Academia Gamer: Encarnação

“Para quem quer fazer exercícios de reflexão”

 

Olá crianças!

Dias atrás (aproximadamente um mês), estava na igreja pensando sobre o Natal, sobre as coisas a esperar no ano que se aproxima, acerca das mudanças que me acometeriam a partir de janeiro, planos, projetos, sonhos e esperanças.

E acabei pensando, por alguma razão, no tema da Encarnação. Para leitores que não saibam do que se trata, essencialmente é o elemento básico do cristianismo e que designa a “entrada” de Deus em nosso mundo como humano. E, uma vez tendo entrado nesse mundo, teve que se submeter a todo o jogo que ele é.

Muitas analogias surgiram em nossas discussões aqui na Academia Gamer, mas uma que sempre tive e que acho bacana para pensar é o fato de podermos descrever nossa própria existência como um jogo. Claro que no decorrer de nossa vida experimentamos a escolha do jogo ao qual queremos nos submeter, mas, com exceção de Deus-homem na Encarnação, nós simplesmente “fomos lançados” nesse mundo e temos nele apenas duas opções: aceitarmos suas condições e vivê-lo seriamente, ou abandoná-lo através do quietismo, alienação ou suicídio.

Com games é a mesma coisa: uma vez dentro de um mundo-jogo como Phantasy Star, Shining Force, Langrisser, Sonic ou qualquer outro, temos que levá-lo a sério. E isso implica na aceitação de um elemento essencial que é a finitude. Assim como a Encarnação implica em vir ao mundo, o término dessa estada por aqui também se mostra.

E, como também conversamos bastante por aqui, todo jogo é temporário afinal de contas. Nossa finitude (a mesma que o Cristo experimentou) aqui no mundo revela um outro aspecto interessante de todos os jogos e inclusive aquele de nossa existência: o simples fato de que as coisas são temporais. Uma vez inseridos dentro do tempo, as coisas fenecem e desaparecem em algum momento posterior.

E esse momento é sempre incerto. Em algumas vezes pode ser mais provável que ocorra hoje do que amanhã; mas no geral, é sempre imprevisível embora paradoxalmente certo.

E é pensando nessa questão da finitude de todo jogo, em sua aceitação e compreensão como o termo de nossas vidas em qualquer mundo, que quero finalizar esse nosso espaço tão academicamente grego que tivemos aqui.

A Academia era um lugar de reflexão, de aprendizagem e de crescimento humano. E assim o foi para mim esse espaço. Aprendi muito com cada comentário e discussão levantada. E isso se estende inclusive para minhas outras postagens aqui no blog embora seja este aqui o espaço que mais alegrias me trouxe.

Aproveitando o clima natalino e a temática da Encarnação do post de hoje, há uma música que gosto muito de uma banda chamada Petra (que, aliás, é meu grupo musical favorito) e que, embora fale disso, acaba dando uma ênfase muito grande na finitude também. Basicamente é o convite do anjo à Maria cujo filho nasce para morrer: contudo é uma finitude que traz melancólica alegria difícil de ser compreendida, mas cheia de sentido para quem buscar entender.

Como está sendo para mim esse término da minha participação aqui no Gagá Games, gostaria de encerrar a parte principal deste singelo texto com uma citação literal de um autor que me cansaram ouvir repetir aqui. Diz G. K. Chesterton: “Amar qualquer coisa é amar suas fronteiras. (…) É que quando chegamos ao fim de uma coisa, chegamos também a seu início.”

Obrigado por tudo pessoal e até a próxima!

Post Scriptum: quem quiser manter contato (eu pelo menos quero), avise-me de alguma maneira. Ainda responderei comentários aqui sempre que receber avisos deles. Podem avisar-me por e-mail se for o caso e, nos dias que se seguem, usarei meu apelido “Senil” em lugares como Facebook e Steam para facilitar a localização.

About Senil

Escritor e ouvinte de música em tempo integral que joga menos videogame do que gostaria. Fez miraculosamente uma dissertação de mestrado sobre Phantasy Star que praticamente ninguém deve ter tido paciência de ler.