Blogs sobre Retrogames, já existem ao montes por aí, agora aqueles dedicados únicamente aos RPGs clássicos, são raros. Confira abaixo uma entrevista que fiz com Leonardo Maciel, o Sir Kao do blog Retro Fantasy, um blog bacana onde o assunto é só RPG das antigas:

André Breder – Qual seu nome verdadeiro, idade e cidade/estado onde mora?

Sir Kao – Meu nome é Leonardo Maciel, tenho 25 anos e moro em Campinas/SP.

André Breder– Como foi seu primeiro contato com um game do gênero RPG?

Sir Kao – Bom, como muitos garotos da minha geração, era um pivete de 7 anos quando coloquei um cartucho de Phantasy Star no meu saudoso Master System. E vou revelar algo que não devia, não gostei de cara, pois é, só estava acostumado com jogos como Alex Kidd e Double Dragon, e todos aqueles menus e encontros aleatórios me deixaram frustrado na época, mas logicamente isso foi pesar alguns anos depois, quando me apaixonei por Final Fantasy.

André Breder– Como surgiu a ideia de criar o blog Retro Fantasy?

Sir Kao – Na papel a idéia surgiu há muuuuito tempo. Existiam dois sites brasileiros que eu gostava muito de acessar quando adolescente, o Evil Gambit’s Lair e a RPG-A, alguém se lembra? Ambos eram sites bem populares dedicados exclusivamente aos RPGs, porém, por problemas da vida eles evaporaram. Eu como um profundo apaixonado pelo gênero, sentia falta de sites assim, além disso, eu preferia muito mais jogar os clássicos do que esses RPGs novos que precisam de um curso de 48 horas e habilitação para começar a jogar. Pronto, essa foi a fórmula, “RPG + Nostalgia + Drogas = Retro Fantasy”.

Leonardo Maciel, o Sir Kao do blog Retro Fantasy.
Leonardo Maciel, o Sir Kao do blog Retro Fantasy.

André Breder– Qual o principal fator/característica que te fez se apaixonar pelo gênero RPG?

Sir Kao – Já começou me encurralando. Sabe aquele detalhe crucial que te faz casar com alguém e você não sabe explicar? Apesar da comparação infeliz, é esse o caminho. Eu costumo definir os RPGs com uma palavra que não consigo encontrar em nenhum outro jogo, liberdade. O fato de você poder trilhar seu próprio caminho, de poder evoluir para alcançar seus objetivos, de ir aonde quiser, desbravar o mundo e descobrir seus segredos mais ocultos, isso é liberdade, isso é RPG.

André Breder– Qual RPG você passou mais tempo jogando? E quanto tempo foi gasto até conseguir fechar o game?

Sir Kao – O culpado foi Final Fantasy Tactics, esse cara me tirou pelo menos ¼ da minha vida! Na verdade, fechar o jogo foi relativamente rápido, porém, FFT é um gênero de jogo que costumo chamar de “horizontal”, ou seja, ele expande de forma contrária ao objetivo focal de simplesmente finalizar o jogo, que é na parte de exploração de segredos e evolução dos personagens. RPGs assim são um belo exemplo da liberdade que eu mencionei, e também são muito perigosos, fique longe deles!

André Breder– No RPG qual modo de jogo te agrada mais, os RPG tradicionais ou os Action/RPGs?

Sir Kao – Rapaz, é difícil tomar uma posição definitiva quanto a isso, na verdade eu costumo gostar mais do RPGs Táticos, mas no meu conceito, um Action RPG bem elaborado pode me agradar muito mais do que um RPG tradicional, exemplo? Secret of Mana, sempre achei esse jogo fantástico, seu sistema simples e dinâmico, somado à jogabilidade multiplayer, faz um Action RPG deixar qualquer RPG tradicional no chinelo, e tenho dito.

André Breder– Curte também os MMORPG’s (Massively Multiplayer Online Role Playing Games)?

Sir Kao – Já curti bastante, mas hoje tento evitá-los, pois quem já jogou sabe que podem ser tão prejudiciais quanto drogas pesadas. Um exemplo é o popular World of Warcraft, esse jogo realmente surpreende pela temática e imersão, porém, o fato de ter tantas possibilidades pode facilmente te prender mais do que em sua própria vida. Portanto, é sempre bom apreciar com moderação e lembrar que enquanto estava estava lendo isso, mais 10 chineses foram pra cucuia jogando online.

