O que você jogou em 2012?

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Lembram do meme “O que você jogou em 2011“? Sim, aquele criado pelo blog MarvoxBrasil onde nós e outros blogueiros contávamos sobre os jogos que havíamos jogado em 2011? Pois aqui vai o  ”O que você jogou em 2012″ — que para espanto geral, é igualzinho ao meme de 2011, só que focado em 2012. Quem diria, hein?

Como de costume, não vamos nos focar nas velharias que jogamos, mas sim nas “novarias”, títulos mais modernos, aquelas deliciosas heresias para todo retrogamer. O horror dos FPS! A indecência das deathmaches online! A vil sedução dos títulos com gráficos ultrarrealistas! Argh! É a maior quantidade de pecados confessados por metro quadrado de texto da internet!

Aí vai a listinha dos melhores títulos modernos que joguei em 2012. Aguardem apenas um minutinho enquanto eu me escondo atrás desta barricada… um minutinho só… pronto, vamos em frente.

Dead Space

Minha primeira impressão de Dead Space foi ruim. Joguei no PC, com mouse e teclado, e achei um porre. O cara se mexia que nem um tanque pelos corredores de uma enorme espaçonave tomada por seres bizarros e violentíssimos. Aí comprei um controle de Xbox para meu PC, liguei o note à TV da sala, sentei na poltrona com o controle e tudo se transformou. Síndrome de consolista, né?

Dead Space é tipo um Silent Hill de ficção científica. Você vai ficar muito, muito tenso jogando esse negócio. Nunca se sabe de onde o inimigo vai saltar, se sua munição vai bastar e, caso tudo dê errado, se você vai conseguir correr mais do que seus algozes. É pesado, denso, assustador e envolvente, que nem Silent Hill. A diferença é que a jogabilidade é boa; desmembrar os inimigos com tiros nas juntas é uma delícia macabra, como um sundae de tendões rompidos fritos. Embora o jogo se passe quase todo dentro da tal nave, a coisa nunca fica cansativa, cada fase tem uma ideia nova para a ambientação. O jogo não é nem muito curto nem muito longo, tem a duração perfeita. M-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o.

Dead Space: Extraction

Todo mundo sabe que o Wii não tem cacife para rodar um Dead Space decente — os gráficos são parte importantíssima da experiência do jogo. Ciente disso, a EA resolveu criar algo totalmente diferente para o Wii, e na minha humilde opinião o resultado foi tão bom quanto o obtido com o jogo original.

Extraction é um rail shooter. Já jogou Virtua Cop? Time Crisis? É isso aí, a visão é em primeira pessoa e o seu personagem se move sozinho pelas fases; você controla apenas a mira. E veeeeeelho, como é bom esse negócio! Não só a ação é fabulosa como as fases são esplêndidas, os personagens excelentes (coisa rara nesse tipo de jogo) e a trama uma belezinha. Além do diálogo durante as fases, a história vai sendo revelada também na forma de HQs animadas, liberadas sempre que você passa de fase — e elas estão cheias daqueles massacres horrendos que a gente adora ver (só nos games, é claro). Para mim, é um clássico perdido. E velho, QUE FINAL É AQUELE? HOLY SHIT!!!

Halo

Neste ano eu cometi a heresia suprema de comprar um Xbox 360. E claro, eu não poderia deixar de conhecer a estrela-mor da plataforma. Como não queria pegar o bonde andando, comprei Halo Combat Evolved Anniversary Edition, que é basicamente o primeiro Halo com gráficos refeitos e imensamente superiores aos do jogo original. Dá para jogar com os gráficos originais, mas lá se vão dez anos de Halo, e acho que jogar pela primeira vez hoje com gráficos modernos nos aproxima bem mais da sensação que as pessoas tiveram na época, quando os gráficos do primeiro Xbox eram top de linha.

E que surpresa eu tive com esse joguinho. Doom II foi o último FPS que realmente me divertiu, e eu já tinha perdido a fé no gênero. Mas aí o Halo chegou, me apresentou uma trama interessante, inimigos inteligentes, combate com veículos que realmente funciona e diverte, gerenciamento simples e eficiente de armas, fases bem projetadas e uma tensão miserável em alguns momentos. Não é que Halo seja incrivelmente inovador; o que acontece é que ele faz tudo que um FPS tem que fazer com um nível de excelência que eu nunca tinha visto antes. Terminei no fim de semana. Fiquei com a sensação de que esse jogo me tacou na parede e me chamou de lagartixa. E isso vai soar muito gay, mas estou doido para embarcar em Halo 2 e assumir mais uma vez o meu papel de geconídeo doméstico masoquista.

