.

About André Breder

Um gamer que não tem preconceitos: curte tanto os games clássicos, quanto os novos, e nunca deu preferência para nenhum console ou empresa específica do mercado. Tanto que criou um blog sobre games de todas as épocas, chamado Blog do Breder.