Na série “O Gagá responde: WTF is…”, seu velhinho retrogamer favorito encara apenas o primeiro jogo de uma franquia que já recebeu várias continuações e tenta entender qual é a da franquia toda. O resultado obviamente é falho, impreciso e provavelmente muito irritante para os fãs da franquia em questão, mas é divertido mesmo assim, então dane-se ^_^

Este post é dedicado aos gamers que, por increça que parível, conseguiram atravessar anos de jogatina sem JAMAIS ter tocado em um único jogo da série Pokémon. Sim, senhoras e senhores, esses humanos esquisitos que jamais se sentiram atraídos pelo modelo “gotta catch’em all” de jogabilidade existem! E eu sou um deles!

Não foi por preconceito que nunca joguei um título Pokémon, foi mais por falta de oportunidade mesmo. Não tive Game Boy, não tive Nintendo 64, não tive Gamecube, então não rolou. Mas vendo como a franquia resiste heroicamente até os dias de hoje (e com um fôlego invejável para sua idade), eu comecei a me perguntar se esse negócio de catar monstrinho não poderia ser divertido para um gamer veterano e fã de jogos esquisitões como eu. Será que a turma que nunca se interessou por Pokémon deveria voltar atrás agora e jogar tudo para encontrar um cálice sagrado de diversão gamer perdido no passado por um cruel golpe do destino?

Para descobrir isso, investi meu tempo e minha paciência no primeiro joguinho da série, Pokémon Red, lançado para o Game Boy. Joguei em um emulador no Dingoo, em preto e branco mesmo, como nos velhos tempos, para a coisa ficar bem autêntica. Só faltou todo aquele lance multiplayer de duelar com os amigos, que representa 99% da graça de Pokémon, mas isso é só um detalhe ^_^

Cadê o RPG, Pikachu?

Definir RPG é um negócio complicado pra diabo. É só ver a polêmica que dá chamar o primeiro Zelda de RPG: logo chega a turma que diz que não é, porque o Link não ganha pontos de experiência ou avança de nível, porque não tem cidades… se você é desse time, então provavelmente considera Pokémon Red um RPG: tem cidades, você conversa com pessoas, e seus monstrinhos ganham EXP e avançam de nível.

Agora eu vou dizer por que eu acho que Pokémon Red não é RPG: as conversas e situações que você vai encontrar nas cidades são rasíssimas. As cidades são basicamente lugares nos quais você luta contra o big-treinador, tipo um boss. É bem basicão, nada de muito emocionante em termos de narrativa e bastante repetitivo em termos de jogabilidade.

O protagonista não tem nenhuma (eu disse NENHUMA) profundidade, e nem a história. Eventos emocionantes na trama? Esqueça. A ideia é simples: tornar-se o maior pokemaníaco virgem do mundo, coletando todos os pokémons. Em momento algum o jogo vai além disso. Também não é preciso usar a cuca ou ser particularmente engenhoso para resolver nenhum tipo de puzzle, é tudo bem simples e direto, favorecendo o quente do jogo, que são mesmo as batalhas. Não há personagens interessantes.

Peraí… não há personagens interessantes?

E os monstrinhos, não contam?

Mas é claro que contam! Na verdade, ELES são os personagens interessantes do jogo, as estrelas do show. São diferentões, carismáticos, a razão de ser da coisa toda.

Você começa com um só, e ao andar por certas áreas do mapa ou conversar com outros treinadores entra em batalha com outros pokémons. Se usar sua cápsula quando o monstrinho inimigo estiver fraco, pode capturá-lo e trazê-lo para o seu time. A variedade é grande (na verdade, enorme) e os bichos são mesmo muito bacanas.

A batalha é por turnos, e você escolhe qual ataque vai usar contra o inimigo. As opções de ataque de cada bichinho podem incluir habilidades de alteração de status e ataques mais fracos, porém mais velozes — que podem ser úteis naqueles momentos críticos de os-dois-estão-fracos-quem-bater-primeiro-ganha. É verdade que cada pokémon tem poucos movimentos disponíveis, mas a graça aparece quando você junta um monte deles, e precisa saber quando trocar de criatura (em pleno combate) para aproveitar certas habilidades que outro monstrinho tenha. Como cada pokémon é de um tipo diferente (pássaro, réptil etc), o truque para vencer está em em saber qual é o bichinho mais adequado para cada situação — o pokemón-passarinho é ótimo contra o pokémon-minhoca, por exemplo.