André Breder– No seu blog, o Retro Fantasy, há uma série de posts intitulados “Perdidos no Japão”, que abrange games de RPG que ficaram como exclusivos do Super Famicom, ou seja, estão todos em japonês. Você já descobriu muita coisa boa, que infelizmente nunca teve um lançamento oficial em inglês?

Sir Kao – Olha, pra baralho, muito é pouco para descrever o que já descobri. Exemplos são jogos como Bushi Seiryuuden, Chaos Seed e Dark Half, que me impressionaram por estarem bem à frente de seu tempo. Infelizmente, muitos títulos excelentes foram deixados no Japão exatamente pelo má aceitação do ocidental com a complexidade de jogos para consoles, felizmente é um detalhe que está mudando gradativamente, mas mesmo hoje, ainda vemos alguns títulos que não atravessam os mares, o que comprova que ainda precisamos abrir nossas mentes, não é fácil conseguir aprovação para trazer esses jogos, é só vermos o motivo da lendária Working Designs ter fechado e teremos a resposta.

André Breder– Ainda em relação aos seus posts no Retro Fantasy, você está sempre divulgando o trabalho de romhackers no campo da tradução de games do gênero RPG. Fale um pouco mais sobre este assunto.

Sir Kao – Um detalhe que me motivou a fazer isso é que já fui um romhacker, de meia-tijela, mas já fui. Para quem já tentou traduzir algum jogo, sabe que não é um trabalho fácil, e muitas vezes não se ganha o devido reconhecimento, por isso considero um ato heróico de quem faz isso somente movido pela paixão por algum jogo, sem ganhar nenhum tostão, é algo que merece ser divulgado e os romhackers reconhecidos. Sabe, uma vez me senti muito feliz quando um romhacker norte-americano me agradeceu por ter divulgado seu trabalho, e eu entendo esse sentimento de ter o seu trabalho reconhecido, não existe nada igual.

André Breder– Você curte RPGs de mesa?

Sir Kao – Bom, já que é pra avacalhar na nerdice mesmo, já curti bastante, quando era mais pivete joguei um pouco de GURPS, um pouco de Tagmar (é brasileiro, alguém já ouviu falar?), mas o que eu mais joguei foi o clássico AD&D. Hoje prefiro ficar só nos RPGs eletrônicos mesmo, não tenho mais paciência de preencher fichas e rolar dados, mas ainda considero o RPG de mesa uma ótima forma de jogo social, bom, melhor do que truco.

André Breder– Voltando aos “RPGs eletrônicos”, quais são os seus 10 RPGs preferidos?

Sir Kao – Essa dos 10 é complicada, sempre acabo me arrependendo de cometer uma injustiça. Mas vamos lá:

1 – Final Fantasy VI

2 – Chrono Trigger

3 – Ys

4 – Secret of Mana

5 – Phantasy Star (o Gagá me mata)

6 – Final Fantasy VII

7 – Final Fantasy Tactics

8 – Lunar: The Silver Star

9 – Suikoden

10 – Super Mario RPG

André Breder– Para você qual console/plataforma do passado, foi a que teve o maior número de RPGs de qualidade?

Sir Kao – Ah, sem dúvida o Super Nintendo, esse cara não foi o primeiro, mas foi único no quesito RPGs. Era uma época em que a falta de recursos técnicos avançados dava margem à criatividade, e veja só, clássicos eternos foram criados nele, alguns nunca superados, o motivo disso é simples, hoje não se aposta no que é diferente, mas no que rende mais.

André Breder– Apesar do seu blog abordar apenas RPGs clássicos, você também curte RPGs de consoles mais modernos, como Game Cube, PS2, PS3 e Xbox 360?

Sir Kao – Não posso revelar… tá bom, na verdade curto alguns sim, de PS2 eu joguei bastante o Dragon Quest VIII, que apesar dos gráficos, mantém a jogabilidade clássica da série, além do excelente Disgaea e do desconhecido Growlanser Generations. Do PSP joguei o Legend of Heroes, estilo Lunar, achei bem legal, e o remake de Final Fantasy (acho que não conta). Um que ainda gostaria muito de jogar é o Baten Kaitos de GameCube, quem sabe quando eu tiver um Wii. Só isso, já tentei outros, mas não sei, algo sempre me faz voltar nos clássicos, é a velhice mesmo.

André Breder– Fica aqui um espaço para as suas considerações finais!

Sir Kao – Um grande abraço a todos os velhacos companheiros de blog e a todos os viajantes que sempre acessam o Retro Fantasy e deixam um comentário, nem que seja para me xingar. É isso, boas aventuras aos amantes de RPGs!

Entrevista com Sir Kao, do blog Retro Fantasy.
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