Metal Gear Solid Trilogy HD

Dívida antiga a minha com MGS2: sou fã do Metal Gear de PSX, e quase chorei quando anunciaram o 2 para o Playstation 2. O motivo? Eu tinha um Dreamcast em casa, e nenhuma grana para comprar um play2.

Mas a vida é caprichosa, e eis que muitos anos depois eu compro meu Xbox 360 com Metal Gear Trilogy HD, coletânea que reúne MGS 2, 3 e Peace Walker. Eu mal podia esperar para finalmente poder dizer com ganho de causa que os detratores de MGS2 eram uns frescos, que o Raiden era legal sim, que ninguém tinha entendido a genialidade do Kojima. E vou continuar esperando, porque o tal do Raiden é um porre mesmo, fica discutindo a relação com a moça do rádio o jogo inteiro. E claro, não dá para respeitar um cara que fica dando estrelinha pelado por aí. A ação em si é boa, mas a trama é absurda até para os padrões de Metal Gear, e os chefes são um desastre — na boa, Kojima, um gordão de patins especialista em bombas? 0_0

Felizmente MGS 3 chutou todas as bundas do universo, adorei o jogo. Nada me tira da cabeça que a moça decotada que ajuda Snake é mais do que levemente inspirada nas Bond Girls dos filmes do 007 — e o horrendo e cafonérrimo tema da abertura também, he he! Já o Metal Gear Peace Walker não me agradou: tem missões curtas e isoladas, mais apropriadas a um portátil. Fora que o Kojima decidiu cruzar Snake com Che Guevara, no visual e nas atitudes, é bem evidente. Muita gente deve gostar de gerenciar recursos e investir na pesquisa de armamentos entre as fases, novidade de Peace Walker, mas eu odeio esse negócio. Sou um horror com números, não consigo nem gerenciar a compra de pasta de dente aqui em casa, a minha sempre acaba antes que eu compre a próxima.

Saciada a minha sede por Metal Gear, troquei a coletânea pelo Final Fantasy XIII de outro camarada lá no Troca Jogo. É, eu sei, Deus tenha piedade da minha alma.

Trine

Trine, eu te amo. Tipo, EU TE AMO, é sério. Se você topar, largo minha esposa hoje mesmo e fujo com você para o Caribe. Jesus, que ela nunca leia este post.

Ah, se todos os jogos fossem como Trine…  a física é tão boa, e as fases tão bem feitas, que tudo pode acontecer! Você sente que volta e meia faz alguma coisa totalmente inesperada para matar um inimigo ou passar por algum obstáculo. Não é possível que os desenvolvedores tenham pensado em todas as possibilidades. Tem vários momentos memoráveis que não acontecem porque foram roteirizados, mas sim pelas possibilidades do gameplay, puro e simples. Aquele momento em que você cruza a tela em alta velocidade pendurado no gancho da ladina, salta, se transforma no guerreiro e em pleno ar bate espadas com um esqueleto que também estava saltando, é totalmente random, a gente nota que não tava no script. Às vezes você morre três, quatro vezes para passar de uma parte, e cada vez que tenta passar a cena é totalmente diferente. É game design digno de um Miyamoto da vida.

Prince of Persia (2009)

Você provavelmente já ouviu falar desse Prince of Persia onde a mocinha não deixa o mocinho morrer. Você cai num buraco, ela te salva e você pode tentar de novo, quantas vezes quiser. Nas batalhas também, você não morre. Tem gente que diz que isso é uma heresia em se tratando de Prince of Persia, que Prince tem que ser difícil, cruel, masoquista. Eu também achava, até que um dia, numa dessas promoções do Steam, comprei o jogo.

Pois eu acho que os detratores não entenderam a proposta deste joguinho. Aqui, a Ubisoft multiplicou por mil as já mirabolantes acrobacias dos princes anteriores; ela inventou o que eu chamo de “combo de saltos”, onde você escorrega pela pedra, pula na parede, corre por ela, segura no gancho, pula no paredão… são sequências impressionantes e deliciosas de se realizar. Mas como a ousadia delas é imensa, seria um desastre se a cada erro tivéssemos que recomeçar a fase. O jogo seria ridiculamente difícil e nem um pouco divertido. Foi uma troca: vamos lançar a ação a níveis inimagináveis, e pegar leve na dificuldade para isso ser viável. Não importa qual estilo você prefere. Não leve o jogo muito a sério, pare de pensar se é um retrocesso para a série, ou se abre um precedente perigoso; a Ubisoft não quer desafiar você com este jogo, mas sim provocar um orgasmo. É uma heresia maravilhosa.