[as crianças] não dizem “eu quero ser o Ash [protagonista do desenho]”. Elas dizem “eu quero ficar com o Pikachu o tempo todo.”
— Junichi Masuda, diretor da série de games Pokémon

São 150 pokémons no total (e você precisa jogar o jogo “irmão” deste título, Pokémon Blue, se quiser “catch ’em all”). Como só oito seis ficam “no banco”, podendo ser chamados para “entrar em campo” no meio de um combate, você vai ter que conhecer bem os bichinhos para montar um time equilibrado, tendo sempre um pokémon apto a lidar com um tipo específico de adversário. O resto fica no computador, e precisa ser trazido para a “mochila” do protagonista Ash Red de antemão. Para quem curte estatísticas, é um delírio. Eu confesso que detesto, e seria muito mais feliz se meus RPGs tivessem menos números *heresia detected*.

Há um espaço para personalizar os pokémons com o uso de itens especiais, que ensinam técnicas. É preciso pensar bem, porque cada pokémon pode usar poucas técnicas, e você não vai querer montar um quadro ruim de habilidades para um pokémon que poderia ser um “craque”.

Isso é RPG para você? Achar monstrinho, evoluir, achar monstrinho, evoluir, repetir, repetir, repetir? Então pokémon é RPG.

Tá, mas isso presta?

Olha, para quem joga os Final Fantasies da vida e é fissurado em encontrar todos os itens, até os mais raros e escondidos nos lugares mais bizarros, Pokémon Red é uma orgia com top models. Dá trabalho achar os bichinhos, a “Pokedex” (sua enciclopédia de pokémons) vai ficando completa, e é bacana quando a gente vê que a lista tá crescendo. E ainda tem o lance do multiplayer, que eu não tive como testar, mas que para quem curte colecionar e evoluir criaturas deve ser o “ponto G” dos videogames, já que você pode usar as criaturas que treinou contra as do seu amigo e arrumar monstrinhos novos. Convenhamos, isso é bacana para caramba… para quem curte isso.

Mas sejamos francos, se você fosse esse tipo de gamer, que fuça tudo, que evolui seus protagonistas de RPG até o nível 99, que só larga o jogo quando encontra todos os itens secretos e não esquenta se a trama for fraquinha, certamente já teria se interessado há muito tempo por pokémon e não estaria aqui agora, lendo esta lenga-lenga, não é não? Pois bem, se até hoje você nunca se interessou pela série e agora está se perguntando se perdeu o bonde da história, eu te digo: não perdeu não, cara, esse negócio não é para você mesmo. Quer jogar por curiosidade histórica, jogue, mas eu vou logo avisando que lá para a metade você vai ficar cansado desse treco.

Tenham em mente que estou falando do Pokémon Red de Game Boy. Não joguei nenhum outro título, exceto por uma meia horinha de Pokémon Black no Nintendo DS (o mais recente), que me pareceu exatamente o mesmo jogo, só que com gráficos melhores e um ou outro recurso novo para aprimorar um pouco a jogabilidade, mas sem oferecer grandes mudanças. Sei que o lance do multiplayer faz falta também, e que não seria justo fazer um review sem levar isso em conta. Mas este post NÃO É UM REVIEW, é um post para quem nunca se interessou por Pokémon e quer saber se vale ou não vale a viagem. E para essas pessoas, é tudo muito simples: se a mecânica de colecionar e evoluir não te atrai, acho muito difícil que você vá pegar um jogo da série e se viciar a esta altura do campeonato. Simples assim.

E pronto, depois de dizer que não gosto de Rocket Knight Adventure, agora eu digo que não curti Pokémon. Se o Gagá Games não afundar de vez agora, vou experimentar dizer que somos mais populares do que… bom, deixa pra lá 🙂

O Gagá responde: WTF is Pokémon?
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111 thoughts on “O Gagá responde: WTF is Pokémon?

  • 02/08/2011 at 10:55 am
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    Bem, como old gamer eu gosto dos pokemons pela história rala que tem em algumas versões, por exemplo utilizando a ótima tradução do CRISTAL, você pode ver alguma coisa legal atrás de milhares de lutinhas, também tem a versão YELLOW que é mais parecida com o anime do que com a série comum (já que é a primeira que você tem o pikachu desde o inicio e os nomes dos personagens como no anime), os de GBA são jogos bons, equilibrados e com uma história melhor desenvolvida em relação aos do GBC, menos os remakes do RED e GREEN. Bem, joguem os traduzidos para GBA, principalmente o CRISTAL, está muito boa a tradução e é um dos melhores, mais equilibrados. E o pokemon é ótimo para o seu fim, jogar em portáteis, visto que você pode salvar em qualquer canto e etc, assim, recomendo jogar no Dingoo.

    []´

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  • 03/08/2011 at 10:47 am
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    Não sou nenhum pokemaníaco mas,dizer que pokemon não tem estoria e nem puzzle é um erro,que até se justifica por você ter jogado napenas o “red”.Aconselho então que você jogue então o “emerald” esse por sua vez tem até em português,e uma estoria mais complexa tendo até que ser obrigado a salvar o mundo.

