O Gagá Games está morto. Longa vida ao Gagá Games!

Era uma vez um bonequinho cabeçudo que socava blocos amarelos e comia bolinho de arroz no fim das fases. Ele pilotou motos radicais e helicópteros esquisitões; aniquilou polvos assassinos usando apenas os punhos; e decidiu o destino de seu povo em partidas de “pedra, papel e tesoura”. Um dia, decidiu se aposentar, e muita gente hoje nem sabe que ele existe. Mas isso não é importante, porque ele se divertiu um bocado, e divertiu um montão de amigos que embarcaram com ele em suas jornadas.

Aqui no Gagá Games, eu sempre tentei seguir o exemplo do velho Alex: vivi muitas aventuras, postei coisas doidas, aprontei das minhas em uma revista de games, fiz vídeo-análises abiloladas, entupi o Twitter de asneiras diariamente e até compartilhei minha dancinha desajeitada com os amigos leitores. Não salvei o mundo, mas me diverti pra diabo, e acredito piamente que todos que me acompanharam também se divertiram de montão.

Mas todo mundo sabe que não dá para jogar dois, três jogos ao mesmo tempo. E acontece que após quatro anos me aventurando pelo mundo miraculoso do Gagá Games, eu percebi que precisava de tempo para viver outras aventuras. Sim, tempo, esse grande serial killer da internet.

Antigamente, sempre que tinha um tempinho livre eu vinha preparar um post, era uma coisa que me dava um prazer enorme. Mas hoje me sobra tão pouco tempo para minhas jogatinas que tenho que aproveitá-lo é para jogar. Quando paro para escrever algo, sinto que é uma obrigação, que eu queria mesmo era estar jogando um jogo, e não escrevendo sobre ele.

Para completar, algo curioso aconteceu comigo neste ano. Esta parte vai parecer notícia velha para quem ouviu meu bate-papo com o Mano no blog da Game Sênior, mas vou repetir aqui porque é importante. Se você não ouviu a conversa, seria ótimo se separasse um tempinho para fazê-lo mais tarde.

O meu bate-papo com o Mano Beto foi muito bacana e esclarecedor… escute aqui.

Desde o fim do Dreamcast eu vivia o sentimento de que o grande momento dos games havia passado. O fim da Sega como fabricante de consoles foi meio traumático para mim; nunca consegui digerir aquilo, e o Dreamcast foi, por muitos anos, o último console moderno que eu tive. Playstation 2, Xbox, Gamecube, Play 3, X360… todos passaram em branco por mim, não me interessavam. A era de ouro dos games tinha chegado ao fim com a queda da Sega.

Porém, desde o ano passado, comecei a me interessar por jogos novos. Mass Effect e outros títulos começaram a me parecer realmente interessantes. Joguei Dead Space de ponta a ponta no meu computador com uma satisfação que eu não sentia há muitos, mas muitos anos MESMO. Mirror’s Edge me surpreendeu e bateu com a minha cabeça na parede como não acontecia desde a primeira vez que joguei Jet Set Radio, no saudoso Dreamcast.

Senti que havia algo especial acontecendo. Aos poucos, eu estava recuperando a fé no futuro dos games. Voltei a sentir um arrepio na véspera da E3, aquela empolgação não com um console específico, mas com tudo o que acontece ou está prestes a acontecer no mercado de games. E aí, no final de outubro, o impensável aconteceu: comprei um Xbox 360.

É bem verdade que eu já tinha um Wii há alguns anos, mas nunca me senti moderno com ele. Eu comprei um Wii para jogar Zelda, Mario e Metroid; era a velha Nintendo de sempre, acho que o Wii é uma escolha confortável para um retrogamer. O Xbox não; ele é uma quebra de verdade, uma mudança do velho paradigma para o novo, dos gráficos ultrarrealistas, do FPS, da multimídia, do herói com armadura realista e espada afiada no lugar do jovem de gorrinho verde e estilingue.