Fable: The Lost Chapters

As pessoas sempre parecem lembrar de Fable como aquele jogo que fez mil promessas não cumpridas. O criador do jogo, o bom e velho Peter Molyneux, é especialista em prometer e não cumprir, e disse que teríamos uma liberdade absurda — mas acabou não sendo bem assim. Pois eu digo: pare de pensar no que o homem não fez e veja o que ele realmente conseguiu colocar no jogo. Fable é um estouro.

Ao longo do jogo, você pode sim trilhar o caminho de um herói bondoso ou de um tirano cruel. Eu segui a rota do mal, e não faltaram oportunidades para mostrar minha crueldade: matei na arena minha companheira de infância, ajudei bandidos a saquearem vilas de trabalhadores inocentes, ordenei que cortassem a cabeça de um pobre camponês e salvei um bandido perigoso do enforcamento. E quando entrei numa caverna sombria para salvar um moleque aprisionado por um demônio e, para fugir de um combate com a criatura, troquei meu pobre companheiro de jornada pelo pirralho? Ha ha ha, o cara ficou desesperado, aposto que não esperava por essa! ^_^

Além disso, a trama fica bem séria do meio para o final: fui preso, tive uma oportunidade de fugir e perdi, e com isso fiquei um ano mofando na cadeia. Minha mãe foi sequestrada e o vilão supostamente abusou sexualmente dela, que estava em frangalhos quando a encontrei. Minha pobre irmã ficou cega, e no final do jogo (spoilers!) tive a opção de matá-lo e tornar-me poderosíssimo, ou de poupar sua vida e seguir um caminho de modesto heroísmo. Depois de cometer tantas maldades ao longo da jogatina, decidi que esse seria meu momento de redenção: poupei minha irmã, salvei o mundo e me redimi de meus pecados. Se Fable não merece ser lembrado para sempre só por isso, então eu não sei qual é o critério para se definir um clássico.

Mirror’s Edge — O Melhor do Ano

Já começo deixando meu voto para que a equipe que desenvolveu Mirror’s Edge deixe de atender por “DICE” e passe a se chamar “Fucking Awesome”. Só assim para descrever o trabalho sensacional desses caras. A visão é típica de um FPS, mas o jogo em si passa longe do festival de tiros do gênero.

O lance aqui é correr, e muito: correr pelos telhados, correr pelas paredes, pelas escadas. E quase sempre você vai fazer isso nas alturas, pulando de um prédio para o outro, subindo ou descendo pela calha de prédios, enquanto um monte de loucos atira contra você. É adrenalina puríssima; o jogo tem um pique fantástico, com trilha sonora pulsante que faz as coisas fluírem deliciosamente bem. Do meio para o final o ritmo fica prejudicado por um súbito aumento de dificuldade, mas até a metade esse negócio é uma obscenidade gamer altamente orgasmática. Pelo amor de Deus, vá logo jogar esse negócio.

Conheça os demais participantes do meme “O que você jogou em 2012″

- Gamer Caduco (http://gamercaduco.com/)
- Vão  Jogar! (http://vaojogar.com.br/)
- Revista Game Sênior (www.gamesenior.com.br/)
- Video Game.etc (http://videogame.etc.br/)
- The Twosday Code (http://yoritoshi.wordpress.com/)
- Passagem Secreta (http://passagemsecreta.com/)
- Cosmic Effect (http://cosmiceffect.com.br/)
- Edi (FZ2D) Retro Reviews (http://edireviews.blogspot.com/)
- Fúria: blog sobre games (http://furia94.wordpress.com/)
- Zir0 Video Game Nerd (http://emulaziro.blogspot.com/)
- Espaço João Roberto (http://espacojoao.blogspot.com/)

About Orakio Rob, "O Gagá"

Dono do império corporativo Gagá Games, o velho Gagá adora falar sobre si mesmo em terceira pessoa. E sim, é ele mesmo que está escrevendo este texto.