Olá amigos do Gagá Games! Aqui é retrogamer André Breder trazendo até vocês mais uma edição do Recordar é envelhecer! Hoje vou lembrar aquele que, se não me falha a memória, foi o primeiro first-person shooter que joguei: Doom II: Hell on Earth. Tenham todos uma boa leitura e até a próxima!

Introdução

Em meados de 1995, meu pai comprou o seu primeiro PC: um 586. Nesta época um game do gênero “first-person shooter” era uma verdadeira febre no mundo, e aqui no Brasil parecia ser comum vários PCs já virem com ele em seu HD: Doom II: Hell on Earth, e no caso do computador do meu pai a coisa não foi diferente. E foi por meio deste fabuloso shooter minha iniciação na franquia Doom.

O primeiro game, intitulado apenas como Doom e lançado em Dezembro de 1993, havia feito um sucesso enorme, tanto pelo seu modo de jogo extremamente empolgante (seja em campanhas solo, em dupla ou no modo Deathmatch), quanto pela sua violência explícita. A boa recepção que Doom teve por parte dos gamers de todo o mundo fez com a sua produtora, a ID Software, lançasse logo uma sequência, isto no ano de 1994.

Doom II: Hell on Earth se manteve fiel ao game anterior da série, trazendo praticamente a mesma engine gráfica. É como se fosse mais uma expansão enorme do primeiro Doom, do que um novo game. Logicamente todos os labirintos e fases eram totalmente novos, ainda que o mesmo esquema do jogo anterior continuasse valendo aqui: o jogador teria que achar certas chaves, cada qual indicada por um cor diferente, para poder prosseguir nas fases. E claro, ao mesmo tempo em que teria que atirar e destroçar dezenas de criaturas vindas diretamente do inferno!

Novos inimigos e powerups

E por falar em criaturas do inferno, Doom II: Hell on Earth trazia inimigos inéditos, tais como Chaingun Zombie, Hell Knight, Mancubus, Revenant, Arachnotron, Pain Elemental e Arch-Vile, este último um monstro que se move em grande velocidade e que pode até mesmo ressuscitar inimigos já vencidos.

Apesar de ter vários inimigos novinhos em folha, em Doom II o jogador só possui uma arma nova: o Super shotgun, uma espécie de escopeta de cano duplo. As outras armas são a que já eram conhecidas no primeiro game, sendo elas a pistola, a escopeta de cano simples, a metralhadora, o lança foguetes, o rifle de plasma e o canhão de plasma. Mas em contrapartida existem também alguns novos “powerups”, como a Megasphere, que faz com que os níveis de saúde e armadura do jogador atinjam o seu máximo.

Ah, sim o game também tem uma história!

Apesar da história neste caso, só servir mesmo de um pano de fundo para justificar a matança que rola na tela, Doom II tem sim, uma trama: o jogador entra novamente na pele do destemido “Marine”, que ao retornar para a Terra após cumprir sua missão no game anterior, descobre que o planeta foi totalmente invadido por hordas vindas do inferno!

Com todas as maiores cidades do mundo em ruínas, os líderes remanescentes planejam usar o Espaço Porto para transportar os sobreviventes da população do planeta para algum local seguro. Contudo, o Espaço Porto está altamente protegido por demônios e outras criaturas.

Todos os soldados da Terra que ainda estão vivos se reúnem e fazem um desesperado ataque no Espaço Porto, enquanto permitem que os sobreviventes possam fugir, mas eventualmente, todos os soldados são dizimados no processo, e somente “Marine” sobrevive. O herói decide continuar na Terra enquanto seus semelhantes fogem para um local seguro, afim de acabar de uma vez por todas com os invasores de seu planeta.

Gráficos

Graficamente Doom II é bem semelhante ao game original, mas o jogador mais atencioso notará um claro capricho nos cenários do segundo jogo, bem como a presença de algumas novas “decorações” para os cenários, como barris em chamas e corpos mutilados, sendo que alguns ainda se movem. A estrutura dos cenários em Doom II se ampliou se comparada com a do primeiro game, com labirintos maiores e menos lineares. Na época de seu lançamento, era necessário também um computador mais poderoso do que o usado para rodar o game original se o usuário quisesse jogar Doom II com perfeição, já que um número maior de monstros poderiam ser encontrados em um mesmo local desta vez.