Isso não quer dizer que vou abandonar o retrogaming; é óbvio que essa é uma paixão que não morre. Mas cheguei à conclusão de que, depois da minha amada esposa, os videogames são a coisa que eu mais amo na vida, e eu não quero que essa paixão esteja presa ao passado, que seja só uma lembrança de tempos que não voltam. Eu quero que essa paixão seja algo com passado, presente e futuro; que comece na minha primeira partida de game com Interlagos no Odyssey, passe pela jogatina de Halo: Combat Evolved Anniversary ontem à noite e siga até o meu último pressionar de botão daqui a umas boas dezenas de anos, se possível. Portanto, em 2012, eu finalmente abri o meu coração e deixei Master Chief, Faith, Shepard e outros ícones da jogatina moderna entrarem para dividir a lareira com Sonic, Alis, Link e tantos outros. Todo mundo junto, como tem que ser.

Some a essa verdadeira farra gamer a turma jovem, cachaceira e cheia de energia dos indies, que em uma completa surpresa tomou de assalto o sofá da minha sala, com títulos como Trine, And Yet it Moves, Jamestown e tantos outros. São jogos novos, novíssimos, muitos deles com mecânicas inovadoras, mas com um “retroheart” que pulsa com uma força fantástica. É como se Space Invaders, Mega Man e Golden Axe tivessem renascido e voltado a correr por todos os cantos da casa como crianças alucinadas e cheias de energia. E olha que nem citei produções modernas de grandes empresas que carregam com orgulho a tocha do retrogaming — agorinha mesmo eu estava me aventurando pelos labirintos do excelente Etrian Odyssey no Nintendo DS e lembrando de Shining in the Darkness.

Jamestown, um alívio para as viúvas de Truxton e outros shooters verticais

Com uma oferta tão grande e de tão alta qualidade de novos games, que me levou a dividir meu pouco tempo de jogatina entre velharias e modernices, manter o Gagá Games tornou-se uma tarefa ainda mais colossal. Meus amigos colaboradores vinham fazendo posts com a habitual disposição, e pensei em manter o blog assim mesmo, mas vi que não fazia sentido manter um blog que leva o meu “nome” à base dos posts dos meus amigos. O Gagá Games nunca foi apenas um blog sobre retrogaming; ele é um blog sobre a minha vida com o retrogaming. É sobre a minha paixão por Phantasy Star, sobre a minha empolgação em pilotar um carrão azul enquanto um japonês doido grita “rooooolling staaaaaaaart”, sobre as risadas que dei com o futebol de ultraman. Se meus amigos levarem o blog nas costas por mim, o blog não vai ter mais a minha cara; apenas a minha máscara.

Portanto, eu “demiti” todo mundo. Claro, não foi assim; conversei com a turma que escreve aqui para o blog dizendo como eu me sentia, dizendo que queria fazer isso que estou fazendo hoje, e todos levaram numa boa. Isso explica o post de despedida do Breder em novembro (embora ele já estivesse mesmo com o post preparado há alguns meses, por motivos parecidos com os meus), a recente saída do Piga e a falta de posts do resto da turma — com exceção do Senil, o primeiro cavaleiro a se unir à nossa távola redonda, e que será o último a sair com seu post de despedida amanhã.

E o que tudo isso significa?

O blog em si continua online, com esse acervo incrível que meus companheiros me ajudaram a construir. Pagarei com prazer os custos de hospedagem para manter esse material online, para que vocês possam consultar sempre que quiserem. E até posso fazer posts eventualmente, um hoje, outro daqui a seis meses, talvez… mas definitivamente, o Gagá Games não será mais a máquina de posts que era desde seu primeiro dia. Agora sou só eu aqui, como no início, só que postando quando der na telha, sem compromisso. Tenho certeza de que meses vão separar cada post, e que eles provavelmente serão menores do que estão acostumados. Enfim, o dinossauro Gagá Games está meio que entrando num processo de fossilização. Uns ossinhos podem aparecer aqui e ali de vez em quando, mas sempre que isso acontecer, será algo meio inesperado.