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  • 03/08/2011 at 4:16 pm
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    Uma criança que viveu nos anos 90 e não era fissurado em pokémon era um holograma, uma miragem, um vórtex, qualquer coisa do tipo mas não um ser humano normal. Poderia fazer uma bíblia sobre esse jogo, mas já tem 3 páginas só de comentários e também não estou com tanto saco pra isso haha.

    Só falu uma coisa: é que o Gagá não viu os creepypasta envolvendo Pokémon, dai ele ia ver o que é enredo profundo e tocante (sério).

    Os fãs de pokémon viveram na infância com eles e quando cresceu não desligou da série e o continuou achando interessante. Se algum marmanjo nunca se interessou pela série quando era guri não faz sentido algum se interessar agora, então tá perdoado Gagá, mas só dessa vez hein…

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  • 03/08/2011 at 4:33 pm
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    @Vike

    Quando Pokémon estreou na TV brasileira eu tinha entre 10 e 12 anos (não lembro a data exata) e eu simplesmente odiava esse desenho! Todo mundo que eu conhecia era simplesmente fissurado por esse desenho e consumiam todo e qualquer produto com Pikachu & cia, fazendo com que eu me sentisse até meio deslocado por não conhecer nada disso.

    Pra mim, ele só servia pra atrasar o desenho do Beast Wars, que estreou na mesma época e no mesmo programa.

    Já os jogos eu acho bem legais, apesar da maioria deles ser bem parecidos.

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  • 04/08/2011 at 10:24 pm
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    @Vike

    Aí é que tá. Eu não joguei isso na época. Nunca tive Gameboy, nem Nintendo DS. Meu único videogame portátil foi aquele mini-game pirata com 9999 versões de tetris e o jogo da cobrinha.

    Só fui jogar Pokémon depois de velho, quando consegui meu primeiro computador em 2005, então continuo afirmando que na minha infância eu não gostava de absolutamente NADA relacionado aos pokébichos.

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  • 10/08/2011 at 1:08 pm
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    Eu me sinto um privilegiado por conhecer pokemon antes dele “explodir” no Brasil… Já jogava antes mesmo de estreiar o desenho no Brasil no meu finado game boy pocket… Não vou tecer muita coisa pq o @Rafael00agent já disse tudo que tinha de ser dito… Ah, antes que digam qualquer coisa a minha infância foi sim nos anos 90 (tenho 24 anos). Bom, pra mim (e pras outras pessoas que jogam pokemon “profissionalmente” [sim, isso existe]) o lance todo é você preparar seus times de pokemons e batalhar com os amigos e até mesmo em torneios (sim, eles ainda existem)! O jogo não tem pretensão NENHUMA de ter uma história cativante etc etc etc, o lance todo são as batalhas. As versões novas que saem de um modo geral não trazem nenhuma novidade significativa em termos de história (e nem precisam), mas sempre trazem mecanicas novas de batalha e isso sim é o que importa (além, é claro, de pokemons novos). Mais ou menos assim:

    geração RGBY(gb)= pokemon e ponto
    geração GSC(gbc)= itens “equipados” nos pokemons que fazem seus efeitos automaticamente e/ou reforçam aspectos no seu pokemon (dentre um monte de outras novas mecanicas não necessariamente ligadas a batalhas)
    geração RSE e os remakes de RG(gba)= adição de “naturezas” nos pokemons que fazem eles se desenvolverem de modo diferente e tambem os combates em dupla
    geração DPPt e os remakes de GS= deixaram tudo da geração RSE maior e ainda trouxe de volta algumas mecânicas da geração GSC que não estavam presentes na geração anterior.

    Ainda não tive contato com a geração BW mas sei que na parte de batalhes eles trouxeram de novo as “triple battles”.

    Acabou que eu falei demais mas é qe gosto muito de pokemon ^^

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  • 12/09/2012 at 2:49 pm
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    Ah, essa juventude de hoje em dia…
    Mas até que eu não tô tão por fora assim!…

    Eu, com uma certa dificuldade de enxergar, encarei o Pokémon Emerald, do Visual Boy Advance.

    Com a paciência de um jogador de bocha, eu consegui pegar TODOS os pokémons daquela versão.
    Mas devo confessar que usei TUDO O QUE ESTAVA AO MEU ALCANCE…
    E nem assim foi fácil.

    E confesso que conheci o desenho pouco antes de conhecer os games de Pokémon, mesmo sabendo que o jogo é que veio primeiro.

    É, Pokémon é mais velho do que a gente imaginava…
    E já teve até uma morte no desenho.

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