Como é dividido em três capítulos, o game de forma gradativa vai mostrando cenários extremamente diferentes uns dos outros, cada qual com suas particularidades. Quando você chega a pensar que já viu tudo, eis que novos cenários totalmente macabros e criativos surgem no jogo, para deleite do jogador que ficará empolgado até chegar na última e derradeira fase. A animação dos monstros e criaturas que povoam o universo de Doom II continua tão boa quanto a vista no game original, e o personagem “Marine” continua com suas impagáveis expressões faciais, que ajudam a reforçar toda a emoção que o game de forma natural já proporciona.

Sonoridade

Os efeitos sonoros ouvidos em Doom II continuam idênticos aos do primeiro game da série, ou seja, não tem do que reclamar. O som dos tiros, explosões, rosnados, etc, tudo é muito bem feito e no tom exato para um game sério e violento como Doom II. E vale citar como chega a ser bacana você adentrar uma sala escura no game e só ouvir os rosnados ou grunidos de algum monstro sem saber ao certo onde o inimigo está! É adrenalina pura!

Em relação as músicas, assim como ocorreu no primeiro Doom, aqui é o compositor Robert Prince que mais uma vez mostra seu talento. Algo que se percebe logo nas primeiras fases do game, é que em Doom II as músicas estão mais diversificadas do que no game original, onde os temas eram mais agitados e dentro do gênero heavy metal/hard rock. Em Doom II as músicas estão muito mais sombrias, climáticas, atmosféricas e horripilantes! Graça a toda essa diversidade, Doom II acaba tendo um clima muito mais tenebroso do que seu antecessor, o que acaba sendo um ponto extremamente positivo!

Jogabilidade e Dificuldade

A jogabilidade é ótima! O jogador pode escolher entre jogar no teclado (ou via joystick, caso tenha um) ou no mouse, ou ainda utilizar ambos ao mesmo tempo! Pode-se por exemplo, utilizar o mouse para se movimentar e o teclado para as demais funções. Os comandos via teclado são simples: as teclas Up, Right, Left e Down movimentam o personagem na tela; enquanto que a tecla Ctrl atira ou ataca, e a tecla Shift serve para fazer com que o personagem corra. Não há um botão para pular, mas utilizando a “corrida” é possível atingir certas plataformas que à primeira vista parecem ser inatingíveis. As teclas númericas ainda fazem com que ocorra a troca das armas, de uma maneira prática e rápida; e a tecla “Tab” aciona um mapa, que ajuda o jogador a encontrar o caminho certo durante as fases.

Em relação a dificuldade o jogo permite que 5 níveis possam ser escolhidos pelo jogador, que vão desde o nível mais baixo (I´m too young to die.) até o mais alto (Nightmare!). O principal objetivo do game é abrir caminho nas fases até o ponto de saída, só que para isso é necessário sair a procura de certas chaves, além de fazer o uso de alguns botões ou acionar alavancas, para abrir passagens durante as fases. Algums estágios do game são bem complexos em termos de estrutura, e farão com que o jogador tenha que também fazer uso de sua massa cinzenta para encontar a saída, ao invés de simplesmente sair feito um louco dando tiros para todos os lados.

Durante a jornada de “Marine”, ele poderá contar com diversos tipos de itens para ajudá-lo na sua sobrevivência, como munição extra para suas armas, kits médicos que restauram sua saúde perdida, armaduras para diminuir os danos causados pelos inimigos e até mesmo artefatos como a já mencionada Megasphere, que ajudam a tornar o game menos difícil.

Alguns inimigos são obstáculos nada agradáveis de serem passados: o demônio cibernético “Cyberdemon” é literalmente duro na queda! Um oponente muito resistente e ao mesmo tempo com ataques muito fortes! O seu compatriota em relação a peças robóticas, o gigantesco “Spiderdemon”, que no Doom original é o último chefe, volta em Doom II, e também dá muito trabalho para ser vencido.

Conclusão

Doom II – Hell on Earth serviu para fazer com o gênero first-person shooter se tornasse popular no mundo todo, e graças ao seu enorme sucesso, uma enxurrada de games semelhantes abarrotaram o mercado nos anos que se seguiram.

Em 1995, Doom II ganhou o Origins Award como o Melhor jogo de fantasia ou ficção científica de 1994, fazendo com que seus produtores, como John Romero e John Carmack, se tornassem referências a serem seguidas no mundo dos games.

No final do ano de 1995 foi lançado o pacote de expansão “Master Levels for Doom II”, o que só ajudou a manter a longevidade do game. Ainda que hoje Doom II possa ser visto como um game ultrapassado e antiquado, ele ainda se mostra bem divertido e desafiante. Um clássico que tem seu nome cravado na história dos games, com toda certeza!

Recordar é envelhecer: Doom II – Hell on Earth (PC)
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