De certa forma, é uma volta às origens. De seu começo despretensioso, o Gagá Games se tornou um sucesso muito maior do que eu esperava, batendo em mil e poucos visitantes diários. Abri uma conta no Twitter, e em pouco tempo mais de mil pessoas passaram a me seguir por lá. A fase do Twitter sem dúvida foi a mais divertida do blog; eu amava chegar ali todas as manhãs, postar umas besteiras, ver a reação de vocês, dar risada com o que postavam… muito do que se viu no blog naqueles tempos nasceu em conversas no Twitter, na forma de indicações de amigos, ou num bate-papo despretensioso. Mais do que nunca, eu escrevia o blog para vocês, e vocês eram mesmo parte do processo criativo… do material que eu fazia para vocês? Que loop bizarro ^_^

Tenho ótimas lembranças do post de Eternal Champions, por exemplo; quando decidi jogar o jogo e fazer o post, vários no Twitter me advertiram que ele era uma porcaria. Também achei no início, mas aos poucos fui começando a gostar, e a turma do Twitter ia gradualmente se contorcendo de horror diante da minha empolgação! Foi MUITO engraçado… nisso, o Nino Megadriver me perguntou via Twitter se eu não queria lançar a versão que a banda dele tinha feito do tema principal junto com o meu post. Nesse meio tempo, tive a ideia de organizar um “Encontro Retrovator”, onde juntaríamos a turma para disputar um campeonato de Eternal Champions com dois Activators! Ficou só na intenção, mas foi muito divertido imaginar. Quando o post saiu, ele tinha a cara daqueles dias, daqueles papos doidos no Twitter. É mágico fazer um blog assim, mágico de verdade.

Foi um período breve, mas intenso. Para mim, aquele foi o ponto alto do Gagá Games, não só em popularidade, mas em prazer para mim. Em meio a tudo aquilo, eu sabia que não havia mais como continuar subindo — a não ser que eu me divorciasse e largasse o emprego para passar o dia todo postando no blog e no Twitter; eu teria que abrir mão de algo na minha vida, porque o Gagá Games já ocupava um espaço muito grande. Além disso, o excesso de popularidade começou a me causar alguns problemas; eu não dava conta de responder a todos os emails, começou um zunzunzum de que eu era um sujeito metido a gostosão, que tinha me vendido etc etc etc… tudo besteira. Eu nunca, mas nunca mesmo perdi o foco do Gagá Games: diversão. Eu só queria me divertir e levar todo mundo junto comigo. E hoje estou muito feliz, porque acredito ter me mantido fiel a esse princípio, desde o início do blog, passando pelo período de extrema popularidade até este “meio-fim” de hoje.

Bom, vamos encerrar este melodrama, certo? Gostaria de dizer a todos vocês que sua presença por aqui, na forma de emails, comentários em posts ou mensagens no Twitter, foi a coisa mais extraordinária que eu já conquistei na vida (depois da minha esposa, obviamente). Este aqui era para ser um blog só meu, que eu fazia só para mim, mas vocês o transformaram em uma coisa maravilhosamente diferente. Por isso, muitíssimo obrigado a todos pelo enorme carinho. Obrigado pelos presentes, pelas risadas, pela atenção. Aos leitores, aos colaboradores, à turma dos outros blogs retrôs, a todos que se divertiram comigo e que também me divertiram muito, obrigadíssimo, do fundo do coração.

Planos para o futuro? Além de um ou outro post por aqui, e de umas peruadas sobre jogos modernos no CosmicEffect, pretendo voltar a me dedicar bem mais ao meu primeiro site, a boa e velha Gazeta de Algol, meu tributo a Phantasy Star. O site andou meio largado nessa fase de sucesso do Gagá Games, e é com muita alegria que volto a atuar mais como o Orakio Rob, editor da Gazeta de Algol. Nessa zona gamer generalizada que meu coração gamer se tornou, confesso que ainda reservo um quarto quentinho com uma lareira para uso exclusivo dos heróis de Algol. Se vocês quiserem entrar também para tomar um café comigo e com essa turminha, é só clicar aqui. Vou acolhê-los com prazer, da mesma forma que vocês fizeram comigo desde que comecei o Gagá Games.

A Gazeta de Algol, o eterno xodó do Gagá

Vocês ainda estão aí? Vão jogar, caramba! ^_^ E feliz natal, criançada!

About Orakio Rob, "O Gagá"

Dono do império corporativo Gagá Games, o velho Gagá adora falar sobre si mesmo em terceira pessoa. E sim, é ele mesmo que está escrevendo este texto.