Jaguar: conheça o 64 bits da Atari

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Olá amigos do Gagá Games.

Depois de um periodo ausente por diversos problemas pessoais, estou de volta e se Deus quiser com força total. Aproveitando que nosso querido e rabugento chefinho liberou a geração de 64 bits aqui no asilo, vou apresentar este console sobre o qual todo mundo já deve ter ouvido, mas que talvez nunca sequer tenha visto de perto.

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À esquerda o Jaguar como vinha da loja. À direita a parte de cima e de baixo da placa-mãe do console.

Ficha técnica:
Ano de lançamento: 18/11/1993, EUA
Fabricante: IBM, Atari

Na minha época de colecionador, eu fui um infeliz proprietário deste sistema. Infeliz? Isso mesmo! E vocês leitores já vão entender o porquê.

Todos nós sabemos que, em termos de hardware, os únicos sucessos de venda da Atari foram os Arcades Pong e o Atari 2600. Mas o Jaguar foi o auge do fracasso, mesmo se levarmos em conta o vexame dos sistemas Atari 5200 e 7800. Vamos ver como foi isso.

A história:

Tudo começou nos tempos da briga entre o Sega Mega Drive e o Super Nintendo, no auge da disputa pelo consumidor. Os chamados consoles da 4° geração estavam em sua melhor fase e os novos consoles da chamada 5° geração, representados até o momento somente pelo 3DO, começavam a entrar em cena. Na época, a Atari desenvolvia dois sistemas distintos: o Phanter era um sistema de 32 bits que devido a problemas de desenvolvimento foi cancelado, e o Jaguar era um sistema de 64 bits; ambos projetados para concorrer diretamente com o Super NES e o Mega Drive.

Em 1993, quando o Atari Jaguar foi lançado experimentalmente por $200,00 doletas em duas cidades norte-americanas (Nova York e São Francisco), você levava para casa um pacote contendo o console em sí, um cartucho Cybermorph, um controle e um cabo RF. A promessa era “pouca grana e muitos bits”. E realmente ficou na promessa.

jaguar-005O Jaguar em toda sua beleza (ou feiúra)…

Cybermorph era um jogo incrivelmente tosco, com gráficos poligonais feios, poucas e horrorosas texturas e nenhuma música. Os efeitos sonoros pareciam ter sido tirados de River Raid do Atari 2600. Os controles eram extremamente ruins, lentos e imprecisos. E o pior é que os jogos seguintes mantiveram o padrão “porcão”, mostrando somente as deficiências gritantes do sistema, como limitações de sprites, poucos canais de som (cartuchos como Raiden possuíam seu próprio processador de som, é mole?) e controles complicados. Diante disso, poucas empresas de jogos se propuseram a lançar títulos para o Jaguar. Depois de quase dois anos de existência, pouco mais de 50 títulos haviam sido lançados. Era o começo do fim…

Os acessórios:

Vou começar pelos controles. Pelo amor de Deus, mesmo depois do fracasso do Atari 5200, a atari insistiu em usar um teclado numérico em seus controles, onde as teclas receberiam funções de acordo com o jogo, sendo ilustradas com overlays (pra quem não sabe, os overlays eram películas plásticas que se encaixavam em cima do teclado numérico do controle). Esse esquema já não tinha dado certo antes, e desta vez não foi diferente. Depois a Atari lançou uma versão “Pro” para jogos de lutas, com mais 3 botões de ação, mas igualmente ruim. Eu acho que a Atari tava doida era pra fazer um aparelho de telefone :)

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Os controles do jaguar em suas versões “normal” e “pro”

Outro acessório curioso foi o chamado Cat Box (único acessório lançado por outra empresa para o Jaguar), que consistia em uma caixa com duas saídas para fones de ouvido com controle de volume, uma saida RGB para monitor, saidas de audio estéreo e mono, saida S-Video, placa de modem e um dispositivo de rede (Jaglink Interface para ligar dois Jaguares). Além dos tradicionais RF, AV, fontes, também foi lançado um multitap, que só foi usado por uns três jogos, e o Jag Link Interface que, como dito antes, serve para conectar dois Jaguares, mas também não foram lançados muitos jogos que tirassem proveito dele.

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O multitap que a Atari batizou de “Team Tap” e o CatBox lançado pela americana ICD.

Tentando salvar seu Jaguar do fracasso iminente, em 1995 a Atari lançou no mercado o Jaguar CD, uma tentativa desesperada de dar mais fôlego ao seu console. Era um CD-ROM double speed que se encaixava por cima do console, mas a empreitada não deu certo. A falta de produtoras de jogos que dessem suporte ao acessório e a republicação de títulos lançados originalmente em cartuchos sem nenhuma diferença ou atrativo fizeram com que o Atari Jaguar e o Jaguar CD encerraram suas carreiras em 1996. Tudo leva a crer que naquele momento a Atari desistiu de tentar repetir o sucesso do Atari 2600 (ao menos não parecem haver planos concretos de uma nova investida na área no momento).

No total, foram lançados apenas 14 títulos para o Jaguar CD. O design também virou motivo de chacota: quando juntávamos o Atari Jaguar ao Jaguar CD, o resultado final lembrava uma privada :)

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A caixa do Jaguar CD com a caixa do Memory Track e o add-on Jaguar CD.

Um único acessório foi lançado para o Jaguar CD, um cartucho de memória chamado Memory Track. Ele salvava os dados dos jogos em CD, uma vez que o aparelho não possuia memória interna.

Agora que apresentei aos senhores o console, fiquem ligados porque em breve falarei sobre seus jogos. Aquele abraço!

jaguar-010O Jaguar CD acoplado ao Jaguar. Reparem no desing. Qualquer semelhança com um vaso sanitário é mera coincidência.

About Piga "the ancient alien"

Gamer desde criancinha, teve tudo quanto é console e computadores antigos, dos mais populares aos mais obscuros. Pegou a doença do colecionismo, mas hoje está curado (em constante observação). Gosta de relembrar velhas histórias e compartilhar experiências. Sem "ismos", joga do mais antigo ao mais novo.